Share

Capítulo 4

Author: Author Marr
last update publish date: 2026-10-27 10:47:03

O aeroporto da Cidade do México estava sufocante apesar do ar-condicionado funcionando no máximo dentro do terminal. Arrastei minha mala pela porta de desembarque.

Meu pai já havia enviado um motorista. Um homem mais velho com um bigode espesso me recebeu com uma fria inclinação de cabeça.

O trajeto até a casa dos meus pais levou quarenta minutos.

A casa continuava exatamente igual. Nem uma única camada de tinta havia mudado. As paredes brancas com telhas vermelhas, o pequeno jardim frontal cheio de buganvílias roxas, o balanço de madeira na varanda oxidado por falta de uso.

Passei pela minha madrasta sem dizer uma palavra. Arrastei minha mala pelo corredor estreito até o quarto do fundo, entrei e fechei a porta.

Deixei a mala jogada junto ao armário. Meu corpo caiu sobre a cama, olhando para o teto rachado. Lá fora ouviam-se vozes, meu pai e minha mãe sussurrando entre eles. Não conseguia distinguir as palavras, mas o tom não era amistoso.

Não me importava.

Não queria falar com ninguém.

Peguei meu telefone e abri as redes sociais. Ali, na página principal, apareceu a primeira publicação.

Ethan e Olivia.

Os dois estavam diante de uma pequena igreja decorada com flores brancas. Olivia usava um vestido de noiva branco simples, com o cabelo caindo elegantemente sobre os ombros. Ethan estava ao seu lado, sorrindo amplamente com um terno azul-marinho.

O telefone saiu voando das minhas mãos. Não foi intencional. Meus dedos tremiam tanto que simplesmente escapou e bateu contra a parede oposta. A tela rachou no canto superior direito, mas continuava ligada.

E continuava mostrando aquela foto.

Chorei com soluços roucos, afundando o rosto no travesseiro.

Por que eles podiam ser felizes?

Por que não recebiam nenhum castigo?

Por que o mundo era tão injusto?

Meus soluços sacudiam a cama. Não sei quanto tempo chorei, talvez uma hora. A única coisa que sei é que, quando as lágrimas começaram a secar e meus olhos ardiam, ouvi um som lá fora.

Motores.

E não um só, mas vários.

Levantei-me lentamente. Meus olhos se dirigiram para a janela que dava para o jardim frontal. Corri apenas a velha cortina branca de renda.

Lá fora havia três automóveis pretos de luxo estacionados diante do portão da minha casa.

Eram grandes, brilhantes, elegantes demais para aquele bairro simples. A porta do automóvel da frente se abriu e desceram dois homens vestidos de preto com óculos escuros. Depois abriram a porta do carro do meio, o maior dos três.

Uma jovem saiu da casa.

Ela era linda.

Cabelo negro longo e ondulado, um vestido vermelho ajustado ao corpo e saltos altos que a faziam caminhar com segurança.

Apertei os punhos.

Era Sofía, minha irmã mais nova.

Sofía acenou com a mão para alguém dentro do automóvel e então, desse mesmo carro, desceu um homem.

E dessa distância, mesmo que fosse apenas uma silhueta, mesmo que a luz do jardim iluminasse apenas metade do seu rosto, pude vê-lo.

Não.

Não podia ser.

O homem levantou os olhos para a janela do meu quarto, como se soubesse que eu estava observando-o.

Olhos azuis.

E sorriu, como dizendo: “Eu te disse. Nos encontraríamos de novo.”

Meu corpo congelou.

Então Luca era o noivo de Sofía?

Não fazia sentido.

O italiano que conheci nos Estados Unidos, o homem que esteve a ponto de me beijar até ir longe demais no meu apartamento, agora estava de pé no jardim da casa dos meus pais no México, ao lado da minha irmã mais nova, com o mesmo sorriso que usou enquanto me olhava sobre minha cama.

Recuei da janela.

Meu coração batia tão forte que podia ouvi-lo nos meus ouvidos.

Lá fora, as risadas de Sofía chegavam até meu quarto. Depois veio a voz do meu pai dando-lhes as boas-vindas calorosas, o mesmo homem que horas antes nem sequer quis me ver.

Não saí do meu quarto.

Não ia sair.

Sentei-me na beira da cama, olhando para a porta fechada, desejando que tudo aquilo fosse um pesadelo.

Mas as vozes vindas da sala eram cada vez mais claras. Risadas, conversas, o som de copos se chocando e o aroma de comida mexicana filtrando-se por baixo da porta.

Não havia passado nem uma hora quando a porta do meu quarto se abriu.

Luca estava ali.

—Luca? —disse.

Entrou sem esperar permissão. Caminhou até o centro do meu pequeno quarto e olhou ao redor com aqueles mesmos olhos azuis.

—Um quarto interessante —disse com seu marcado sotaque italiano.

—O que você está fazendo aqui?

—Estava procurando o banheiro.

Olhei para ele sem poder acreditar.

—O banheiro fica ao lado da sala. Você teve que atravessar todo o corredor para chegar aqui e isso não foi coincidência.

Ele se aproximou.

Um passo.

Dois passos.

—Está bem —disse ele dando de ombros—. Menti. Não estava procurando o banheiro.

—Então o que você estava procurando?

—Você.

Agora estava bem diante de mim. Apenas um braço de distância nos separava.

—Você é o noivo da minha irmã? —perguntei.

Luca me empurrou suavemente contra a parede e seu corpo me prendeu ali. Uma mão ficou ao lado da minha cabeça e a outra na minha cintura. Seus olhos azuis percorreram meu corpo de cima a baixo, fazendo minhas pernas tremerem.

—Você disse que ia se casar, mas não vejo seu noivo por aqui —disse.

—Eu ainda não…

—E também disse que não entregaria sua virgindade a um estranho como eu —acrescentou com um sorriso.

Não conseguia respirar.

Meu peito subia e descia perto demais do dele. Sentia o calor do seu corpo através do tecido fino da camisa. A mão que ele tinha na minha cintura começou a subir lentamente, seus dedos roçando minhas costelas.

—Luca…

Ele me beijou.

Seus lábios chocaram contra os meus com fome, sem preâmbulos, como se ele estivesse se contendo por tempo demais e já não pudesse fazer isso. Sua mão apertou minha cintura, me aproximando ainda mais até que não restou espaço entre nós.

Agarrei-me à camisa dele.

Não para afastá-lo, mas para atraí-lo mais para mim.

Sua boca desceu para o meu pescoço.

Gemi suavemente.

Sabia que isso estava errado. Aquele homem era o noivo da minha irmã. Eu deveria ter gritado, saído do quarto e corrido o mais longe possível.

Mas não fiz nada disso.

Apenas fechei os olhos e aproveitei.

Os lábios de Luca morderam suavemente a pele do meu pescoço. Sua língua roçou a mesma área para aliviar a marca da mordida. Sua mão deslizou por baixo da camisa folgada que eu estava usando, tocando a pele nua do meu abdômen.

Seus dedos subiram lentamente desde minha barriga até minhas costelas e pararam ali. O roçar de seus dedos sobre minha pele fez minha respiração falhar. Mordi meu lábio inferior, tentando não gemer alto demais.

Luca parecia não se importar.

Sua boca passou para o outro lado do meu pescoço, deixando beijos quentes sobre minha pele. Meus joelhos tremiam. Todo o meu corpo ardia por dentro.

Eu estava a ponto de perder o controle, mas no menor canto da minha mente uma voz gritava.

Ele é o noivo da sua irmã.

Empurrei o peito dele.

—Pare!

Ele não parou.

Empurrei com mais força.

—PARE!

Dessa vez ele recuou meio passo. Seus olhos azuis tinham escurecido, sua respiração era pesada e seus lábios estavam levemente inchados por me beijar.

—O quê? —perguntou com a voz rouca.

—Você é o noivo de Sofía.

Luca me olhou.

E então começou a rir.

—O que há com você? —perguntei irritada.

Continuava rindo enquanto negava com a cabeça.

—Você é realmente muito tola.

—O que quer dizer?

—Muito tola.

Cruzei os braços sobre o peito. Minha blusa continuava desabotoada em um botão, meu cabelo estava desordenado e aquele homem ainda se atrevia a me chamar de tola.

—Explique-se antes que eu chame meu pai.

Luca suspirou. Pegou meus braços cruzados, afastou-os lentamente e prendeu meus dedos entre os seus.

—Eu sou o seu noivo.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Casamento Forçado: A Obsessão do Mafioso Italiano   Capítulo 10

    Na manhã seguinte.O relógio marcava meio-dia quando umas batidas na porta me acordaram.— Senhora, já é hora de se levantar.Duas mulheres entraram no quarto. A primeira era Elena, a governanta. Atrás dela vinha uma mulher jovem de cabelo louro curto e olhos verdes, provavelmente da minha idade.— Bom dia, senhora. Ela é Aria, sua assistente pessoal. Eu ajudarei a senhora a se banhar e se vestir.Me banhar?— O que quer dizer?— O senhor Luca quer que a senhora esteja pronta em uma hora para o café da manhã.— Posso me banhar sozinha — disse eu.Elena sorriu de leve.— Sinto muito, senhora. São ordens do senhor Luca.— Luca não precisa decidir como eu me banho.Elena soltou um suspiro. Trocou um olhar com Aria e ambas deram um passo à frente.— Não queremos incomodá-la, senhora, mas precisamos cumprir nosso trabalho.A mão de Aria alcançou a barra da minha camisola, uma camisola negra de cetim que eu não sabia em que momento havia aparecido no armário. Afastei a mão dela com um golpe

  • Casamento Forçado: A Obsessão do Mafioso Italiano   Capítulo 9

    Pensei que ele recuaria depois que mordi o lábio dele até fazê-lo sangrar.Mas ele deu um passo à frente. Sua mão agarrou meu pulso antes que eu pudesse correr.— Me solta!Ele não me soltou. Ao contrário, me puxou para ele com um movimento tão rápido que meu corpo colidiu contra o peito dele. Seu braço esquerdo envolveu minha cintura, prendendo-me no lugar, enquanto sua mão direita subia até a parte de trás da minha cabeça e seus dedos se enredavam no meu cabelo.— Você acha que me morder vai fazer eu parar? — sussurrou ele contra o meu rosto. Seus lábios, ainda vermelhos por causa do sangue, quase roçavam os meus enquanto ele falava —. Está enganada, Camila. Você só consegue me dar mais sede.E então ele me beijou de novo.Desta vez o beijo foi diferente. Seus lábios pressionaram os meus com uma intensidade que me dificultou respirar, mas não era brusco. Era como se ele estivesse lendo minha boca, estudando sua forma, memorizando seu sabor.Seus lábios se moviam com um ritmo que me

  • Casamento Forçado: A Obsessão do Mafioso Italiano   Capítulo 8

    O carro parou diante de um portão de ferro negro de quatro metros de altura. Através da janela fumê, vi uma mansão de estilo neoclássico com quatro pilares de mármore na entrada. O jardim em frente à casa estava perfeitamente cuidado, mas parecia frio. Não havia flores coloridas. Apenas arbustos verdes aparados simetricamente e estátuas de mármore de homens nus que me observavam com o olhar vazio.— Já chegamos, senhor — disse o motorista com um acentuado sotaque italiano.Luca desceu primeiro. Ouvi a porta se fechar e, alguns segundos depois, a porta do meu lado se abriu. Ele estava ali, com a mão estendida para me ajudar a descer.Não peguei a mão dele. Desci sozinha, e meus saltos bateram no cascalho com um som talvez alto demais.Os criados já estavam alinhados diante da porta principal. Quatro mulheres com uniformes cinza e dois homens com ternos impecáveis. Todos inclinaram a cabeça ao mesmo tempo quando entrei.— Bem-vinda à Mansão Vitale, senhora — disse uma mulher de meia-ida

  • Casamento Forçado: A Obsessão do Mafioso Italiano   Capítulo 7

    São 7:45.Estou de pé em frente à porta da igreja de San Miguel com a barra do meu vestido branco molhada pelas poças da chuva da noite passada. O céu sobre a minha cabeça é de um azul brilhante, sem uma única nuvem.Cinquenta pessoas estão sentadas lá dentro. Talvez mais. Rostos que não conheço. A família de Luca da Itália? Ou os amigos do meu pai convidados para presenciar a minha maior humilhação?Meu pai está de pé junto ao altar, esperando por mim.A mão da minha madrasta empurra as minhas costas.— Vá — sussurra ela.Dou um passo.Um passo.Dois passos.Cada passo parece caminhar sobre pedaços de vidro. No final do corredor da igreja, diante do altar, está um homem de olhos azuis, vestido com um terno preto e um leve sorriso nos lábios.Luca Vitale.O sacerdote idoso, com sua túnica branca, começa a recitar palavras em espanhol que não consigo ouvir. Meus olhos não conseguem se desviar daqueles olhos azuis. Ele me olha, me devora, gravando cada centímetro do meu rosto como se eu

  • Casamento Forçado: A Obsessão do Mafioso Italiano   Capítulo 6

    Naquela noite não consegui dormir.O relógio sobre a mesinha de cabeceira marcava 02:47.Atrás da porta eu podia ouvir passos indo de um lado para o outro. Dois homens, talvez mais. Homens vestidos com ternos pretos a quem Luca havia ordenado que me vigiassem.Meu telefone continuava na minha mão. A tela estava quebrada no canto superior direito e a bateria mal tinha doze por cento. Eu estivera verificando voos, procurando qualquer possibilidade. Companhias aéreas internacionais. Números de contato da embaixada americana na Cidade do México. Até o número da polícia local que provavelmente jamais chamaria.Mas tudo era inútil.Não tinha dinheiro. Na minha carteira só havia cartões de crédito que meu pai havia bloqueado desde ontem e um cartão de visita de Luca Vitale.Virei-o entre os dedos. Papel grosso cor de creme com letras douradas em relevo, elegante e caro, igual ao seu dono.Quatro horas.Já não me restava muito tempo.O casamento seria celebrado às oito na igreja de San Miguel

  • Casamento Forçado: A Obsessão do Mafioso Italiano   Capítulo 5

    —Você está louco.Foi a única coisa que consegui dizer.Luca continuava sorrindo, nem um pouco afetado pela minha reação. Sua mão ainda segurava a minha e seu polegar continuava acariciando o dorso da minha mão com um movimento que me impedia de pensar com clareza.—Nos conhecemos há apenas alguns dias! —disse.—E nesses poucos dias você salvou meu pai, chutou meu rosto e me deixou sem dormir pensando em você. —Ele se inclinou um pouco mais para mim—. Acho que é suficiente.Retirei minha mão da dele e dei um passo para trás.—Não acredito em você. Vou descobrir por mim mesma o que está acontecendo realmente.Caminhei em direção à porta. Luca não tentou me impedir. Podia sentir seus olhos azuis cravados nas minhas costas enquanto eu saía do quarto.Avancei em silêncio, colada à parede, até o escritório do meu pai no final do corredor.A porta estava entreaberta.Entrei.Sobre a escrivaninha havia documentos desordenados, canetas e uma xícara de café já frio. Mas o que chamou minha aten

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status