ログインOs dois permaneceram em silêncio por alguns segundos, olhando um para o outro. Depois de tanto tempo conversando por uma tela, finalmente estavam ali, no mesmo quarto, frente a frente. Helenice sentia o coração bater tão forte que parecia impossível que Robert não conseguisse ouvir.
Ele se aproximou devagar. Ela não recuou. Naquele instante, todas as palavras que haviam trocado durante meses pareciam pequenas diante do que estavam sentindo. O nervosismo ainda existia, mas agora vinha acompanhado de uma sensação diferente, difícil de explicar. Robert segurou a mão dela. Helenice sorriu timidamente. A música continuava tocando baixinho enquanto os dois se aproximavam cada vez mais, descobrindo aquela proximidade que até então só existia através de uma tela. — Você está nervosa? — ele perguntou. Ela respirou fundo antes de responder. — Muito. Robert sorriu. aquela sorriso fez Helenice finalmente relaxar. O que aconteceu naquela noite ficou guardado entre os dois, como uma lembrança que nenhum deles precisava transformar em palavras. O mundo lá fora continuou existindo, mas, durante aquelas horas, parecia distante. Quando a madrugada passou e os primeiros sinais da manhã começaram a aparecer, Helenice ainda estava acordada. Ela olhou para o relógio. Seis da manhã. Não conseguia acreditar que havia realmente feito aquilo: depois de tanto tempo fugindo, finalmente havia encontrado Robert. E, apesar de todas as inseguranças que carregava, naquele momento só conseguia pensar em uma coisa. Ela finalmente estava vivendo uma história que, durante meses, existira apenas dentro do celular. A noite continuou avançando até que a manhã chegou de verdade. Nove horas. Helenice olhou para Robert e sorriu. Talvez aquele fosse apenas o primeiro capítulo de algo que nenhum dos dois conseguiria imaginar naquele momento. Na manhã seguinte, Helenice se levantou ainda tentando entender tudo o que havia acontecido. O nervosismo da noite anterior parecia ter dado lugar a uma sensação diferente. Ela e Robert se olhavam e, mesmo sem dizer muita coisa, parecia existir uma intimidade que antes só conseguia existir através do celular. Agora não havia uma tela entre eles. Havia apenas aqueles olhares demorados, os pequenos sorrisos e a sensação estranha de finalmente estar diante de alguém que, durante tanto tempo, ela só conhecia por mensagens. Depois de algum tempo, Helenice decidiu tomar banho. A casa já estava acordada e ela percebeu que todos começavam a seguir suas rotinas normalmente. Antes de sair do quarto, Robert recebeu uma mensagem da irmã. Ele olhou para o celular e depois mostrou a mensagem para Helenice. Ela ficou sem graça. — Tomara que a gente não tenha feito tanta zoada nessa madrugada — brincou, tentando disfarçar o constrangimento. Os dois riram baixinho. Helenice saiu do quarto e foi tomar banho, que ficava praticamente em frente. Depois, colocou uma roupa mais confortável e pegou o celular. Foi quando seu coração parou. A tela estava cheia de notificações. Mensagens da mãe. Da tia. Da irmã. Do irmão. Pessoas perguntando onde ela estava, por que não havia respondido e se estava bem. Helenice ficou olhando para aquela quantidade de mensagens sem conseguir respirar direito. Naquele instante, a realidade voltou com força. Ela havia saído escondida. Ninguém sabia onde estava. Tinha apenas quinze anos. E agora havia uma família inteira procurando por ela. O desespero tomou conta. — Eu preciso ir embora... Ela começou a juntar suas coisas rapidamente. — Preciso ir embora agora. Helenice sabia que não poderia explicar tudo naquele momento. Não poderia simplesmente contar para todos naquela casa o que havia feito, muito menos imaginar o que aconteceria quando sua família descobrisse. Pegou suas coisas, colocou o celular no bolso e tentou organizar os pensamentos. Precisava voltar. Precisava enfrentar as mensagens. Precisava descobrir o que dizer. Foi quando, já perto da porta, ouviu uma voz atrás dela. — Helenice! Ela congelou. Por alguns segundos, não conseguiu nem se virar. Aquela voz tinha mudado completamente o rumo daquela manhã. Helenice respirou fundo e virou lentamente. E, naquele instante, percebeu que talvez ir embora não fosse ser tão simples quanto havia imaginado. Helenice congelou Por alguns segundos, ficou completamente imóvel, tentando entender quem havia chamado seu nome. Respirou fundo e se virou lentamente. Era a mãe dela. O coração de Helenice despencou. Ela não fazia ideia de como explicar aquela situação. Não sabia por onde começar, nem qual das tantas mentiras teria que desfazer primeiro. Naquele momento, tudo parecia ter saído do controle. A única pessoa em quem Helenice havia confiado para saber onde ela estava era sua irmã. Antes de sair, havia contado tudo a ela, mandado sua localização e perguntado se realmente deveria fazer aquilo. Helenice acreditou que podia confiar nela. Acreditou que, se alguma coisa desse errado, teria alguém para ajudá-la. Mas agora sua mãe estava ali. E parecia um vulcão prestes a entrar em erupção. — Você sumiu! — a mãe gritou. — Você desapareceu! Como é que você faz uma coisa dessas? Helenice abaixou os olhos. — Mãe... — Não! Você vai me explicar! Você foi para a casa de um homem sem falar nada para ninguém! A gente ficou desesperado! Você não respondia! A gente quase foi à delegacia! Cada palavra fazia Helenice sentir o peso daquilo que havia feito. Robert permaneceu em silêncio. Ele também parecia completamente perdido. Até poucos minutos antes, imaginava que aquela manhã seria tranquila. Agora estava sentado ao lado de Helenice, diante da mãe dela, tentando entender como aquela situação havia chegado tão longe. A mãe de Robert tentou intervir. — Calma, vamos conversar... — Eu estou tentando conversar! — respondeu a mãe de Helenice, ainda alterada. — Mas como eu fico sabendo que minha filha está aqui? Como eu descubro que ela saiu escondida e ninguém sabia onde ela estava? Laís também tentou ajudar. — Ela está bem. A gente ficou com ela o tempo todo... Mas aquilo não diminuía a preocupação. Helenice estava sentada ao lado de Robert, praticamente sem conseguir levantar os olhos. Os dois se olhavam de vez em quando, sem saber o que dizer. Ele não imaginava que conheceria a mãe dela daquela maneira. E ela jamais imaginou que aquela manhã tranquila terminaria com sua família inteira envolvida. Helenice tentava pensar em alguma explicação, mas sua mente parecia vazia. Tudo o que conseguia lembrar era da noite anterior, da coragem que havia reunido para finalmente encontrá-lo e de como, apesar de todo o medo, havia sentido que estava vivendo algo importante. Agora, porém, aquilo parecia tão distante. — Fala alguma coisa, Helenice! — a mãe insistiu. — Eu quero entender por que você fez isso! Ela levantou os olhos. Queria explicar. Queria dizer que não havia feito aquilo para machucar ninguém. Que simplesmente estava apaixonada. Que havia passado tanto tempo conversando com Robert que, em algum momento, ele deixou de ser apenas alguém do outro lado da tela. Ele havia se tornado alguém importante demais. Mas como explicar isso para uma mãe que acabou de passar horas sem saber onde a própria filha estava? Nenhuma palavra parecia suficiente. Helenice respirou fundo. — Eu só... queria conhecer ele. O silêncio tomou conta da sala. Robert olhou para ela. A mãe dela fechou os olhos por alguns segundos, como se estivesse tentando controlar a própria raiva. Naquele momento, Helenice percebeu que aquela história tinha acabado de ficar muito maior do que imaginava. Ela tinha saído de casa pensando que viveria apenas uma noite que guardaria para si. Agora, sua mãe estava ali, as duas famílias estavam envolvidas e todos queriam respostas. E, pela primeira vez, Helenice começou a entender que algumas escolhas podem mudar tudo muito mais rápido do que a gente consegue imaginar. Foi então que Helenice olhou novamente para a sala e percebeu uma pessoa que não esperava ver ali. Uma antiga amiga. Uma pessoa com quem ela já havia tido proximidade, mas de quem havia se afastado há algum tempo. E, naquele instante, Helenice entendeu que aquela amiga havia sido uma das pessoas que ajudaram sua mãe a descobrir onde ela estava. O olhar das duas se encontrou. Helenice sentiu uma coisa difícil de explicar. Não era apenas raiva. Era a sensação de que alguém havia entrado em uma história que era dela, interferido em um momento que ela havia planejado durante tanto tempo e, principalmente, tirado dela a sensação de que ainda tinha algum controle sobre a própria vida. Ela pensou: Você estragou tudo. Enquanto isso, a tensão na casa começava lentamente a diminuir. A mãe de Helenice ainda estava nervosa, sua tia também havia chegado e as duas tentavam aliviar a situação bebendo uma Heineken. A mãe de Robert fazia o possível para conversar com elas e impedir que aquela manhã terminasse em uma discussão ainda maior. Mas Helenice continuava furiosa. A antiga amiga se aproximou e pediu um iogurte. Helenice foi até a cozinha, abriu a geladeira e ficou alguns segundos parada. Sua raiva estava tão grande que, por um instante, teve vontade de fazer alguma coisa impulsiva, qualquer coisa que demonstrasse o quanto estava magoada. Mas parou. Respirou fundo. Olhou para o que tinha nas mãos e percebeu que aquilo não faria a situação desaparecer. Pelo contrário. Poderia transformar uma manhã caótica em algo muito pior. Ela colocou o que estava segurando de lado e entregou apenas o iogurte. — Toma. A amiga pegou. Helenice a encarou em silêncio. Naquele momento, percebeu que o verdadeiro motivo de estar tão furiosa não era apenas ter sido descoberta. Era porque, aos quinze anos, acreditava que finalmente havia encontrado alguma coisa que era só dela. Ela queria viver aquele sentimento. Queria descobrir o que era amar alguém. Queria ter a oportunidade de escolher por si mesma. E agora estava cercada de adultos, perguntas, cobranças e olhares, tentando explicar uma decisão que nem ela sabia completamente como justificar. Helenice olhou para Robert. Ele estava ali, quieto, observando tudo. Por alguns segundos, os dois trocaram um olhar. E ela percebeu que, apesar de toda aquela confusão, havia uma coisa que continuava intacta dentro dela. Ela ainda queria acreditar naquela história. Só não sabia quanto teria que enfrentar para conseguir vivê-la.Tudo parecia tão tranquilo. Eu e Robert estávamos nos dando muito bem. A convivência estava leve, as brincadeiras eram constantes e até as pequenas implicâncias já faziam parte da nossa rotina. Eu gostava de estar com ele, gostava de usar minha aliança e, principalmente, gostava de como as coisas estavam acontecendo entre nós.Naquela tarde, o primo de Robert ligou convidando-o para beber na casa dele.— Meu primo chamou a gente para ir lá — Robert comentou, enquanto mexia no celular.— Quem vai estar?— Ele e a esposa. A gente fica um pouco por lá, come alguma coisa e depois volta.— Por mim, tudo bem.Comecei a me arrumar. Escolhi uma roupa, ajeitei o cabelo e coloquei minha aliança com aquele cuidado de sempre. Robert percebeu enquanto procurava a carteira.— Está toda bonita.— Tenho que fazer bonito, né?— Para quem?— Para mim mesma, querido.Ele riu e me deu um beijo antes de sairmos.Quando chegamos, fomos recebidos pelo primo dele e pela esposa. A casa estava animada, havia m
Acordei com a claridade entrando pela janela. Robert ainda estava dormindo, deitado de barriga para baixo, com o rosto virado na minha direção. Fiquei alguns segundos tentando encontrar meu celular, que estava perdido entre os lençóis. Quando finalmente consegui pegá-lo, olhei as horas. — Meu Deus, Robert! — falei, cutucando seu braço. Ele resmungou alguma coisa. — Acorda! — Que foi, mulher? — Já está tarde. — E daí? Comecei a rir. — Você não tem jeito. Ele abriu um dos olhos e me olhou. — Bom dia para você também. — Bom dia, preguiçoso. Robert esticou o braço, me puxou pela cintura e me deu um beijo. Depois voltou a fechar os olhos. — Não começa a dormir de novo — avisei. — Só mais cinco minutos. — Você falou isso ontem. — E funcionou. Levantei da cama e procurei minha roupa. Enquanto me arrumava, ele ficou acompanhando meus movimentos. — Está me olhando por quê? — perguntei. — Porque você está fazendo uma bagunça no meu quarto. Olhei ao redor. Minha bolsa estava
Eu ainda estava tentando entender o que estava acontecendo quando Robert colocou a mão no bolso. Meu coração parecia bater na garganta. Olhei para ele, depois para a mãe dele, que já estava com um sorriso no rosto. O pai também parecia saber exatamente o que estava acontecendo. Robert continuava sentado na cadeira. Não se levantou, não fez nenhum discurso exagerado. Apenas colocou uma pequena caixa sobre a mesa e segurou minha mão. — Helenice, olha para mim. Levantei os olhos. Ele abriu a caixa. Dentro estavam três alianças: uma solitária e duas alianças de compromisso, uma para ele e outra para mim. Naquele instante, perdi completamente a capacidade de falar. Eu sabia que Robert tinha comprado alianças. Já tinha percebido algumas conversas suspeitas e até desconfiado de que ele estava preparando alguma coisa. Mas não imaginava que seria tão rápido. Muito menos naquela noite. Ele passou o polegar sobre minha mão e perguntou: — Você quer ser minha noiva? Fiquei olha
A semana começou como qualquer outra. Eu e Robert continuávamos naquela fase em que qualquer oportunidade de conversar se transformava em horas de ligação, mensagens e brincadeiras. Estávamos nos conhecendo cada vez mais, e eu gostava de perceber como ele fazia questão de me incluir nas pequenas coisas do dia a dia. Mas, naquela semana, Robert começou a agir de uma maneira diferente. Tudo começou com uma mensagem numa manhã. Robert: Amor, você vai fazer a unha essa semana? Eu: Acho que vou. Por quê? Robert: Então faça. Eu: Eu já estava pensando nisso. Robert: Vou mandar o dinheiro. Quero você com as unhas feitas. Fiquei olhando para a tela, sorrindo discretamente. Eu já tinha o costume de fazer as unhas. Não era algo novo na minha rotina. Mas uma coisa era cuidar de mim com meu próprio dinheiro; outra era aceitar que Robert pagasse. Eu não queria passar a impressão de que estava me aproximando dele por interesse ou que esperava que ele custeasse minhas coisas. Eu: Amor, não
Helenice Acordei devagar, sentindo um braço pesado ao redor da minha cintura. Por alguns segundos, fiquei quietinha, tentando entender onde estava. Então senti aquele perfume familiar e sorri antes mesmo de abrir os olhos completamente. Robert. Eu estava na casa dele, deitada ao lado do homem que, nas últimas semanas, tinha conseguido transformar meus pensamentos em uma verdadeira confusão de saudade, carinho e paixão. Virei o rosto devagar e encontrei Robert dormindo tranquilamente. Ele estava tão lindo que fiquei alguns instantes apenas observando seu rosto. Meu Deus, como esse homem consegue ser tão bonito até dormindo? Passei os dedos delicadamente pelo cabelo dele, tentando não acordá-lo. Não adiantou. — Está me olhando por quê, hein? — ele perguntou, ainda de olhos fechados. Levei um susto. — Meu Deus, Robert! Você estava acordado? Ele abriu os olhos e sorriu. — Faz um tempinho. — E ficou fingindo que estava dormindo? — Eu estava gostando do carinho.
O tempo parecia passar rápido demais quando eu estava com Robert. Era como se, perto dele, as horas corressem só para me lembrar de que eu ainda tinha uma vida esperando por mim do lado de fora daquela casa. Naquela manhã, depois de assistirmos a alguns episódios da série com Levi, percebi que já estava ficando tarde. Eu precisava ir para casa. Robert estava deitado no sofá, com um braço apoiado atrás da minha cabeça, enquanto eu mexia distraidamente nos dedos dele. — Amor, acho que vou indo. — falei baixinho. Ele virou o rosto na minha direção. — Já? — Já, Robert. Eu dormi aqui uma vez essa semana. Não quero ficar vindo todos os dias e acabar parecendo que não tenho mais casa. Ele franziu a testa, fazendo aquela expressão de quem não tinha gostado nem um pouquinho da minha decisão. — Mas você acabou de chegar na minha vida. Eu quero aproveitar cada segundo com você. Sorri, apertando a mão dele. — E eu também quero ficar com você. Mas a gente precisa ir com calma. Não quero