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Capítulo 2

Author: Titã do Martelo
Assim que cheguei à porta, a dor no peito ficou tão forte que quase desmaiei. Apoiei-me na parede e me agachei, procurando às pressas um analgésico potente. Engoli vários comprimidos seguidos antes de finalmente sentir algum alívio.

De dentro do quarto, ainda ouvi minha mãe me repreender pela minha indiferença. Ela achava que eu não me importava com Sean, mas eu sabia que minha presença só o deixaria desconfortável.

Era assim que ele sempre disputava atenção, embora nem precisasse se dar ao trabalho, porque meus pais, Winnie e Cynthia amavam o falso herdeiro.

Até o nome que meus pais me deram carregava um recado. Klose significava: "Não se aproxime. Não se aproxime de nós..." Foi esse o nome que recebi no primeiro dia em que voltei para casa, depois de passar dezesseis anos desaparecido.

Minha mãe disse que esperava que eu fosse prudente e não me deixasse deslumbrar pela riqueza e pelo prestígio que chegaram de repente à minha vida. Achei que ela estivesse tentando me orientar de verdade, até ouvi-la consolar Sean naquela mesma noite.

Ela disse que, para ela e meu pai, só ele era filho deles e que escolheram o nome "Klose" justamente para que eu não me aproximasse.

Naquela noite, senti como se alguém despejasse um balde de água fria em mim, acabando de uma vez com a alegria de finalmente ter pais. Eu deveria ter percebido muito antes que sempre fui um filho indesejado.

Saí do hospital atordoado e peguei um táxi até o laboratório de pesquisas de Sean. A doação do meu corpo para experimentos de reanimação após congelamento criogênico já estava acertada.

Enquanto eu assinava o termo, uma funcionária perguntou:

— Senhor Morgan, seus pais e sua esposa sabem da sua decisão?

Sorri e respondi com tranquilidade:

— Todos eles respeitam e apoiam minha decisão.

Com inveja na voz, ela comentou:

— Que maravilha! Sua família deve amar muito o senhor para ter esperança de que um dia possa voltar à vida.

Diante daquele olhar de inveja, cheguei a me sentir como alguém profundamente amado pelos pais e pelas pessoas queridas.

— Pois é. Quem não ama a própria família? — respondi, sorrindo, antes de entregar o termo.

Depois de conferir se estava tudo certo, fui embora e voltei para casa. Assim que entrei, encontrei meus pertences amontoados na sala e franzi a testa ao ver Linda Lester dando instruções a todos. Ela era a babá que criou Sean, e eu me perguntei o que fazia ali.

Assim como meus pais, Linda me odiava, apesar de eu ser o verdadeiro herdeiro.

Ao me ver, ela abriu um sorriso falso e disse:

— Senhor Klose, Sean vai receber alta hoje. A senhora Lowe me pediu que cuidasse dele e escolhesse um quarto para ele se recuperar. A suíte principal é bem arejada, com circulação de ar de norte a sul, então deixei tudo pronto para Sean ficar lá. Como todos os outros quartos da mansão estão ocupados, o senhor vai ter que ficar no depósito do andar de baixo.

— Tudo bem — respondi, sem me alterar.

Linda provavelmente não esperava tamanha indiferença, porque engoliu o resto do discurso e me olhou com desconfiança.

— Não ficou com raiva, senhor Klose?

Neguei com a cabeça e me virei, seguindo em direção ao depósito.

Linda comentou com desprezo:

— Parece que o senhor finalmente amadureceu. Devia ter tomado jeito antes. Assim, o senhor e a senhora Morgan não o odiariam tanto.

Entrei no depósito sem dizer nada e um cheiro forte de mofo me atingiu. O espaço apertado estava abarrotado de todo tipo de coisa. Havia apenas uma cama pequena, de um metro de largura, com metade tomada por livros e a outra metade livre.

Deitei na parte livre e logo mergulhei num sono profundo. Eu estava tão cansado que só queria uma boa noite de sono...

Mas nem aquele desejo tão simples consegui realizar.

Não soube dizer quanto tempo passou até ser sacudido com força e acordar de sobressalto. Quando abri os olhos, vi o pânico no olhar de Winnie.

Assim que percebeu que eu estava acordado, sua expressão preocupada se tornou fria, e ela me questionou em voz alta:

— Por que você expôs nosso casamento na internet? Faz ideia de quanta gente está atacando o Sean nas redes? Ele acabou de passar por uma cirurgia e ainda está frágil. Ficou tão furioso com isso que desmaiou! Eu achei que você realmente tinha aprendido a lição, mas estava era tramando uma vingança contra nós pelas costas!

Era como se um martelo batesse dentro da minha cabeça. A dor intensa mal me deixava ouvir o que ela dizia, e só consegui responder com a voz fraca:

— Eu não fiz nada... Se não acredita, pode olhar meu celular.

Winnie berrou, furiosa:

— Chega! Os próprios repórteres admitiram que você pagou para eles divulgarem tudo! Até quando vai continuar fingindo? Venha comigo pedir desculpas ao Sean!
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