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Como Fazer Meu Marido Pedir o Divórcio?
Como Fazer Meu Marido Pedir o Divórcio?
Author: Asya Martins

Capítulo 1 — A Última Aposta

Author: Asya Martins
last update publish date: 2026-09-28 01:23:10

POV Catarina

Meu marido estava prestes a brindar ao nosso casamento enquanto roubava a única coisa que ainda me pertencia.

Descobri isso atrás de uma porta entreaberta, com uma taça de champanhe na mão e centenas de convidados esperando que eu voltasse ao salão para interpretar o papel de esposa perfeita.

— A incorporação será concluída automaticamente no quinto aniversário — disse um homem dentro do escritório. Reconheci a voz de Leonard Hayes, chefe do departamento jurídico da De Luca Resorts. — Depois disso, Catarina não poderá reivindicar o Voss Royale como patrimônio independente.

Meu estômago se contraiu.

O Voss Royale havia pertencido à minha mãe. Era o lugar onde eu aprendera a embaralhar cartas antes de saber multiplicar, onde passara tardes escondida sob as mesas de pôquer e onde recebera meu primeiro cargo administrativo.

Também fora o presente de casamento que meu pai entregara a Romeo, sob a promessa de que o cassino continuaria sendo meu.

Apertei a haste da taça.

— E se ela descobrir antes? — perguntou outra voz.

Bianca Morelli.

Diretora financeira, braço direito de Romeo e dona de pernas intermináveis que pareciam ter sido criadas especificamente para desfilar ao lado de homens casados.

— Não vai descobrir — Romeo respondeu.

A voz dele atravessou a fresta e acertou meu peito com mais força do que deveria.

— Catarina não acompanha os documentos da holding — continuou. — Desde que os dividendos entrem na conta, ela não faz perguntas.

O champanhe perdeu o sabor.

Durante quatro anos, eu revisara projetos, corrigira erros de estratégia e ajudara Romeo a transformar cassinos decadentes em propriedades disputadas por investidores internacionais. Muitas das ideias que ele apresentava ao conselho haviam começado em nossa cama, escritas por mim em guardanapos enquanto ele dormia.

Agora, para ele, eu era apenas uma esposa satisfeita com depósitos bancários.

— Preciso voltar ao salão — Romeo disse. — Minha mulher está esperando.

Minha mulher.

Não Catarina. Não a pessoa que ajudara a construir aquele império. Apenas uma posse esperando para ser exibida.

Afastei-me antes que a porta se abrisse. Entrei no corredor lateral e parei diante de um espelho dourado. Meu vestido vermelho parecia uma chama naquele ambiente escuro. O cabelo caía em ondas sobre os ombros. O diamante em meu pescoço custava mais do que a maioria das pessoas ganharia durante toda a vida.

Eu parecia uma mulher que possuía tudo.

Era impressionante como a riqueza podia servir de moldura para uma prisão.

Levei a taça aos lábios e bebi o champanhe de uma vez.

A porta se abriu atrás de mim.

Bianca saiu primeiro. Vestia um conjunto branco impecável, e o batom ainda estava perfeito. Ela me viu pelo espelho e interrompeu o passo.

— Catarina.

— Bianca.

Se ficou assustada por me encontrar ali, escondeu bem.

— Romeo estava procurando você.

Olhei para a porta fechada.

— Imagino que tenha procurado com bastante empenho.

Os olhos dela se estreitaram.

— Estávamos trabalhando.

— Na suíte particular dele, durante a festa do nosso cassino?

— Alguns assuntos exigem privacidade.

— E portas trancadas?

Bianca sustentou meu olhar por dois segundos. Depois ajeitou a bolsa sobre o ombro.

— Você deveria perguntar ao seu marido.

— Pretendo fazer exatamente isso.

Ela passou por mim deixando um perfume caro no corredor. Nenhuma explicação, nenhum constrangimento. Apenas a segurança de alguém que sabia coisas sobre Romeo que eu desconhecia.

A porta tornou a se abrir.

Meu marido apareceu abotoando o paletó.

Foi um movimento simples. Ainda assim, alguma coisa que já estava rachada dentro de mim finalmente se partiu.

Romeo parou ao me ver. Alto, cabelos escuros penteados para trás, terno feito sob medida e aquele rosto indecentemente bonito que continuava me afetando mesmo quando eu desejava odiá-lo.

Seus olhos desceram pelo meu vestido.

— Você desapareceu.

— Pareceu justo. Você também.

Ele fechou a porta do escritório.

— Houve um problema financeiro.

— Bianca sempre ajuda você a resolver problemas financeiros dentro de suítes?

A mandíbula dele enrijeceu.

— Cuidado com o que está insinuando.

— Por quê? Tem medo de descobrir que minha imaginação ainda é menos ofensiva que a realidade?

Romeo aproximou-se. Seu perfume trouxe lembranças que eu preferia não ter: mãos em minha cintura, beijos contra a garganta, promessas feitas antes de começarmos a conversar como dois advogados negociando uma rendição.

— Não existe nada entre mim e Bianca.

— Claro. Ela só conhece os segredos da minha empresa, entra nos seus aposentos particulares e participa das decisões que você esconde da sua esposa.

— O Voss Royale não é apenas sua empresa.

— Ainda.

O silêncio caiu entre nós.

Foi mínimo, mas suficiente.

Romeo percebeu.

— O que você ouviu?

Eu ri sem qualquer humor.

— Então é verdade.

— Catarina…

— Você pretende incorporar o cassino à holding no nosso aniversário.

Ele olhou para os dois lados do corredor.

— Não discutiremos isso aqui.

— Naturalmente. Alguém pode ouvir como você tomou uma decisão sobre o meu patrimônio sem me consultar. Seria péssimo para sua reputação de marido perfeito.

Romeo segurou meu braço quando tentei passar.

O toque incendiou minha pele. Meu corpo era um traidor patético: reconhecia as mãos dele antes de se lembrar de todos os motivos pelos quais deveria rejeitá-las.

— Solte-me.

— Primeiro, olhe para mim.

— Passei quatro anos olhando para você. Talvez esse tenha sido meu erro.

Os dedos dele afrouxaram, mas não me libertaram.

— A incorporação é necessária.

— Para quem?

— Para proteger o cassino.

— De quê?

— Não posso explicar agora.

— Você nunca pode. Essa é a beleza de ser Romeo De Luca. Você toma decisões, distribui ordens e espera que todos agradeçam por terem sido controlados.

— Baixe a voz.

— Não estou em uma das suas reuniões.

— E eu não sou um dos seus funcionários.

— Tem razão. Você escuta seus funcionários.

Algo perigoso atravessou o olhar dele.

Por um instante, pensei que discutiria. Em vez disso, Romeo me puxou para mais perto e levou a mão livre à minha nuca. Seu rosto parou a centímetros do meu.

— Você escolheu esse vestido para me provocar?

A pergunta me desarmou.

— Não mude de assunto.

— Estou tentando entender por que minha esposa passou a noite inteira permitindo que outros homens olhassem para o que é meu.

Meu sangue ferveu.

— Talvez porque o meu marido não olhe mais.

Os olhos dele escureceram.

A mão em minha nuca se tornou mais firme, e meu corpo respondeu antes que o orgulho pudesse impedi-lo. Por um segundo vergonhoso, desejei que ele me beijasse. Desejei que aquela discussão terminasse como tantas outras no início do casamento: contra uma parede, entre respirações desordenadas e promessas que nenhum de nós sabia cumprir.

Romeo inclinou a cabeça.

— Você realmente acredita nisso?

— Faz quase um ano que dorme no escritório.

— Se eu voltar para o nosso quarto esta noite, você vai me receber?

A pergunta saiu baixa, carregada de um desafio que percorreu minha pele.

— Não.

— Mentira.

— Arrogante.

— Eu conheço você.

Empurrei seu peito e consegui me afastar.

— Não conhece nem metade de mim. Conhece apenas a versão que aprendeu a obedecer.

As portas do salão se abriram no fim do corredor. A música tornou-se mais alta. Um funcionário apareceu e parou ao nos encontrar.

— Senhor De Luca, o discurso começará em cinco minutos.

Romeo não desviou os olhos de mim.

— Estaremos lá.

O funcionário desapareceu.

Endireitei os ombros e retirei a aliança. Pela primeira vez em quatro anos, o dedo pareceu leve.

Coloquei o anel no bolso do paletó de Romeo.

Ele olhou para o próprio bolso e depois para mim.

— O que significa isso?

— Significa que você não precisará esperar nosso aniversário para ficar com o Voss Royale.

A expressão dele mudou.

— Catarina.

— Quero o divórcio.

Romeo permaneceu imóvel. Então levou a mão ao bolso, retirou a aliança e a segurou entre os dedos.

Por um momento, pensei ter visto dor em seu rosto.

Mas Romeo De Luca não mostrava fraqueza. Não perdia negociações. E, acima de tudo, não permitia que ninguém saísse de sua vida levando aquilo que ele considerava seu.

Ele guardou a aliança novamente e se aproximou do meu ouvido.

— Você pode ir embora quando quiser, esposa.

Um arrepio percorreu minha nuca.

— Mas eu jamais pedirei esse divórcio.

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