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O Cerco da Ala Leste

last update Fecha de publicación: 2026-11-01 23:27:00

Nos bastidores da Sala de Estado da Ala Oeste do Schloss Sterling, o ar estava denso e pesado, impregnado com o cheiro de tabaco nobre e o perfume ríspido dos arranjos florais da corte. Faltava menos de uma hora para que as vans da imprensa internacional desembarcassem nos jardins inferiores do palácio, e a atmosfera dentro do gabinete era de pura conspiração dinástica.

O Conde Maximilian von Sterling servia-se de um cálice de cristal com conhaque envelhecido, girando o líquido dourado enquanto
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  • Coroada Pelo Povo   Segredos Na Biblioteca Real

    Passava das duas horas da manhã quando os corredores de pedra da Ala Leste mergulharam em um silêncio sepulcral. Apenas o sibilar do vento gélido contra as vidraças góticas e o crepitar moribundo das tochas de parede quebravam a quietude do palácio.​Valeria ajustou a lanterna de latão e o casaco escuro sobre as roupas sutis de algodão. Seguindo as instruções estritas de Julian, ela cruzou a porta de comunicação interna, encontrando o Príncipe já a postos no corredor de serviço da guarda real. Ele vestia um terno preto sem gravata, as mangas levemente dobradas até os antebraços, sem qualquer insignia ou farda — revelando o homem por trás do título.​— A patrulha da guarda externa faz a ronda no pátio inferior a cada vinte minutos — sussurrou Julian, a voz baixa e rouca ressoando muito perto da orelha de Valeria, fazendo a pele do pescoço dela arrepiar. — A Biblioteca Real fica na torre norte. O meu tio mandou trocar as fechaduras eletrônicas na semana passada, mas Elias conseguiu os c

  • Coroada Pelo Povo   A Sombra de Viena e o Pacto Forçado

    A porta pesada da suíte da Ala Leste mal havia se fechado após o retorno do terraço sul, quando o silêncio do ambiente tornou-se denso, sufocante e carregado de uma eletricidade palpável.​Valeria desvencilhou-se de Julian com um movimento brusco, afastando-se até a lareira apagada. Ela levou a mão trêmula aos lábios, ainda queimando pela sensação do beijo, sentindo o peito arfar de uma raiva indomável — não apenas contra Maximilian ou a imprensa, mas contra si mesma por ter perdido o controle daquela forma nos braços do inimigo.​— Satisfeito, Vossa Alteza? — disparou Valeria, a voz cortante e trêmula de indignação, os olhos castanhos faiscando de fúria no escuro do quarto. — A sua encenação deu certo. Os fotógrafos conseguiram o circo que queriam, o seu tio perdeu o pretexto para lacrar o hospital hoje, e o teatro da Coroa está salvo por mais algumas semanas!​Julian não respondeu de imediato. Ele fechou a porta com lentidão, trancando a fechadura pesada com um giro metálico. Em seg

  • Coroada Pelo Povo   O Fogo Sobre a Neve

    ​O vento gélido da alta madrugada descia cortante dos cumes nevados dos Alpes de Richenburg, chicoteando as copas dos pinheiros que circundavam o Schloss Sterling. No terraço sul, cercado por balaustradas de pedra calcária do século XVII e estátuas de antigos regentes, a atmosfera era de uma tensão cortante.​Sob as luzes potentes e amareladas dos refletores instalados temporariamente pela equipe de produção da rede internacional de notícias de Viena, doze jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos com lentes de longo alcance postavam-se do outro lado da linha de segurança, ansiosos por capturar qualquer sinal de fratura na recém-anunciada união entre a Coroa e a plebe da Baixa Richenburg.​As pesadas portas de vidro do salão do terraço abriram-se com elegância.​Príncipe Julian von Sterling surgiu primeiro. Ele vestia um sobretudo de lã escura de corte militar impecável, com a gola erguida contra o frio, exalando aquela postura fria, impenetrável e magnética que fazia os fotógrafos disp

  • Coroada Pelo Povo   O Cerco da Ala Leste

    Nos bastidores da Sala de Estado da Ala Oeste do Schloss Sterling, o ar estava denso e pesado, impregnado com o cheiro de tabaco nobre e o perfume ríspido dos arranjos florais da corte. Faltava menos de uma hora para que as vans da imprensa internacional desembarcassem nos jardins inferiores do palácio, e a atmosfera dentro do gabinete era de pura conspiração dinástica.O Conde Maximilian von Sterling servia-se de um cálice de cristal com conhaque envelhecido, girando o líquido dourado enquanto encarava a Grã-Duquesa Eleonora e o Príncipe Herdeiro.— Você continua cego pela ingenuidade, Julian — começou Maximilian, a voz aveludada gotejando um sarcasmo elegante. Ele ajustou as abotoadeiras de ouro do terno sob medida, aproximando-se da imensa janela com vista para o vale. — Trazer essa médica de emergência para o palácio foi uma cartada audaciosa de Relações Públicas, eu admito. Mas a garota é uma bomba-relógio incontrolável. Ontem à noite, na frente do Conselho dos Doze e do Barão vo

  • Coroada Pelo Povo   Veneno na Mesa Real

    A Sala de Jantar da Ala Oeste do Schloss Sterling era o santuário intocado do poder dinástico e milenar de Richenburg. Sob os imensos afrescos do teto do século XVIII que retratavam as glórias militares da família Sterling e o brilho frio de candelabros de prata maciça, a mesa de nogueira maciça para vinte pessoas estava disposta seguindo os códigos mais rígidos e implacáveis da alta nobreza da Europa central. Porcelana fina da Saxônia, taças de cristal Baccarat e talheres de prata pesada com o brasão gravado da coroa compunham a encenação de um teatro onde cada palavra era um cálculo político e cada gesto, um teste de sobrevivência.Valeria vestia um suntuoso vestido de corte impecável em tom azul-noturno, com mangas longas e uma gola alta estruturada que lembrava uma armadura elegante. Ela recusara deliberadamente todos os enfeites e ornamentos excessivos sugeridos pela equipe de imagem do palácio, mantendo apenas a sua postura naturalmente erguida, altiva e inabalável. Ao seu lado,

  • Coroada Pelo Povo   A Gaiola da Grã-Duquesa

    A manhã seguinte ao Baile da Primavera amanheceu cinzenta, com uma neblina espessa que cobria os pinheiros e as torres góticas do Schloss Sterling. No entanto, o frio de lá fora era insignificante se comparado ao rigor gelado dos corredores da Ala Leste.​Valeria despertou sobressaltada em sua suíte com o som ríspido e repentino de cortinas pesadas de veludo sendo abertas de golpe, permitindo que a claridade branca e cortante da neve invadisse o quarto.​Três damas de companhia com uniformes pretos e irrepreensíveis, encabeçadas pela governanta-mor da corte, a Senhora Hannelore — uma mulher de feições rígidas, lábios finos e cabelos cinzentos presos em um coque severo —, postavam-se ao pé da cama com pranchetas e caixas revestidas de veludo.​— Bom dia, Doutora Solis — anunciou Hannelore, com uma voz totalmente desprovida de calor humano, ecoando pelo quarto. — Por ordem expressa de Sua Alteza Real, a Grã-Duquesa Eleonora, o seu cronograma oficial de adequação protocolar e de imagem i

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