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CAPÍTULO 4

Author: Tania Costa
No dia seguinte.

Escritório do presidente do Grupo FS.

Hugo jogou os documentos sobre a mesa com irritação. As unhas batiam no tampo caro de madeira vermelha.

— A Yara ainda não voltou ao trabalho?

O assistente baixou a cabeça.

— Sim, presidente. A Yara… já faz três dias que não aparece.

As sobrancelhas de Hugo se apertaram ainda mais.

Sem dinheiro nenhum, como ela tinha aguentado esses dias? Passando fome? Dormindo na rua? Ou encolhida em algum canto como um gato de rua? Só de imaginar essas cenas, o peito dele apertava.

No fim das contas, ele tinha mimado demais Yara. Foi por isso que ela tinha ficado tão teimosa, preferindo sofrer e passar necessidade a baixar a cabeça.

Hugo esfregou a testa, exausto, com um traço de concessão impotente na voz.

— Descubra onde ela está. Eu vou buscá-la.

— Hugo.

A porta do escritório foi empurrada com força. Sofia entrou apressada, a barriga de sete meses à frente, segurando um anel de diamante que brilhava.

— Eu estava passeando com as minhas amigas e vi uma mulher usando esse anel. Reconheci na hora, é a aliança da Yara! Foi você que mandou um mestre fazer sob medida, é peça única no mundo.

— Eu fui perguntar pra ela de onde tinha vindo o anel, e ela disse…

Sofia parou, o rosto constrangido.

— Ela disse… que comprou numa loja de revenda de luxo.

Hugo quebrou a caneta de luxo na mão, partindo-a ao meio.

O rosto dele ficou lívido de raiva. As veias na têmpora saltaram.

Cada palavra saiu como se fosse arrancada dos dentes.

— Yara, você é mesmo incrível!

Ele ainda estava preocupado achando que ela estava passando necessidade. E ela tinha ido vender a aliança de casamento deles pra trocar por dinheiro.

— Hugo, a culpa é minha… se não fosse por mim, você e a Yara não teriam chegado a esse ponto…

Sofia enxugou as lágrimas, o rosto cheio de dor.

— A aliança representa o amor de vocês. Ela vender a aliança… isso significa… que ela quer terminar com você?

— Terminar?

Hugo soltou um riso curto, como se tivesse ouvido a maior piada do mundo. Uma tempestade assustadora girava no fundo dos olhos.

— Ela me ama até o fundo da alma. Terminar comigo seria como tirar a vida dela, arrancar o coração. Ela não teria coragem. Isso é só birra, um joguinho pra me provocar, vendendo a aliança pra me irritar.

— Fazer birra de vez em quando, eu até passo pano. Mas herdeiro, linhagem, isso é questão de princípio. Ela não devia ser ingênua a ponto de achar que, com esse tipo de coisa, ia me ameaçar.

— Pelo visto, está na hora de dar uma lição nela. Fazer ela acordar de vez.

Península das Nuvens.

Diogo perguntou com respeito:

— Senhora, hoje a senhora está disponível? O Hotel Apex já deixou tudo pronto. A qualquer momento, podemos ir escolher o local do casamento.

— À tarde, dá. — Yara esfregou as têmporas. — Ao meio-dia, tenho um contrato pra assinar com o Sr. Pinto.

Ela tinha acompanhado esse negócio por três meses. Tudo já estava acertado, só faltava a assinatura final.

Esse também era o último projeto dela no Grupo FS. Ela queria fechar direito. E, mais importante, a comissão desse contrato chegava a dois milhões.

Era dinheiro que era dela por direito. Não ia abrir mão.

Depois de assinar, ela entraria tranquila no processo de arbitragem trabalhista e sairia de vez do Grupo FS com a indenização em mãos.

— Certo, senhora. Onde vai ser a assinatura? À tarde eu mando o carro buscá-la.

— Não precisa. Vai ser no Hotel Apex.

Ao meio-dia, Yara chegou pontualmente ao reservado do Hotel Apex.

Abriu a porta e deu de cara com duas figuras que não esperava ver, Hugo e, ao lado dele, Sofia, radiante e satisfeita.

Sofia segurava a caneta e acabava de assinar o nome no campo de assinatura do contrato.

Ela ergueu os olhos para Yara, o canto da boca curvado num sorriso de vencedora, o olhar cheio de provocação sem nenhum pudor.

— Ah, Yara, você chegou? Que chato, esqueci de te avisar. O Hugo achou que o departamento precisava de alguém ainda mais capacitado pra liderar, então eu… acabei de entrar e assumi como diretora. A partir de agora, sou sua chefe direta. Então esse contrato…

Ela ergueu o documento na mão.

— Eu assinei por você.

Sofia estava grávida de sete meses. Mesmo que continuasse trabalhando, logo entraria em licença-maternidade. E, ainda assim, tinha sido jogada no cargo de diretora justamente agora, para roubar o projeto.

Aquilo já não era implicância. Era humilhação escancarada!

A raiva subiu direto à cabeça de Yara. Ela rangeu os dentes e olhou para o responsável por aquilo.

— Hugo! Eu acompanhei esse projeto por mais de três meses. Virei noites, derramei sangue e suor. Você simplesmente entregou pra ela? Com que direito ela assina o meu contrato?

O olhar de Hugo se fixou no rosto dela, pesado. A fúria nos olhos dele era ainda maior que a dela.

Ele deu alguns passos até ficar bem na frente dela. A voz veio comprimida, como uma tempestade prestes a explodir.

— Como você teve coragem de vender a nossa aliança? Yara, no fundo do seu coração, eu existo ou não?

Yara quase riu de tão irritada.

Ela sabia que Hugo podia ser baixo, mas não imaginava que misturasse as coisas a esse ponto, sem separar o pessoal do profissional.

— Isso foi só um aviso. Da próxima vez, não deixe essa aliança sair do seu dedo. Caso contrário…

Hugo agarrou a mão dela. A força era tanta que parecia que ia esmagar os ossos. Ele forçou o anel frio de diamante de volta no dedo anelar dela. A voz saiu suave, mas era uma ameaça.

— … Não me culpe se eu te demitir.

— Yara, encare a realidade. Tudo o que você tem, a vida de esposa, a carreira, fui eu que te dei. Sem mim, você não vai ter nada… Eu não quero falar feio, mas você precisa ter noção. Para de fazer drama. Volta pra casa, aceita a criança, e o que passou eu deixo pra trás. Vou continuar te tratando bem, como antes.

O olhar dele era tão gentil quanto sempre. Mas as palavras fizeram o estômago de Yara revirar de nojo.

Aquilo era o tal amor de Hugo.

Quando ela obedecia, ele a enchia de mimos. Quando não, recolhia essas "graças" e pisava nela com ameaças e humilhação.

Ele tinha mesmo esquecido de onde tudo tinha vindo.

Três anos antes, assim que se formou, Yara tinha recebido várias ofertas de topo no mundo inteiro. Até o Grupo Nocturno, número um do setor, a convidou para ser a chefe do departamento de IA.

Mas foi por causa daquele "eu preciso de você" do Hugo que ela recusou todas as ofertas e se jogou na FS pra ajudar ele a começar do zero.

Por três anos, ela se esgotou de trabalhar, praticamente sustentou sozinha o departamento de IA da FS, abrindo caminho num mercado ferozmente competitivo.

O projeto de IA emocional que estava prestes a ser lançado tinha sido liderado por ela. Se desse certo, a FS subiria direto ao topo da indústria.

Mas sem ela, o departamento de IA, do qual a FS tanto se orgulhava, não passava de uma casca vazia.

— Demitir?

Yara riu de raiva, a ironia cortante.

— Sr. Hugo, faça questão de cumprir a palavra. Não esqueça de depositar a indenização e o dinheiro da ação trabalhista na minha conta.

— Ah, e mais uma coisa.

Yara virou a cabeça para o Sr. Pinto, que estava sentado à mesa, e sorriu de leve.

— Sr. Pinto, o senhor também viu. Foi o Sr. Hugo quem decidiu me demitir. Então aquele programa central de otimização que eu ia oferecer de bônus à sua empresa… sinto muito, não vou mais poder entregar.

Depois disso, Yara se virou e foi embora sem hesitar.

De dentro do reservado, veio o som da mão do Sr. Pinto batendo na mesa.

— Esse contrato não vai ser assinado!

Hugo ficou olhando, atônito, o contrato sendo rasgado. Depois, o olhar dele seguiu as costas de Yara, que se afastavam sem voltar atrás.

Um aperto que nunca tinha sentido antes agarrou o coração dele.

Antes, não importava o quanto brigassem. No fim, Yara sempre pensava no quadro geral. Pelo benefício dele, pelo bem da empresa, mesmo injustiçada, ela engolia tudo.

Hoje, ela também deveria ter feito isso.

Ela nunca tinha ido tão longe, sem deixar saída…

Será que, desta vez, ela realmente não voltaria mais?
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