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Capítulo 4

Author: Bagel
Eu estava com dor demais para falar.

Desabei no chão, minha visão escurecendo enquanto um líquido quente encharcava a barra do meu vestido.

Todos me olhavam com desprezo.

— Foi longe demais. A garota estava de joelhos implorando, e mesmo assim ela foi para cima dela.

— Então a chamada principessa da máfia é tão arrogante e mimada quanto dizem. Nenhuma classe.

— Que maldade. Fazer uma coisa dessas com a própria irmã.

Vincent pareceu perceber que algo estava errado. Chamou meu nome e começou a vir em minha direção.

— Evie, o que foi que…

— Ah! Meu tornozelo! — O grito de Sarah cortou suas palavras.

Ela estava em lágrimas, uma fileira de taças de champanhe derrubadas ao lado dela, a perfeita imagem de sofrimento.

No fim, Vincent voltou para perto dela. Meu pai também correu até Sarah.

— Rápido, levem-na para o hospital da família!

Uma multidão se aglomerou ao redor deles e partiu. Ao se afastar, Vincent lançou um comentário por cima do ombro.

— O chão está frio. Levante-se.

No final, ele nem sequer viu a poça de sangue debaixo de mim.

O enorme salão de baile ficou em silêncio.

Peguei o celular para chamar o médico da família, mas em vez disso recebi uma mensagem do banco.

[Todas as suas contas foram bloqueadas.]

Olhei para a mensagem, depois para "O Coração do Amor Verdadeiro" na minha mão, e ri até meu corpo tremer.

Esse tal amor não passava de uma gaiola dourada.

Eles me deram a gaiola mais magnífica, as joias mais caras.

Mas tudo o que me ofereciam era um veneno de efeito lento, corroendo-me pouco a pouco, esperando que eu rastejasse de volta como um cachorro implorando pelo antídoto.

Rasguei uma tira da minha saia, enrolei-a e pressionei com força contra o corte na parte inferior das costas.

Eu não precisava de médico. Mulheres Collins não morrem tão fácil.

Fui a uma clínica clandestina barata, daquelas que não fazem perguntas.

Bati "O Coração do Amor Verdadeiro" no balcão. Os olhos da enfermeira brilharam, e ela me deixou ficar.

Encolhi-me na cama manchada do hospital. No meu celular, a conta privada de Sarah nas redes sociais estava ao vivo.

Ela estava em um jato particular, girando um copo de uísque.

— Se minha querida irmã estivesse disposta a abaixar a cabeça, talvez Vincent jogasse uma migalha para ela.

— Afinal, não sou o tipo de Donna que não tolera uma rival.

Vincent a mimava com um jato particular, permitindo até que ela expusesse o submundo ao público.

Nesse momento, recebi uma mensagem criptografada de Antonio. Os bens dos Collins estavam sendo rapidamente transferidos para o nome de Caterina.

[Na reunião da Comissão daqui a uma semana, seu pai planeja vender suas ações por procuração. Se você comparecer, poderá recuperar todos os ativos transferidos.]

Apertei os fragmentos das pérolas da minha mãe e respondi com uma única palavra:

[Certo.]

Naquela noite, Sarah postou uma foto de uma certidão de casamento. A alta sociedade de Nova York entrou em alvoroço.

— Então a herdeira dos Collins era a outra mulher o tempo todo!

— A mãe dela humilhou Sarah e a mãe por anos, e agora a própria filha acaba como uma mulher abandonada. Bem feito.

Mas apenas três minutos depois, a publicação desapareceu misteriosamente.

Eu ainda tentava entender o que havia acontecido quando a porta frágil do meu quarto foi escancarada.

Sarah estava ali, cercada de seguranças, parecendo impecável e intocada.

— Ora, ora. — Murmurou ela, com uma voz carregada de falsa pena. — Olhe só para a toda-poderosa Principessa Collins. Reduzida a este buraco. Quase sinto pena de você.

Uma dor aguda atravessou meu abdômen, e eu me curvei, a voz trêmula.

— Me ajude… um médico…

Olhei além de Sarah para a enfermeira parada na porta. Ela apenas me encarou de volta, o rosto uma máscara de indiferença, recusando-se a se mover.

— Ninguém vai te ajudar, sua destruidora de lares patética. — Sarah zombou.

Antes que eu pudesse reagir, ela avançou e me deu um tapa forte no rosto.

O som ecoou no quarto pequeno. Minha cabeça virou para o lado, a bochecha ardendo.

O gosto metálico de sangue encheu minha boca. Agarrei minha barriga, a voz quase um sussurro.

— Eu… vou ligar para o Vincent. Ele não vai deixar você fazer isso.

Sarah jogou a cabeça para trás e riu.

— Ah, por favor. Faça isso. Ou melhor — disse ela, puxando o próprio celular — deixe que eu faça por você.

Ela discou o número dele e colocou no viva-voz. Após dois toques, Vincent atendeu.

— Vincent, querido. — Sarah arrulhou, sua voz se transformando instantaneamente em um choramingo doce e vitimizado. — Estou lidando com uma vadia ciumenta agora mesmo. Ela está tentando arruinar nosso relacionamento e dizendo coisas horríveis sobre nós.

A voz de Vincent saiu pelo alto-falante.

— Quem ousa te aborrecer? Não deixe ninguém te fazer infeliz. Seja lá quem for, dê uma boa lição.

— Importa quem seja? — Perguntou Sarah, lançando-me um olhar triunfante.

— Nem um pouco. — Respondeu Vincent.

— A família Jenkins pode lidar com qualquer coisa, Sarah. Eu limpo qualquer bagunça.

A ligação foi encerrada.

E, junto com ela, meu coração. A última centelha de esperança virou cinzas.

Ele lhe deu permissão. Deu permissão para que ela me destruísse.

— Você ouviu, minha irmã. — Disse Sarah, os olhos brilhando de crueldade. — Posso fazer o que eu quiser.

Ela agarrou um punhado do meu cabelo, puxando minha cabeça para trás. Outro tapa, mais forte desta vez, me atingiu.

Ela me bateu de novo e de novo, sua fúria e satisfação distorcendo seu rosto em uma máscara monstruosa.

— Ele é meu! — Gritou, chutando brutalmente meu lado. — Tudo o que você teve um dia agora é meu!

Encolhi-me em posição fetal, tentando desesperadamente proteger minha barriga, meu mundo se dissolvendo em uma névoa de dor e humilhação. Tudo o que eu podia fazer era rezar pelo meu bebê.

Sarah fez um gesto para os dois homens enormes que havia trazido com ela.

— Segurem-na.

— Quero que ensinem uma lição a ela, bem nessa barriga preciosa. Façam o bastardo aí dentro entender quem manda agora.

— Não! Por favor, o bebê não! — Um grito de pura agonia rasgou minha garganta.

Os homens prenderam meus braços e pernas. Eu lutei, mas estava fraca pela perda de sangue e pela queda.

O primeiro chute acertou em cheio meu abdômen.

Foi como se minhas entranhas estivessem sendo dilaceradas.

Outro chute veio em seguida, depois outro.

Lágrimas e suor embaçavam minha visão. O mundo começou a escurecer nas bordas.

Vou morrer aqui, pensei. Meu pobre bebê, vamos morrer juntos neste lugar imundo.

Senti minha força se esvair, minha consciência deslizando para longe.

Justo quando Sarah ergueu um vaso de vidro pesado para esmagá-lo sobre mim, a porta da clínica foi chutada com um estrondo ensurdecedor.

Sarah gritou quando uma mão poderosa agarrou seu pulso, interrompendo o golpe no meio do movimento. O aperto foi tão forte que seu rosto empalideceu de dor.

Uma figura alta se colocou à minha frente, me protegendo dela. Sua voz saiu baixa e carregada de intenção assassina.

— Quem te deu coragem para tocar na mãe de um herdeiro Gallo?
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