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POV/ ILANAPassei os dedos pelos cabelos de Aléssia enquanto ela permanecia perto de mim. Elizabeth estava sentada ao lado, e eu tentava dividir a atenção entre as duas sem perder nenhum gesto.Minha filha de cabelos prateados ergueu o rosto.— Você está com dor?Assenti, mas não consegui explicar tudo o que doía.Lembrei de Rosália perguntando algo parecido quando me encontrava machucada. Ela procurava uma maneira de ajudar sem fazer com que eu precisasse contar diante de outras pessoas.Eu sabia o que Leopoldo fazia nos portos. Conhecia parte da exploração porque estava submetida a ela e porque ouvia conversas quando achavam que minha presença não importava.Também sabia que escondia aquilo dos Ferraro.Muitas vezes pensei que, se tivesse conseguido falar antes, talvez Rosália ainda estivesse viva. Voltava à mesma pergunta, embora soubesse o que Leopoldo ameaçava fazer com Aléssia se eu contasse.O medo não apagava a culpa.Houve uma vez em que ouvi Leopoldo pedir que Rosália fugiss
POV/ ILANAAléssia encostou a mão no meu braço quando minha respiração começou a ficar irregular.— Senta um pouco, mãe.Ela e Elizabeth me acompanharam até a cadeira perto da janela. Luca tentou se levantar, mas pedi que permanecesse onde estava. O movimento fez seu rosto se contrair, e esperei que encontrasse uma posição menos dolorosa antes de me sentar.Minhas filhas ficaram perto.Observei as mãos de Aléssia. Eu as conhecia pequenas, procurando meu cabelo, segurando a roupa e tentando alcançar coisas que deixava longe dela. Agora minha menina me ajudava a apoiar o corpo.Quando cheguei à fazenda, Kauan já existia. Cresceu me chamando de tia, embora eu cuidasse dele como de um filho.Depois nasceram minhas meninas.A gravidez não me protegeu de Leopoldo. Eu aprendia seus horários, o som dos passos e a maneira como pronunciava meu nome. Às vezes conseguia evitar uma agressão percebendo o que queria antes que precisasse repetir.O parto foi difícil. Lembrava da dor, das vozes e do e
NOTA DA AUTORA ❤️Meus amores, chegou a hora de conhecer melhor a história de Ilana e entender tudo o que ela viveu. Como já são muitos capítulos, pode haver alguma divergência com informações anteriores. Se perceberem, me avisem com carinho. 🥹Os próximos capítulos abordam exploração sexual, violência e tentativas de suicídio. Não descrevi as agressões em detalhes gráficos, mas a leitura pode despertar gatilhos. Cuidem de vocês. ❤️E uma confissão: minha ideia era que Ilana morresse, mas o pessoal do grupo pediu tanto por ela que eu respeitei! Eu levei em consideração. Vocês ajudaram a mudar esse destino. Agora, ela também merece espaço para contar a própria história. 🫶📖---------------------------------------------------------------------------------------------------POV/ ILANAElizabeth continuava com os braços ao meu redor quando encostei os lábios em seus cabelos. Aléssia estava do outro lado, apertada contra mim, e eu tentava encontrar uma maneira de segurar as duas sem prec
POV ELIZABETHA mulher se levantou, apoiando a mão na cadeira.— O que você está fazendo aqui? Você não devia ter vindo.— É uma história comprida. Está tudo bem.Minha irmã tentou sorrir, mas a voz saiu molhada.Fiquei perto da porta, olhando para as duas. Eu sabia que Ilana estava vendo a filha que criou entrar naquele quarto. Aléssia tinha ido embora, voltado e encontrado Luca ferido. Havia coisas demais acontecendo ao mesmo tempo.Mesmo assim, senti uma dor estranha ao perceber que ainda não tinha sido vista.Passei a língua pelos lábios.— Oi.Minha voz saiu tão baixa que precisei repetir.Ilana voltou o rosto.Seus olhos encontraram os meus, e tudo o que eu pensei em dizer desapareceu. Eu tinha imaginado perguntas, explicações e um abraço. Nunca imaginei que poderia ficar ali sem conseguir falar meu próprio nome.Ela olhou para o meu cabelo, para meu rosto e de novo para Aléssia.A mão que estava apoiada na cadeira se ergueu devagar.— Quem…Sua boca ficou entreaberta.Dei mais
POV/ ELIZABETHO homem que nos esperava perto do carro mandou que eu soltasse Aléssia.Demorei um instante.Ele olhou para nossas mãos unidas e repetiu a ordem. Minha irmã foi a primeira a afrouxar os dedos, mas não se afastou.— Vamos para o mesmo lugar? — perguntei.— Entrem.O carro tinha vidros escuros. Naquele momento, enxerguei apenas parte do banco traseiro pela porta aberta. Antes que eu me aproximasse, o homem segurou meus pulsos.Recuei por impulso.— O que está fazendo?— Colabora.Vi a tira que ele trazia na mão e procurei Aléssia. Outro homem já estava perto dela.Minha irmã me olhou.— Elizabeth.A voz dela me fez parar. Eu tinha aceitado entrar naquela propriedade sabendo que podia perder o controle do que aconteceria, mas não estava preparada para a sensação de outra pessoa prendendo minhas mãos.Mantive os pulsos à frente enquanto ele os amarrava.A pressão aumentou quando testei o movimento. Parei de puxar e respirei pela boca.Aléssia também ficou com as mãos presas
POV/ ELIZABETHSegurei a mão de Aléssia depois que ela respondeu a Leopoldo. Seus dedos estavam frios, mas apertaram os meus imediatamente.Ele percebeu o gesto.Fiquei olhando para o homem que criou minha irmã e tentou manter nossa mãe longe de nós. Eu tinha ensaiado algumas coisas durante a viagem, imaginado perguntas e respostas, mas a presença dos homens armados nas portas dificultava até o cuidado com a respiração.Kauan permaneceu perto.Leopoldo passou os olhos por nós antes de sorrir.— Foi uma burrice virem até aqui.Minha irmã ergueu o queixo.— Pode ser.— Mas não pode dizer que faltou coragem — acrescentei.Ele voltou a atenção para mim. Senti a mão de Aléssia se ajustar à minha enquanto eu sustentava seu olhar.— Coragem ou falta de juízo?— Temos um pouco dos dois.Leopoldo soltou uma risada curta. Depois indicou o cômodo ao lado, e um dos homens abriu espaço para passarmos.Entrei com minha irmã. Kauan nos acompanhou até perto das cadeiras, mas ninguém nos convidou a se







