MasukAlberto olhou para os dois primos ali ao lado e soube que não deveria estar pensando naquilo naquele momento, mas, ainda assim, ele não conseguiu evitar sentir uma pontada de inveja de Ethan, que podia carregar Lorena nas costas, às claras, e consolá‑la daquele jeito.Lorena nunca tinha chorado como agora, sem se segurar, na frente de outras pessoas.Ela não tinha recebido amor dos pais, então, diante deles, ela nem sentia que tinha o direito de chorar. Diante de Rita, menos ainda, porque ela tinha medo de preocupar a avó.Durante os cinco anos de casamento com Isaac, ela também não se permitia chorar, com medo de deixá‑lo irritado, de sobrecarregá‑lo emocionalmente. O pensamento dela era só um: deixar ele feliz, custasse o que custasse.Quando eles chegaram à delegacia, Lorena já tinha retomado o controle das emoções. Ela contou tudo para os policiais, desde o começo, e deixou claro que a avó tinha voltado para Huambo junto com os pais dela.No fundo, ela ainda tinha medo de que, por
Assim que eles aterrissaram, a primeira coisa que Lorena fez foi ir até o presídio. Ela disse que era filha de Michel e perguntou se podia vê‑lo.Como era de se esperar, o agente informou que Michel já tinha sido solto mediante fiança.Lorena ficou visivelmente aflita:— Com licença, eu acabei de voltar do exterior, eu não faço ideia de quem pagou a fiança do meu pai.Tinha sido o advogado.A família tinha contratado um advogado para Michel e pago o valor da fiança. Se em casa houvesse esse dinheiro disponível, ou se a mãe e o irmão dela tivessem topado gastar com isso, Michel já teria saído fazia tempo. O motivo de ele nunca ter pedido fiança e nem advogado tinha sido justamente a falta de dinheiro, ou melhor dizendo, o fato de a mãe não querer gastar com isso.Pelo visto, alguém tinha aberto a carteira por ele agora.— Já sei quem foi. — Lorena se agachou na porta do presídio, tomada por um desânimo repentino.— Foi o Isaac? — Alberto arriscou.Lorena não respondeu. Ela apenas pegou
Lorena saiu do aeroporto, chamou um carro e foi direto com Ethan para o condomínio onde Rita estava morando provisoriamente.Alberto e Diana estavam preocupados e entraram no mesmo carro que eles.— Lorena, calma. A gente já está chegando. — Diana, vendo o desespero dela, tentou acalmá‑la.Alberto também falou:— Isso. Minha irmã passou lá ontem para ver a sua avó.Lorena concordou com a cabeça. Era verdade: Letícia tinha visitado Rita no dia anterior, e, no dia da decolagem, Lorena ainda tinha feito videochamada com a avó. Mas, por algum motivo, aquela sensação ruim no peito continuava, estranha demais.Uma hora depois, eles chegaram ao condomínio.Lorena subiu até o apartamento onde Rita estava hospedada no passo mais rápido que ela conseguia dar. Quando ela abriu a porta, ela ficou paralisada.Rita não estava lá. De novo, não estava. E a casa estava toda revirada.Todo mundo que entrou ficou chocado. Na mesma hora, eles se dividiram.Diana foi falar com a administração do prédio. Et
Milena tinha um perfume bem suave. Lorena não sabia qual era a marca, mas o cheiro era muito gostoso. Quando a tia a abraçou daquele jeito, ela sentiu ainda mais vontade de chorar. Era exatamente o abraço de mãe que ela tinha fantasiado na infância.O colo em que Lorena nunca tinha sido acolhida pela própria mãe, ela só foi conhecer agora, perto dos trinta anos, nos braços da tia.Depois de poucos dias juntas, ela já sentia saudade de Milena.Pelo menos, em pouco tempo elas iam se reencontrar. Faltava só pouco mais de um mês de espera.Na despedida, Ethan ainda preparou um presente para a companhia inteira. Para todo mundo, mesmo. Cada um recebeu alguma coisa. Ele se apresentou para todos como primo de Lorena e agradeceu por cuidarem dela.Mais tarde, Sofia se aproximou de Lorena e comentou:— Uau, seu primo é bem generoso, hein. O presente que ele deu para cada um não foi barato, não. Você já contou quanta gente tem na nossa companhia?Até aquele momento, Lorena ainda não fazia ideia
Assim que Rita apareceu na tela, ela já estava sorrindo. Quando ela viu claramente quem estava do outro lado do celular, ela ficou surpresa e feliz ao mesmo tempo:— Ai, meu Deus, vocês duas se encontraram?— Sim, vovó, a tia veio aqui só para me ver. — Chamou Lorena.Diante da avó e da tia, Lorena teve a sensação de que ela finalmente podia voltar a ser criança.— Milena, olha direito para a Lorena. Como é que ela está? Emagreceu, não emagreceu? Ela só sabe dizer que está tudo bem, tudo bem. Eu fico achando que essa menina está me enganando. — Rita falou, com os olhos rindo.Milena já tinha reparado em tudo. Embora Lorena estivesse mais magra e com dificuldade para andar, o corpo inteiro dela transbordava energia. Por isso, Milena sorriu e fez o "relatório" para Rita:— Mãe, pode ficar tranquila. A Lorena está ótima. Se a senhora acha que ela está magra, espera mais um mês. Quando ela vier estudar e a senhora vier com ela, nós duas vamos engordar essa menina juntas.Rita riu tanto que
Foi como uma brisa leve que passou de raspão pelo rosto dela. Quando Lorena finalmente reagiu, Isaac já tinha se afastado para longe. Ela só conseguiu ver as costas dele se misturando rapidamente à multidão apressada de Veneza, até sumir de vista.— Lorena! — Alberto chamou do barco.— Já vou. — Lorena sentiu um alívio no peito. Na cabeça dela, Isaac finalmente tinha entendido. Ele provavelmente não ia mais insistir naquela ideia de "ser responsável por ela pelo resto da vida".Lorena subiu no barco e, junto com a companhia de turnê, se preparou para seguir rumo à próxima cidade.O que Lorena não viu foi que Isaac não tinha ido tão longe assim. Depois que ela entrou no barco, ele apareceu na varanda do terceiro andar de um hotel à beira da água, olhando o barco dela se afastar cada vez mais.Atrás de Isaac, Aurora se aproximou. Ela seguiu a direção do olhar dele e também viu o barco.— Isaac. — Aurora falou. — Ela foi embora.Isaac não respondeu.— Isaac, você ainda tem a nós. — Aurora
Aurora, sempre atenta ao clima, entrou na conversa na hora certa:— Isaac, você não fica chateado só porque o pessoal falou mal da Lorena. Eles realmente estão pensando no seu bem. Pensa só: a nossa amizade já dura tantos anos… mesmo que alguma coisa que eles falaram tenha passado do ponto, você ouv
Isaac tinha voltado a beber. Ele tinha quebrado a própria regra. Pelo tom da voz, Lorena percebeu que ele estava até um pouco bêbado. Mas será que Isaac realmente seria capaz de gritar daquele jeito em público?Na lembrança de Lorena, Isaac, no ensino médio, tinha sido o típico gênio frio: o melhor
O som contínuo da água ecoava no banheiro. Isaac estava tomando banho. Eram três horas da manhã. Ele tinha acabado de chegar em casa.Lorena ficou parada na porta do banheiro, porque ela queria conversar com ele sobre uma coisa. Ela estava tensa e não sabia se ele ia concordar com o que ela estava p
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou







