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Casamento com o Cunhado
Casamento com o Cunhado
Autor: Justa

Capítulo 1

Autor: Justa
— Você, sua desgraçada, desce logo daí!

— Com um ótimo contador da vila operária para casar, você prefere ir para aquela ilha deserta sem ninguém. Como eu fui parir uma filha tão ingrata assim...

Ao ver minha mãe correndo atrás do trem, xingando enquanto corria, senti o coração apertar.

Mas, ao lembrar dos finais que eu e Leticia tivemos na vida passada, disse para mim mesma que minha decisão não estava errada.

A Ilha da Ferrugem era desolada, e Marcos não era fácil de lidar. Mas e daí? Se não desse para viver juntos, no máximo cada um seguiria seu caminho.

Eu sou uma mulher, por acaso não consigo viver sem um homem?

Mas Leticia não podia. Na vida passada, depois de se casar com Marcos, os dois passaram a vida inteira presos a um mal-entendido causado por terceiros. Uma pessoa tão gentil acabou sendo desperdiçada por Marcos.

Por isso, agora que renascemos, ao vê-la com o cenho franzido de preocupação, comecei a arrumar as malas sem hesitar.

— Irmã, eu vou me casar com o Marcos. O André Borges pode não ter dinheiro, mas tem um bom temperamento. Vocês devem conseguir viver bem juntos.

Ao ouvir isso, Leticia se levantou feliz, mas logo mordeu o lábio e disse com firmeza:

— Marcos não é fácil de lidar, sem falar naquela primeira paixão dele. Não posso deixar que você assuma a minha infelicidade.

— Irmã, já que é um noivado arranjado do qual não dá para escapar, tanto faz quem se case. Naquela época, o avô não disse qual neta iria. Além disso, se o Marcos não é fácil, você acha que eu sou?

— Quando eu chegar à Ilha da Ferrugem, se der para viver com o Marcos, ótimo. Se não der, eu parto para cima dele. Quem me ofende, eu revido. O mais importante é viver sem arrependimentos.

Dizendo isso, fiz ali mesmo uma demonstração de golpes de luta.

Ao me ver socando o ar, Leticia deu risada, ainda com lágrimas nos olhos, e bateu de leve na minha testa.

— Você, hein...

Diferente da delicadeza de Leticia, eu pratiquei artes marciais desde pequena e sempre fui do tipo que prefere agir a perder tempo com palavras.

Por isso, eu e André, aquele intelectual, nunca tínhamos assunto em comum. Eu o desprezava por passar o dia inteiro lendo, e ele me desprezava por eu não ter nada de feminina.

Nossa vida repetiu a história da Leticia, em menos de um ano, tudo também acabou.

Então, desta vez, era melhor deixar Leticia se casar com o André. Pelo menos ficaria perto de casa, junto à família. Muito melhor do que, como na vida passada, ela sofrer sozinha na Ilha da Ferrugem, sem ter com quem desabafar, até acabar em depressão.

Enquanto pensava nisso, eu segurava a mão de Leticia e fazia manha sem parar. No fim, ela não teve escolha a não ser concordar com um aceno de cabeça.

— Está bem. Eu troco com você!

Assim, peguei minha bagagem e embarquei no trem rumo à Ilha da Ferrugem.

Só não imaginei que minha mãe chegaria tão rápido.

Eu tinha deixado uma carta explicando tudo com clareza — o que ainda a deixava tão preocupada?

— Eu vou me casar na Ilha da Ferrugem! Se não der para viver com o Marcos, eu volto por conta própria! — Gritei para minha mãe, que corria para alcançar o trem.

Os três dias e duas noites de viagem passaram rápido, entre comer e dormir, e logo cheguei ao porto.

Peguei minhas coisas e me espremi novamente no barco que seguia para a Ilha da Ferrugem.

Achei que, desta vez, também dormiria tranquilamente até chegar, não esperava, porém, vir a ficar enjoada.

Depois da travessia, eu já estava com o rosto pálido, e um cheiro estranho parecia sair do meu corpo.

Sentada no posto de guarda da tropa, esperando por Marcos vir me buscar, lembrei de como tinha vomitado sem parar e me senti até aliviada por ter sido eu a vir me casar.

Leticia, tão delicada, como poderia aguentar um sofrimento desses?

— Marcos, por que essa casa tem um cheiro tão estranho? Estou passando mal.

Enquanto eu mergulhava nesses pensamentos, uma voz soou à minha frente.

Levantei os olhos para olhar.
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Último capítulo

  • Casamento com o Cunhado   Capítulo 10

    Antes mesmo que eu conseguisse esboçar um sorriso, ouvi uma bronca furiosa vinda de dentro da casa:— De joelhos!Fiz um bico, pensando que o inevitável finalmente tinha chegado, e me preparei para me ajoelhar.Mas Marcos se antecipou e ajoelhou primeiro. Diante dos meus pais e do meu avô sentados na sala, ele falou com total sinceridade:— A culpa foi minha. Eu deveria ter voltado antes para explicar tudo e pedir desculpas. Se for para apanhar ou ser repreendido, aceito sem reclamar. Mas a Helena tem a saúde frágil, então a parte dela eu assumo junto.Depois disso, sem esperar resposta, ele bateu a cabeça no chão três vezes.O avô continuou sério, sem demonstrar emoção alguma. Já minha mãe, por outro lado, estava sorrindo de orelha a orelha.Se não fosse pelo fato de o avô ainda estar ali sentado, ela provavelmente já teria corrido para ajudar Marcos a se levantar e sentar.— Avô, não fique bravo. Minha sobrinha chegou, me dá um pouco de moral. Além disso, veja como nós duas estamos

  • Casamento com o Cunhado   Capítulo 9

    Assim que essas palavras foram ditas, Ricardo começou a suar frio. Em pânico, avançou e agarrou o braço de Camila.Do ângulo em que eu estava, dava para ver claramente a ameaça nos olhos dele:— Você pode fazer o que quiser, mas cuidado com o que sai da sua boca. Não me arraste pra isso só porque quer ajudar o Marcos. Eu tenho esposa e filhos. Se você se envolver comigo, acha mesmo que ainda vai sobrar alguma reputação pra você?Diante disso, os olhos de Camila brilharam, e ela passou a olhar para Eduardo e Marcos com lágrimas nos olhos.— Marcos, me desculpa. Eu fiz tudo isso porque tinha inveja da Helena poder se casar com você. Agora há pouco, foi porque ela se irritou com as nossas tantas lembranças bonitas que me empurrou no chão, e eu acabei falando sem pensar. Você sabe que a pessoa que sempre esteve no meu coração foi você. Não fica bravo comigo, tá?Depois de dizer isso, abaixou a cabeça e cobriu o rosto, parecendo extremamente injustiçada.Ao ouvir essas palavras, os olhares

  • Casamento com o Cunhado   Capítulo 8

    A Ilha da Ferrugem não era grande, ainda mais a área onde o exército estava instalado.Eles provavelmente nem pensaram em evitar olhares, e logo começaram a surgir boatos por toda parte.Mas nem eu nem Marcos éramos do tipo fofoqueiro.Ele passava o dia inteiro ocupado com treinamentos e missões; eu também não queria ficar o tempo todo sem fazer nada.Depois de conversar com Marcos, consegui um plano de cooperação com o exército.Decidi montar uma fábrica de processamento de alimentos na ilha.As matérias-primas seriam os cocos da ilha e os diversos frutos do mar.Assim, além de gerar uma renda extra para o exército, também daria aos moradores locais uma fonte de sustento.Só que eu não esperava que o primeiro obstáculo viesse logo no início.Cheia de confiança e pronta para fazer acontecer, acabei sendo surpreendida por um tufão que quase destruiu todo o meu esforço.Olhando para as instalações da fábrica, completamente destruídas pelo vento, arregacei as mangas e fui ajudar os operár

  • Casamento com o Cunhado   Capítulo 7

    Nos dias que se seguiram, Camila não voltou a aparecer diante de mim.Em compensação, aquelas mulheres de antes passaram a aparecer de vez em quando, trazendo legumes que tinham plantado ou me chamando para ir catar frutos do mar quando a maré baixava.A vida foi seguindo assim, sem pressa. Aos poucos, fui me apaixonando pela vida na ilha, e meu relacionamento com Marcos também se tornava cada vez mais estável.Apesar de tudo parecer caminhar para melhor, eu sempre sentia que havia algo fora do lugar, uma inquietação difícil de explicar.Até que, naquele dia, eu voltei para casa carregando um saco de ostras que tinha acabado de catar e vi Marcos andando de um lado para o outro na porta, com a testa franzida e algo nas mãos, visivelmente aflito.Ao me ver, ele veio direto e segurou meu braço:— Olha só, mal fica um tempo sem ver a esposa e já fica assim de aflição. A Helena é mesmo uma sortuda.Percebendo que ele não estava como de costume, respondi às brincadeiras delas por alto e pux

  • Casamento com o Cunhado   Capítulo 6

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  • Casamento com o Cunhado   Capítulo 5

    Entre afundar e emergir, vi Marcos correndo em disparada, junto da Camila fingindo pânico.Uma onda de raiva me subiu ao peito — homens que atraem confusão são realmente irritantes!Virei o corpo de imediato e nadei com força na direção da Camila.Que história de escolher entre duas? Eu pareço alguém que espera um homem vir salvar?Não preciso — e você também não vai precisar.Como se não esperasse que eu soubesse nadar, Camila ficou completamente incrédula. Quando minha mão a alcançou, ela começou a se debater desesperadamente, gritando sem parar: — Marcos, me salva...Vendo como ela era difícil de segurar, e com o Marcos já prestes a entrar na água, dei um golpe seco e deixei ela inconsciente. Em seguida, arrastei ela em direção à margem.Por sorte, tínhamos acabado de cair e não estávamos longe da praia. Em poucos movimentos, já tínhamos chegado.Marcos tentou se aproximar para ajudar, mas eu o xinguei furiosa:— Some daqui! Se hoje você encostar um dedo nela, amanhã já pode ir

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