LOGINCapítulo 252 — A Herança de SangueNatalie WestonO som da voz de Conrad Bowers fez o meu estômago embrulhar em puro asco.O olhar daquele homem era desprovido de qualquer lampejo de humanidade, cinzento e podre como as águas escuras da baía que batiam contra os pilares do galpão. Ao lado dele, Diana mantinha o queixo erguido e os lábios pintados de vermelho repuxados em um sorriso sádico, cruzando os braços sob o sobretudo escuro como se estivesse assistindo a um espetáculo particular montado em sua homenagem.Puxei o ar com força, cravando as unhas nas palmas das minhas mãos atadas atrás da cadeira para conter o tremor de fúria que ameaçava me trair. O transmissor ainda pesava na minha orelha e na presilha do coque. O sinal estava pulsando. Eu só precisava mantê-lo falando.— Então você finalmente saiu do esgoto onde se escondeu por vinte anos, Conrad — ditei, a voz saindo cortante e firme no meio do silêncio fúnebre daquela sala de compensado. — O covarde que manda capangas fazerem
Capítulo 251 — A Queda da HerdeiraNatalie WestonO ar úmido e frio do entardecer de São Francisco bateu contra o meu rosto no instante em que passei pelas portas automáticas da ala leste.Cada passo meu pela calçada parecia ecoar dentro da minha própria cabeça. Meu coração martelava contra as costelas como um animal enjaulado, mas mantive a coluna perfeitamente ereta, a bolsa pendurada no ombro e o olhar fixo à frente, fingindo uma pressa que eu estava a anos-luz de sentir. Eu sabia que nas sombras daquele quarteirão arborizado, dezenas de miras estavam alinhadas e os transmissores no meu cabelo e na orelha pulsavam o meu sinal para a Jo, mas isso não me impedia de ter medo.Eu estava a menos de dez metros da faixa de pedestres quando o som de pneus cantando no asfalto rasgou o silêncio da rua.Uma van de entrega prateada, com a lateral amassada e vidros escurecidos, embicou com violência contra o meio-fio, cortando a minha passagem com uma freada brusca que levantou fumaça de borra
Capítulo 250 — Antes da QuedaNatalie WestonO clique metálico da porta se abrindo rompeu o nosso refúgio.Alexander entrou acompanhado da Jo, ambos com a precisão mecânica de quem opera sob protocolo militar. A garota de cabelos escuros se aproximou de mim com os transmissores em mãos. Com movimentos rápidos e cirúrgicos, Jo prendeu o brinco de pérola na minha orelha esquerda e ajeitou a presilha discreta entre as mechas do meu cabelo, prendendo uma lateral do coque.— Calibrado na frequência de salto — Jo murmurou, os olhos atentos checando a tela do pequeno receptor preso ao antebraço. — O sinal está limpo, sem eco e invisível para varreduras comuns. Se eles te revistarem, vão achar que é só joia.Eu ia responder, mas a porta foi aberta mais uma vez. Chen entrou em passos firmes, parando diante do Alex com uma expressão contida.— Chefe, o senhor Victor e a senhora Marie acabaram de subir pelo elevador privativo. Estão na suíte da Vic.O ar pareceu esfriar na sala. Troquei um olhar
Capítulo 249 — O Ponto FracoLucas AveryAquilo era uma loucura completa. Uma insanidade sem tamanho que desafiava cada gota de bom senso que eu havia acumulado em anos administrando riscos.A simples imagem da Natalie entrando na traseira de uma van clandestina, cercada por mercenários armados e desprovidos de qualquer freio moral, fazia o meu estômago arder em puro ácido. O pavor de perder minha mulher me sufocava; o pavor de algum cretino colocar as mãos sujas na pele dela, de falarem com ela em um tom errado, de causarem um único arranhão em seu corpo… aquilo me consumia por dentro com a violência de um incêndio descontrolado.Mas a minha loira conhecia cirurgicamente cada uma das minhas fraquezas. E a maior delas, a única que realmente importava, era ela mesma. Sempre foi ela. Bastava aquele olhar verde me encarando com devoção, aquele toque macio na minha nuca e a promessa sussurrada contra os meus lábios para que todas as minhas defesas ruíssem por terra.Alexander Sterling ai
Capítulo 248 — Golpe BaixoNatalie WestonO eco do baque da porta contra a parede ainda vibrava no ar quando Lucas deu dois passos largos para dentro da sala, fechando a distância entre nós como uma tempestade incontrolável.Ele respirava pesado, os nós dos dedos rígidos e os olhos escuros ardendo em uma fúria desesperada. Eu nunca o tinha visto tão desestabilizado.— Nem por cima do meu cadáver você vai se entregar para aqueles desgraçados! — ele repetiu, o tom baixo e cortante fazendo o ambiente estalar de tensão. — Você enlouqueceu de vez, Natalie?! Quer entrar na porra de um carro com mercenários armados que acabaram de prensar o Adrian naquela mureta?!Endireitei os ombros, sem recuar um único milímetro diante do seu avanço.— Eu não estou maluca, Lucas! Eu estou cansada! — rebati com a mesma intensidade, erguendo o queixo e sustentando o olhar dele. — Estou exausta de viver com medo, de ver as pessoas que eu amo sendo caçadas como animais! Olha para o que fizeram com o meu irmão
Capítulo 247 — A IscaNatalie WestonO ar parecia ter se solidificado no meio da minha traqueia. As palavras de Andrew zumbiam nos meus tímpanos como um enxame furioso, roubando qualquer resquício de cor que ainda restasse na minha pele.“Conrad deixou ordens claras aos seus homens para… para te levar.”Pisquei devagar, o peso daquele sobrenome maldito caindo sobre as minhas costas como uma bigorna de chumbo. Conrad Bowers. O fantasma que havia tirado o meu pai de mim quando eu era apenas uma menina de seis anos, o monstro que havia orquestrado a colisão de metal que agora mantinha o Adrian preso a um respirador no andar de baixo.— Explica direito, Andrew — minha voz saiu baixa, cortante, sustentada por uma calma fria e perigosa que nem eu sabia que possuía. — Que movimentação estranha foi essa?Andrew não respondeu de imediato no meio daquele corredor exposto. Ele segurou o meu cotovelo com firmeza e me conduziu em passos rápidos para a sala de espera privativa da ala leste, um espa







