Depois da Traição, Fui Marcada pelo Senhor do Inferno

Depois da Traição, Fui Marcada pelo Senhor do Inferno

Por:  Tania CostaAtualizado agora
Idioma: Portuguese
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Yara Valença testemunhou com os próprios olhos a traição mais baixa do próprio marido. Hugo Ferraz tinha engravidado a esposa do próprio irmão e ainda dizia, cheio de razão: — Você não pode ter filhos. A Família Ferraz não pode ficar sem herdeiros. Que ironia. O homem que, no passado, tinha se ajoelhado nove vezes para pedi-la em casamento e jurado que preferia fazer uma vasectomia a ter filhos também era ele. Já que o amor tinha virado piada, não havia mais por que preservar a dignidade. Naquela mesma noite, ela ligou para o número para o qual ninguém ousava ligar e se casou com o homem mais poderoso da Cidade N. Quando se reencontraram, foi no casamento dela. Hugo finalmente ficou com os olhos vermelhos, ajoelhou-se diante dela. — Amor, eu errei. Por favor, olha pra mim de novo, só mais uma vez... Yara deu um passo para trás e caiu, exatamente, nos braços do homem atrás dela. Aquele que todos diziam ser sombrio e implacável, que controlava metade da cidade, o "Senhor do Inferno", Victor Ferraz, apertou a cintura dela. A voz saiu fria como uma lâmina: — Parece que você esqueceu a sua posição. — Agora, ela é sua cunhada.

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Capítulo 1

CAPÍTULO 1

— Amor, o bebê que a sua cunhada está esperando… é seu?

Yara ficou pálida, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.

Sete meses antes, o irmão mais velho de Hugo tinha morrido num acidente de carro. Com pena da Sofia Ramos, recém-viúva e grávida, ela tinha preparado sopa nutritiva todos os dias, acompanhado cada consulta do pré-natal, feito tudo com o maior cuidado. E, no fim… o que recebeu em troca foi uma traição tão repugnante assim!

Ela nunca tinha imaginado que o homem que sempre a tratou como um tesouro, que dizia amá-la acima de tudo, Hugo, fosse capaz de traí-la.

— Explica direito!

A voz dela tremia fora de controle, os olhos cravados no homem sentado no sofá.

A luz lançava sombras sobre as sobrancelhas cerradas dele. A postura elegante e controlada de sempre tinha sido substituída por um peso quase sufocante.

Ele soltou um suspiro pesado.

— Yara, se acalma.

— A Família Ferraz… precisa de um herdeiro.

Essas palavras foram como uma faca cravada no peito de Yara.

Três anos antes, ao salvá-lo, ela tinha ferido o útero e recebido o diagnóstico de que seria difícil engravidar.

Naquela época, ele tinha jurado ao lado da cama do hospital:

— Eu só quero você. Criança não é nada. Eu não quero ter filhos pelo resto da minha vida.

— Precisa de um herdeiro? — Yara riu de forma amarga, as lágrimas finalmente caíram. — Então você foi dormir com a esposa do seu próprio irmão? Hugo, como você consegue ser tão nojento?!

Um tapa seco estalou no rosto dela.

O rosto da sogra, Célia Leite, estava carregado de desprezo e crueldade.

— Sem educação. Quem você pensa que é pra falar com o Hugo desse jeito? O mais velho morreu, então o mais novo assume. É assim que tem que ser. Não é você quem vai fazer escândalo aqui.

— E outra, você nem consegue ter filhos. Que direito você tem pra vir questionar? O Hugo não te expulsou de casa, você já devia agradecer aos céus e acender uma vela!

Nem consegue ter filhos…

Yara levou a mão ao rosto ardendo e olhou para Hugo, incrédula. Então… era isso que ele também pensava.

Agradecer?

O fato de ele não a desprezar tinha virado uma graça imensa que ele estava lhe concedendo?

Naquele tempo, foi ela que implorou para se casar? Foi o Hugo que se ajoelhou nove vezes para pedi-la em casamento!

Foi ele que prometeu, de novo e de novo, que podia viver sem filhos!

Foi ele que apareceu com o papel da cirurgia de vasectomia, com os olhos vermelhos, pedindo que ela lhe desse uma chance!

Aquele papel ainda estava trancado no cofre dela…

Ao ver a marca vermelha no rosto claro de Yara, um lampejo de dor e irritação passou pelos olhos de Hugo. Mas, a essa altura, só lhe restava falar:

— Meu irmão se foi. A responsabilidade da Família Ferraz caiu sobre mim. Eu tenho que assumir. Você… não pode ter filhos. Essa é a realidade. Você e eu temos que aceitar.

— Você também gosta de crianças, não gosta? Quando o bebê nascer, a gente deixa você criar. Ele vai te chamar de mãe. Depois, nós três, como uma família, não vamos mais ter nenhum arrependimento.

— Ha…

Yara sentiu o nojo subir pela garganta.

— Então eu devia me ajoelhar e agradecer ao Sr. Hugo por me deixar virar mãe sem sentir dor?

— …Yara, eu estou falando com você direito. Você precisa mesmo ser tão sarcástica?

Hugo franziu a testa com força, a impaciência subindo nos olhos.

— Chega de desaforo! A gente te dá um filho de graça e você ainda acha ruim? Sua ingrata!

A sogra avançou de repente e a empurrou com brutalidade.

— Fora! Some daqui! Vai pra rua e pensa direito em como ser uma nora decente da Família Ferraz. Se não aprender, nem volte!

Já passava das dez da noite. A neve caía em turbilhão, o frio cortava os ossos, e lá fora a temperatura já tinha despencado para abaixo de zero.

E eles iam mesmo expulsá-la de casa vestindo apenas aquela roupa fina.

Yara olhou para Hugo por instinto, ainda nutrindo a esperança de que ele a defendesse. Em vez disso, encontrou apenas o olhar pesado e complexo dele.

Hugo franziu as sobrancelhas, os dedos se apertaram com força. Depois de uma breve hesitação, ele acabou… desviando o rosto.

Ele escolheu permitir.

Permitir que a própria mãe a obrigasse a ceder desse jeito.

A porta de madeira entalhada se fechou com força bem na frente de Yara. O som mecânico da fechadura caindo ecoou frio e cortante.

O ar gelado a envolveu de imediato.

Yara ficou parada nos degraus gelados, encarando a porta fechada diante dela, como uma estátua sem alma.

Três anos de casamento…

Hugo tinha sido, de verdade, bom com ela.

Ela chutava o cobertor enquanto dormia, e ele, sem reclamar, ia lá dezenas de vezes toda noite para cobri-la de novo.

Ela olhava um pouco mais para uma peça de alta-costura numa revista e, no dia seguinte, aquela roupa, junto com todas as novidades da estação, já estava pendurada no closet dela.

Ele não gostava de viajar, mas sempre que ela queria ir, ele largava todo o trabalho e, no mesmo dia, a levava embora.

Ela achou que tinha se casado com a pessoa certa.

Mas, no fim, diante da tal "responsabilidade" e da "realidade" da Família Ferraz, o amor dele se mostrou frágil assim.

Quando o que ela sentia e o dever com a família dele entraram em choque, ele nem sequer tentou conversar. Escolheu fazer com que fosse ela a engolir tudo.

Ele sabia que ela tinha se mudado para a Cidade N por causa dele, sem ninguém por perto, sem para onde ir.

Sabia que ela o amava demais para ir embora, que só podia engolir o nojo e aceitar aquele filho ilegítimo.

Sabia que eles já estavam casados e que, enquanto ele não concordasse, ela nunca conseguiria se separar.

Mas ele tinha esquecido de uma coisa…

Naquele ano, por causa das ameaças da mãe, os dois só tinham feito uma cerimônia simples de casamento. Até hoje, nunca tinham registrado no cartório.

Yara, diante da lei, nem sequer era a esposa dele.

O canto dos lábios dela se curvou devagar num sorriso quebrado e gelado. Nos olhos, depois de o coração virar cinzas, havia apenas lucidez extrema e decisão.

"Hugo Ferraz.

Eu não quero mais você."

Yara pegou o celular e, com os dedos congelados, discou um número que estava guardado havia muito tempo.

Ela falou devagar:

— Aquilo que você disse naquela época… ainda vale, Victor?

— Sra. Célia, Sr. Hugo… a Sra. Yara foi embora de carro… — A voz de Dona Rosa vinha cheia de pânico e inquietação.

— Foi embora? — O rosto de Célia se encheu de surpresa e desprezo. — Em vez de implorar pelo nosso perdão, ainda tem coragem de sair batendo porta? Ela enlouqueceu?

— Isso… isso foi um golpe grande demais pra Sra. Yara… Eu vi, ela parecia de coração partido… — Dona Rosa suspirou. — Sr. Hugo, por que o senhor não vai atrás dela? Se for agora, ainda dá tempo de alcançar.

Hugo olhou pela janela, o humor pesado, mas não se levantou.

— Não precisa.

Ele conhecia Yara bem demais. Mesmo machucada, ela não largaria o que eles tinham.

Era só um capricho no calor da raiva. Quando pensasse melhor, ela voltaria sozinha.

— Isso mesmo, ir atrás pra quê? Ela consegue viver sem o Hugo? Amanhã mesmo vai voltar de cabeça baixa pedindo desculpa!

Ela falava cada vez mais empolgada, como se já estivesse vendo Yara implorar.

— Quando voltar, não vai ser só pedir perdão e pronto. Tem que dar uma boa lição, deixar isso marcado na cabeça dela. Quer ser esposa da Família Ferraz, tem que aprender a obedecer direitinho!

— Hugo, dessa vez você não pode amolecer. É porque você sempre mimou demais que ela não sabe o seu lugar.

— Quando ela voltar, manda ir aprender a cuidar de bebê. A Sofia é delicada demais pra ficar carregando criança. Então deixa a Yara, essa inútil que nem engravida, virar empregada da casa. Pelo menos assim presta pra alguma coisa e ainda contribui com a Família Ferraz.

Dona Rosa puxou o ar com força, o coração apertado. Humilhar alguém a esse ponto… a Sra. Yara ainda ia continuar engolindo tudo em seco?

Ela não tinha certeza. Afinal, antes, ela sempre tinha aguentado…

No dia seguinte, a nevasca ainda castigava a cidade.

Um Rolls-Royce Phantom passou por cima da neve espessa e parou diante da mansão da Família Ferraz.

Yara abriu a porta do carro e desceu. Na mão, havia agora uma certidão de casamento novinha em folha.
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