INICIAR SESIÓN— A vagabunda aqui é você! — Aurora se escondeu atrás de Isaac e gritou em falsete.Alberto fixou o olhar em Aurora, gelado:— Você acha que, só porque você se esconde atrás desse lixo de homem, eu não alcanço você? Em gente lixo eu bato mesmo, seja homem ou mulher.Isaac lançou um olhar de ódio para Alberto.— Pelo visto, hoje não tem jeito. A gente vai ter que resolver isso na porrada.— Você acha que eu tenho medo de bater em você? — Alberto deu um passo à frente e colocou as três mulheres atrás dele, protegidas. — Você acha mesmo que você é alguém limpo? Essa fofa de boca suja, eu dou tapa na cara dela. E você, que está fedendo como se tivesse caído num poço de esgoto, eu vou bater até você não conseguir levantar.Quando Aurora ouviu aquilo, ela finalmente entendeu por que tinha levado o tapa de antes. Era por causa do comentário que ela tinha feito chamando Lorena de aleijada.Isaac, porém, olhou direto para Lorena, que estava atrás de Alberto, e falou com o rosto fechado:— Loren
A discussão feroz teve uma breve pausa naquele instante. Isaac ficou parado alguns segundos, atônito, antes de falar em voz baixa:— Lorena, a sua família não tratou você tão bem quanto eu tratei.Os olhos de Lorena arderam por um momento, mas ela acabou rindo de leve.Isaac não estava errado. A família dela nunca tinha dado a ela nenhuma base de segurança. Até quando ela brigava com ele, ela sentia que o sobrenome Rochas não tinha peso nenhum diante dele.— Mas, Isaac… — Lorena respondeu com calma. — Como é que uma pessoa vai se entristecer por algo que ela nunca teve de verdade?Ela, claro, nunca tinha possuído Isaac de fato. Mas, pelo menos, ela já tinha colocado toda a esperança dela nele.— Isaac. — Ela não queria se perder em outros assuntos. Ela trouxe a conversa de volta para o que importava entre os dois. — Eu já falei isso muitas vezes. Eu não estou fazendo birra, eu não estou ameaçando você. Eu pensei nisso com calma. No resto dos meus anos de vida, eu quero ser feliz. E eu
Lorena estava muito aflita. Aquilo não podia continuar daquele jeito. Alberto precisava dançar e, se ele se machucasse, o que ela faria? Um golpe no rosto, então, era impensável.Mas Isaac parecia ter enlouquecido e ele não ouvia nada do que ela dizia.Os dois já estavam a ponto de se engalfinhar numa briga de verdade.Lorena ficou sem saída. Ela se enfiou entre os dois e falou com Alberto, que ainda tinha um mínimo de lucidez:— Você volta primeiro.Alberto teve medo de que Lorena saísse perdendo naquela situação e, naturalmente, ele não aceitou:— Eu não vou deixar você aqui sozinha com ele.— Alberto! — Lorena falou com toda a seriedade. — Você pensa um pouco. Hoje, se você machuca um braço ou uma perna, ou se você leva um arranhão que seja, eu não aceito.Ele ainda tinha muitos dias de apresentação pela frente. Lorena não podia, de jeito nenhum, permitir que ele se ferisse. Naquele instante, ela parecia exatamente a colega mais velha e rígida que tinha sido no passado.Alberto fina
A confusão finalmente chamou a atenção do gerente do saguão, que foi ver o que estava acontecendo.As duas partes contaram a própria versão da história.Isaac pegou o próprio passaporte, abriu no celular a foto da certidão de casamento com Lorena e colocou tudo na frente do gerente, para provar que ele e Lorena eram mesmo marido e mulher, e que a chave era dele.A postura de Isaac estava rígida:— Jogar fora coisa de hóspede é errado, sim. Vocês agiram de forma extremamente irresponsável. Se essa chave cai na mão de alguém mal-intencionado, um ladrão entra na minha casa com a maior facilidade.A recepcionista tentou argumentar:— Nós já ligamos para a hóspede. Foi ela que disse que não queria mais e mandou jogar fora.— Impossível. — Isaac se levantou de repente. — Essa é a chave da nossa casa. Como é que ela não ia querer mais? Ainda por cima com uma foto nossa pendurada!De jeito nenhum Isaac acreditava que Lorena seria capaz de falar que não queria nem mais a chave da própria casa.
Na manhã seguinte, o problema com o carro já tinha sido resolvido. Lorena e o grupo da turnê voltaram a pegar estrada, rumo à próxima cidade. O destino daquela etapa era Veneza.A famosa Veneza. E os famosos anjinhos da sorte em forma de boneco.Quando Lorena viu que, em quase todas as lojinhas das ruas e vielas, alguém vendia aqueles bonecos, ela lembrou, de repente, da prateleira de casa, cheia deles, um ao lado do outro. O pretexto era bonito: dizer que era para ela não se sentir sozinha.Um dia, Lorena tinha sido boba o suficiente para acreditar que aqueles bonecos estavam ali para fazer companhia a ela. Ela já nem sabia com quem, de fato, eles tinham ficado.Alberto achou que ela tinha gostado.— Lorena, você quer escolher um?Lorena balançou a cabeça. Os bonecos não eram feios, mas, para ela, eram só lembranças que não traziam nada de bom.O celular tocou de repente. Era um número estrangeiro, desconhecido. Lorena atendeu. Do outro lado, uma voz educada se apresentou como atenden
Dessa vez, Isaac mandou uma foto de um dos casacos:[Esse aqui ficou apertado no ombro. Eu quero ajustar.]Lorena achou aquilo um saco:[Quando eu tiver um tempo eu falo com o ateliê e marco um horário para ajuste.]Isaac mandou outra foto:[Esse aqui eu também quero ajustar, a manga ficou curta.]Lorena respondeu na hora:[Impossível. Eles já fizeram mais de cem peças para você. Tudo o que eu levei para casa, de todas você nunca reclamou. Agora você quer mexer em todos?]Isaac:[Quero, eu quero mexer em todos. E tem este aqui também, olha.]Ele mandou direto uma foto dele vestindo a peça. Ela estava obviamente perfeita.Lorena:[Este não está ótimo?]Isaac:[Não. Eu não gostei do modelo. É muito sério, muito pesado. Eu também quero mudar.][Quem foi mesmo que disse][Eu sou responsável por uma empresa, a minha imagem em público precisa ser séria e estável. As roupas não precisam ser muito modernas.]Lorena:[Isaac, hoje eu estou com a sensação de que você está caçando problema de prop
O som contínuo da água ecoava no banheiro. Isaac estava tomando banho. Eram três horas da manhã. Ele tinha acabado de chegar em casa.Lorena ficou parada na porta do banheiro, porque ela queria conversar com ele sobre uma coisa. Ela estava tensa e não sabia se ele ia concordar com o que ela estava p
Lorena viu que, depois de um breve constrangimento, Isaac e Aurora logo assumiram esse “novo” papel. Os dois passaram a conversar e rir com o parceiro de negócios como se nada tivesse acontecido. Eles pareciam um casal perfeito…Lorena, em silêncio, tirou uma foto com o celular. Quando ela se virou
Depois daquele dia, Lorena voltou para os livros. Ela recomeçou a estudar. Na época, ela não tinha grandes planos. Ela só queria colocar algum tipo de apoio secreto naquela vida pálida que ela levava. Se ela tivesse coisas para fazer, ela não ia ficar o tempo todo lembrando daquela frase e se machu
— Isaac… — A voz de Lorena falhou, traindo o nó na garganta.— Hein? Lorena? — Isaac segurou a mão dela. — O que aconteceu? Você está com vontade de chorar? Se quiser chorar, chora. Não precisa segurar.A voz de Isaac era muito, muito doce.Era igual àquela época em que Lorena tinha saído da sala de