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Capítulo 4

Penulis: Punho Rebelde
Instintivamente, cobri o rosto e fui atrás deles.

As pessoas da empresa já estavam acostumadas com aquilo. Olhares maliciosos recaíam sobre os dois, e alguém próximo a Helena chegou a brincar abertamente:

— Helena, trabalhando de novo com o Sr. Felipe?

Helena lançou um olhar fingidamente irritado para a pessoa, e Felipe, ao ver a cena, apenas afagou os cabelos dela com carinho.

As provocações ao redor ficaram ainda mais intensas. Então, era isso. Todos sabiam.

Todos colaboravam com a encenação de Felipe, ajudavam a sustentar aquela farsa até o fim.

Só eu, como uma palhaça, permanecia no escuro, ainda orgulhosa por ter um companheiro tão bom quanto Felipe.

Helena usava uma saia justa que realçava suas curvas, o decote quase transbordando. Sob o pretexto de trabalho, se aproximava do ouvido de Felipe e sussurrava algo com doçura.

Com discrição, todos desviavam o olhar e voltavam às próprias tarefas.

Ao presenciar aquela cena antes, certamente teria perdido o controle diante da traição de Felipe.

Mas agora percebia estar estranhamente calma.

Talvez porque meus dias ali já estavam contados, nada mais parecia ter tanta importância.

Além disso, ele já não ocupava mais espaço no meu coração.

Aquela noite seria a última antes da minha partida.

Ao sair de casa, Felipe me abraçou com um sorriso carinhoso.

— Mari, hoje é meu aniversário. Por que você ainda não me deixa abrir o presente?

Encarei seus olhos, serena demais para a situação.

— Vamos abrir juntos no jantar.

Ele riu, animado.

Felipe não sabia que eu iria embora naquela mesma tarde.

Por ser seu aniversário, ele cancelou todos os compromissos. Inclusive disse que queria compensar meu aniversário, que sete dias antes tinha passado quase em branco.

— Para onde você quer ir? Que tal dar uma volta na Serra da Lua Dourada?

A Serra da Lua Dourada foi onde Felipe e eu assumimos nosso amor na juventude. Era um lugar especial para nós dois.

Respondi baixinho que sim. Então me lembrei de que havia deixado o cachecol no quarto. Entreguei a bolsa a ele e voltei para buscar.

Felipe apertou de leve a ponta do meu nariz, com a voz cheia de carinho.

— Mari, você anda esquecida, igual a mim.

Sorri.

Quando voltei, vi Felipe segurando meu celular com força. O rosto dele estava tomado pela ansiedade.

Assim que me viu, veio na minha direção, quase tropeçando.

— Mari, um homem acabou de ligar para você. Ele disse para você não esquecer o voo desta noite. O que significa isso? Quem é ele? Para onde você vai?

Os lábios dele tremiam, e havia um pavor imenso em seus olhos, como se para ele me perder, significava deixar de existir.

Ergui levemente o canto da boca em um sorriso irônico. Se ele realmente me amava tanto, por que estaria envolvido com a própria assistente?

Diante da expressão tensa dele, respondi com indiferença:

— Deve ter sido engano.

Ao ouvir isso, o semblante rígido de Felipe suavizou um pouco, embora a inquietação ainda era evidente.

Ele segurou minha mão com força, num tom que não admitia contestação.

— Mari, eu amo você, amo muito. Quando ouvi que você ia embora, senti que meu coração ia saltar pela garganta. Eu não posso perder você.

Falava de forma entrecortada, transbordando um amor intenso e ardente.

Ele não era apenas um excelente ator, mas também um mestre em enganar.

Enganou a mim e enganou a si mesmo.

Claramente seus sentimentos já tinham mudado, mas ele ainda insistia em acreditar que eu era o grande amor da sua vida.

Se era mesmo assim, Helena não teria aparecido.

O carro avançava rápido pela estrada. Felipe percebeu minha distração e, durante todo o trajeto, tentou me fazer rir com piadas e comentários leves.

Antes, eu certamente teria rido junto, mas agora não tinha mais forças para isso.

Ele podia continuar atuando sozinho. Eu não participaria mais.

Ao chegarmos à Serra da Lua Dourada, Felipe segurou minha mão enquanto caminhávamos.

Alguns dias antes, havia nevado intensamente. Agora, a serra estava coberta por um manto branco. Até os galhos secos pareciam belos, enfeitados pelos flocos de neve.

O vapor quente da nossa respiração se espalhava no ar. Com a mão dele envolvendo a minha, já não sentia frio.

O silêncio dominava tudo ao redor. A neve começou a cair novamente, cobrindo rapidamente meus ombros e os de Felipe de branco.
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