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Corpo Congelado, Coração Partido
Corpo Congelado, Coração Partido
Author: Titã do Martelo

Capítulo 1

Author: Titã do Martelo
— Você tem pouco tempo de vida. Procure se despedir da sua família — disse o médico responsável pelo meu caso, com delicadeza e preocupação. Suas palavras, porém, me atingiram como uma pedrada no peito.

Embora já esperasse aquele desfecho havia muito tempo, meus olhos ficaram vermelhos ao ouvir aquela "sentença de morte".

Eu tinha apenas vinte e oito anos e lutei com todas as forças para sobreviver. Jamais imaginei, porém, que minha própria esposa fosse tirar de mim o coração doado que eu tanto esperava para transplantá-lo em Sean Morgan, um falso herdeiro que sofria apenas de um problema cardíaco leve.

Ainda atordoado, fui até o quarto de Sean e encontrei meus pais, minha esposa, Winnie Lowe, e minha filha, Cynthia Morgan, todos ao redor dele, cercando-o de cuidados.

Ao me ver entrar, Winnie, que ajudava Sean a beber água, imediatamente deixou o copo de lado e veio até mim.

— O que o médico disse?

Encarei-a, mas ela desviou o olhar na mesma hora, com culpa, e tentou se explicar, gaguejando:

— Foi uma emergência. Se Sean não recebesse o transplante, teria morrido de dor.

Minha mãe logo interveio:

— A Winnie tem razão, Klose. Era uma questão de vida ou morte. Você não vai ser tão insensato a ponto de ficar com raiva da gente por isso, vai?

As palavras que eu pretendia dizer ficaram presas na garganta, e acabei respondendo com calma:

— Não estou com raiva. O médico disse que haveria boas notícias dentro de uma semana.

Depois de uma breve pausa, acrescentei:

— Boas notícias para todos nós.

Os belos olhos de Winnie se iluminaram de alegria.

— Encontraram um coração compatível tão rápido assim? Eu sabia que a nossa decisão naquele dia foi a certa.

Meu pai também soltou um suspiro de alívio e disse, sorrindo:

— O Sean teve muita sorte. Se você não tivesse cedido aquele coração, ele não teria aguentado nem mais uma semana.

Minha mãe assentiu enquanto acariciava os cabelos de Sean.

— A sorte ainda está do lado do Sean. Já certa pessoa podia ter continuado esperando por um coração, mas preferiu fazer um escândalo e envergonhar a família Morgan.

Embora eu já estivesse decepcionado com eles, aquelas palavras ainda me machucavam. Cerrei os punhos e apertei os dentes quase até quebrá-los, pois só assim consegui conter as lágrimas que ameaçavam cair.

Winnie me lançou um olhar carinhoso, mas suas palavras foram frias como gelo:

— Você foi mesmo muito impulsivo naquele dia. Acho que devia pedir desculpas ao Sean.

Eu a encarei sem acreditar no que ouvia.

"O Sean roubou meu coração, e você ainda quer que eu peça desculpas a ele?"

Minha mãe reforçou:

— Isso mesmo! Se você não tivesse maltratado o Sean naquele dia, ele não teria sofrido um ataque cardíaco. Devia agradecer por ele estar aqui, vivo e fora de perigo. Do contrário, eu nunca mais reconheceria você como meu filho.

Lembrei-me de Sean parado na minha frente naquele dia, exibindo com orgulho as marcas no pescoço e se gabando de como tinha sido intensa a transa com Winnie. Não consegui me conter e dei um soco nele, mas eles acabaram nos flagrando.

Furiosa, Winnie correu até nós e me empurrou com tanta força que fui ao chão. Minha cabeça girava quando minha mãe veio para cima de mim e começou a me bater. Meu pai apenas observou com indiferença, como se também achasse que eu merecia uma lição.

Foi então que sofri um ataque cardíaco e mal consegui respirar.

Minha mãe perguntou, aflita, o que eu estava sentindo, mas, de repente, Sean levou a mão ao peito e disse que estava com dor. Na mesma hora, ela me largou ali e correu para junto dele.

Para todos, eu estava fingindo, enquanto a dor dele era de verdade.

Ao me lembrar daquilo, dei um sorriso amargo e falei, sem emoção:

— Desculpem. A culpa foi minha.

Ninguém esperava que eu pedisse desculpas sem discutir.

Winnie me olhou como se tentasse me decifrar, e uma inquietação começou a tomar conta dela. Sean também franziu a testa, com uma expressão que praticamente dizia: "Você só está se fazendo de bonzinho".

Meus pais me encararam com cautela, como se temessem que eu voltasse a causar problemas.

Só minha filha, Cynthia, se jogou nos meus braços e disse:

— Que bom, pai! Você finalmente admitiu que errou. Não maltrate mais o tio Sean, senão eu também vou deixar de gostar de você, igual ao vovô e à vovó.

Baixei os olhos para ela. Eu podia suportar a indiferença, a incompreensão e o favoritismo dos meus pais e da minha esposa, mas era insuportável ver a filha que eu mesmo criei e a quem dediquei todo o meu amor, também preferir Sean. Ainda assim, já não me restavam forças para lutar contra aquilo.

Acariciei seu rosto com delicadeza e respondi com um sorriso:

— Como você quiser.

Minha mãe assentiu, satisfeita, e comentou:

— Bom, parece que você finalmente aprendeu a lição, Klose.

Winnie soltou um suspiro de alívio e disse:

— Meu marido finalmente caiu em si.

Diante daquela demonstração de carinho fingido, senti uma onda de enjoo.

Naquele instante, Sean soltou um grito de dor, e Winnie correu até ele imediatamente. Cynthia, que ainda me abraçava, também me soltou e foi correndo para perto dele, gritando:

— Tio Sean, onde está doendo? Deixa eu dar um soprinho para melhorar!

Os olhos dos meus pais ficaram vermelhos de aflição ao vê-lo sofrer.

Parado a alguns passos deles, eu parecia um palhaço. Sem conseguir suportar aquele clima por mais tempo, disse que estava cansado e saí do quarto.
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