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Capítulo 2

作者: Sua Sombra
No dia seguinte à assinatura do documento, Maitê foi visitar a mãe no hospital. Durante o trajeto, ela abriu o Instagram e acabou vendo uma atualização nos stories de Liliana.

A foto mostrava o interior de um apartamento simples, mobiliado de forma modesta. Liliana aparecia sentada em um sofá verde-musgo ao lado de Nathan, com as pernas nuas apoiadas no colo dele, fazendo um sinal de paz e amor para a câmera com um sorriso largo.

A legenda dizia: [Eu também quero fazer parte do seu passado.]

O ano em que a família Soares declarou falência coincidiu com o terceiro ano de Maitê na faculdade. O pai dela, Pedro Soares, não suportou a ruína e tirou a própria vida. Já a mãe, Laura Soares, acabou em estado vegetativo após ser empurrada escada abaixo durante uma invasão de agiotas furiosos.

Do dia para a noite, o mundo de Maitê desabou. Ela se viu sozinha, carregando apenas algumas malas nas ruas frias da cidade. Na terceira noite dormindo nas cadeiras desconfortáveis da recepção do hospital, Nathan apareceu. Ele havia brigado com a própria família, vendido tudo de valor que possuía e chegado até ela segurando parcos dezoito mil reais.

— Maitê, agora eu também não tenho para onde ir. — Ele declarou com um sorriso triste, sentando ao lado dela. — Será que você não pode ter pena de mim e me deixar morar na rua com você?

Maitê ficou paralisada por alguns segundos antes de desabar no choro. Ela se encolheu nos braços de Nathan, soluçando de desespero, xingando o rapaz de idiota e inconsequente. Ele, em meio ao caos, tentava limpar as lágrimas do rosto dela de forma desajeitada, rindo no processo.

— Eu sei. O Nathan sempre vai ser o maior idiota do mundo quando o assunto for a Maitê.

Com oito mil reais, eles alugaram uma kitnet de quarenta metros quadrados por seis meses. Usaram três mil para comprar móveis de segunda mão e transformar aquele espaço minúsculo em um lar.

Naquela época, Maitê se aventurava na cozinha com movimentos desajeitados, preparando panelas de macarronada caseira que Nathan adorava. Ele, por sua vez, vivia abraçando a namorada por trás, fingindo estar bravo por ela andar descalça no piso frio e ameaçando escondê-la debaixo das cobertas.

Até mesmo o pedido de casamento aconteceu entre aquelas quatro paredes humildes. Após recuperar o cargo de herdeiro dos Ribeiro, Nathan girou Maitê pelo cômodo em um abraço apertado, com os olhos brilhando de alegria.

— Este lugar sempre será nosso, meu amor! — Ele jurou na época. — Será o nosso refúgio.

E agora, bastou Liliana dizer que queria "fazer parte do passado" para que ele esquecesse todas as promessas.

Uma lágrima teimosa escorreu pelo rosto de Maitê. Ela limpou o rosto com pressa, respirou fundo e digitou um comentário direto no story da garota: [Fico feliz. O lixo que eu não quero mais serve direitinho pra você.]

Ela atualizou a página, mas o story havia sido apagado.

Quase de imediato, o celular tocou. Era Nathan. A voz dele do outro lado da linha transbordava fúria:

— Que surto é esse no meio do dia, Maitê?! A Liliana está aqui chorando por causa da sua ofensa! Não me importa onde você está agora, pegue um carro e venha pedir desculpas para ela. Se você não aparecer, pode esquecer o dinheiro para o tratamento da sua mãe.

O choque inicial deu lugar a uma risada amarga que escapou dos lábios dela.

Há sete anos, quando Maitê se recusava a aceitar o dinheiro da família Ribeiro por orgulho e insistia em pagar as contas do hospital sozinha, Nathan apertou as mãos dela com força. O rosto dele estava vermelho de frustração e preocupação.

— Maitê, para com isso! A sua mãe também é minha mãe! — Ele gritou.

Mas o tempo havia mudado tudo. Agora, só porque Liliana derramou algumas lágrimas de crocodilo, ele usava a vida da mãe de Maitê como moeda de troca, ameaçando cortar a única esperança de tratamento.

A mão que segurava o celular tremia de leve. Maitê controlou a respiração e respondeu com firmeza:

— Tudo bem.

— O que você disse? — Nathan retrucou, o tom carregado de confusão. Ele tinha certeza de que havia ouvido errado.

Ela encheu os pulmões de ar, ajeitou a postura e disparou as palavras com uma dignidade cortante:

— Eu disse que as contas do hospital da minha mãe, eu mesma pago.

Ao longo desses sete anos casada com o herdeiro dos Ribeiro, Maitê nunca abriu mão da própria carreira. Muito pelo contrário, ela havia construído um nome sólido no mercado e hoje era uma designer respeitada. O dinheiro da família Ribeiro não era mais o seu oxigênio.

O silêncio reinou na chamada por breves segundos, cortado apenas pela respiração pesada do homem. Então, ele soltou uma risada carregada de deboche.

— Certo. Quero só ver até onde vai a sua coragem!

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