Cinco dias de farsa—Um coração  que nao sabe fingir

Cinco dias de farsa—Um coração que nao sabe fingir

last updateLast Updated : 2026-10-14
By:  Adrieli de oliveira Ongoing
Language: Portuguese
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  Júlia não pediu por ajuda. Só queria sobreviver mais uma noite. Leonardo não planejou parar. Só queria chegar em casa. Mas o destino tem seus próprios planos. Quando seus caminhos se cruzam em meio à chuva, duas realidades completamente diferentes colidem — e nenhum dos dois será o mesmo depois dessa noite. Uma história sobre olhar além do que se vê, sobre o que realmente importa, e sobre como a verdade e a farsa podem estar mais próximas do que se imagina.

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Chapter 1

Dois mundos

💛 Uma palavrinha antes de começar 💛

Esse conto nasceu do meu coração, entre dois mundos que se cruzam…

Escrevi cada palavra com muito carinho e espero que vocês sintam cada emoção junto comigo.

Sejam bem-vindos! ✨

Boa leitura! 📖💛

— Dona Carmen, ela não melhorou nada — disse Júlia, ajoelhada ao lado da menina, enrolada no cobertor fino. A mão de Gabi estava quente demais, e seus olhos, pesados e sem brilho.

— Ela está piorando — a senhora suspirou, apertando as mãos. — Não tem como melhorar, menina. Sem comer direito, sem remédios… ela está fraca. A febre não quer passar.

Júlia olhou para a menina de oito anos, que dormia ali, frágil como uma folha seca, e sentiu o peito apertar.

Havia três semanas que estava naquele lugar — três semanas em que trocou o apartamento confortável, a cama quente e a rotina de estudante de Sociologia por um chão de cimento, pela insegurança das ruas, pelo frio da noite e pela incerteza do dia seguinte.

Estava no último período da faculdade e precisava terminar sua tese para colocar em prática sua paixão.

E, para isso, teria que não apenas escrever sobre as desigualdades sociais. Para concluir sua tese, não bastava relatar como era a vida de um morador de rua; precisava viver aquela experiência na própria pele para chegar às suas conclusões finais.

E foi assim, sem dizer nada a ninguém, que escolheu aquela área afastada, inventou uma história de que a vida não tinha dado certo para ela e passou a ser uma delas.

E ali, entre o lixo e o abandono, conheceu Dona Carmen e a pequena Gabriela — cuja mãe, uma boliviana, havia falecido poucos dias antes.

Agora, Júlia e Dona Carmen eram sua família.

E percebeu que aquele trabalho já não era mais apenas uma tese.

Era sobre a vida.

Sobre gente.

E agora a menina estava doente…

— Se ao menos conseguíssemos algo para ela comer… — suspirou Júlia. — Mas hoje esse lugar está deserto. As poucas pessoas que passam não se importam.

Uma mulher passou apressada, e Júlia a abordou, pedindo ajuda, pois a menina estava doente.

A mulher parou, baixou a cabeça, fez uma expressão de reprovação e respondeu com bastante aspereza:

— Sei… Esse truque é velho, menina. Sempre colocam uma criança para comover.

Júlia e Dona Carmen ficaram ali, olhando uma para a outra, sem saber o que fazer.

Geralmente, Júlia era esperta e sabia resolver tudo com muita atitude, mas aquele cenário era novo para ela.

Ali, ela não era uma estudante de faculdade da Zona Sul — era apenas uma moradora de rua.

Ali, percebeu como era difícil ser notada por outro ser humano.

Ali, só conheceu miséria e indiferença.

Do outro lado da cidade, uma porta se abriu de repente, sem bater.

— Bom dia, Leonardo — disse o diretor da corretora, sorrindo e acompanhado de uma mulher. — Quero te apresentar alguém. Essa é Carla, minha sobrinha. Vai trabalhar aqui conosco, na corretora.

Leonardo levantou os olhos.

A mulher estava sobre um salto quinze, trajando um vestido vermelho, justo e superdecotado. Tinha os cabelos compridos e ruivos, além de uma boca vermelha e voluptuosa.

O perfume era marcante e forte, invadindo todo o espaço assim que ela entrou.

Ela sorriu e foi direto até Leonardo.

— Prazer, Leonardo. Nossa… eu não sabia que ia trabalhar ao lado de um homem tão bonito assim. Pela descrição do meu tio, achei que fosse mais velho.

Leonardo sorriu, muito sem jeito, pego de surpresa.

— Prazer, Carla — respondeu, com a voz um pouco mais baixa que o normal.

— Ela vai ficar aqui trabalhando com você — explicou Arnaldo, o diretor. — Treine-a e ensine tudo o que você sabe. Já que vai trabalhar aqui, quero que aprenda com o melhor. Com toda a sua experiência…

— Nossa, quanta honra ser treinada pelo melhor — disse Carla, com voz maliciosa.

— Então aproveite, Carla. Aprenda o quanto puder. Daqui a um mês, um mês e meio, ele vai ser gerente.

— Nossa, parabéns — disse Carla, estendendo a mão e dando-lhe um beijo demorado no rosto.

— Muito obrigado — respondeu Leonardo, constrangido.

— Então vou deixar vocês trabalharem. Até mais.

Arnaldo saiu.

Leonardo voltou os olhos para a pilha de papéis sobre sua mesa, tentando se concentrar, mas não conseguia.

O barulho do salto, o perfume, a risada…

Parecia que estava tudo fora de lugar.

Do outro lado da cidade, a noite caía.

A noite chegava fria e sem dó.

O vento cortante trazia o cheiro da chuva e do asfalto úmido.

Ao seu lado, Dona Carmen apertava a mão da menina, que já não chorava — talvez porque as lágrimas já tivessem secado, talvez porque o frio tivesse adormecido tudo dentro dela.

— Não se preocupe, menina — disse Carmen, embora a voz tremesse mais por cansaço do que por certeza.

— Vamos procurar um lugar para passar a noite — falou Júlia.

Eis que, ao virarem na esquina, perceberam um local com uma luz amarelada, de onde vinha um som de música antiga e um cheiro forte de cerveja e cigarro.

Era apenas um bar.

Júlia aproximou-se com receio e encostou-se ao balcão.

O dono, um homem de rosto marcado pelo tempo e mãos calosas, olhou-as de cima a baixo.

— O que é que vocês querem? — perguntou, sem rodeios.

— Nós… — Júlia engoliu em seco. — Nós só precisamos de um lugar para passar a noite. Não temos para onde ir. Só queremos um canto, um chão, para nos protegermos da chuva e do frio.

O homem olhou para a rua, depois para as três, e suspirou.

— O lugar é pequeno. Não tem cama, nem colchão. Só tem um sofá velho nos fundos, no chão de madeira. E amanhã, quando o sol nascer, vocês têm que sair. Tenho que abrir o bar.

— Ok, aceitamos — disse Júlia depressa, como se tivesse medo de o homem mudar de ideia.

Ele assentiu.

Nos fundos do bar, em um canto apertado e cheio de caixas, havia um sofá de tecido gasto.

Não era confortável.

Não era quente.

Mas tinha um teto.

E, naquele momento, isso lhes bastava.

Dona Carmen sentou-se, puxando Gabi para junto de si.

— Vai passar, minha filha — murmurou, abraçando-a. — Amanhã é outro dia.

Mas Júlia não respondeu.

Ficou olhando para a parede escura, pensando em tudo que havia renunciado. Só não imaginava o preço que ainda teria de pagar.

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mentesempauta.31
mentesempauta.31
adorei a história, tem tudo que prende a atenção, intensidade, amor, planos vilãnicos, e uma sequência surpreendente a cada capítulo, estou ansiosa pelo próximo ...🤌...️
2026-10-17 10:41:29
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