LOGINLyon...
— E aí, o que aconteceu com a mão? Pergunta olho de vidro.— Fratura. Respondo já me sentando na minha cama.— Você é doido!— Você ainda não viu nada! Digo já deitado em uma das beliches que tem ali e fico olhando pro nada pensativo.**São três da manhã, horário que eu uso o telefone, então sem demora pego ele que está escondido em um buraco falso no pé de uma das camas.— Como estão as coisas aí? Digo assim que Fael atende o telefone.— Tudo suave parceiro.— Novidades? Pergunto.— Então... Ele começa mais dá uma pausa antes de concluir.— Desenrola Fael!— Sabe quem me ligou?— Quem?— Michele a cirurgiã!— A vagabunda é destemida. Digo rindo.— Foi o que eu pensei na hora, até ela perguntar sobre você e Majú, fiquei cabreiro quando perguntei o por que do interesse e ela quis desligar.— E qual o interesse? Não tô entendendo nada.— Ela viu Majú! Nessa hora eu fico mudo... Meu coração tá acelerado demais para falar qualquer coisa.— Ainda está aí Lyon?— Estou! Onde ela está?— Não sei ainda, ela não me disse. Mais sei que é fora do Rio.— Trás ela de volta!— O problema é que Michele não diz onde está por medo de você e ainda tem mais uma coisa que impossibilita.— O quê, diz logo Fael!— Seu filho acabou de nascer!Essa me pegou de jeito, meus planos eram eu conseguir sair daqui para ver meu filho nascendo e porra, ele nasceu e eu não estava lá. Um bolo toma minha garganta.— Como ele é? Ela falou?— Ela se escondeu da Majú com medo de você aparecer, mais conseguiu se infiltrar no meio das enfermeiras e filmar o parto.— Ela filmou? Caralho!— Liga pra ela, vou te enviar o número dela, mais Lyon... Não assusta ela, ok? Precisamos saber onde ela está para buscarmos sua mina, só não fui ainda por que dizem que se a mulher passar por estresse durante a amamentação o leite pode secar.— Tô ligado!Depois de finalizarmos a chamada liguei pra Michele, foda-se que eram três e caralhada da manhã, eu queria vê meu filho.— Alô! Ouço sua voz de sono.— E aí Michele, quanto tempo! Digo num tom intimidador, eu sei que não deveria falar com ela nesse tom, mais eu sou Lyon, já é da minha natureza ser assim.Ela fica muda por alguns segundos, mais depois de arranhar a garganta volta a falar.— Lyon? Sua voz está trêmula, posso sentir.— Eu mesmo! Em carne e osso... Vamos direto ao assunto, quero saber onde ela está e quero o tal vídeo que Fael falou!— Lyon, eu disse pro Fael... Ela tenta falar mais nem deixo ela terminar.— Vou te mandar o papo reto Michele... Essa parada de que uma amiga tem a filmagem colou com Fael, eu sou macaco velho, então manda a porra do vídeo logo e desembucha, onde ela está!— Ela tah na minha cidade Lyon, já me mudei pra cá pra ficar longe de você, esqueceu que você disse que se cruzasse comigo iria me matar?— Se eu quiser te matar, vou matar! Te caço no inferno, mais te acho! Agora diz logo porra! Ela já estava tirando minha paciência.— Estamos em Adolfo! Ela diz e posso ouvir seu choro no fundo.— Quem é esse viado? Tô entendendo nada.— Adolfo é uma município de são Paulo, é interior Lyon. É pequenininha!— O vídeo! Ordeno e não demora muito ela me envia. — Não saí da linha!Caralho! Era ela mesma, a barriga estava enorme e ela toda pequenina, deve ter sido difícil enfrentar esses três meses sozinha. Ela tá linda!Vejo o momento que entregam meu menino pra ela o moleque chora forte mais quando a mãe pega ele, na hora para de chorar. Estou assistindo o vídeo todo emocionado mais vejo algo que me faz tremer na base, meu ar falta, minhas mãos e pernas tremem... Tem um homem ao lado dela, acariciando sua cabeça e falando alguma coisa com ela, ele está de toca e máscara mas consigo identifica-lo na hora, mata rindo!!! Que porra ele faz ali, com ela!Eita lasqueira, mata rindo apareceu 😱...Kadu...A morte do meu irmão mexeu muito comigo, hoje com vinte e sete anos tenho a responsabilidade de educar meu filho e ajudar a educar meu sobrinho, não que Majú não tenha feito seu papel direito, é que o moleque faz várias perguntas sobre o seu pai e eu estou pronto a responder, já Majú chora sempre então o pequeno não gosta de vê a mãe chorar por isso vem até mim. — Tio, meu pai tem uma tatuagem com o meu nome no braço, sabia? — Sim... Sua mãe te contou? Pergunto saindo dos meus pensamentos. Leon e Bernardo estão brincando de bola no meio do grande gramado que tem no meu terreno. — Não! Eu vi! Ele diz me dando as costa e correndo atrás da bola que está nos pés de Bêh. Sorrio de seu comentário e balanço a cabeça negativamente. — Essas crianças!! Digo em voz alta. — O que tem de tão engraçado as crianças? Lorena chega por trás de mim com um bandeja com suco e sanduíche para as crianças.
Três dias depois... — Majú, levanta dessa cama... Você precisa reagir! Marina tenta de todas as formas me levantar. Desde o enterro, eu tenho me isolado, acho que já perdi uns 6 kg, Kadu e Lorena estão morando aqui em casa por que não tenho condições de cuidar do Leon, dona Maria continua ajudando, mas não 24 horas. — Ela ainda não reagiu? Pergunta Fael ao lado de Marina. — Nada! Não come, na bebe água e para tomar banho é um custo.Ele respira e senta na minha cama, eu estou de olhos abertos e cobertos por lágrimas. — Ele não ia querer te vê assim Majú... Por ele, por Leon, faz uma forcinha. Eu repassei mais de mil vezes nossa última noite juntos e tirando forças de não sei aonde olho para Fael e pergunto: — Você nunca me contou onde achou ele e o que aconteceu... — Você nunca perguntou! — Agora eu quero saber... Me sento na cama e limpo meus olhos. — Tem certeza?
O batizado foi perfeito, mas o pós batizado estava me matando. Pela tristeza nos olhos de Lyon, eu sabia que havia chegado o momento, eu sabia que ele não queria fazer aquilo, sabia também que ele não tinha escolha e eu estava com o coração apertado por que mesmo sabendo que ele faria algo que iria me magoar tanto, a sensação que eu tinha era que aquela seria a última vez que nos veríamos, eu não sei por que eu estava com aquela sensação, mais resolvi orar e pedir proteção para ele, provavelmente FM e Fael estariam com ele e aqueles garotos seriam capazes de dá a própria vida pela do chefe deles. Desde o que aconteceu com Leon que eu não aparecia no trabalho, lógico que informei a minha chefe que em algum momento eu apareceria lá para assinar a minha demissão, mais quase sete meses depois eu ainda não havia feito isso. Hoje para me distrair resolvi deixar Leon com dona Maria e ir até o hospital finalizar essa etapa da minha vida, estava me arrumando quando ouço na tv a repórter fala
Batizado do Leon e Bêh...Tudo ficou lindo, as meninas souberam organizar tudo direitinho. A igreja estava toda decorada de flores brancas, Bêh e Leon estavam de branco dos pés a cabeça, calça comprida e blusa de botão, Majú estava linda vestindo um vestido rosa bebê lindo de tule, eu vestia uma calça social gelo e uma blusa de botão branca com as mangas levantada até a altura dos cotovelos, deixei por fora da calça e com três botões abertos. Depois do padre ter realizado o batismo, resolvemos comemorar na minha casa, só os mais próximos mesmo. Majú estava em pé com Leon no colo conversando com Lorena e eu estava abraçando ela por trás, a gente ria até que Thuane pede licença e se dirige pra dentro de casa, não demora muito FM vai atrás, nos entre olhamos e acho que geral pensou a mesma coisa, rimos de imediato. — Vai dá merda! Kadu diz ainda rindo. — Alguém precisa ser decidido nessa comunidade neh! Jogo piada para Fael. Ele e Marina ficam nesse chove e não molha, se gostam mai
Lyon... Estávamos de volta ao meu morro, eu podia viajar o mundo inteiro, mas era aqui que eu me sentia a vontade, nasci e agora tenho certeza que vou morrer aqui também, que saudade! Nem cheguei em casa direito e já fui me retirando na espreita, saí sem Majú me vê, ou então ela ia ficar reclamando de ter que desfazer as malas sozinha. Fui direto pra boca e assim que entrei já vi Fael e FM de bobeira. - É só o gato sair que os ratos fazem a festa neh? Já entro chamando a atenção deles, lógico que era de brincadeira, eu estava sentindo falta deles. - E a lá!!! O gringo do complexo chegou. Disse FM zoando. - Do you speak English?(Você fala inglês) Rir Fael me zoando. - Some things...(algumas coisas) Respondo. - Tirou onda hein chefe! Zoa FM também. Em meio aos risos aperto as mãos deles e dou um abraço. - Pensei que ia morar nos states. Fael fala. - É ruim heim... Aqui é o meu lugar e já estava doido pra voltar. O papo estava descontraído até meu telefone tocar, e era Majú,
Caíque...Assim que Majú foi embora, peguei meu celular e liguei para meu advogado. — Boa noite Dr , eles estão subindo... Já estão com um mandado. — Boa noite meu amigo, eles vão te entregar um papel, leia bem devagar, nesse tempo vou para delegacia... Te encontro lá. Foi exatamente isso que eu fiz, assim que o telefone desligou a campainha tocou. — Caíque você precisará nos acompanhar, foi expedido um mandado de prisão pra você. — Sem problema! Desde quando eu assumi esse crime, uma tristeza me abateu. Porra, era minha profissão, eu amava o que fazia, então depois de conversar com meu advogado e ser informado que ele conseguiria me tirar da prisão em poucos meses, mas não conseguiria manter minha profissão, eu me isolei de tudo e todos, mas por incrível que pareça, nesse exato momento eu estou calmo. Talvez fosse o fato de ter visto a Majú, de saber que realmente valeu a pena assumir isso tudo, por que mesmo não estando com ela, Leon vai ter a mãe por perto e eu me apeguei a







