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Capítulo-46

Penulis: Marinez Assis
last update Tanggal publikasi: 2026-10-13 02:16:40

Loredano e eu dormimos pouco no quarto árabe na cobertura e logo cedo descemos para o quarto dele no andar de baixo que agora também seria meu, ou melhor, nosso. Tomei um banho rápido e quando saí já vestida, encontrei Loredano terminando de fechar as malas.

— E então, preparada para a viagem?

— Acho que sim. — Respondi nervosa.

Descemos juntos de mãos dadas para o café e encontramos à mesa, a nonna, tia Madalena e Manu. A conversa foi descontraída e nosso café foi rápido. Enquanto Loredano g
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    Eu estava falando com Loredano ao telefone já fazia algum tempo e nenhum dos dois desligava. Ele dizia uma palavra, eu dizia outra, às vezes ficávamos em silêncio, mas estávamos ali ouvindo a respiração um do outro.Tinha coisas que eu queria dizer, mas as palavras não vinham. Na infância eu tinha que me calar, me conter, não dizer o que pensava. Tudo isso me paralisou e forjou o meu caráter de uma forma negativa.Mas enfim, conseguimos nos despedir e quando a ligação terminou, o silêncio voltou. Fiquei alguns segundos ainda com o telefone na mão, olhando para a tela apagada, como se Loredano ainda fosse dizer mais alguma coisa. E então soltei o ar devagar e deixei o celular cair ao meu lado no sofá. Depois levantei-me devagar. O apartamento estava em penumbra, iluminado só pela luz amarelada da cozinha que eu tinha esquecido acesa. Fui até a pia e lavei um prato e um copo que estavam sujos e voltei para a sala. Sentei no sofá novamente, cruzando as pernas, puxando uma almofada contr

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    LOREDANONova York nunca parava. Nem do lado de fora, com o fluxo incessante de carros e pessoas, nem do lado de dentro, onde decisões eram tomadas em silêncio, mas com impacto suficiente para movimentar mercados inteiros. Eu estava no meu escritório. Sentado atrás de uma mesa ampla, de onde podia ver a vista da cidade se estender pelas janelas de vidro. Meu laptop aberto. Relatórios na tela. Gráficos. Números.Até que a porta se abriu. Na verdade, ela não abriu, foi empurrada com força e Paolo entrou sem cerimônia e sem anúncio.— Precisamos falar.Ergui os olhos imediatamente.— O que está havendo? — perguntei com curiosidade.— Miguel está lançando o concorrente do Zambi.O ar pareceu ficar mais pesado.— Impossível! — Minha resposta saiu automática. Sem hesitação. Sem espaço para dúvida.— Pois é verdade — ele retrucou, caminhando até a minha mesa e jogando um tablet à minha frente. — Olha isso.Desviei o olhar para a tela. Havia o comunicado de um pré-lançamento. Era um produto

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    Depois que Loredano saiu, o apartamento ainda guardava a presença dele — o cheiro leve do perfume, o amassado nos lençóis, uma camisa esquecida sobre uma cadeira que eu demorei alguns segundos a perceber que ainda estava ali.Voltei para o quarto e fiquei sentada na cama por um tempo, com as pernas dobradas, os dedos deslizando distraidamente pelo tecido do lençol, tentando organizar tudo o que tinha acontecido naquela manhã.— Você é ridícula… — murmurei para mim mesma, soltando um pequeno sorriso.Levantei devagar, juntando as roupas espalhadas pelo chão. Peguei a camisa dele, levei ao rosto sem pensar muito… e fechei os olhos por um segundo. Levei tudo para a máquina de lavar e fui até a geladeira. Em seguida peguei um copo e enchi de água. Bebi devagar, olhando para o nada.Caminhei até a sala e me joguei no sofá, pegando o celular por reflexo. Rolei a tela sem prestar atenção em nada específico. Depois o joguei ao meu lado. Fiquei olhando para o teto, pensando em nada.De repente

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    Não fomos logo para casa. Loredano ficou dando giros pela cidade, até que decidiu estacionar o carro ao longo de uma calçada na frente da praia.O sol da tarde deixava tudo mais dourado, como se a cidade inteira estivesse desacelerando junto com o mar. A brisa vinha leve, trazendo o cheiro de sal e aquele som constante das ondas quebrando, que sempre me dava uma sensação de calma e paz.Eu caminhava ao lado do Loredano pela calçada perto da praia, com os braços balançando ao vento. Ele parecia completamente à vontade. Mãos no bolso, olhar tranquilo, aproveitando todo aquele cenário simples.E naquele momento, uma bola colorida rolou pelo chão e bateu levemente no meu pé. Eu sustentei a bola e olhei ao redor. Um menino loirinho na faixa de uns oito anos veio correndo na nossa direção.— Ei! — Ele disse, parando na nossa frente. — Minha bola!Sorri automaticamente e antes que eu fizesse qualquer gesto, Loredano se abaixou e pegou a bola.— Tem certeza de que essa bola é sua? — ele pergu

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