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Entre o Amor e a Dor

last update 公開日: 2026-10-02 20:22:56

Dia 20 de fevereiro finalmente chegou.

Helenice havia pensado naquele dia inúmeras vezes, mas agora que ele realmente estava ali, tudo parecia mais assustador do que em sua imaginação. Ela tinha decidido que, dessa vez, iria até Robert. Não haveria desculpa, não haveria bloqueio, não haveria uma nova fuga.

Sua mãe não fazia ideia do que ela estava planejando. Depois da escola, Helenice costumava ficar em casa sozinha, mas naquele dia inventou uma história diferente. Foi para a casa de uma amiga e disse que dormiria lá.

Mas não dormiria.

Naquela noite, Helenice entrou em um Uber com o coração disparado. Enquanto o carro seguia em direção ao endereço de Robert, ela olhava pela janela e tentava controlar o nervosismo.

Até que, depois de alguns minutos em silêncio, acabou desabafando com o motorista:

— Moço... eu não sei como ele é. Eu não sei como vai ser quando eu chegar. Estou com medo. Eu nem sei direito o que estou fazendo.

O motorista a olhou pelo retrovisor, preocupado.

— Mas você conhece essa pessoa?

Helenice respirou fundo.

— Conheço... quer dizer, eu conheço pelas conversas. A gente conversa há muito tempo. Só que nunca se encontrou. E eu estou indo porque... meu coração está dizendo que ele é a pessoa certa. Depois de tanto tempo, eu quero finalmente conhecer ele.

O motorista pareceu ainda mais apreensivo. Afinal, ali estava uma adolescente indo sozinha encontrar alguém que conhecia apenas pela internet.

Por precaução, ele pediu o número de Helenice.

— Se acontecer qualquer coisa, me liga. Vou deixar meu número também.

Ela concordou.

Ninguém sabia daquela decisão. Ou quase ninguém.

Sua irmã sabia.

E, mesmo sabendo que aquilo poderia colocá-la em uma situação complicada, decidiu apoiá-la. Helenice confiava nela e, naquele momento, precisava acreditar que alguém estava ao seu lado.

Quando o carro finalmente chegou ao destino, Helenice sentiu o coração acelerar ainda mais.

Era agora.

Ela desceu do Uber e esperou enquanto Robert fazia o pagamento. Seus olhos procuravam por ele, mas, ao mesmo tempo, pareciam querer fugir de tudo aquilo.

Quando Robert terminou, Helenice simplesmente começou a andar.

Sem esperar.

Sem saber direito para onde estava indo.

Ela nem conhecia o caminho.

Robert ficou alguns passos atrás, observando-a, até perceber que ela estava seguindo para o lado errado.

— Não é por aí.

Helenice parou.

Ele apontou para o outro lado.

— É por cá.

Ela olhou para ele.

Por alguns segundos, os dois simplesmente se encararam.

Era a primeira vez que estavam frente a frente.

Depois de tantas mensagens, tantas conversas, tantos encontros marcados e desmarcados, finalmente estavam ali.

E nenhum dos dois conseguiu dizer uma palavra.

Helenice sentia vergonha. Robert também parecia diferente pessoalmente. Tudo aquilo que era tão fácil através de uma tela havia se tornado difícil de repente.

Então começaram a caminhar.

descemos a ladeira lado a lado, em silêncio.

Nenhuma conversa.

Nenhuma brincadeira.

Nenhum dos dois sabia exatamente o que dizer.

Até que, depois de alguns passos, Helenice percebeu que aquela noite não seria como nenhuma das conversas que haviam tido antes.

Porque, pela primeira vez, não existia uma tela entre eles.

Existiam apenas os dois.

E, enquanto descia aquela ladeira em silêncio, Helenice começou a se perguntar se havia acabado de tomar a decisão mais corajosa — ou mais impulsiva — de toda a sua vida.

Quando finalmente chegaram à casa de Robert, o silêncio continuava entre os dois. Helenice entrou ainda sem saber exatamente o que fazer ou para onde olhar. Tudo parecia estranho e familiar ao mesmo tempo. Era a casa do garoto com quem ela conversava todos os dias, mas, naquele momento, ele parecia quase um desconhecido.

Então, antes que pudesse pensar demais, Helenice viu uma criança.

Era Laura Sofia.

A menina se aproximou e, em poucos segundos, envolveu Helenice em um abraço apertado. Foi tão espontâneo e carinhoso que, por alguns instantes, todo o nervosismo desapareceu. Helenice retribuiu o abraço com a mesma intensidade, sentindo que, de alguma forma, aquele pequeno gesto havia quebrado a tensão que existia desde que ela desceu do carro.

Robert então apresentou sua irmã.

— Essa é minha irmã.

— Oi, meu nome é Helenice.

A menina sorrindo

— Oi, meu nome é Laís. Você tem quantos anos?

— Quinze.

Laís arregalou os olhos.

— Novinha.

Helenice riu, ainda tímida.

Pouco depois, Robert avisou que iria tomar banho. E, para surpresa de Helenice, deixou-a ali com Laís.

Foi naquele momento que Laís começou a conversar com ela como se já a conhecesse havia muito tempo. Em poucos minutos, contou histórias da própria vida, falou sobre coisas que sentia e fez Helenice se sentir acolhida de uma maneira que ela não esperava.

Mesmo assim, uma parte dela continuava inquieta.

Porque Robert estava ali.

O mesmo Robert que ela conhecia pelas mensagens.

O mesmo que havia esperado por ela durante tanto tempo.

O mesmo que, minutos antes, havia caminhado ao seu lado por uma ladeira inteira sem conseguir dizer quase nada.

Helenice ainda tentava encontrar alguma resposta no olhar dele. Durante o caminho, os olhos dos dois haviam se cruzado algumas vezes. Eles se encaravam por alguns segundos, mas nenhum deles parecia saber o que fazer depois.

Não havia acontecido aquele momento mágico que Helenice imaginara tantas vezes.

Havia apenas nervosismo.

E talvez fosse exatamente isso que tornasse tudo ainda mais intenso.

Enquanto conversava com Laís, Helenice ouvia os barulhos do banho ao fundo e esperava. Não sabia o que aconteceria quando Robert voltasse, mas, apesar do medo, havia uma esperança dentro dela.

Finalmente, Robert apareceu.

Ele pegou uma garrafa de vinho e serviu uma taça para Helenice e outra para si.

Ela recebeu a taça com as mãos ainda um pouco trêmulas.

— Obrigada.

Robert apenas acenou com a cabeça.

Os dois beberam em silêncio.

Quando Helenice colocou a taça no chão, acabou batendo o pé nela sem querer.

— Desculpa! Desculpa, desculpa... eu não vi!

Robert olhou para a taça e depois para a irmã.

Os dois trocaram um olhar rápido.

Era a taça da mãe dele.

Por alguns segundos, parecia que aquilo poderia virar um problema enorme.

Mas Robert apenas respirou fundo.

— Sem problemas.

Pouco tempo depois, os pais de Robert chegaram trazendo bastante carne. A mãe dele entrou em casa alegre, cheia de energia, e recebeu Helenice com um abraço tão espontâneo que ela quase esqueceu que estava escondendo uma coisa enorme.

Ela foi levada para a cozinha, onde a mãe de Robert preparava a comida enquanto Laís continuava conversando com ela.

Então veio a pergunta que fez o coração de Helenice apertar.

— Sua mãe sabe que você está aqui?

Helenice hesitou por uma fração de segundo.

— Sabe.

Era mentira.

E ela sabia.

Mas naquele momento preferiu esconder a verdade.

Depois de tudo que havia feito para chegar até ali, não queria pensar no que aconteceria quando descobrissem.

Naquela noite, ela só queria aproveitar.

Ela estava finalmente ao lado do homem que amava.

Os dois chegaram até a tirar uma foto juntos, uma daquelas fotos simples que, naquele momento, pareciam guardar um significado enorme. Helenice olhou para a imagem e pensou que talvez aquele fosse o começo de tudo que havia imaginado.

Mas a noite ainda estava apenas começando.

Mais tarde, quando a casa começou a ficar silenciosa, surgiu a questão de onde Helenice dormiria.

A mãe de Robert perguntou:

— Você vai dormir com ele?

Robert respondeu antes dela:

— Vai.

A mãe imediatamente o repreendeu.

— Não. Ela não vai dormir com você.

Laís, por outro lado, tentou amenizar a situação:

— Eles já são conscientes. Podem dormir juntos.

Helenice permaneceu em silêncio.

Seu coração voltou a acelerar.

Depois de tantas horas tentando controlar o nervosismo, ela finalmente estava diante daquele momento que havia imaginado tantas vezes.

Robert abriu a porta do quarto.

Helenice entrou.

A música começou a tocar baixinho, e a luz deixava o ambiente com um tom avermelhado. Os dois ficaram frente a frente outra vez.

Só que agora não havia uma ladeira.

Não havia a família dele por perto.

Não havia o barulho da rua.

Não havia uma tela de celular para esconder o nervosismo.

Só os dois.

Helenice olhou para Robert.

Robert olhou para ela.

E, naquele instante, ela percebeu que não fazia ideia do que aconteceria dali em diante.

Mas sabia que aquela noite ficaria para sempre na memória dela.

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