LOGIN— Isaac! Você gosta tanto assim daquela plaquinha de madeira? — Aurora perguntou com um tom magoado, como se Isaac tivesse enganado ela.Isaac não falou nada.Lá na frente, Lorena riu:— Aquele pingente é feito de jacarandá brasileiro, bem caro. É entalhado em forma de Deus, para proteger o Isaac na estrada.— Jacarandá brasileiro… — Aurora repetiu em voz baixa. — Então… então é uma coisa cara? Isaac… me desculpa…Aurora era sempre assim: olhos vermelhos, cheios de lágrimas, não importava o que tivesse acontecido, ela sempre parecia ser a mais injustiçada da história.Aurora ainda se virou para pedir desculpas a Lorena:— Lorena, desculpa. Eu não sabia que aquilo era valioso. Eu achei que era só um pedaço de madeira comum…Lorena olhou para ela, sorrindo:— É mesmo? Você não acabou de dizer que dinheiro não importa, que o que vale é o sentimento? Por que agora você está desdenhando a madeira? Aquela madeira não é sentimento também? Eu ainda entalhei tudo à mão, faca por faca.A express
Isaac, por reflexo, olhou de novo para Lorena. Ela estava apoiada na moldura da janela do carro, ainda sorrindo enquanto observava os dois. Não eram aqueles os mesmos bichinhos de pelúcia que ela tinha mandado por entrega rápida para o escritório de Isaac? Então Aurora tinha ficado com tudo?— Oi! — Lorena chamou de dentro do carro, acenando. — Eu estou aqui! Fala direto comigo, não precisa pedir para ele falar por você.Quando viu Lorena, Aurora ficou completamente chocada. E, quando percebeu que ela ainda estava sorrindo, ficou mais chocada ainda. Um pânico subiu em silêncio:"E se, depois de tudo isso que eu fiz, ela desistir de retirar a queixa?"— Lorena… — Aurora começou a encenar na frente dela. — Me desculpa, por favor… você pode me perdoar? Eu realmente não tenho coragem de deixar esses bichinhos para trás. Bolsa cara, casa grande, relógio, joia, dinheiro, essas coisas, eu juro que eu posso viver sem. Mas esses bichinhos… eu não consigo. Isaac passou anos comprando em vários l
A capacidade de Isaac para resolver as coisas sempre tinha sido grande. Se ele tinha dito aquilo, então não haveria problema.O que vinha depois dizia respeito só aos dois.— Lorena, tudo o que você me pediu, eu já fiz. — Isaac falou. — A casa já foi vendida, as bolsas e os presentes da Aurora foram todos devolvidos e convertidos em dinheiro. O dinheiro é seu.Ele terminou de falar, pegou o celular e fez a transferência para ela.Lorena fez um cálculo rápido na cabeça. Pelo valor, até que estava justo.— Para mostrar a minha boa vontade, eu agora vou te levar lá para você ver com os seus próprios olhos. A casa realmente já tem outro dono, o comprador já está se preparando para reformar tudo. — Isaac disse, engatando a marcha. — Depois que você ver a casa, eu quero que você cumpra o que me prometeu e vá até a delegacia.A mão de Lorena ainda estava toda enfaixada. O machucado na cabeça mal tinha cicatrizado.Isaac, obviamente, sabia disso. Ele soltou um suspiro pesado:— Eu também sei q
— Isso ainda é problema pequeno? — A vovó segurou as mãos de Lorena com todo cuidado, com o coração apertado. — Dor no dedo é das piores que existe!— É problema pequeno mesmo. — Lorena sorriu de leve. Para ela, aquela dor era nada perto da dor do acidente de carro de anos atrás.O rosto de Isaac, porém, ficou bem fechado.Lorena imaginou que ele também tinha se lembrado do acidente. Aquilo era a mancha escura do passado dele, a ferida escondida. Por causa daquele acidente, ele tinha trocado casamento por culpa, e aquilo tinha sido a raiz de toda a infelicidade conjugal dele.Lorena sorriu de novo, em silêncio, e pensou: Não tem problema. Todo mundo está prestes a se libertar.Isaac levou Lorena até o hospital mais próximo sem dizer uma palavra. Lá, os médicos limparam e trataram os machucados. Depois, ele organizou tudo e falou:— Vovó, a senhora quer voltar para casa primeiro? Eu e Lorena precisamos resolver uma coisa. Mais tarde eu levo vocês duas para casa.— Não precisa. — Rita re
Lorena não entendia por que a família dela tinha tanto medo de Isaac. No fim das contas, Isaac também era só um homem comum, não era nenhum psicopata que matava gente quando acordava de mau humor.Era só porque ele tinha dinheiro.Algumas pessoas eram exatamente assim: pisavam em quem estava embaixo e babavam ovo para quem estava em cima. Com os fracos, eram grosseiras, abusadas, passavam por cima sem piedade. Mas bastava aparecer alguém com dinheiro e poder, que elas encolhiam na mesma hora.Se Michel, naquele dia, tivesse tido coragem de bater de frente com Isaac do mesmo jeito que tinha batido de frente com ela e com a avó, Lorena até olharia para ele com um pouco mais de respeito.Por exemplo, o pai dela, o irmão e ainda por cima a mãe. Se os três resolvessem usar a força bruta, será que eles não conseguiriam derrubar Isaac no chão?Só que, assim que eles viam Isaac, eles murchavam. Gente assim só tinha coragem de bater em quem não podia revidar.Gente assim era o mais desprezível
Michel se inclinou para a frente, bem perto de Rita, e falou:— Mãe, se a senhora me der esta casa, eu deixo para lá aquele dinheiro todo. Senão, a senhora me dá logo dez milhões em dinheiro vivo!— Por que você não me mata de uma vez! — Rita gritou rouca, e deu um tapa na cara de Michel. — Olha bem para mim: se eu for vendida no mercado, será que eu ainda valho mil reais?— Mãe, aí a senhora já está sendo chata. — Michel resmungou, com aquele jeito de malandro barato. — Se a senhora não quer me dar a casa, então eu vou atrás da sua poupança.Bastou um olhar de Michel para Bruna e Francisco saírem correndo com ele em direção ao quarto da avó.— Fica na gaveta do meio! Quebra o cadeado! — Michel gritava enquanto corria.Lorena ajudou a avó a se sentar na cadeira e, em seguida, correu para a frente da porta, abrindo os braços para bloquear a passagem:— Hoje ninguém entra aí!Michel deu um sorriso torto:— Filha, você está manca, acha mesmo que consegue segurar nós três? Você, nesse esta
— Mas, olha, eu acho que, com esse documento, o seu patrimônio pode realmente gerar problemas no futuro.— Não vai gerar. — Isaac estava parado ao lado do carro.— Ou então você já planejou direitinho como vai transferir os bens depois?— Eu não planejo transferir nada. — Isaac soltou um suspiro. —
— Faz como você quiser, você não é obrigado a concordar.Lorena, que já tinha se levantado, voltou a se sentar.Que história era aquela de dizer que ela não queria ter um filho com ele? Em cinco anos de casamento, quantas vezes ela tinha engolido o orgulho e ido atrás dele, querendo ir para a cama p
A voz grave do homem rolou rouca pela garganta, embargada pelo álcool, e adquiriu um tom estranhamente carregado de desejo.Priscila ouviu do outro lado da linha e se apressou em dizer:— É o Isaac, né? Deixe, eu não vou atrapalhar vocês. Amanhã à noite a gente se vê, está bem? Beijo!A ligação foi
Isaac só chegou em casa à noite.Dessa vez, Lorena estava realmente assistindo a uma série, daquelas novelas bem água com açúcar, que não exigiam nenhum esforço mental.Ela percebeu que a trama, no geral, tinha muito em comum com a própria vida dela. Até o protagonista, um homem supostamente frio, i







