FAZER LOGINQuando a onda de choque lançou Maia pelo ar e a fez rolar penhasco abaixo, ela perdeu a consciência na hora e não soube que o corpo dela tinha ficado preso entre pedras salientes da encosta.A chuva gelada encharcou o corpo inteiro dela. Maia abriu os olhos, meio grogue. Acima da cabeça dela, os estrondos dos tiros não paravam, misturados ao barulho pesado das hélices do helicóptero.A chuva cortava o facho de luz que vinha do helicóptero e caía direto nos olhos dela. Ela não sentiu ardência nenhuma. Pelo contrário, ela abriu ainda mais os olhos.Ela levantou a mão e olhou para o corte nas costas da mão, que a água da chuva tinha lavado até a cor ficar mais clara."É, era só lavar que ficava tudo bem."Se ela lavasse tudo, ela podia fingir que nada tinha acontecido.Onde Fabiano tinha ido parar? Ela se lembrava de que, no momento da explosão, ela tinha se atirado em cima de Fabiano e os dois tinham despencado juntos do penhasco.Maia ergueu a cabeça e olhou para cima. O topo da montanh
Quando Ivone ouviu Fabiano dizer que ia carregá-la nas costas, ela recuou meio passo por instinto, mas o pulso dela foi imediatamente preso pela mão de Fabiano.Parecia que os dois estivessem ligados por uma corda elástica invisível. Assim que ela deu um passo para trás, ele a puxou de volta, ergueu a mão e afastou, atrás da cabeça dela, um galho que quase tinha espetado a testa dela.— Não é como se eu nunca tivesse te levado nas costas antes. — Disse Fabiano, com um tom cheio de segundas intenções.Depois ele puxou Ivone para mais perto, virou de costas e assumiu a posição de quem ia carregá-la. A mão que antes segurava o pulso dela escorregou para trás até encostar na lombar dela, colada às costas.Ivone estremeceu e apoiou as duas mãos com força nas costas largas dele. Ela insistiu:— Eu já falei que não precisa.Só naquele toque ela percebeu que a roupa dele estava encharcada.Também, era claro. Eles tinham andado todo aquele caminho debaixo de chuva, com água caindo do céu e ping
Rui se levantou e pegou duas armas. Ele enfiou uma na cintura e segurou a outra na mão. Depois ele caminhou até a porta da cabine e falou no fone de comunicação:— Vocês me dão cobertura.Rui puxou a porta da cabine e, agarrado ao cabo de descida do helicóptero, desceu rapidamente até o chão.Aquela aeronave voou na direção do penhasco de onde Fabiano tinha acabado de despencar.Rui largou o cabo. Ele foi disparando tiros para todos os lados enquanto corria atrás de Enzo, entrando na mata em que Enzo tinha se escondido.Ele lançou um olhar rápido em direção ao penhasco.Se fosse só o Fabiano, aquele tipo de despenhadeiro não seria problema para ele. O problema era que ele estava protegendo Ivone, e isso deixava tudo muito mais complicado.Naquele ponto da mata, o mato chegava a mais de um metro de altura, o que tornava o terreno ainda mais difícil do que na serra deserta do lado da região de Uíge por onde eles tinham passado um pouco antes.Aquela área ficava na divisa entre dois paíse
Ivone sentiu a testa queimar. Ela quis erguer a mão para levar os dedos à própria testa, mas, no segundo seguinte, Fabiano já tinha soltado a cintura dela e prendido firme a mão dela com a mão dele.A mão dela estava gelada. A mão dele estava quente.— Um, dois, três! — Gritou Fabiano.No exato momento em que o corpo de Ivone foi lançado para cima pela força dos músculos dele, o calor daquela mão que segurava a dela com tanta firmeza simplesmente desapareceu.Fabiano soltou a mão dela.Ivone foi arremessada para a beira da mata do outro lado. Ela agarrou com todas as forças uma das trepadeiras que desciam do barranco, mordeu a arma para liberar as mãos e começou a subir, usando braços e pernas.Assim que ela conseguiu alcançar o chão firme da mata, atrás dela ecoou de repente um estalo, seguido pelo som de pedras despencando. A mão que segurava a arma parou no ar, e o sangue pareceu voltar inteiro para o coração. O coração de Ivone deu um tranco tão forte dentro do peito que tudo escur
Os helicópteros travavam combate no ar, e Douglas não tinha a menor condição de subir em nenhum deles.O braço de Enzo ainda sangrava. Ele colocou o corpo de Douglas atrás do seu e falou:— Dom Douglas, vamos primeiro entrar na mata.Só que o número de seguranças de Fabiano continuava aumentando, e os homens que Dom Douglas tinha deixado na retaguarda para dar apoio também já tinham entrado naquele trecho de montanha e avançavam rápido naquela direção.Mesmo assim, naquele momento, o mais urgente era garantir que Dom Douglas escapasse vivo daquele tiroteio.Enzo, com o braço ferido, levou a mão para a parte de trás da cintura e puxou uma granada.Os olhos de Douglas brilharam com um lampejo gelado:— Explode o Fabiano.A granada começou a soltar fumaça branca e, sob o clarão pálido da lua, explodiu com um estrondo.Ivone só sentiu um zumbido tomar conta dos ouvidos. No segundo seguinte, o corpo dela foi envolvido com força por um dos braços fortes de Fabiano, enquanto uma mão grande e
Maia sempre manteve o olhar preso em cada movimento de Ivone.Já que todas as principais saídas de Uíge estavam bloqueadas, com certeza quem tinha feito isso tinha sido a família Moraes e a família Braga. Eles podiam alcançar o grupo a qualquer momento para resgatar Ivone.Eles estavam contra o tempo. O embarque no helicóptero seria às pressas e, naquela correria, com certeza apareceria alguma brecha na defesa. Por isso, Maia tinha planejado esperar todos embarcarem rápido no helicóptero e, no exato instante em que a porta da cabine se fechasse, ela ia esfaquear Ivone com o canivete de mola e, em seguida, jogar o corpo para fora, deixando Ivone despencar pelo outro lado do topo da montanha, ladeira abaixo naquele barranco íngreme.Maia vigiava cada gesto de Ivone e, por isso, ela foi a primeira a perceber o momento em que Ivone tomou a arma de Enzo.No exato segundo em que Ivone apontou a arma para Douglas e atirou, Maia puxou a arma do segurança ao lado dela e usou o próprio segurança







