LOGIN— Abre você. — Lorena ficou onde estava, sem se mexer. Ela virou o rosto para o lado e encostou as costas na parede, prendendo o envelope com a mão.O olhar de Isaac ganhou um traço de resignação:— Esse seu gênio… ultimamente está mesmo ficando mais explosivo.Mas ele não insistiu. Também não pareceu desconfiar de que ela escondia algo atrás do corpo. Ele simplesmente entrou no quarto.No fim, foi Isabela quem abriu a encomenda. Lorena, assim que teve chance, escondeu o boletim de notas e voltou correndo para o quarto de hóspedes.— Lorena, vamos. — A voz de Isaac veio do lado de fora.— Isaac! — Lorena se virou. — Você pode, por favor, ter um mínimo de respeito por mim? Coisas assim você me avisa com antecedência. Não joga em cima da hora como se fosse comunicado de reunião!Isaac apareceu na porta do quarto de hóspedes:— Sra. Cunha, isso é o que você chama de em cima da hora? Hoje é o aniversário do seu pai.Lorena ficou em silêncio.— Eu vou sozinho, então? — Ele arqueou uma sobra
Lorena sentia-se exausta. Ela, sinceramente, já não fazia tanta questão assim do título de Sra. Cunha.— Isaac, com que lógica você acha que eu preciso ser sua esposa nessa casa? Eu não quero esse lugar. Deixa a Aurora ameaçar a minha posição, por favor, pode ser? — Disse Lorena.Isaac parou por um segundo, lançou um sorriso de deboche, como se ela estivesse apenas fazendo birra, e seguiu para o banheiro da suíte para tomar banho.Depois de tudo o que tinha acabado de acontecer, o corpo de Lorena estava coberto de suor. Ela entrou no chuveiro de novo, vestiu uma camiseta larga e voltou para a cama.Naquela noite, um temporal caiu. A chuva batia no vidro com força, produzindo um ruído constante que funcionava quase como ruído branco, ajudando o sono a chegar. A temperatura despencou. Ouvindo o som da água, Lorena acabou adormecendo.Na manhã seguinte, ela acordou sem despertador. Quando ela pegou o celular para ver as horas, já eram nove. Isaac ainda estava do lado de fora, conversando
Lorena, de fato, não sabia como Isaac ficava quando "perdia o controle".Desde que ela o conhecia, ele tinha sido sempre igual: um homem que lembrava um eremita de montanha, distante, reservado, coberto por uma névoa que ninguém atravessava. Mesmo depois do casamento, ele continuava assim.Mas, naquela noite, Isaac parecia realmente fora de si. Lorena encarou a camisa arrebentada, os botões espalhados pelo chão, e a linha definida dos músculos à mostra. O susto apertou o peito dela.— Isaac, o que você vai fazer? — Ela puxou o cobertor e o enrolou no corpo, como se fosse um escudo.— O que você acha que eu vou fazer? — O olhar dele tinha um brilho raro de agressividade. — Você é minha esposa. Você come do que eu pago, usa o que eu compro. E ainda se junta com os outros para me ferrar. Me diz: o que é que eu deveria fazer?— Eu não fiz isso… — Lorena nem achava que valia a pena explicar. Mas o jeito como ele se aproximava, o tom, o rosto tenso… tudo indicava que aquela acusação era só o
O coração de Lorena sempre tinha batido no compasso de Isaac.Por isso, Lorena preparava as refeições pensando nele, cuidava da casa com atenção aos detalhes, tentando criar um porto seguro para ele. Mesmo que ele chegasse sempre tarde, ela queria que, ao menos ao entrar em casa, ele pudesse descansar em paz.Mas parecia que ele não precisava de nada disso. Então, que as pessoas que ele realmente desejava ao lado se preocupassem por ele.Lorena decidiu tomar um banho, depois sentar um pouco para pesquisar mais coisas sobre intercâmbio e ir dormir. Mas, às vezes, os algoritmos pareciam provocação: insistiam em jogar na frente dela exatamente o que ela não queria ver.Ao abrir o Instagram, lá estava de novo: um post de Aurora destacado na página inicial. Tinha sido publicado poucos minutos antes e falava, claro, da noite que todos tinham acabado de viver. Na foto, um close das mãos entrelaçadas: a mão de Isaac segurando a dela.A legenda dizia:[Ele sempre foi como uma grande árvore: org
— Sim. — Lorena nem se deu ao trabalho de explicar.Isaac deu um passo à frente. De repente, ele estava muito perto. Perto o suficiente para que ela visse com clareza as marcas de cansaço em volta dos olhos. Um homem perto dos trinta, com carreira e negócios nas costas. E ele nem tinha chegado aos trinta ainda, mas o rosto já carregava traços do tempo.— Lorena. — Isaac segurou os ombros dela. O cheiro discreto de um perfume veio com ele. — Todos esses anos… eu tratei você mal?Enquanto ele falava, o esgotamento transbordava das sobrancelhas franzidas e do olhar.Lorena soltou um suspiro baixo. Ela não podia negar: ele tinha, sim, tentado cuidar dela da maneira que sabia. Comida, conforto, casa, dinheiro. E não só com ela: com a avó dela, com a família toda, ele jamais tinha reclamado de nenhum gasto."Mas, Isaac, esse seu cuidar… teria sido melhor, lá atrás, se você tivesse só me dado uma bolada de dinheiro e comprado, de uma vez, a dívida da minha perna manca." Pensou Lorena, em silê
O rosto de Aurora ficou imediatamente corado. As lágrimas de humilhação subiram aos olhos, mas, puxada por Isaac, ela acabou saindo do salão.A Professora Diana lançou um olhar duro para Hélio, como se dissesse que aquela confusão toda era culpa dele, e então se voltou para Lorena:— E você, o que acha desse projeto de parceria? Nós vamos seguir a sua opinião.— Não precisam pensar em mim, professora. — Lorena piscou para ela, com leveza. — A senhora e o Sr. Hélio não têm que levar em conta a minha situação para isso. Eu só sou o Cisne Branco que dança. Quem decide sobre negócios são vocês.Ao ouvir aquilo, a Professora Diana soltou um suspiro audível:— Assim está melhor! A gente ficou aquele tempo todo assistindo àquele showzinho de amor principalmente por sua causa. Eu não queria expulsar um rato e acabar te prejudicando no processo. Agora que você falou isso, eu fico tranquila.Os outros convidados não tinham intimidade suficiente com Lorena ou com Isaac para se meter. Quando ouvir