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Capítulo 57

last update publish date: 2026-09-08 09:29:06

O monitor brilhou em um tom verde-azulado intenso quando a trava do sistema ruiu.

"ACESSO NÍVEL 3 AUTORIZADO – DIRETORIA REGIONAL DE CONTROLADORIA"

Meus dedos voaram pelo teclado. As pastas ocultas começaram a se desdobrar na tela uma a uma, revelando a engrenagem podre da gestão de Frederico. Não eram apenas pequenos desvios ou erros de lançamento. Diante de mim estavam os extratos brutos das contas de passagem em Zurique, os comprovantes de liquidação para empresas de fachada nas Ilhas Virgen
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    O imponente edifício de vidro na City de Londres continuava exatamente o mesmo. O mesmo vai e vém de executivos de terno, o mesmo aroma de café caro no saguão e o mesmo zumbido frio do ar-condicionado. Mas a mulher que cruzou as catracas de vidro naquela manhã de segunda-feira já não era a analista ingênua de meses atrás.Eu vestia um terno alinhado em tom creme, os cabelos presos em um coque impecável e batom vermelho marcante nos lábios. Ao meu lado, de cabeça erguida e postura triunfante, caminhava Gustavo. Para toda a empresa, ele era o auditor injustiçado que retornava de Manchester com honras; para mim, era o assassino do homem que eu amava.Quando os dois elevadores sociais se abriram no andar da controladoria, o silêncio caiu sobre a sala. Dezenas de pares de olhos se voltaram para nós. A memória da tragédia de Frederico ainda pairava no ar como um fantasma, mas Gustavo deu dois passos à frente, impecável e carismático.— Bom dia a todos — a voz dele ecoou firme pela sala. — É

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    — Você repassou as provas para a Scotland Yard...? Gustavo, você me disse que me amava... me pediu para parar com o dossiê. Você não queria que eu denunciasse o Frederico porque estava me protegendo, ou porque...Gustavo soltou uma risada curta. O tom não tinha dor, desespero ou mágoa. Era um som gélido, carregado de um deboche calculado que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. Ele deu dois passos devagar, inclinou-se sobre mim e segurou meu queixo com uma força que quase cortou minha pele.— Você é tão ingênua, Antonella... — ele sussurrou, encarando-me bem de perto. — Tão brilhante para os relatórios da controladoria, mas tão cega para o mundo real. Você realmente achou que um garoto de recados como o Frederico tinha capacidade mental para coordenar contas offshore em Zurique e lavar bilhões com o leste europeu?— O que você está dizendo...?— O Frederico sempre foi um covarde. Um peão com um título bonito na porta de vidro — Gustavo soltou o meu queixo com desdém e deu as

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    — Fugir, Antonella? Você está me pedindo para largar tudo e sumir no mapa com você?— Estou — respondi sem piscar, apertando o rosto dele entre as minhas mãos com toda a força que me restava. — O e-mail foi enviado pela Bia, mas ele está na caixa de entrada do conselho. Ninguém em Lisboa vai abrir aquele arquivo antes das oito da manhã de segunda-feira. Nós temos a noite de hoje e o domingo inteiro. É tempo mais do que suficiente para pegar o primeiro voo para a América do Sul ou para a Ásia!— Se nós fugirmos, seremos caçados — ele lembrou, a mente analítica tentando lutar contra a tentação. — Eu vou virar um foragido internacional, Antonella. A minha vida como executivo acaba aqui.— A sua vida como refém daquele conselho podre acaba aqui, Frederico! — corrigi, aproximando meus lábios dos dele. — Nós recomeçamos. Em uma praia qualquer, com nomes falsos, sem planilhas, sem chantagens e sem o medo de morrer. Se é para vivermos, que seja juntos e livres. Você disse que mudou por mim...

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    — Como você teve a coragem?! — o meu grito rasgou o silêncio do apartamento, ecos do meu pavor batendo nas paredes. Levanei-me do chão tomado por uma fúria cega, avançando sobre a mesa e fechei o notebook com um estalo violento. — Quem te deu o direito de tomar a decisão da minha vida, Bia?! Quem te deu o direito de assinar a sentença de morte do homem que eu amo?!— Eu dei esse direito a mim mesma no momento em que vi você se afundar nessa lama! — Bia rebateu, sem dar um passo para trás, encarando-me com os olhos em chamas. — Você virou uma cega, Antonella! O Frederico te envenenou! Ele te contou uma historinha de terror sobre o leste europeu e você comprou na hora! Você ia jogar a sua dignidade, a sua carreira e a vida do Gustavo no lixo por causa de um bandido!— Não era historinha, Bia! — agarrei os braços dela, sacudindo-a com o desespero de quem via o chão abrir sob os pés. — Eu vi o pânico nos olhos dele! Ele está jurado de morte! Quando aquele e-mail for lido em Lisboa, o cons

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