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Capítulo 5

Author: Liliana Souza
Liliana assistiu, impotente, à pulseira cair no chão. O fio se rompeu e as contas de madeira rolaram, espalhando-se por toda parte. Na confusão, alguém pisou nelas, esmagando várias contas e reduzindo-as a pó ali mesmo.

Ela encarava os fragmentos, atordoada, sem sequer notar que Pedro se abaixava para amparar Renata, que havia caído. O barulho ao redor parecia distante, abafado por um zumbido agudo e persistente em seus ouvidos, enquanto tudo diante de seus olhos oscilava, perdendo a nitidez e o senso de realidade.

Pedro manteve Renata protegida em seus braços e, baixando a cabeça, perguntou com preocupação:

— Você se machucou?

Ao ver Renata negar levemente com a cabeça, ele franziu a testa e se virou para Liliana, com a voz carregada de uma raiva contida.

— Liliana, ela estava disposta a devolver a pulseira para você. Por que você ainda precisava empurrá-la? — Questionou ele, ríspido.

Aquela frase foi como uma agulha perfurando o entorpecimento de Liliana. Seu olhar desceu lentamente até os pés de Pedro, onde notou uma conta de madeira esmagada, incrustada na sola do sapato dele.

Algo se rompeu dentro dela, queimando o último fio de sua racionalidade. Antes que alguém pudesse reagir, Liliana agarrou uma garrafa de vinho sobre a mesa e, com um movimento violento, golpeou a cabeça de Renata.

— Ah!

Um grito estridente explodiu no ambiente. O sangue escorreu pela testa de Renata, tingindo instantaneamente seu vestido branco de vermelho. Enquanto a garota perdia o foco devido à dor, vendo tudo ficar turvo e escarlate, Liliana, tomada pela fúria, já alcançava outra garrafa.

Dessa vez, Pedro reagiu a tempo. Ele segurou o pulso dela com força, imobilizando-a, e seu rosto assumiu uma expressão fria e aterrorizante.

— Liliana, você ficou louca? Como se atreve a agredir alguém assim? — Gritou ele.

Liliana forçou um sorriso gélido e respondeu, com a voz destilando ódio:

— Ela quebrou a relíquia da minha mãe. Mesmo que eu a matasse, não seria o suficiente para aliviar minha raiva!

Só então Pedro notou os fragmentos no chão. Ele lançou um olhar rápido para as contas e retrucou severamente:

— A pulseira quebrou por sua culpa! Se você não a tivesse empurrado, isso teria acontecido? Eu mimei você demais, e é por isso que você se tornou tão descontrolada e sem limites!

Cada palavra daquela sentença perfurava o coração de Liliana. Não era a primeira vez que ela entrava em conflito com Renata, mas, no passado, Pedro sempre sorria e dizia: "Faça o que quiser, eu cuido das consequências para você". Agora, no entanto, ele a chamava de mimada.

Com os olhos vermelhos, Liliana soltou uma risada repentina e provocou:

— Se sou mimada, foi você quem me deixou assim. O que foi? Está arrependido agora?

A expressão de Pedro escureceu ainda mais.

— Se eu soubesse que você se tornaria essa pessoa, deveria ter sido mais rigoroso desde o início! — Exclamou ele.

Antes que ele terminasse de falar, um gemido abafado veio de trás; o corpo de Renata amoleceu e ela desmaiou completamente. Pedro agiu rápido para ampará-la e, lançando a ameaça "depois acerto as contas com você", ergueu Renata nos braços e avançou, empurrando Liliana para longe com um encontrão.

O impacto derrubou Liliana violentamente no chão. Sua lombar bateu contra a quina da mesa e a dor aguda fez as lágrimas brotarem de seus olhos num instante. Pedro, porém, nem olhou para trás; carregando Renata, ele saiu apressado, ignorando a presença de Liliana como se ela fosse invisível.

A visão de Liliana escureceu enquanto ela observava a silhueta dele desaparecer no final do corredor, sentindo como se toda a sua força tivesse sido drenada. Diante daquela confusão sangrenta, ninguém ousou permanecer no local, e os outros convidados saíram de fininho, um após o outro.

Logo, Liliana restou sozinha no camarote privado. Ela tateou o chão por um longo tempo até encontrar apenas duas contas intactas. Segurando-as com cuidado na palma da mão, sentiu uma dor no peito como se estivesse sendo rasgada ao meio, mas cerrou os dentes para conter o choro. Afinal, ninguém sentiria pena dela, então chorar seria inútil.

Susana a encontrou depois de um tempo indeterminado. Ao ver a bagunça na sala, ela abriu a boca para perguntar o que havia acontecido, mas engoliu as palavras ao cruzar com o olhar desolado de Liliana. Em silêncio, Susana apenas segurou a mão da amiga e a levou de volta para o apartamento.

Assim que se despediu de Susana e caminhou até a porta de seu apartamento, Liliana avistou uma sombra parada ali. Ao ouvir os passos dela, a figura se virou. Era Pedro.

O silêncio pairou entre os dois por um longo momento até que Pedro, com a voz rouca, quebrou o gelo:

— Renata acordou e quer prestar queixa contra você.

Liliana soltou um sorriso sarcástico e retrucou:

— E então?

— Eu consegui impedi-la, mas Renata impôs uma condição... — Explicou Pedro, fixando seus olhos escuros nela. — Ela exige que você trabalhe como servente dela por um dia, cuidando de todas as necessidades e caprichos dela!

A respiração de Liliana falhou e ela o encarou, incrédula:

— E você concordou com isso?

O olhar de Pedro era frio como gelo quando ele respondeu:

— Eu não poderia ficar parado vendo você ser presa, poderia? Liliana, encare isso como uma lição. Já passou da hora de você mudar esse seu temperamento.
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