LOGINJúlia não pediu por ajuda. Só queria sobreviver mais uma noite. Leonardo não planejou parar. Só queria chegar em casa. Mas o destino tem seus próprios planos. Quando seus caminhos se cruzam em meio à chuva, duas realidades completamente diferentes colidem — e nenhum dos dois será o mesmo depois dessa noite. Uma história sobre olhar além do que se vê, sobre o que realmente importa, e sobre como a verdade e a farsa podem estar mais próximas do que se imagina.
View MoreA tarde passou rápido como um relâmpago. Mesmo com a tragédia em meio ao cruzeiro, foram jantar no salão. Claro que o clima estava pesado. Em respeito ao falecido, não beberam, nem houve música naquela noite.Júlia foi ao quarto de Leonardo. Bateu à porta e ele a atendeu de imediato.— Oi. Então, está preparado? — quis saber ela.— Bom... preparado não, né? Como se fica preparado para uma situação dessas?— Ora, do mesmo jeito que se preparou para fingir que éramos noivos — disse ela, com as mãos na cintura. — Mas passei aqui porque pensei em outra coisa.— Ai, meu Deus, lá vem você, Júlia! — disse Leonardo, sentando na cama e pondo as mãos na cabeça.— Olha, mocinho, parece que eu estou mais preocupada com sua liberdade do que você. Agora, ouça: durante a nossa briga fake, diga que nunca gostou de mim e nem poderia. Uma pessoa que mora na rua?— Pode parando! — interrompeu Leonardo. — Você está louca? Não vou falar uma coisa dessas, não!— Leonardo, você tem que convencê-la de que é
— Morto? — perguntou Leonardo, chocado.— Sim, filho, morto — reafirmou Arnaldo.— E como aconteceu?— Bem — chamou Arnaldo, levando Leonardo para um canto. — Ao que tudo indica, foi assassinato, mas ainda não temos certeza.— Assassinato?— Sim, mataram ele e, aparentemente, foi com isso — respondeu Arnaldo, estendendo uma gravata preta.Leonardo olhou para o objeto e assustou-se.— Essa gravata é minha.— É sua? — Arnaldo ficou ainda mais preocupado. — Venha, vamos conversar lá fora.Os dois seguiram para o quarto de Leonardo.— Filho, tem noção da encrenca em que está metido?— Arnaldo, não fiz nada. Você tem que acreditar em mim.— Olha, Leonardo, conheço você, sei da sua índole, mas andou se indispondo com esse rapaz. Quando o sangue está quente, a pessoa pode fazer besteiras e talvez você tenha...— Arnaldo, não fiz nada! — interrompeu Leonardo, elevando a voz.— Calma, meu filho. Só teremos certeza quando o navio atracar.— Não, você não pode falar isso!— Meu filho, a polícia
Capítulo 9— O que você disse? — estranhou Júlia.— Não temos nada, Leonardo. É teatro, esqueceu? — respondeu ela, com uma pitada de sarcasmo.— Mesmo assim, as pessoas pensam que somos noivos. Não dava para esperar até isso tudo acabar?Júlia riu.— Não estou ouvindo isso.— Está ouvindo, sim.— Ué, se você se sente tão atraída assim por ele, o navio atracando, vocês poderiam viver esse romance — provocou, passando a mão na nuca.— Eu não quero nada com Patrick — defendeu-se.— Ah, não? Não parecia. Aquele beijo...Ele parou, respirou fundo e continuou:— Que gula, não? Que fúria! Pensei que fosse diferente de Carla.Júlia deu-lhe uma bofetada.— Me respeite! Não quero nada com Patrick e, mesmo se quisesse, não seria falta de respeito. Nós não temos nada, não te devo satisfações sobre os meus sentimentos e, agora, por favor, me dê licença.Ela abriu a porta, e ele saiu.Apesar da hora avançada, Leonardo foi ao bar. Não era costume beber, mas, naquele momento, pela primeira vez, senti
Júlia ficou desconcertada, foi pega de surpresa. Leonardo continuava abraçado nela. Dançaram um pouco mais e retornaram à mesa.— Quanta paixão, hein? — comentou Carla.— Bem, é um casal apaixonado mesmo — disse Beatriz.Arnaldo brincou:— Desse jeito, depois de declamar versos, dançar com sua noiva e ainda beijá-la, daqui a pouco todas as mulheres vão achar que você é um Don Juan.— Então eu também não posso ficar aqui parado. Beatriz, vamos dançar? — convidou Arnaldo.A noite seguiu leve e divertida, fora as alfinetadas de Carla.Mais tarde, Gabi começou a demonstrar sono.— Júlia, tengo sueño.— Então vamos, querida — disse Carmen.— Vamos.Cada um seguiu para seu quarto.— Júlia, posso falar com você? — perguntou Leonardo.— Sim, claro, fale.— Vem até meu quarto — disse Leonardo.Júlia o acompanhou.— Eu queria te pedir desculpas pelo beijo. Eu não deveria ter feito aquilo sem perguntar se você queria. Foi um impulso. Como a gente está fingindo ser noivos, eu me deixei levar.— C












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