LOGINMilena O silêncio da mansão parecia o silêncio de um cemitério antes do temporal. Pedro Henrique segurava o meu celular no bolso da jaqueta com uma cara de triunfo doentio, enquanto eu continuava parada na sala, tremendo da cabeça aos pés, sem saber se a ligação do Igor tinha sido a minha salvação ou se eu ia morrer ali mesmo. Foi então que ele deu dois passos curtos na minha direção, soltou uma risada ríspida, seca e nojenta que fez o meu sangue virar ferver dentro das veias, e me encarou com os olhos brilhando numa loucura cega.— Sabe de uma coisa, meu amor?! — ele começou a falar, passando a mão livre pelo queixo e dando um sorriso macabro. — Chegou a hora do grande show da nossa noite... Um lindo, maravilhoso e gigante incêndio na mansão desses bacanas nojentos!Aquelas palavras bateram no meu peito como um soco violento. Olhei para a cara dele com o horror mais profundo que já senti na minha existência inteira.— O quê?! — perguntei com a voz totalmente rasgada pelo choro de p
IgorO som seco do telefone desligando na minha cara ecoou no silêncio da minha bat caverna de controle. Fiquei encarando a tela acesa do meu celular por longos e angustiantes segundos, com a mente trabalhando a mil por hora. Cada fibra do meu corpo sabia que aquela conversa no viva-voz com a dona Milena tinha sido totalmente fora do normal.A dona Milena nunca, em hipótese nenhuma, me confundiria com um simples segurança da mansão. Ela parecia nervosa, falando da casa, do Ulisses…Tinha alguma merda acontecendo.E tinha outro detalhe ainda mais bizarro. Ela repetia sem parar que queria ficar "totalmente sozinha" na mansão. Aquilo não era um pedido normal. Aquilo era um pedido claro de socorro! A voz dela estava tremendo por baixo daquela firmeza falsa, o tom de voz estava engasgado de pavor e a forma como ela insistiu para que eu "avisasse aos outros seguranças" era um código direto para eu agir sem fazer barulho.— Tem alguma coisa muito errada acontecendo naquela casa agora mesmo...
Antonio o MordomoFiquei sentado na poltrona de plástico da sala de espera do hospital, ajustando o meu terno escuro que já estava amassado por causa de tantas horas sem pregar o olho. As luzes fluorescentes do corredor piscavam devagar, criando um clima gelado e pesado naquele ambiente. Passei as mãos no rosto, tentando afastar o cansaço que pesava nos meus ombros, mas a minha mente recusava parar por um único segundo.A ordem que dona Milena tinha me dado pelo telefone não saía da minha cabeça.Mandar todos os funcionários embora da propriedade, e me mandar ficar aqui no hospital no lugar dela…isso tudo está muito estranho… Aquela ligação me deixou profundamente intrigado. Por mais que eu tentasse encontrar uma explicação lógica e profissional para aquilo tudo, a atitude da dona Milena foi extremamente estranha e fora do comum. Dispensar toda a equipe da mansão no meio da madrugada?! Deixar uma propriedade daquele tamanho sem nenhum segurança na guarita, sem ninguém no portão princ
Milena O suor frio escorria direto pela minha testa, descendo pela minha bochecha até queimar nos meus lábios trêmulos. A tela iluminada do celular brilhava na minha mão como se fosse uma bomba relógio pronta para explodir a qualquer milissegundo. Pedro Henrique estava colado no meu ombro, com o corpo tenso feito uma mola e o cano pesado do revólver preto cravado com violência na minha fonte. Dava para ouvir o som áspero da respiração desgovernada dele no meu ouvido.Eu sabia perfeitamente que qualquer palavra errada, qualquer deslize na minha voz ou qualquer frase fora do lugar dita pelo Igor seria a minha sentença de morte ali mesmo no chão da sala. Se o Pedro percebesse que eu tinha mentido sobre a identidade do Igor, se ele descobrisse que aquele homem era um hacker investigando os seus crimes e não um simples segurança da mansão, ele apertaria o gatilho sem pensar duas vezes e espalharia a minha cabeça pelo mármore da entrada.Apertei o botão de atender no viva-voz com a ponta d
Milena Fiquei ali caída no chão do closet, encolhida, sentindo as lágrimas queimarem a minha pele e o pavor rasgar o meu peito ao meio. Olhei para a cara daquele monstro com todo o resto de forças que ainda sobravam na minha alma. Eu não tinha mais nada no mundo, não tinha mais herança, não tinha mais paz, mas a vida do Ulisses dependia de mim e eu não podia desistir agora.Juntei as minhas duas mãos trêmulas na frente do corpo, me arrastando de joelhos pelo t até ficar bem perto dos pés dele, sem me importar com o vidro espalhado. — Pedro, pelo amor de Deus... me dá o antídoto! — supliquei com a voz totalmente quebrada pelo choro, desesperada de dar dó. — Você já conseguiu metade de todo o dinheiro da minha herança, e o resto também já é seu! Você já tá podre de rico, já tá com a mala cheia de joias, relógios e diamantes do Ulisses! Por favor, tem um pingo de consciência nessa sua alma! Me entrega essa substância para eu correr para aquele hospital antes que seja tarde demais! Se
Milena Eu estava no limite absoluto das minhas forças, sentada no chão gelado do closet, tremendo da cabeça aos pés de puro pavor. A tela do meu celular esquentava na minha orelha e a voz doce, lenta e burocrática da atendente do setor VIP do banco parecia uma tortura. Do meu lado, em pé feito uma sombra da morte, Pedro Henrique encarava a minha cara com os olhos vermelhos de ódio. Ele afundava o cano pesado do revólver na minha têmpora a cada dois segundos, pressionando o ferro frio contra a minha pele para lembrar que qualquer passo falso seria o meu último momento neste mundo.A mulher do banco continuava enrolando na ligação, fazendo checagens de segurança infindáveis e complicando tudo o que podia.— Senhorita Milena, por conta do montante ser absurdamente alto, o nosso sistema exige uma verificação dupla de segurança — a mulher falou pelo viva-voz com aquela voz calma que me dava vontade de surtar. — Essa quantia não pode ser liberada de uma vez só sem uma autorização formal p







