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De Repente Amor
De Repente Amor
Author: Fee'h Martins

# Capítulo 1 - O começo

last update publish date: 2026-05-08 08:32:54

— Bianca, tu é maluca? O Kauê tá com a fiel dele e aquela garota te odeia!

— Problema é dela. — dou de ombros, terminando minha bebida.

— Mulher, isso ainda vai dar merda. Tu sabe como o Kauê é.

— Hoje eu só quero me divertir. — puxo Ju pelo braço e aponto pra entrada do pagode. — Olha lá teu boy chegando.

Ju abre um sorriso na hora.

Ronan vinha entrando daquele jeito dele, cheio de marra e simpatia ao mesmo tempo. Filho da tia Liz com o tio JF, cria do morro e braço direito do Kauê. Meu melhor amigo desde sempre.

Atrás dele vinha Jotinha, gerente da boca principal. E o pior? O homem sabia exatamente o efeito que tinha em mim.

— Cheguei, pragas! — Ronan grita, fazendo a gente rir.

Ele puxa Ju pela cintura e dá um beijo demorado nela.

— Oi, amor. — ela fala toda derretida.

— Fala, peste. — brinco, batendo na mão dele.

Jotinha já chega atrás de mim, me abraçando pela cintura.

— Oi, lindo.

— Fala, amor meu.

Ele murmura no meu ouvido antes de deixar um beijo quente no meu pescoço.

Fecho os olhos por um segundo, mas tudo perde a graça no instante em que sinto aquela presença.

Kauê.

Levanto o olhar devagar.

Ele vinha acompanhado da Aline, toda montada, com aquela cara de superioridade que me dava vontade de rir. Ou de voar no pescoço dela.

Meu peito aperta mesmo sem eu querer.

Merda.

Kauê cumprimenta os meninos, mas os olhos dele param em mim.

Fixos.

Pesados.

Como se queimassem.

Desvio na mesma hora, fingindo que não senti nada.

Mas senti.

E muito.

Aline percebe e fica me encarando atravessado.

— Amiga, que nojo. — Ju debocha baixinho.

Eu solto uma risada nasal.

— Pois é… bora dançar antes que eu perca a paciência.

Puxo ela pra grade e começo a dançar.

O pagode tava estourado, o chão tremendo, gente cantando alto, bebida passando de mão em mão… mas mesmo no meio daquela bagunça eu sentia os olhos dele em mim.

Toda hora.

Pesados na minha pele.

Quando olho de relance, Kauê continua parado, de cara fechada, me observando enquanto Aline fala sozinha do lado dele.

E aquilo mexe comigo de um jeito que eu odeio.

Porque foi ele quem me destruiu primeiro.

Ele que me prometeu o mundo… e depois apareceu assumindo outra na frente do morro inteiro, como se eu nunca tivesse significado nada.

Mesmo assim…

Meu coração idiota ainda balança quando ele me olha daquele jeito.

[...]

Horas depois, o baile já tava ficando ainda mais cheio quando resolvo ir embora.

— Amiga, já vou indo.

— Dorme lá em casa.

— Não precisa. Minha mãe tá sozinha com o Matheus hoje. Vou de Uber mesmo.

— Então me avisa quando chegar.

— Aviso sim.

Jotinha se aproxima de novo.

— Quer que eu te deixe lá embaixo, amor?

— Precisa não, lindo. Tá tranquilo ainda.

Dou um beijo no rosto dele, me despeço de geral e começo a descer sozinha.

O movimento na rua ainda tava grande por causa do baile, mas mesmo assim eu nunca gostei de andar sozinha à noite.

Principalmente no morro.

Aperto o casaco no corpo e acelero os passos quando entro no beco.

Foi aí que escutei o barulho da moto.

Meu coração disparou na hora.

A moto vinha devagar atrás de mim.

Devagar demais.

Engulo seco e começo a andar mais rápido.

Só que ela acelera.

E para bruscamente na minha frente.

Levo um susto tão grande que tropeço e caio sentada no chão.

— Tá maluca, Bianca?!

Reconheço a voz na hora.

Levanto o rosto já irritada.

— Aí, K2! Maluco é você! Quer me matar do coração?!

Ele tira o capacete e passa a mão no cabelo.

Bonito.

Desgraçado.

— Os menor falaram que tu tava indo sozinha.

— E daí?

— Eu tava deixando minha mulher em casa…

Meu peito arde na mesma hora.

Minha mulher.

Como eu odeio ouvir isso.

— E cadê ela? — pergunto seca.

— Mandei outro levar.

Ele desce da moto e vem na minha direção.

— Vem. Eu te deixo na casa do teu pai.

— Não precisa. Vou de Uber.

Levanto limpando a roupa, mas ele continua me olhando daquele jeito intenso que sempre me desmontou.

— Bora logo, Bianca.

Ele segura meu braço.

Bruto.

Como sempre.

— Me solta! Tá doido?

Kauê aperta a mandíbula.

— Porra, Bianca… eu não vou deixar tu ir sozinha.

Dou uma risada sem humor.

— Sério? E desde quando você se importa?

Ele respira fundo.

— Porque eu me preocupo contigo.

Aquilo me quebra por dentro.

Porque era exatamente isso que eu queria ouvir anos atrás.

E ele escolheu outra.

— Vai se fod*r, K2.

Dou as costas, mas ele me puxa de novo.

Dessa vez com força.

Meu corpo b**e na parede fria do beco e ele se aproxima tanto que sinto a respiração dele b**er no meu rosto.

Meu coração enlouquece.

— Você não vai me perdoar nunca, né?

Levanto o olhar devagar.

Os olhos dele estavam diferentes.

Cansados.

Machucados.

Mas eu também fiquei machucada.

Muito.

— Não.

Minha voz falha.

Odeio demonstrar fraqueza perto dele.

Os olhos começam a arder.

— Bianca… você sabe que eu—

— Que você o quê, Kauê? — corto na hora. — Vai voltar pra tua mulher. Eu não quero ser..

Ele me cala.

Com um beijo.

Meu Deus.

O mundo simplesmente para.

As mãos dele seguram meu rosto com força enquanto a boca encaixa na minha como se tivesse saudade.

E tinha.

Eu sinto.

Sinto em cada toque desesperado.

Em cada respiração pesada.

Em cada segundo daquele beijo errado.

E pior…

Eu correspondo.

Porque perto dele eu sempre fui fraca.

Sempre.

Kauê aprofunda o beijo e meu corpo trai minha raiva imediatamente. As mãos dele descem pra minha cintura, me puxando contra ele, e eu quase esqueço de tudo.

Da dor.

Da traição.

Da mulher dele.

De tudo.

Mas aí a consciência b**e.

Empurro ele com força.

— Me solta!

Kauê me encara ofegante.

Os olhos escuros.

Cheios de coisa entalada.

Só que eu não posso cair nisso de novo.

Não posso.

Saio correndo antes que ele fale qualquer coisa.

Quando chego na barreira, entro no Uber praticamente tremendo.

Encosto a cabeça no banco e fecho os olhos.

Ódio.

Desejo.

Saudade.

Tudo misturado.

Kauê foi o homem que mais me machucou na vida.

E infelizmente…

Também foi o único que eu nunca consegui esquecer.

[...]

Chego em casa ainda desnorteada.

Minha mãe tava na sala com o Matheus no colo.

Converso um pouco com ela, tento fingir normalidade e depois subo pro quarto.

O banho quente não ajuda em nada.

Porque a sensação da boca dele ainda continua em mim.

Coloco meu pijama e me jogo na cama exausta.

Minutos depois, meu celular vibra.

Número desconhecido.

Abro a mensagem.

📱 “Boa noite, minha fada.”

Meu peito aperta imediatamente.

Fico olhando aquela tela por vários segundos enquanto uma lágrima escapa silenciosa pelo meu rosto.

Droga.

Daqui a alguns dias eu começaria a trabalhar no morro.

E conviver perto dele ia ser um inferno.

Porque eu precisava seguir em frente…

Mas meu coração ainda insistia em ficar preso no passado.

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