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Capítulo 2

Author: Punho Rebelde
Eu repetia essa frase na minha mente e sorria.

Daqui a sete dias será o aniversário de Felipe.

Também será o dia em que eu e ele terminaremos definitivamente.

Na manhã seguinte, um barulho suave de coisas sendo mexidas me acordou.

Abri os olhos ainda sonolenta e vi que era Felipe organizando os cosméticos espalhados sobre a minha penteadeira.

Depois de uma noite sem dormir, os olhos dele estavam cheios de cansaço.

— Mari, você acordou. Eu vi que você deixou os cosméticos espalhados de novo, então arrumei para você.

Olhei em silêncio para o rosto bonito dele, sem dizer nada.

Ele sempre foi assim, atencioso.

Ele cuidava de tudo. Dos meus cosméticos aos pequenos detalhes da minha rotina que eu nem percebia, ele sempre pensava por mim e resolvia tudo.

Durante quinze anos, ele permaneceu o mesmo, me colocando verdadeiramente em primeiro lugar em tudo.

Mas foi justamente esse homem, que sempre pensou em mim em cada detalhe, que no dia do meu aniversário se envolvia em paixão com outra mulher.

Talvez por perceber a mudança no meu humor, ele tirou uma pequena caixa do bolso.

Felipe se ajoelhou e a ternura nos olhos dele quase transbordou.

— Mari, ontem, no seu aniversário, eu não voltei para casa porque fui mandar fazer o anel para você. O diamante é o Coração Eterno, que eu procurei com todo empenho. É o único no mundo inteiro! — Ele fez uma pausa e continuou. — Que ele simbolize o nosso amor eterno. Mari, eu vou amar você para sempre.

Depois de ouvir as palavras dele, curvei levemente os lábios.

Peguei o anel das mãos dele e o observei de um lado para o outro.

Felipe me abraçou pela cintura, fazendo charme, e a voz dele estava cheia de expectativa.

— Mari, eu passei a noite inteira providenciando o anel para você. Você não vai me dar nenhuma recompensa? — Enquanto falava, sua voz ficou mais grave, e uma mão grande começou a deslizar pela minha cintura.

Mantive uma expressão tranquila e impedi a mão dele.

"Uma desculpa tão mal elaborada."

Se eu não tivesse descoberto a traição de Felipe, também teria acreditado.

Afinal, durante quinze anos, ele nunca tinha mentido para mim. Até Helena aparecer.

Então entendi que tudo é possível, depende apenas do momento.

Contive as minhas emoções, e a minha voz não revelou nenhuma oscilação.

— Você ficou ocupado a noite toda e deve estar cansado. É melhor descansar um pouco primeiro.

Ao ouvir isso, Felipe me abraçou com ainda mais entusiasmo. Ele esfregava a cabeça na curva do meu pescoço sem parar, como um grande cão carente.

— A minha Mari é tão boa comigo. Eu sou simplesmente o homem mais feliz do mundo!

Enquanto ele falava, eu também sorri levemente e, em seguida, peguei uma caixa delicada que estava ao meu lado.

Felipe recebeu a caixa com certa curiosidade e imediatamente quis abri-la.

Segurei a mão dele e falei com calma:

— Este é o seu presente de aniversário adiantado. Você só deve abrir no dia do seu aniversário.

Ele ficou muito surpreso.

— Um presente entregue seis dias antes? Já estou ansioso para ver o que você preparou para mim!

A alegria no rosto dele era completamente sincera. Nós parecíamos um casal comum e feliz.

Mas eu sabia que tudo aquilo era uma ilusão.

Ele também sabia; por isso, se esforçava ainda mais na encenação.

Dentro da caixa estavam as mensagens que Helena me enviou ao longo do último ano.

As conversas ambíguas entre eles, as fotos íntimas, as várias coisas que ele comprou para ela.

Até mesmo os vídeos que Helena me enviou foram organizados por mim em um pen drive.

Além disso, havia também um acordo de divórcio já assinado por mim.

"Tomara que ele goste do presente quando abrir a caixa no aniversário, daqui a seis dias."

À tarde, Felipe me pediu para levar um documento para ele à empresa.

— Mari, saí de casa com pressa hoje de manhã. Aquele documento é necessário para a entrada do investimento estrangeiro hoje. É muito importante. Você pode levar para mim? — Quanto mais ele falava, mais baixa ficava a voz, e no final as palavras estavam cheias de culpa. — A culpa é minha. Se eu não fosse tão desatento, você não precisaria fazer esse trajeto.

Antes disso, ao ouvir as palavras cheias de culpa de Felipe, eu o consolava com carinho e dizia que ir até a empresa não era incômodo nenhum.

Mas agora, apenas respondi suavemente e depois não disse mais nada.
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