FAZER LOGINPor um instante eu a tive perto demais de mim, tão perto que eu consegui ver os pontinhos verdes espalhados nas íris azuis. Estávamos tão próximos um do outro que eu podia tê-la beijado, aquela ideia passou por minha cabeça e eu tratei de esquecer. Sophia tinha concordado com o bebê e eu deveria me manter como seu amigo, eu tinha que segui-lo por mais difícil que fosse, especialmente depois de vê-la usando aquele vestido que a fez parecer ainda mais doce.
— Ela é proibida pra você, William. Se controle!
— Quem é proibida para você? — A voz de Megan me trouxe de volta para o presente. — É tão bom te ver depois de tanto tempo, Will.
— É bom te ver também, Megan. — me aproximei a cumprimentando com um beijo no rosto.
— Confesso que fiquei surpresa com a sua chamada, especialmente com Amber fora do país. — Megan disse deslizando as unhas por minha camisa, de uma forma irritante. — Nós só nos encontramos quando é com ela.
— Bem, hoje é uma ocasião diferente. — falei me afastando para fugir de seu toque da mesma forma que fugi do assunto “Amber” — Uma amiga precisa renovar todo o guarda-roupa e eu sabia que você era a melhor no assunto.
Depois de ver tudo o que Sophia carregava naquela bolsa eu não pude deixar para amanhã a tarefa de lhe comprar roupas novas, ela não tinha nada além daquele vestido e mais um par de camisetas.
— Claro, vai ser um prazer ajudar. Qualquer amiga sua também é amiga minha! — ela afirmou com entusiasmo. — Mas só pra você saber eu trouxe algumas coisas que Amber adoraria como presente, afinal o aniversário dela está chegando.
— Amber está em Milão há mais de dois meses, tenho certeza que ela não vai voltar querendo roupas. — sorri para ela no mesmo instante que Brian entrou na sala. — Vou deixar você se acomodar e volto logo, se precisar de qualquer coisa Brian pode lhe ajudar.
Sai de lá ansioso para comer com Sophia, algo se agitava dentro de mim para ir até ela, da mesma forma que se agitou depois que a deixei no quarto para que se arrumasse.
Eu não queria pensar em Amber naquele momento, nós estávamos há tempo demais sem nos ver. A última coisa que desejava era pensar que presente dar para quem já tinha de tudo, estava mais interessado em ver o que Sophia iria achar das roupas quando as visse.
— Ai meu Deus. — ouvi ela murmurar de boca cheia antes mesmo de entrar na sala de jantar. — Isso está divino, Jenna.
Eu me encostei no batente da porta espiando as duas. Minha governanta tinha um sorriso orgulhoso estampado nos lábios enquanto Sophia mastigava a comida avidamente.
— Começando sem mim. — entrei vendo os olhos lindos se arregalaram para mim enquanto ela engolia com dificuldade.
— Perdão, senhor… — eu a censurei com o olhar e ela se corrigiu rapidamente. — William, eu não resisti ao cheiro.
Sorri me sentando na cabeceira da mesa, ficando com ela do meu lado esquerdo, as bochechas estavam vermelhas como se Sophia estivesse de verdade envergonhada por simplesmente não ter me esperado. Era tão diferente ver toda aquela inocência e deslumbre que passava em seus olhos a cada descoberta.
— Estou apenas brincando, você não tinha que me esperar para comer. — olhei para o prato dela e voltei para seu rosto. — E com toda certeza o risotto está aprovado pelo gemido que ouvi.
Sophia corou ainda mais quando as palavras deixaram minha boca e Jenna riu como eu não via há muito tempo.
— Deixe a menina comer antes que ela engasguei, William. — Jenna murmurou ainda sorrindo quando deixou a sala.
— Parece que já ganhou uma aliada.
— Jenna foi muito gentil comigo e tem mãos de fada. É a melhor comida que já comi em toda a minha vida. — ela disse erguendo o garfo até a boca, me hipnotizando quando envolveu os lábios em torno da prata, levando toda a comida.
Aquilo não deveria ser assim tão fascinante, mas eu não consegui desviar os olhos, nem mesmo quando ela começou a mastigar. Tinha a breve noção de ter escutado ela dizer algo, mas minha mente se negava a processar qualquer coisa que não a sua imagem.
Quando ela levou a taça até seus lábios deixando um pouco de vinho escorrer em seu queixo, eu me adiantei, pegando o guardanapo em meu colo e me levantando para limpar seu queixo.
— Ohh! — Sophia exclamou surpresa e só então eu me dei conta do que tinha feito.
Seria sensato me afastar e pedir desculpas, dizer que foi o impulso ou uma mania de limpeza, que eu claramente não tinha. Mas eu não consegui dizer absolutamente nada, só fiquei ali encarando o rosto dela, os olhos focados nos meus, enquanto meu polegar segurava o guardanapo contra seu queixo. O que eu estava fazendo?
— Interrompo alguma coisa? — a voz de Megan foi o que quebrou aquele contato, eu me virei vendo ela entrar na sala com Brian, levando os olhos para Sophia. — Você deve ser a garota que está mudando todo o guarda roupa. Qual seu nome querida?
Sophia me olhou rapidamente com um pequeno vinco se formando entre as sobrancelhas perfeitas, ela estava claramente confusa com o que Megan havia acabado de dizer e eu não a culpava, não tinha tido a oportunidade de falar com ela.
— Sim, é ela. — Eu tomei a frente da conversa. — Sophia vai ficar aqui e não trouxe bagagem, por isso ela precisa de um guarda roupa novo.
— Eu posso ver. — Megan ergueu as sobrancelhas olhando para Sophia de cima a baixo de uma forma que eu não gostei nenhum pouco.
— Não precisa fazer isso, William. — o tom baixo de Sophia trouxe meus olhos de volta a ela e sua figura encolhida contra a cadeira. — Tenho algumas economias e posso comprar roupas depois.
— Eu insisto, Sophia. Você é minha amiga, não é? — perguntei tentando convencê-la a aceitar mesmo que seu rosto estivesse duro.
— Sou, mas… — estendi minha mão sobre a mesa pegando a sua e interrompendo sua negação sussurrada.
— Então não tem discussão sobre isso, como minha amiga você tem que aceitar o presente sem argumentar. Megan vai te mostrar tudo e você pode escolher a coleção inteira se quiser, inclusive pedir mais!
Sophia ergueu o olhar para a morena na porta e baixou os ombros, Megan parecia uma modelo assim como as mulheres que ela vestia, alta, magra, usando saltos muito altos e finos, sempre vestida com roupas de alta costura.
— Não se preocupe fofinha, eu não mordo.
Dois anos depoisO sol brilhava alto no céu, aquecendo o jardim da mansão onde a risada de Hope ecoava como música. Eu estava encostado na varanda observando minha filha de dois anos correr atrás de Lucy, as duas gritando de alegria enquanto tentavam pegar bolhas de sabão. Hope era a cara de Sophia, com os mesmos olhos verdes brilhantes, mas tinha meu cabelo escuro e uma teimosia que, segundo minha esposa, era toda minha.Dois anos. Dois anos desde o nascimento de Hope no dia do nosso casamento. Dois anos desde que o pesadelo acabou, e a vida pela primeira vez parecia um presente sem amarras.Sophia estava na cozinha, o avental coberto de farinha enquanto preparava o almoço de domingo com Jenny, que tentava tirar minha esposa da cozinha, mas ela insistia em cozinhar ao menos um dia na semana.Brian e Melissa, estavam sentados à mesa do jardim, haviam se casado pouco tempo depois de Sophia e eu. Brian sorria enquanto acariciava a barriga da esposa, já no sexto mês de gravidez do primei
A música da festa de casamento ainda ecoava nos meus ouvidos, o calor do corpo de William contra o meu na pista de dança, o riso de Lucy misturando-se aos brindes de Brian e Melissa. Meu coração estava tão cheio, transborda de amor, enquanto dançávamos como marido e mulher, as alianças brilhando nos nossos dedos. Mas então, a contração veio, uma dor aguda me cortando por dentro, fazendo-me parar no meio do giro. O rosto de William mudou na hora, o sorriso dando lugar ao pânico, e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele estava me segurando, os olhos arregalados.Will não soltou minha mão durante todo o trajeto, o rosto pálido, parecendo tão assustado, mas não querendo deixar transparecer.— Estou aqui, amor — disse, a voz firme apesar do medo que eu sabia que ele sentia. — Vamos trazer nossa filha para o mundo.A corrida para o hospital foi um caos. Eu estava no banco de trás, Will segurando minha mão enquanto as contrações vinham mais rápido, cada uma mais forte que a anterior.
O sol estava se pondo, pintando o céu de tons de laranja e rosa, e a brisa suave balançava as luzes penduradas nas árvores em torno da festa. Eu estava de pé no altar com o coração batendo tão forte que parecia que ia pular do peito. O terno cinza estava ajustado no meu corpo, a decoração perfeita como ela tinha planejado, os amigos próximos em volta, mas eu mal notava, minha atenção toda voltada para o corredor de pétalas que levava até a entrada onde Sophia logo apareceria.Depois de tudo aqui estávamos, prontos para selar nosso amor diante das pessoas que nunca desistiram de nós. Lucy, nossa pequena luz, segurava a cesta com as flores com uma concentração adorável mesmo depois de ter feito seu trabalho, o vestidinho branco balançando enquanto ela tentava não pular de excitação.A música começou, um violino suave tocando a marcha nupcial, e meu coração parou por um segundo. Então, ela apareceu. Sophia, minha Sophia, caminhando pelo corredor com Brian ao seu lado, e um brilho nos olh
O quarto estava cheio de risadas suaves e o perfume doce de lavandas, as flores que escolhemos para o casamento espalhadas em arranjos pelo canto. Eu estava diante do espelho, o vestido branco abraçando meu corpo, mas a barriga enorme, agora no oitavo mês, fazia o tecido parecer mais apertado do que eu gostaria. As mãos tremiam enquanto ajustava o véu, mas nada parecia certo e os hormônios não estavam ajudando, trazendo lágrimas aos olhos por motivos que eu nem entendia.— Eu estou horrível — murmurei, a voz embargada, passando as mãos pela barriga. — Olha isso, pareço uma baleia vestida de noiva. Will vai olhar pra mim e querer fugir do altar.Jenny ajeitava a cauda do meu vestido, os olhos brilhando com carinho me encontraram no espelho. Ela tinha me ajudado e sido gentil comigo desde o dia em que Will me levou para casa, e não havia mudado.— Sophia, para com isso — ela disse se erguendo e colocando a mão calorosa em meu ombro. — Você está radiante. Esse bebê te deixa ainda mais li
O sol entrava pelas janelas da mansão, aquecendo o quarto que Sophia e eu compartilhávamos, um lembrete de que pela primeira vez em meses a vida parecia estar do nosso lado. Eu estava sentado na sala enquanto ainda me acostumava à sensação de estar em casa, livre do hospital, dos monitores, do peso constante do medo. A cicatriz no peito, onde o tiro me atingiu ainda puxava um pouco, era um lembrete de tudo o que havíamos passado, assim como o curativo em minha cabeça.Mas as notícias eram boas, melhores do que eu ousava esperar. Os médicos disseram que a cirurgia foi um sucesso, que não havia sinais de recaída, que o glioma parecia estar sob controle. Exames regulares viriam, claro, mas pela primeira vez em muito tempo, eu podia respirar sem sentir que o tempo estava contra mim.Sophia estava na cozinha, e eu podia ouvir o som da risada dela misturando-se com a voz animada de Lucy enquanto as duas faziam algo que cheirava a panquecas. Eu me levantei, ainda um pouco lento, mas me senti
O dia parecia não ter fim, cada hora arrastando-se como uma eternidade enquanto eu esperava notícias de William. A cirurgia durou mais de dez horas, e eu passei cada minuto na sala de espera, sentindo o bebê se mexer, como se ele também estivesse ansioso, implorando pela vida do pai.Jenny ficou comigo por um tempo, Brian também, mas eventualmente eles foram para casa, exaustos e indo colocar a pequena Lucy na cama, prometendo voltar pela manhã. Eu me recusei a ir. Não podia deixar William, não depois de tudo. A prisão, o sequestro, Jones e Amber, já haviam tirado muito tempo nosso, agora que ele estava de volta, mesmo que inconsciente, eu não queria perder nem mais um segundo ao lado dele.Quando finalmente o liberaram do centro cirúrgico, o neurocirurgião me levou até o quarto. William estava lá, pálido, com a cabeça enfaixada, tubos e monitores ao seu redor, mas vivo. Vivo!Eu me sentei na cadeira ao lado da cama, segurando a mão dele, o calor da pele de Will me mantendo firme na r







