FAZER LOGIN“Saia do meu quarto!” gritou Scarlett, de pé em cima da cama e apontando direto para a porta. "Saia, Tobias!"
A expressão dele mudou em um instante. O teatro de homem manso e persuasivo se desfez em pura irritação. “Dá para parar com esse drama, Scarlett? Eu sei que você está com raiva, mas não posso ficar fazendo todas as suas vontades. A minha paciência tem limite.”
A mente de Scarlett voou de volta para os sonhos que eles tinham planejado antes do casamento. Estava tudo desenhado: dois filhos, domingos reservados para a família e duas viagens para o exterior por ano. Agora, cada uma das promessas estava reduzida a cinzas. Apenas palavras vazias.
“Eu não estou nem aí para a sua paciência! Você é surdo? Saia!” A voz dela não vacilou — se é que era possível, ficou ainda mais alta e afiada. "Você vai sair ou não?!"
Tobias passou a mão pesada pelo rosto com um suspiro amargo. "Scarlett, nós somos casados. Seja lá o que você viu ou ouviu, ficou no passado. Eu não vou fazer de novo. Eu estou mudando. Estou focado em nós dois — na nossa família."
Um traidor compulsivo é igual a lixo na rua, Scarlett pensou friamente. Uma vez mentiroso, sempre mentiroso, não importa quantas promessas faça.
Ela pegou seu travesseiro do colchão. A simples ideia de dormir ao lado dele fazia sua pele arrepiar de nojo. Ele tinha destruído tudo, e ela jamais iria perdoá-lo.
“Se você não vai sair, eu vou. Vou dormir no quarto de hóspedes.”
Tobias cerrou os punhos, a mandíbula tensa de raiva. No passado, um simples pedido de desculpas teria garantido o perdão dele. Não mais. Scarlett finalmente tinha aprendido a lição.
“Pode ir. Durma onde você quiser.”
Sem dizer mais nada, ela deu as costas para ele. Caminhou até a escrivaninha, pegou o celular e o notebook, e saiu rapidamente.
Atrás dela, ouviu quando ele se jogou de volta no colchão. Assim que cruzou a porta, a voz dele cortou o silêncio.
“Não se esqueça do banquete da família amanhã. Todo mundo espera você lá. Você é uma Aldama agora. Não me obrigue a ir te arrastar até lá, Scarlett. Não me provoque.”
Ela nem se deu ao trabalho de responder, embora o desdém em seu rosto dissesse tudo. Ela não iria porque ele mandou. Iria porque sabia qual era a tática favorita dele: ameaçar vender a empresa que sua falecida mãe lhe deixara, o negócio no qual sua mãe tinha derramado suor e sangue para construir.
Esse era sempre o jogo dele. Ele mantinha o legado da mãe dela como refém porque sabia que essa era a única chantagem que tinha contra ela.
No dia seguinte, Scarlett se arrumou e acompanhou Tobias ao banquete da família, exatamente como ele queria. A família Aldama era lendária, ocupando o topo absoluto da elite empresarial do país.
"Sorra," Tobias esbravejou assim que os grandes portões apareceram na vista. "Não vá fingir que está acima de tudo na frente da minha família."
"Você mal consegue manter um sorriso no rosto na frente deles," Scarlett rebateu, girando os olhos.
Tobias lançou a ela um olhar venenoso, mas antes que pudesse responder, o carro parou bruscamente diante dos portões de ferro. Um segurança deu um passo à frente, bloqueando o caminho.
"Este portão é estritamente para a família," disse o segurança, desprovido de qualquer respeito, apesar de reconhecer Tobias. "Todos os convidados de fora precisam usar a entrada lateral."
Scarlett nem ficou surpresa. Não era a primeira vez que alguém tratava Tobias como um rejeitado. Mesmo com o sobrenome Aldama, a família o tratava como uma sombra.
A mãe de Tobias, Madalena, era apenas a filha ilegtíma de Dom Anton Aldama. Anos atrás, ela se casara com um homem pobre contra as objeções furiosas de Dom Anton. Como punição, o Dom a deserdou. Foi só quando Tobias estava crescendo que Madalena percebeu que não podia arcar com a vida que queria para ele, o que a levou a implorar para que Dom Anton os aceitasse de volta. O patriarca cedeu, mas nada realmente mudou.
Toda vez que pisavam na mansão dos Aldama, eram recebidos com deboches sarcásticos. No entanto, Tobias continuava ingenuamente convencido de que poderia provar seu valor para eles — que um dia os deixaria orgulhosos.
Até a empresa que Tobias gerenciava hoje tinha sido construída com o dinheiro de Scarlett. Ele tinha tirado cinco milhões de pesos do fundo de reserva dela, apoiado por recursos do espólio da mãe dela, para abrir o próprio negócio.
O arrependimento pesou em seu estômago. Cega pelo amor, ela tinha dado tudo a ele, apenas para aprender que nunca seria o suficiente.
Scarlett olhou para a entrada lateral. Uma longa fila de veículos se estendia pela estrada. Parecia que os Aldamas não eram os únicos a comparecer naquela noite.
"Você está me dizendo que eu tenho que pegar fila como um zé-ninguém só para entrar na casa do meu próprio avô?" bradou Tobias para o segurança, perdendo a postura.
O segurança nem piscou. "Minhas desculpas, senhor. Estou apenas seguindo as ordens da Sra. Elena. Ela declarou explicitamente que apenas membros legítimos da família usam este portão. A sua mãe também usou a entrada lateral."
O rosto de Tobias escureceu, suas mãos tremiam enquanto lutava contra a vontade de dar um soco.
Vê-lo se contorcer de humilhação brought a pequena e mesquinha satisfação aos lábios de Scarlett.
"É melhor ir para a fila do outro portão então," ela comentou, o tom carregado de um deboche silencioso. "Vamos acabar logo com isso."
Nesse momento, uma frota de sedãs pretos elegantes deslizou pela entrada de acesso. A postura do segurança se ergueu instantaneamente. O pânico estampou seu rosto enquanto ele acenava freneticamente para Tobias se mover.
"Senhor, por favor, mova o seu veículo imediatamente! O comboio do Sr. Darius está chegando!"
Darius Aldama era o único e mais novo filho de Dom Anton — tio de Tobias e o único herdeiro do vasto império Aldama. Scarlett nunca o tinha visto pessoalmente; ele era notoriamente recluso, embora os boatos sobre sua natureza cruel fossem infinitos. Ver o segurança praticamente tremendo confirmou cada boato que ela já tinha ouvido.
"Mova o carro, Tobias. Você quer mesmo dar à sua família mais um motivo para te atacar?" pressionou Scarlett, encarando-o quando ele não engatou a marcha de imediato. "Você mesmo disse — o seu Tio Darius não é alguém que você queira cruzar o caminho."
Isso tirou Tobias do torpor. Ele encostou o carro no acostamento bem no momento em que o sedã principal do comboio de Darius parou no portão. O vidro com insulfilm escuro baixou.
Curiosa, Scarlett se inclinou ligeiramente para a frente para tentar ver o enigmático herdeiro. Ela não conseguia ver o rosto dele, apenas a mão descansando casualmente no batente da janela.
Um momento depois, a porta se abriu. Darius saiu devagar, seu terno sob medida e sapatos de couro impecáveis captando a luz do fim da tarde. A autoridade emanava dele em ondas, um domínio tão absoluto que instintivamente fez todos ao redor prenderem a respiração.
Os olhos de Scarlett deslizaram para o braço dele, onde a manga da camisa social estava levemente dobrada, revelando um antebraço definido e musculoso.
Ela congelou.
Tatuada na pele dele havia uma rosa detalhada e inconfundível.
A respiração dela travou na garganta. Ela reconheceu aquela tatuagem. Tinha visto exatamente aquela arte sob a luz fraca daquele quarto de hotel, na noite em que errou a porta para um caso inconsequente de uma noite com um desconhecido.
Como... Como podia ser ele?
Um tremor repentino percorreu seu corpo. Aterrorizada, com o coração martelando violentamente contra as costelas, ela ergueu os olhos e encontrou o olhar dele — profundo, escuro e totalmente indecifrável.
"O que deu em você? Parece até que viu um fantasma," murmurou Tobias ao lado dela, dando um tapinha em seu ombro.
Meu Deus...
O homem com quem ela tinha se deitado... era o tio do seu marido.
No terraço, Darius apoiava-se na balaustrada, parado em silêncio como se estivesse esperando por Scarlett o tempo todo. Parecia que ele já sabia que ela o estava seguindo. Ele a tinha trazido deliberadamente até ali, onde os dois pudessem conversar sem mais ninguém por perto."Por que você está subitamente rondando ao meu redor hoje, Scarlett? O que está acontecendo?" perguntou ele.Scarlett deu a ele um sorriso doce. "Eu só vi o senhor parado aqui, então pensei em passar para dar um oi." Mas ela sabia que ele não acreditaria em uma desculpa tão esfarrapada."Esta é a sua última oportunidade. Não a jogue fora. O que você quer de mim?" A voz de Darius era afiada, sua mandíbula se travando levemente.O sorriso de Scarlett desbotou um pouco. Ela deu um passo à frente, puxou rapidamente a pasta de sua bolsa e a estendeu para Darius. "Esta é a proposta de projeto para a Scar-Bias Holdings. Estou esperando que o senhor nos dê outra chance."Então era isso o que ela realmente queria, pensou
"Você encontrou ela?" Dawn perguntou ansioso, seu tom quase infantil, como uma criança esperando por uma surpresa. "Quem é ela?"Greg fez uma pausa por um momento, seus olhos pousando em Scarlett, que estava sentada silenciosamente no canto do sofá.Scarlett não se mexeu. Ela mal respirava, como se quisesse desaparecer completamente da sala.Greg estava prestes a se aproximar e sugerir baixinho que ela se retirasse por um instante, mas Darius falou primeiro. Sua voz era fria, sem dar margem para discussão."Traga ela para dentro, Greg."Scarlett mordeu o lábio, tentando desesperadamente pensar em uma desculpa para ir embora. Essa não era uma situação que ela deveria estar testemunhando. Ela deveria estar focada na proposta de negócios, não na busca pessoal por uma mulher que parecia esconder algum tipo de segredo.Mas antes que pudesse pensar em uma forma de se manifestar, ouviu a porta se abrir. Greg entrou e conduziu várias mulheres para dentro do quarto privativo.O ar no ambiente
"Sr. Aldama!" Vernice Vivoree entrou apressada no escritório, segurando firmemente uma pilha grossa de documentos nas mãos. Seus olhos pousaram em Scarlett, um brilho presunçoso faiscando neles.Tobias teve que se forçar a não explodir. "O que foi?" perguntou ele, baixinho."A Meridian Investment Partners nos recusou. Devolveram a carta de convite junto com todos os arquivos do projeto.""Inútil!" Tobias esbravejou, furioso.A Scar-Bias Holdings já estava à beira da falência. A Aliança C, por sua vez, tinha sido hipotecada. Eles quase não tinham mais recursos, e suas opções estavam se esgotando. Se ao menos a Meridian Investment Partners interviesse, tudo poderia mudar em um instante. Mais importante ainda, o chefe da empresa era o próprio tio de Tobias. Tobias tinha certeza de que apenas as conexões de seu tio seriam suficientes para garantir o apoio de que precisavam.Vernice hesitou antes de perguntar: "Sr. Aldama, o que vamos fazer agora? Se não conseguirmos o financiamento logo,
Depois de sair do hospital, Scarlett dirigiu direto para a Scar-Bias Holdings.Ela ainda se lembrava de quando ela e Tobias escolheram o nome juntos. Naquela época, era apenas um sonho. Mas graças à sua visão de negócios e estratégias afiadas, a empresa cresceu rápido, elevando Tobias direto para as fileiras da elite.Conforme se aproximava da sala do gerente geral, risadinhas abafadas vazavam para o corredor — leves, brincalhonas, seguidas pelo riso suave e provocante de uma mulher.Scarlett nem se deu ao trabalho de bater. Ela escancarou a porta.Lá estava Vernice, ajoelhada na frente de Tobias, movendo-se de uma forma que não deixava absolutamente nada para a imaginação.Vernice se levantou às pressas no segundo em que viu Scarlett, recuando em pânico. Sua blusa estava desabotoada até a metade, expondo o peito através de um decote profundo. Suas bochechas estavam coradas, o cabelo desalinhado, e ela estampou um sorriso doce e melado."Sra. Aldama, a senhora está aqui," cumprimentou
"Amor!" a voz de Tobias chamou a uma curta distância dali.Darius franziu levemente a testa antes de soltar o pulso de Scarlett. "Você pode ir," disse ele.Scarlett não hesitou. Ela se virou e foi embora, embora tenha diminuído o passo o suficiente para alcançar as vozes deles por cima do sussurro das folhas do jardim.Um segurança se aproximou de Darius, entregando-lhe um lenço. "Senhor, está tudo bem?"Darius pegou o tecido e limpou os dedos devagar, o rosto uma máscara indecifrável. "Nada. Por um segundo, achei que ela parecia familiar, como a mulher daquela noite. Devo ter me enganado.""Não se preocupe, senhor. Só me dê mais um tempo. Eu vou descobrir quem escapou para o seu quarto.""Tudo bem." O olhar de Darius vagou pela escuridão, uma expressão distante se instalando em suas feições. Ele não conseguia se livrar da memória. Ela parecia tão intocada, tremendo sob suas mãos, lágrimas deslizando silenciosamente pelas bochechas. Os olhos dela eram límpidos e brilhantes, atraindo-o
Scarlett engoliu em seco. "Sim... estou bem. É só que está muito quente hoje. Eu... não estou me sentindo muito bem."Era impossível para qualquer pessoa no pátio ignorar Darius. Alto, marcante e com uma intensidade natural, ele atraía todos os olhares do lugar sem nem fazer esforço. Vestido com um terno preto elegante, ele era a própria definição de luxo discreto. Impecável, imponente e distante.Quando Scarlett viu o rosto dele claramente, ela congelou. Ele era avassalador, centrado e afiado demais. Por um breve segundo, seus olhares se cruzaram, e o coração dela saltou no peito. Ela abaixou a cabeça, encolhendo-se no banco do passageiro. O olhar dele não se demorou, de qualquer forma. Ele jogou as chaves para o segurança e passou direto pelos portões.Será que Darius era mesmo o homem daquela noite? E se ela estivesse errada? E se outros homens tivessem uma tatuagem de rosa no braço? Sua mente dava voltas. Ela precisava ter certeza.Tobias desistiu de sua postura teimosa e entrou n







