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Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Cinco Anos de Um Casamento Vazio
Penulis: Peixe Koi

Capítulo 1

Penulis: Peixe Koi
O som contínuo da água ecoava no banheiro. Isaac estava tomando banho. Eram três horas da manhã. Ele tinha acabado de chegar em casa.

Lorena ficou parada na porta do banheiro, porque ela queria conversar com ele sobre uma coisa. Ela estava tensa e não sabia se ele ia concordar com o que ela estava prestes a dizer.

Enquanto Lorena pensava em como começar, um som estranho veio lá de dentro. Quando ela prestou mais atenção, ela finalmente entendeu: ele estava se masturbando com a própria mão, aliviando o desejo sozinho.

Cada suspiro, cada gemido abafado acertava o peito de Lorena como uma martelada atrás da outra, pesada e insistente. A dor se espalhou pelo corpo dela como uma onda, e ela se viu afundando naquela sensação, sem conseguir respirar.

Na verdade, aquele dia era o aniversário de casamento de Lorena e Isaac. Era o quinto ano desde que ela tinha se casado com ele, e, durante todo esse tempo, eles nunca tinham tido uma vida íntima de verdade como marido e mulher.

Então ele preferia se virar sozinho com a própria mão a tocar nela?

A respiração de Isaac foi ficando cada vez mais acelerada, até que, de repente, como se ele tivesse segurado por tempo demais, ele deixou escapar um grunhido baixo:

— Aurora…

Aquele Aurora foi o golpe final em Lorena. Dentro dela, tudo pareceu desmoronar de uma vez, como se algo tivesse sido esmigalhado até virar pó.

Lorena apertou a mão contra a boca para não deixar o choro sair. Ela se virou para fugir, mas logo no primeiro passo, ela tropeçou, esbarrou na pia e caiu direto no chão.

— Lorena?

A voz de Isaac veio lá de dentro, ainda trêmula. Dava para perceber que ele estava se esforçando para controlar o tom, mas a respiração dele continuava pesada.

— Eu… eu só ia usar o banheiro, eu não sabia que você estava tomando banho… — Lorena contou uma mentira tosca, enquanto ela tentava se agarrar na pia, atrapalhada, para se levantar.

Só que, quanto mais ela se apressava, mais ridícula ela se sentia. Tinha água no chão e na borda da pia. Ela conseguiu ficar de pé com muita dificuldade, mas Isaac já tinha saído do chuveiro. Ele tinha vestido às pressas um roupão branco, meio desalinhado, mas tinha amarrado bem justo o cinto na cintura.

— Você caiu? Deixa-me te ajudar. — Ele se inclinou, pronto para pegá-la no colo.

Os olhos de Lorena se encheram de lágrimas de dor, mas ela ainda assim afastou a mão dele, desajeitada e decidida:

— Não precisa, eu consigo sozinha.

Quando ela quase escorregou de novo, ela saiu manca, tropeçando, praticamente fugindo para o quarto. E usar a palavra "fugir" não era exagero.

Durante os cinco anos de casamento com Isaac, Lorena sempre tinha fugido.

Ela fugia do mundo lá fora, fugia dos olhares estranhos das pessoas e também fugia da compaixão de Isaac. Afinal, a esposa de Isaac era uma mulher manca.

Como era que uma mulher manca podia ser digna de um homem alto, bonito e bem-sucedido como Isaac?

Só que Lorena, antes, também tinha tido um par de pernas saudáveis e bonitas.

Isaac saiu logo em seguida. Ele falou com uma doçura cuidadosa, como se estivesse realmente preocupado:

— Você se machucou muito na queda? Deixa-me ver.

— Não, está tudo bem. — Lorena puxou o cobertor para cima, cobrindo o corpo inteiro, tentando esconder ali toda a humilhação dela.

— Tem certeza de que está tudo bem? — Isaac parecia realmente preocupado com ela.

— Uhum. — Lorena respondeu de costas para ele e assentiu com força.

— Então dorme. Você não ia usar o banheiro?

— Agora eu não estou mais com vontade. Vamos dormir, tá? — Lorena murmurou, quase sem voz.

— Tá bom. Ah, hoje é o nosso aniversário de casamento. Eu comprei um presente para você. Amanhã você abre para ver se gosta.

— Tá.

O presente estava ali na cabeceira. Lorena já tinha visto, e ela nem precisava abrir para saber o que tinha dentro.

Todos os anos era uma caixa do mesmo tamanho, com o mesmo conteúdo: um relógio idêntico aos outros.

Na gaveta dela, incluindo os presentes de aniversário dela, já estavam alinhados nove relógios iguais. Aquele seria o décimo.

A conversa terminou ali. Isaac apagou a luz e se deitou. O cheiro úmido do sabonete líquido se espalhou pelo ar, mas Lorena mal sentiu o colchão mexer. A cama tinha dois metros de largura. Ela dormia de um lado, e ele se deitava bem na beirada do outro. Entre os dois, ainda caberiam mais três pessoas.

Nenhum dos dois mencionou o nome Aurora, muito menos tocaram no assunto do que ele tinha acabado de fazer no banheiro, como se nada tivesse acontecido.

Lorena ficou deitada de barriga para cima, completamente rígida, sentindo apenas o ardor nos olhos.

Aurora. Aurora Portal. Ela tinha sido colega de faculdade de Isaac, o primeiro amor dele, a musa dele, a deusa dele.

Quando eles se formaram na faculdade, Aurora foi para o exterior estudar e os dois terminaram o relacionamento. Isaac desabou por completo, e ele passou uma fase em que ele bebia todos os dias, se afundando na bebida.

Lorena e Isaac tinham sido colegas no ensino médio. Lorena admitia que, naquela época, ela já gostava dele em silêncio.

Naquele tempo, Isaac era o melhor aluno de toda a escola, além de ser o mais frio e o mais bonito. Já Lorena era uma estudante de dança com notas péssimas. Ela também era bonita, mas havia muitas garotas bonitas no colégio.

Naquele ambiente em que boletim valia mais do que qualquer coisa, uma menina que estudava dança não chamava tanta atenção assim. Pelo contrário, ainda havia quem olhasse torto para ela.

Por isso, aquele sentimento sempre foi um amor secreto só de Lorena, e ela nunca tinha imaginado que um dia conseguiria chegar perto de Isaac de verdade.

Até o dia em que Lorena, que tinha acabado de se formar na academia de dança e tinha voltado para casa para passar as férias de verão, encontrou um Isaac destruído e sem rumo.

Naquela noite, Isaac estava bêbado, vagando pela rua. Quando ele atravessou a avenida, ele não olhou o sinal. Um carro veio em alta velocidade e não teve tempo de frear. Lorena, que não tinha ficado tranquila ao saber que ele estava bebendo, tinha decidido segui-lo de longe. Na hora, ela empurrou Isaac para fora da pista e acabou sendo atingida pelo carro.

Lorena era dançarina e já tinha conseguido uma carta de admissão da Academia Nacional de Artes. Mas aquele acidente de carro deixou a perna dela manca. Ela nunca mais pôde dançar.

Depois disso, Isaac largou a bebida e se casou com ela.

Isaac sentia, por Lorena, uma culpa eterna e uma gratidão eterna. Ele falava com ela sempre em voz baixa, sempre com cuidado, sempre com distância. Ele também enchia Lorena de presentes e dava muito dinheiro para ela. Só uma coisa ele nunca tinha dado para ela: amor.

Lorena acreditava que o tempo poderia aquecer qualquer coisa e que o tempo seria capaz de apagar tudo. Mas ela nunca tinha imaginado que, cinco anos depois, Isaac ainda guardaria o nome "Aurora" com tanta força. E, pior, que até na hora em que ele se masturbava com a própria mão, ele ainda chamaria por aquele mesmo nome.

No fim das contas, Lorena tinha sido ingênua demais, boba demais.

Ela passou a noite inteira sem pregar os olhos. Aquele e-mail no celular, ela já tinha aberto e relido mais de cem vezes naquela madrugada. Era a carta de admissão para o mestrado que uma universidade europeia tinha mandado para ela, e era justamente sobre isso que ela pretendia conversar com ele naquela noite. Ela queria ir fazer pós-graduação no exterior, e queria saber se podia ou não. Mas agora, pelo jeito, ela não precisava mais perguntar nada.

Cinco anos de casamento, incontáveis noites em claro, e, a partir daquele momento, tudo aquilo finalmente tinha entrado em contagem regressiva para acabar.

Quando Isaac acordou, Lorena ainda fingia que ela estava dormindo. Ela ouviu quando ele falou lá fora com a empregada, Isabela:

— Hoje à noite eu tenho um compromisso. Você fala para a Lorena não me esperar e ir dormir cedo.

Depois de dar o recado, Isaac ainda voltou até o quarto e olhou de novo para ela. Ela estava enfiada debaixo do cobertor, e as lágrimas já tinham encharcado o travesseiro.

Nos outros dias, quando Isaac ia para a empresa, Lorena sempre deixava a roupa dele separada com antecedência, combinada direitinho, era só ele vestir. Mas naquele dia ela não fez isso. Ele mesmo foi até o closet, escolheu a própria roupa e saiu para o trabalho.

Só então Lorena abriu os olhos e sentiu o quanto as pálpebras dela estavam inchadas. O alarme do celular tocou. Era o horário que ela mesma tinha programado, a hora em que ela deveria levantar para estudar inglês.

Depois de casada, por causa da perna, Lorena passava 90% do tempo trancada dentro de casa. Ela mal saía. Ela só conseguia dividir o dia em vários pedaços e, em cada pedaço, ela arrumava alguma coisa para fazer, só para o tempo passar.

Lorena pegou o celular, desligou o alarme e começou a rodar, sem qualquer objetivo, por vários aplicativos. A cabeça dela estava um caos, um zumbido constante, e nada do que ela via realmente entrava na mente dela.

Até que, de repente, no TikTok, apareceu um vídeo. A pessoa no vídeo era familiar demais… Ela olhou melhor o nome da conta:

[Aurora P].

O horário de publicação do vídeo era justamente a noite anterior.

Lorena clicou no vídeo. Na mesma hora, começou uma música animada, gente rindo, barulho de copos. Alguém gritou:

— Um, dois, três, bem-vinda de volta ao Brasil, Aurora! Saúde!

Aquela voz era de Isaac.

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