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Capítulo 3

作者: Sua Sombra
Assim que a ligação anterior foi encerrada, Maitê já caminhava pelos corredores do hospital. Ao sair do elevador, ela se deparou com o médico responsável por sua mãe correndo em direção ao quarto, o que fez seu coração disparar e a impulsionou a segui-lo sem hesitar. No meio do caminho, o diretor da instituição a interceptou com uma expressão carregada de tensão.

— Senhora Ribeiro, o senhor Nathan acabou de dar uma ordem expressa proibindo qualquer hospital do Grupo Ribeiro de atender sua mãe. — Explicou o diretor, com o rosto transparecendo constrangimento. — Se a senhora não conseguir fazê-lo mudar de ideia em uma hora, seremos obrigados a transferir a paciente para o olho da rua.

O rosto de Maitê perdeu a cor no mesmo instante. Ela tentou ligar para Nathan diversas vezes, mas o toque chamava até cair na caixa postal, e as mensagens que enviava ficavam sem resposta. Um sorriso amargo despontou em seus lábios enquanto descia as escadas para ir até o apartamento que o marido dividia com Liliana.

Antes mesmo de tocar a maçaneta da porta, o som de risadas descontraídas vazou para o corredor.

— Nathan, você tem certeza de que essa estratégia vai dar certo? — A voz doce e mimada de Liliana soou em tom de brincadeira. — E se a Maitê transferir a Sra. Laura para outro lugar? Você vai perder o controle sobre ela.

O tom de Nathan soava arrastado e cheio de preguiça, revelando um desprezo profundo.

— Ela não teria coragem de fazer isso. Todo mundo na nossa roda social sabe que aquela velha inútil é o ponto fraco dela. Se a mãe dela não estivesse nas minhas mãos, eu jamais poderia assumir você com tanta tranquilidade, então é claro que ela vai ceder.

"Esse é o motivo de ele ter mudado tanto? A certeza de ter um trunfo o deixou tão inconsequente e cruel.", pensou Maitê, sentindo a respiração falhar ao escutar as palavras do marido.

Liliana soltou uma risadinha contida, mas logo pareceu lembrar de algo e arriscou uma pergunta:

— Mas amor, querendo ou não, é a mãe da sua esposa. Você não acha que pesou um pouco a mão dessa vez?

Nathan arqueou as sobrancelhas, e o reflexo da luz bateu no metal do seu relógio caro, dando a ele um ar ainda mais insensível.

— Só de lembrar que um dia eu me ajoelhei para uma morta-viva, sinto um nojo insuportável.

Parada no corredor, Maitê sentiu o sangue congelar nas veias. O episódio ao qual Nathan se referia havia acontecido no dia do casamento deles, quando todos diziam que Laura era um fardo e trazia má sorte para a família. Naquela época, foi Nathan quem afastou os parentes fofoqueiros, segurou a mão de Maitê e correu até o hospital para se ajoelhar diante da cama onde a sogra repousava em coma. As palavras daquele dia ainda ecoavam vivas na memória dela, quando ele prometeu que cuidaria da esposa e a faria a mulher mais feliz do mundo, jurando que, enquanto estivesse vivo, nenhuma das duas sofreria qualquer injustiça.

A validade daquelas juras de amor durou exatos sete anos.

O peito de Maitê parecia ter sido rasgado de ponta a ponta. Ela abriu a boca para buscar ar, mas as lágrimas escorreram pelo seu rosto antes que pudesse articular qualquer som, fazendo-a entender, na prática, como era a sensação da dor absoluta. Ela secou o rosto com as costas da mão e empurrou a porta.

O som agudo de um copo de vidro se estilhaçando no chão marcou a sua entrada, enquanto Nathan, com as pernas cruzadas e os braços ao redor da amante, lançava a ela um sorriso debochado.

— Não era você a corajosa? O que veio fazer aqui na minha casa? — Provocou o homem.

Maitê abaixou o olhar, mantendo uma postura tão inerte quanto um lago sem vida.

— Restaure o atendimento médico da minha mãe. Eu faço o que você quiser.

Um riso de escárnio escapou dos lábios de Nathan, preenchendo o ambiente com sua voz grave.

— Tudo bem, já que você está se oferecendo, comece pedindo perdão para a Liliana.

— Eu peço. — Concordou Maitê, sem esboçar qualquer resistência.

Liliana, porém, torceu os lábios em um biquinho birrento, fingindo inocência enquanto se aninhava no peito do homem.

— Assim não vale, amor. Ela não está sendo sincera. Eu quero que a Maitê peça perdão de joelhos, igual nas cenas de novela.

Os olhos de Nathan brilharam em aprovação ao ouvir a sugestão.

— A Liliana tem toda a razão. Como você quer que eu te ajude se não demonstra o mínimo de arrependimento? Anda logo com isso, dobre os joelhos e peça desculpas.

Após ditar a ordem, ele ajeitou a postura no sofá e fixou o olhar na esposa, parecendo se divertir com a humilhação.

Maitê sabia que o único objetivo de Nathan era vê-la encurralada e sem saída. Aquela atitude refletia o episódio recente no casamento de um conhecido em comum, onde ele, sabendo da presença de jornalistas, fez questão de beijar Liliana na frente das câmeras.

Naquela noite, Maitê foi abandonada para lidar sozinha com a enxurrada de perguntas da imprensa. A justificativa dele na época foi de que a amante era muito tímida e se assustava com os holofotes, enquanto a esposa já estava calejada. E por estar acostumada, ela perdeu o direito de dizer não.

Mesmo com o coração sangrando, ela mantinha a fachada de tranquilidade inabalável. Diante dos olhares curiosos e cruéis do casal, Maitê soltou a bolsa que segurava e caiu de joelhos no chão. Os cacos de vidro do copo quebrado rasgaram a pele das suas pernas, tingindo o piso de vermelho vivo.

Agindo como se a dor física fosse inexistente, ela ergueu o rosto pálido e murmurou:

— Me perdoe, Liliana.

O choque se estampou no rosto de Nathan. Quase por instinto, ele afastou a garota do seu colo e esticou os braços na tentativa de amparar a esposa. No entanto, antes que seus dedos pudessem tocá-la, um choro agudo chamou sua atenção.

— Nathan, eu não suporto ver sangue! Vou desmaiar! — Choramingou a garota.

O homem travou no lugar, recuou os braços e pegou a amante no colo para correr até o carro. Maitê tentou se levantar para segui-los, mas as pernas falharam, fazendo com que os vidros penetrassem ainda mais fundo na carne. Ignorando a própria agonia, ela esticou a mão trêmula e agarrou a barra da camisa do marido.

— Nathan... e o tratamento da minha mãe? — Suplicou ela, com a voz embargada.

— Chega, Maitê! — Esbravejou ele, cortando a fala da esposa com brutalidade. — Como você consegue ser tão egoísta? Não está vendo que a Liliana passou mal? E você aí, preocupada com aquela morta-viva. Presta bem atenção no que vou dizer. Se acontecer alguma coisa com ela hoje, você e a sua mãe vão pagar muito caro!

Com um empurrão ríspido, ele soltou a blusa do aperto da mulher e saiu às pressas pela porta. Caída no chão frio, Maitê ficou observando a silhueta do homem desaparecer pelo corredor, afundando-se em um mar de desespero.

— Eu me enganei muito com você, Nathan. Amei o homem errado todos esses anos. — Murmurou Maitê para si mesma.

Depois de respirar fundo para tentar recuperar um resquício de controle, ela tateou o chão em busca do celular e discou o número do hospital.

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