Share

Capítulo 07

Author: S.R.Silva
last update publish date: 2026-06-29 04:14:50

Phillipa Sanches

No dia seguinte, acordei com uma baita dor de cabeça. Culpa daqueles shots de tequila que bebi na noite anterior.

Liguei para minhas amigas, e as duas estavam na mesma situação. Acho que Bia estava ainda pior.

— Puta merda, meninas! Beijei um cara na porta do banheiro ontem. Estava tão bêbada que nem lembro da cara do filho da puta.

Jú e eu começamos a rir, porque Bianca sempre foi assim, desde a época da faculdade. O mais engraçado é que quem olha para ela a considera a mais quieta do grupo. Minha mãe e os pais da Júlia dizem que ficam tranquilos quando estamos com Bianca, sendo que, das três, ela é a mais louca. Até em baile funk de comunidade, Júlia e eu já fomos parar para resgatar essa maluca.

— Que grande novidade. — respondi, fazendo Jú concordar com um aceno. — Se preparem bem, porque hoje à noite começa a nossa "caçada".

— Amiga, estou ansiosa por esse momento. — Bia respondeu.

— Acho que até a dona certinha está. — Esse era o apelido que Jú havia dado para Mandy.

— Que implicância com a menina.

— Eu gosto dela, só acho muito certinha, sabe?

— Minha assistente é eficiente e foi escolhida a dedo pelo vovô Sanches antes de falecer.

Mi abuelo sempre foi excelente para ler as pessoas. Se a escolheu, sabia exatamente do que precisava. Mandy, a cada dia, supera ainda mais as minhas expectativas.

— Meninas, descansem. Vou precisar das duas inteiras mais tarde.

Elas concordaram e encerraram a ligação.

Estava prestes a ligar para Amanda quando recebi uma mensagem dela.

"Bom dia, Phillipa! Fiz uma lista de cassinos com potencial para encontrar o que você veio buscar."

Ela realmente havia preparado uma lista completa, com vários cassinos, endereços e até as capelas das redondezas.

Quando digo que minha assistente é a rainha da eficiência, ninguém acredita.

Liguei para Fábia e perguntei se o contrato de casamento que havia pedido estava pronto.

— Phillipa, assim que você solicitou, redigi tudo. Acabei de enviar para o seu e-mail. Agora só falta o seu aval.

Sorri.

— Você é a melhor, doutora Cardoso.

Na minha empresa, noventa por cento dos funcionários são mulheres.

Cresci cercada por machismo e misoginia, por isso sempre coloquei na cabeça que construiria uma empresa formada, em sua maioria, por mulheres.

Isso não significa que sou feminista ou machista.

Apenas quis oferecer oportunidades mais justas para pessoas que, muitas vezes, não as recebem.

Na Sanches Group, mães solo podem levar seus filhos para o trabalho, pois existe uma creche com profissionais qualificados. Também há uma área de descanso com cadeiras de massagem. As colaboradoras não precisam adiar o sonho da maternidade, porque recebem todo o suporte necessário.

Como somente as mulheres sabem o quanto o período menstrual pode ser difícil, disponibilizamos a opção de trabalho remoto durante esses dias.

Quando dizem que isso é feminismo, explico que, para mim, é apenas uma questão de humanismo.

Peguei o notebook, sentei-me na cama, abri o e-mail e li todo o contrato.

Depois de verificar que estava tudo correto, encaminhei o documento para Mandy e pedi que imprimisse duas vias.

Tenho certeza de que, às vezes, minha assistente se pergunta em que tipo de empresa foi parar.

Mais tarde, nos encontramos para almoçar e aproveitamos para relembrar a noite anterior.

Mandy contou que quase enlouqueceu tentando cuidar de três mulheres completamente bêbadas.

Caímos na risada.

— Ainda bem que tínhamos você. — Bia respondeu.

Amanda ficou completamente vermelha.

— Agora prestem atenção no plano para esta noite.

Contei tudo detalhadamente.

As expressões delas variavam entre "não acredito" e "você é completamente maluca".

— Amiga, ainda dá tempo de desistir. — Jú disse e neguei.

— Desistir nunca foi uma opção.

Depois que terminei de explicar cada etapa, voltamos para os quartos para nos arrumar.

À noite, encontrei minhas amigas no saguão do hotel.

Assim que olharam para mim, fizeram uma careta de aprovação.

— Amiga, se eu fosse lésbica, te pegava. — Bia veio com mais uma de suas pérolas.

Revirei os olhos.

— Mesmo se fosse, não me pegaria. Meu negócio é rola.

Bia e Jú caíram na gargalhada.

— Nossas famílias reprovariam completamente esse linguajar. — Jú comentou, ainda rindo.

Dei de ombros.

— Só me importa o que a família Sanches pensa. O que aquele povo da família Vidal acha ou deixa de achar sobre mim não faz a menor diferença.

Amanda chegou alguns minutos depois e avisou que o carro já estava à nossa espera.

Enquanto caminhávamos até a entrada, vários homens nos acompanhavam com os olhos.

— Acho que o nosso look foi aprovado por unanimidade. — Bianca comentou, animada. — Hoje consigo, no mínimo, uns cinco caras.

Se cinco era o mínimo, nem queria imaginar qual seria o máximo.

— Por Zeus! Amiga, minha mãe ligou hoje dizendo que, se você estivesse comigo e com a Phii, ela ficaria tranquila. — Jú respondeu, balançando a cabeça negativamente.

— Menina! A minha falou exatamente a mesma coisa.

— É porque sei disfarçar muito melhor do que vocês. — Bia deu de ombros.

— Sonsa! — Jú e eu respondemos em uníssono.

O trajeto até o cassino foi divertido, alternando conversas sérias com assuntos completamente aleatórios.

Em determinado momento, Bianca quis saber qual seria o tamanho do pau do The Rock.

— E como a gente vai saber uma coisa dessas? — perguntei.

— Fui ao set de filmagem do último filme dele. O homem é uma delícia de músculos. Juro que, se me chamasse, eu dava para ele.

Júlia, Amanda e eu apenas balançamos a cabeça.

— Bia, você é muito piranha. Claro que daria. Lembra quando disse que também daria para o Michelangelo, das Tartarugas Ninja?

— Ah, meninas... vão dizer que vocês também não acham ele bonitinho?

Ela perguntou.

Decidimos não responder.

Quando o carro parou em frente ao cassino, encarei a fachada e uma saudade enorme do meu abuelito apertou o peito.

Foi naquele cassino que ele me levou pela primeira vez, quando eu tinha apenas dezesseis anos.

Olhei para Amanda.

Ela sorriu ao perceber minha expressão de nostalgia.

Descemos do carro e nos preparamos para entrar.

Antes, porém, chamei as duas doidas para uma última orientação. Mandy não precisava ouvir aquilo.

— Prestem atenção. As máquinas caça-níqueis existem apenas para arrancar dinheiro dos trouxas. Se resolverem brincar nelas, não gastem muito. E lembrem-se: isso aqui não é um filme de Hollywood.

Jú e Bia assentiram.

Torcia para que realmente tivessem entendido.

— Agora podem se divertir. Mantenham os celulares por perto. Se encontrarem um alvo que considerem interessante, me avisem imediatamente.

— Boa caçada, amiga! — Jú e Bia disseram em uníssono.

Agradeci às duas e entrei.

Logo na entrada, vários olhares masculinos recaíram sobre mim.

Nenhum chamou minha atenção.

Continuei caminhando pelo salão durante quase trinta minutos, observando discretamente cada mesa.

Foi então que, na mesa número três de pôquer, um homem sentado de costas chamou minha atenção.

Jogava sem medo, com precisão, com uma calma impressionante. Em menos de três minutos, derrotou quatro adversários.

Aproximei-me da mesa, no instante em que nossos olhares se encontraram, tive absoluta certeza.

Era ele.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Contrato de Amor em Las Vegas   Capítulo Final

    Phillipa Sanches Dezoito anos haviam se passado desde aquela noite em que voltamos para casa depois de finalmente colocar um ponto final na ameaça que havia perseguido nossa família durante tantos anos. Dezoito anos. Quando penso nesse número, ainda parece estranho perceber quanto tempo passou. A vida correu diante dos meus olhos enquanto eu tentava acompanhar o crescimento dos meus filhos, administrar minhas empresas, cuidar do casamento e, de vez em quando, lembrar a Leonardo que nossa casa não era uma extensão da organização dele. Nem sempre ele concordava. Na verdade, quase nunca concordava. Mas, olhando para aquela mesa naquela noite, cercada pelas pessoas que mais amava no mundo, percebi que todas as escolhas, todas as batalhas, todas as noites mal dormidas e todos os momentos em que pensei que não conseguiria chegar até ali haviam valido a pena. Luizinho estava finalizando a faculdade de Direito. Meu menino, aquele que um dia acreditamos ter perdido para sempre, havia se

  • Contrato de Amor em Las Vegas   Capítulo 178

    Phillipa SanchesDois anos haviam se passado desde aquela noite em que, finalmente, colocamos um ponto final na ameaça que havia perseguido nossa família durante tanto tempo. Quando penso em tudo o que aconteceu desde então, às vezes parece que estou lembrando da vida de outra mulher. Houve uma época em que eu acordava todas as manhãs sem saber qual seria o próximo problema, qual segredo seria descoberto ou qual pessoa apareceria para tentar destruir aquilo que eu amava. Hoje, porém, acordo com vozes de crianças pela casa, brinquedos espalhados pelos corredores, desenhos sobre a mesa da sala e uma quantidade absurda de roupas pequenas ocupando espaço em todos os cômodos. Minha vida deixou de ser silenciosa há muito tempo, mas, sinceramente, eu não trocaria aquele barulho por nada neste mundo.Minha mãe também decidiu seguir um novo caminho. Depois de tudo o que aconteceu com Augusto e de finalmente conseguir se libertar daquele capítulo doloroso da própria vida, ela resolveu voltar

  • Contrato de Amor em Las Vegas   Capítulo 177

    Leonardo Ferraz / Matteo De LuccaA estrada de volta para casa parecia diferente daquela que havíamos percorrido algumas horas antes. O silêncio dentro do carro já não carregava a mesma tensão, e, pela primeira vez naquela noite, consegui respirar sem sentir que alguma ameaça estava escondida em cada esquina. Phillipa estava ao meu lado, encostada no banco, uma das mãos repousando sobre a barriga enquanto observava as luzes da cidade passarem pela janela. De tempos em tempos, seus olhos encontravam os meus, e havia algo diferente em sua expressão. Não era apenas cansaço. Era alívio. Um alívio profundo, daqueles que chegam depois de anos carregando um peso que parecia impossível de abandonar.Durante alguns minutos, nenhum de nós disse nada. Apenas seguimos pela estrada, enquanto Las Vegas continuava viva do lado de fora, completamente indiferente a tudo o que havia acontecido naquela noite. Olhei rapidamente para Phillipa e percebi que ela estava sorrindo sozinha.— O que foi? — per

  • Contrato de Amor em Las Vegas   Capítulo 176

    Leonardo Ferraz / Matteo De LuccaA viagem até a organização foi silenciosa, mas a tensão dentro do carro parecia ocupar cada espaço entre nós. Phillipa permanecia ao meu lado, com uma das mãos apoiada sobre a barriga e o olhar fixo pela janela. Depois de tudo o que havia acontecido naquela noite, sabia que não conseguiria convencê-la a ficar em casa. Ela precisava estar ali. Precisava encerrar aquela história com os próprios olhos.Quando os portões da organização se abriram, os homens que estavam de guarda imediatamente se afastaram para permitir nossa entrada. O carro parou diante do galpão principal e, assim que desci, estendi a mão para Phillipa.— Cuidado.Ela segurou minha mão e saiu.Caminhamos lado a lado até a entrada.Assim que as portas se abriram, alguns homens olharam para nós e imediatamente abriram passagem.No centro do galpão, Pedro estava sentado em uma cadeira, cercado pelos homens de confiança da organização. Seu estado era muito diferente daquele homem arrogante

  • Contrato de Amor em Las Vegas   Capítulo 175

    Leonardo Ferraz / Matteo de LuccaO caminho de volta para casa foi silencioso.Luizinho estava sentado ao meu lado no banco traseiro, ainda agarrado ao pequeno brinquedo que havia levado consigo naquela manhã. Phillipa estava ao meu lado, com uma das mãos apoiada sobre a barriga e a outra segurando a minha. De vez em quando, nossos olhares se encontravam, mas nenhum dos dois precisava dizer o que estava passando pela cabeça.Aquela noite havia chegado perto demais de terminar em uma tragédia.A imagem de Pedro apontando uma arma para minha esposa e meu filho continuava passando pela minha mente como uma lâmina. Se meus homens tivessem chegado alguns segundos mais tarde, talvez estivéssemos voltando para casa sem saber como reconstruir nossas vidas.Apertei a mão de Phillipa.Ela entrelaçou os dedos nos meus.— Está tudo bem — murmurou.Olhei para ela.— Não está.Phillipa respirou fundo.— Pelo menos estamos juntos.— Você poderia ter morrido.Minha voz saiu mais dura do que pretendia

  • Contrato de Amor em Las Vegas   Capítulo 174

    Phillipa SanchesA dor ainda ardia no rosto quando consegui me manter de pé. O tapa de Pedro havia deixado minha cabeça pesada, mas nada importava mais do que manter Luizinho protegido. Meu filho continuava agarrado à minha cintura, tremendo e chorando baixinho, enquanto meus braços permaneciam ao redor dele.— Não tenha medo, meu amor — murmurei, tentando esconder a dor na voz. — A mamãe está aqui.Pedro ficou alguns segundos em silêncio, observando cada movimento.Então seu olhar desceu lentamente.Para minha barriga.Meu corpo inteiro ficou rígido.A mão que segurava Luizinho permaneceu sobre o ventre por puro instinto, tentando proteger os dois filhos que ainda estavam dentro de mim.Um sorriso surgiu no rosto de Pedro.— Interessante...Meu coração disparou.Ele inclinou levemente a cabeça.— Então minha adorável priminha... ou melhor, minha irmãzinha, está grávida.Aquelas palavras fizeram meu sangue gelar.Respirei com dificuldade, mantendo Luizinho atrás de mim.— Isso não é d

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status