LOGINO cheiro de tinta fresca ainda paira pelos cômodos, misturado ao papelão das caixas empilhadas por todos os cantos. Caleb sobe as escadas carregando mais uma, claramente sem prestar atenção à etiqueta colada na lateral. Do outro lado da sala, Dante organiza os livros na estante, com as mangas da camisa dobradas. Sim, eu poderia ter contratado alguém para se encarregar de tudo isso e só aparecer aqui quando tudo já estivesse pronto. Mas não teria a mesma graça. — Piccola, por que temos tantos romances aqui? — meu marido pergunta, balançando um dos livros. — Porque são meus — respondo, me virando para encará-lo. Ele olha para a estante, depois para a pilha de livros que ainda está espalhada pelo chão. Por um momento, acho que vai perguntar mais alguma coisa. Por fim, desiste e volta ao trabalho. Rio sozinha e observo a sala quase pronta, sentindo uma satisfação boba só de ver a casa, aos poucos, deixando de ser um ambiente vazio para se tornar nosso lar. Trinta e dua
Dessa vez, ninguém ri. Olho para Dante por um instante, mas ele já está olhando para mim. Baixo os olhos para o cartão e escrevo devagar. Quando termino, espero que ele faça o mesmo. Teresa conta até três, criando suspense. — Agora! Viramos os cartões. No meu, escrevi apenas uma coisa: conhecer vocês. Então olho para o cartão de Dante e encontro exatamente a mesma resposta. Conhecer vocês. Um sorriso surge no meu rosto antes mesmo que eu consiga impedir. Meu marido também sorri. Por um segundo, ninguém diz nada. Então Teresa sorri. — Essa pergunta vocês acertaram juntos. Sinto meus olhos arderem e rio baixinho, tentando disfarçar a emoção. Dante se levanta e para à minha frente, estendendo a mão para mim. Quando fico em pé, ele passa o braço pela minha cintura e me puxa um pouco mais para perto. — Essa era fácil — ele murmura, sorrindo. — Para vocês dois, talvez — Isabella comenta, sorrindo. A nonna enxuga discretamente o canto de um dos olhos antes de recuperar a po
Se existe uma coisa que aprendi sobre a nonna nos últimos dias, é que ela não sabe fazer nada pela metade.Muito menos um chá de bebê.Assim que Teresa anuncia o início oficial da festa, parece que alguém aperta um botão e tudo muda.A música aumenta, os convidados começam a se espalhar pelo jardim e, em menos de um minuto, já tem alguém me entregando um prato de doces enquanto outra pessoa me oferece uma taça de suco.— Devagar — Dante murmura ao meu lado, segurando minha cintura. — Você não precisa comer tudo de uma vez.— Não fui eu que pedi isso.— Pode não ter sido, mas já estou prevenindo que coma demais e passe mal depois.Rio e finalmente nos aproximamos para cumprimentar os convidados. Paramos algumas vezes para conversar com colegas da empresa.Não demora para que eu veja Caleb conversando com Francesca e Giulia.Não faço ideia de qual é o assunto, mas, enquanto Francesca ri, Giulia revira os olhos discretamente.Meu irmão abre a boca, provavelmente para me chamar, mas uma v
O sol da tarde entra pela janela do closet, iluminando o vestido azul-claro pendurado à espera.O quarto que logo será nosso foi transformado em um pequeno salão de beleza graças ao meu marido, que achou que me arrumar em casa e só então vir para cá me cansaria desnecessariamente.Nem tive forças para negar. Com a agitação dos últimos dias, qualquer comodidade é bem-vinda.Paige termina de prender a última mecha do meu cabelo.— Pronto — ela anuncia, dando um passo para trás para admirar o próprio trabalho. — Perfeita.— Exagerada.— Amy, olha no espelho e depois volta aqui para discutir comigo.Reviro os olhos, mas obedeço, e o reflexo que encontro me pega um pouco de surpresa.Ondas soltas caem sobre meus ombros, enquanto duas mechas estão presas para trás com uma pequena presilha de pérolas.A maquiagem é leve, realçando mais do que escondendo, exatamente como pedi.— Está lindo — admito, sorrindo para o espelho.— Está perfeito — Paige corrige, cruzando os braços atrás de mim. — A
“Amy Ferretti” O jardim da casa nova está diferente de como estava na primeira vez que vim aqui. Onde só havia grama bem aparada e um caminho de pedras perfeitas, agora existe um cenário bem diferente. Acolhedor. — Um pouco mais à esquerda — Teresa grita para os dois homens que seguram o arco de flores brancas. — Não, minha esquerda! Solto uma risada baixa, observando a cena antes de me aproximar da nonna, parada no meio do jardim, dando ordens como uma general. — Ainda não acredito que decidimos fazer aqui — comento, olhando ao redor. — Eu avisei que seria perfeito — ela responde, sorrindo. — Um jardim precisa de vida, Amy. E que vida melhor do que a festa dos meus bisnetos? Não consigo discordar disso. Enquanto ela se afasta para continuar suas ordens, me sento em uma das cadeiras. Passo a mão pela barriga, sentindo um chute em resposta, e sorrio, olhando ao redor mais uma vez. Os últimos seis dias passaram voando. Entre degustações, ligações para fornecedores e a nonna
“Dante Ferretti”Fecho a porta do escritório devagar, e o barulho das conversas e risadas fica abafado do lado de fora.Mamma para no centro da sala, com as mãos entrelaçadas na frente do corpo, olhando ao redor como se estivesse decidindo onde se sentar.— Aqui está bom? — pergunto, indicando o pequeno sofá perto da janela.— Está.Ela se senta, e eu vou até a gaveta onde guardei as duas cartas desde que voltamos da casa antiga.Depois, me aproximo e estendo o envelope para ela.Minha mãe olha para seu nome escrito na frente e, talvez sem perceber, sorri.— Ainda tenho a letra dele guardada na memória — ela murmura, passando o polegar sobre as letras. — Engraçado como algumas coisas nunca se apagam de verdade.Me sento na poltrona à frente dela, sem dizer nada, dando o tempo de que ela precisar.Ela abre o envelope devagar, com cuidado, como se o papel pudesse se desfazer entre os dedos.Em seguida, desdobra a folha e, por um longo momento, apenas olha para as palavras, sem realmente







