LOGINCidade de “FT”, 13 de janeiro, segunda-feira.
Uma mulata bonita e sexy, que devia ter entre trinta e trinta e cinco anos, o recebeu. Ela → que tinha acabado de fazer o almoço → o convidou para entrar.
O quarto era limpo e organizado. Dividido ao meio por uma folha de compensado, que servia de parede. Uma mesa → com suas quatro cadeiras → separava a “cozinha” da “sala”. Viu o fogão → com três panelas em cima →, o buffet e a geladeira do lado de lá; o sofá e a televisão do lado de cá. No meio, a mesa. Viu também a “parede” de compensado, que com certeza escondia o “quarto” onde o casal dormia.
Mônica reforçou as palavras da dona Judite. O Nestor era um bom vizinho e não dava trabalho. Também viu várias mulheres entrando no quarto dele. Nenhum homem.
Com relação à mulher de preto, Mônica trouxe três novidades: primeiro, viu a mulher aparecer duas vezes; segundo, ouviu o Nestor proferir o nome dela.
→ Ana. Ele a chamou de Ana. Isso por ocasião da primeira visita dela. Foi assim: por coincidência, eu saía do banheiro, quando eles chegaram. Os dois, inclusive, me cumprimentaram com um “boa noite” cordial. A mulher parecia ser simpática. Antes dela entrar, o Nestor abriu a porta e disse: “Entre, Ana.”
E terceiro, ouviu a mulher proferir algo mais:
→ A tal de Ana, ao ver o aspecto do quarto do Nestor, disse: “Nossa! Tá melhor que a Rasputin”.
→ Rasputin?
→ Isso mesmo: Rasputin.
Anotou a informação.
→ E depois?
→ Depois eles sumiram dentro do quarto e, a partir daí, não vi nem ouvi mais nada. Na segunda visita, eu só os vi porque tinha acabado de deixar o saco de lixo lá fora. Ouvi seus passos e dei uma olhada. Eles passavam pelo portão quando eu entrei. Até pensei comigo: aquela mulher esquisita gostou do Nestor. Só pode ter gostado, para repetir a dose → sorriu, maliciosamente.
→ Lembra quando ocorreram as visitas?
→ A primeira foi há cerca de quarenta dias, mais ou menos. Numa sexta-feira, à noite. A segunda foi num sábado à noite, nove dias depois da primeira.
→ Sei.
Fez mais algumas perguntas, entregou o cartão, agradeceu-lhe pelas informações prestadas e se despediu.
Saiu da pensão exatamente ao meio-dia.
Com uma ideia na cabeça.
Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Acordou quando faltavam dez minutos para as oito horas, segundo lhe informou a enfermeira. Ela, por sinal, lhe aplicara uma injeção e colocara o soro; porém não quis lhe dizer mais nada. Insistiu. No entanto, ela se mostrou irredutível. Ordens, havia dito. O médico também nada revelou. Permaneceu deitado, tomando soro e repleto de curiosidade. Curiosidade! A pergunta que lhe veio à mente era uma só: o que havia acontecido? Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Só foi saber das novidades
Cidade de “FT”, 20 de janeiro, segunda-feira. Subitamente, um objeto foi colocado sobre seu rosto. Macio, mas que, naquele instante, o sufocava. O que seria? Um travesseiro??? Óbvio! Um discreto e eficiente travesseiro! Não recebeu uma facada nem um tiro. E muito menos uma pancada na cabeça. Por quê? Com certeza para parecer que teria morrido de parada cardíaca. Assim procedendo, não causaria suspeitas. Sim! Era um bom plano. O delegado Haroldo → apesar de enlouquecido → ainda não tinha perdido a inteligência.&nbs
Cidade de “FT”, 19 de janeiro, domingo. Isso porque, à meia-noite, depois que a enfermeira lhe aplicou uma injeção, recebeu uma inusitada e horripilante visita. A visita do demônio! Um homem entrou na sala. Usava o jaleco branco, típico dos médicos. No pescoço, um estetoscópio. Calça jeans. Sapatos pretos. Cabeça raspada. Bigode discreto. Óculos escuros. Manteve a luz apagada. Apenas a luz do corredor iluminava o quarto. Aproximou-se da cama. → Boa noite, Macto → ele murmurou, sério. Estremeceu, ao reconhecer aquela voz! Tentou gritar, mas nada sai
Cidade de “FT”, 18 de janeiro, sábado. Não sonhou. Não teve pesadelos. A escuridão → no entanto → permanecia ao seu redor, profunda, sinistra, dominando o ambiente. Mansidão. Imobilidade. As dores diminuíram. Cidade de “FT”, 19 de janeiro, domingo. Saiu da UTI, sendo conduzido a um dos quartos. Abriu, enfim, os olhos. Pôde perceber o quarto; os aparelhos; as paredes brancas. Havia bandagens em quase todo o seu corpo. Parecia uma múmia, como nos tempos medievais. Além do mais, foi obrig
Cidade de “MJ”, 17 de janeiro, sexta-feira. Sozinho! A dificuldade de respirar aumentava. Em delírio → com o cérebro atrofiado → já não sentia mais nada, não via mais nada, não pensava em mais nada. Sentiu o tenebroso manto da morte se acercando... o tétrico manto do verdugo negro... realizando um reconhecimento... analisando as possibilidades... cheirando seu corpo... cutucando sua alma... lambendo seu espírito... num frenesi alucinado!!! E não tinha forças para lutar contra ele! Seria o fim? O fim... o fim... o fim... As dores no estômago aumentaram! Urinou novamente
Cidade de “MJ”, 16 de janeiro, quinta-feira. Acordou nas trevas! Calculou ser nove ou dez horas de uma noite de vento brando, com a temperatura na faixa dos vinte e seis graus. A fazenda às escuras. A vontade de beber água ou qualquer líquido era insuportável. Suas mãos estavam horrivelmente inchadas. O sangue lhes dava um aspecto doentio. Seu rosto... pálido! Pálido como se não tivesse uma gota de sangue sequer! Pálido e quase em pânico. Sua pele evidenciava pequenas feridas, devido às queimaduras provocadas pelo sol. Defecou na fralda. Foi obrigado a se acostumar com o fedor.