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Capítulo 3

Autor: Peixe Koi
Mas a atuação exagerada de Breno fazia todo mundo dentro da sala cair na gargalhada. Aurora, sentada ao lado de Isaac, ria tanto que ela se jogava no ombro dele.

E Isaac continuava sem dizer uma palavra.

Breno virou-se ainda rindo:

— Isaac, é assim que ela…

Antes que ele terminasse a frase, ele viu Lorena parada na porta. O sorriso dele travou no rosto:

— Lorena…

Todos olharam para a entrada. Todos ficaram imóveis.

Aurora ergueu o rosto do ombro de Isaac, levantou-se e sorriu:

— Opa, você é a famosa esposa do Isaac, né? Prazer, entra, eu sou uma grande amiga do Isaac.

Quando Lorena olhou para cada rosto ali dentro, ela sentiu o coração dela ficar completamente gelado.

Isaac finalmente se levantou e caminhou até ela:

— Lorena, o que você está fazendo aqui? Eles estavam só brincando, não leva isso a sério.

Lorena olhou para Isaac e achou aquele homem estranhíssimo, como se ela estivesse diante de um desconhecido. Quando as pessoas zombavam da própria esposa, ele se colocava do lado de fora, como se fosse apenas um espectador?

— É isso mesmo, Lorena, desculpa. Eu só estava brincando, não fica chateada. — Breno colocou o copo na mesa e se desculpou.

— Lorena! — Isaac parou bem na frente dela e tentou abraçá-la.

Mas Lorena, de repente, lembrou de Aurora rindo encostada no ombro dele, lembrou da cena dele se masturbando no banheiro, lembrou do jeito como ele tinha gemido o nome "Aurora" na hora em que ele chegou ao clímax. Naquele instante, ela sentiu que aquela mão dele estava suja. Ela se apressou em se esquivar.

— Lorena. — Isaac olhou para a própria mão vazia, sem acreditar que ela tinha se afastado, e suspirou. — Eu peço desculpas no lugar deles, tá bom? Não fica assim. Quando a gente chegar em casa, eu te dou um presente, você pode escolher o que quiser.

Aurora lançou um olhar manhoso para Breno:

— Olha só, você deixou a Lorena chateada, ainda não pediu desculpas direito! Você acha que toda mulher é que nem eu, que não liga, que não é sensível com essas coisas e deixa vocês brincarem comigo à vontade?

Lorena deu um riso amargo por dentro. "Isso sim é coisa que só uma mulher bem canalha diria." Mas, claramente, nenhum daqueles homens percebeu. Todos acreditaram nela sem pestanejar.

Depois da bronca de Aurora, Breno resmungou, contrariado:

— Eu já pedi desculpas! Eu nem sabia que ela ia aparecer do nada. Eu juro que era só brincadeira.

— Brincadeira? Só é brincadeira quando a pessoa que é alvo da piada também acha graça. — Lorena falou tremendo da cabeça aos pés. Ela tinha reunido toda a coragem que ainda restava dentro dela.

Ela era manca, ela "não estava à altura" de Isaac. Nos últimos cinco anos, essa ideia tinha se agarrado à mente dela como um feitiço. Cada olhar de dúvida, de desprezo, cada sussurro pelas costas fazia com que ela se encolhesse mais, até voltar para dentro do próprio casulo, como um pintinho ferido, escondido por muito tempo, lambendo as próprias feridas em silêncio.

Breno bufou quando ouviu aquilo:

— Mas eu já pedi desculpas…

— Eu… eu não aceito. — Lorena tremia ainda mais. Era a primeira vez que ela encarava uma humilhação de frente.

— E o que mais você quer, então? — Breno murmurou, impaciente.

Lorena também não sabia o que ela queria. Ela apenas balançou a cabeça. Ela não aceitava o pedido de desculpas, não aceitava ouvir a chacota dos amigos do marido, e, principalmente, não aceitava que o próprio marido estivesse alinhado com eles.

— Chega, ninguém fala mais nada. — Isaac se levantou, colocando-se entre ela e Breno.

Isaac era o líder daquele grupo. Desde a formatura, tinha sido ele quem tinha puxado todos ali para cima. Com a inteligência e a execução impecáveis dele, a empresa tinha chegado onde estava.

Por isso, quando Isaac falava, ninguém mais tinha coragem de retrucar.

— Lorena. — Isaac olhou para ela com o mesmo olhar calmo de sempre, um olhar sem ondas, completamente diferente daquele brilho que ele tinha nos olhos quando olhava para Aurora. — Eles são meus amigos de longa data. Eles não têm maldade com você, é só brincadeira. Por mim, perdoa eles, vai? Eu peço para o motorista te levar para casa.

— Lorena… — Aurora se aproximou, fazendo biquinho, e ficou ao lado de Isaac. — Se você quiser ficar brava, fica brava comigo, não com o Isaac. Eles só marcaram esse encontro hoje porque eu voltei. Isaac, pede para a Lorena ficar e jantar com a gente. Eu tomo uma taça de vinho com ela para pedir desculpas.

Essa mulher realmente tinha estudado a fundo a arte de agradar homem.

— Com licença. — Lorena olhou direto para Isaac. Aurora só tinha coragem de falar daquele jeito porque ele permitia, porque ele alimentava aquilo. Lorena engoliu o gosto amargo que subiu à garganta. — Eu não bebo. E, muito menos, eu bebo o brinde de uma vagabunda.

Aurora, na mesma hora, fez cara de choro e virou-se para Isaac.

— Isaac, ela está me xingando? Eu… — Ela forçou um sorriso, como se estivesse lutando para segurar as lágrimas. — Tudo bem, tudo bem, a Lorena me entendeu mal. Não tem problema se ela me xingar, eu aguento. Não fica bravo com ela…

Isaac ficou sério:

— Lorena, isso tudo foi só uma boa intenção da Aurora, por que você precisa ser tão ácida assim?

"Boa intenção?"

Só um idiota acharia que aquelas palavras tinham sido por boa intenção. Isaac era idiota? Não era. Ele apenas tinha escolhido, entre o certo e o errado, ficar do lado de Aurora. O coração dele já tinha dono, e quem ele protegia, ele automaticamente considerava certa.

Lorena olhou para os dois à sua frente e para o grupo que estava atrás deles. Ela sentiu que, entre ela e aquelas pessoas, existia um abismo impossível de atravessar.

Eles eram um time, um bloco fechado, um grupo sólido. E Lorena não passava de uma intrusa que tinha invadido, por engano, o mundo deles. Não, nem isso: Lorena nunca tinha chegado a entrar de verdade no mundo deles. Mesmo rondando por fora, ela continuava sendo alguém sobrando.

Lorena se esforçou para segurar as lágrimas. Ela soltou um riso curto.

Ela se virou e começou a sair.

Atrás dela, a voz de Aurora soou:

— Isaac, a Lorena, ela…

— Não tem problema. Ela é bem madura, eu converso com ela depois e acalmo ela. Vamos, continua, não precisa se preocupar com ela.

À sombra das palavras leves, Isaac ainda lançou um olhar para as costas de Lorena e mandou uma mensagem para o motorista, pedindo ele ir levar a esposa para casa.

Lorena queria muito sair dali com dignidade, andando firme, como se nada tivesse acontecido. Mas ela não conseguia. Cada vez que o coração dela ficava mais agitado, a perna dela balançava mais.

Naquele exato momento, o jeito desesperado e trôpego com que ela atravessava o corredor não devia estar igualzinho à imitação que Breno tinha feito dela?

Eles com certeza iam continuar rindo muito depois que ela fosse embora, não iam?

Lorena enxugou as lágrimas com força e acelerou o passo, o corpo balançando ainda mais.

Quando o motorista de Isaac correu para fora, Lorena já tinha sumido da frente do restaurante. Ele voltou para dentro e avisou Isaac.

Isaac franziu levemente a testa, pegou o celular e ligou para Lorena. Ela não atendeu e desligou na cara dele. Ele ligou de novo, mas ela já tinha desligado o aparelho.

Breno já estava meio incomodado desde antes. Agora, ele aproveitou para despejar tudo:

— Isaac, esse gênio da Lorena é culpa sua mesmo, de tanto que você a mima. Com o status e a imagem que você tem hoje qualquer mulher que estivesse com você, dentro ou fora de casa, ia te tratar como um rei. E a Lorena ainda tem coragem de virar a cara pra você? Você é bom demais.

Isaac ficou em silêncio.

Os outros correram para apoiar Breno:

— O Breno tem razão. Você dá tudo pela Lorena, pela casa de vocês, rala tanto lá fora, e ela não entende, não cuida de você, ainda faz esse tipo de cena por uma coisinha dessas. Sinceramente, vale a pena?

— Exato. Só de você ter topado casar com ela, isso já foi um favor enorme. Caso contrário, uma mulher manca ia ser desejada por quem? Se você largar ela, no máximo ela vai acabar casando com outro deficiente.
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