LOGINDébora ficou com os olhos pouco a pouco vermelhos, com as lágrimas se acumulando sem cair.Desde o dia em que ela tinha voltado do cemitério, era como se ela tivesse trancado todos os sentimentos. Ela não tinha mais sorrido, mas também não tinha chorado nenhuma vez.Thiago via ela daquele jeito todos os dias, e a preocupação dentro dele crescia feito trepadeira, se espalhando por todo canto.Naquele momento, a casca dura finalmente começou a rachar. Ela voltou a demonstrar alguma emoção, não era mais só aquela figura anestesiada.Thiago soltou um fio de ar, quase em alívio, e sugeriu com cuidado:— Débora, eu tô tentando arrumar um tempo pra te levar até Cidade J, pra você ver o doutor Emanuel, tudo bem? Do jeito que você tá agora, é importante um psicólogo te acompanhar de novo.Débora, no entanto, balançou a cabeça devagar. A voz dela veio embargada:— Eu não quero ir pra lugar nenhum… Não existe médico no mundo que consiga trazer a minha mãe de volta…— Na verdade… — As palavras sub
Dona Joana suspirou:— Nessas duas últimas semanas, ela quase não tem comido. Olha o estado em que ela tá… Ela já era magra, agora o rosto tá só pele e osso. Se ela continuar se acabando desse jeito, o corpo dela não vai aguentar. Até a Laís e a Rafa vieram me perguntar baixinho por que é que ela tá tão triste. Eu nem sei o que responder.Thiago assentiu, com a voz mais grave do que o normal:— Ela tá no quarto agora?— Ela chegou do trabalho, entrou direto pro quarto sem nem tirar o casaco. — Dona Joana soltou outro suspiro, o olhar cheio de impotência.Thiago não falou mais nada. Ele virou as costas e subiu a escada.Quando ele parou em frente à porta de Débora, ele respirou fundo e bateu de leve, controlando até a força dos nós dos dedos.A porta se abriu rápido. Débora estava ali, ainda com a roupa social do trabalho. Pelo jeito, desde que ela tinha chegado, ela só tinha ficado ali, parada, encarando o nada.A testa de Thiago se franziu na hora. Tinha coisa que ele quis dizer, mas
Ele ainda se lembrava perfeitamente de quando Augusto tinha sido internado e Mônica tinha roubado os arquivos do computador dele pra repassar pra ele. Depois, quando ele tinha fechado aquele contrato graças àquilo, a sensação de finalmente poder erguer a cabeça tinha sido viciante.Mais do que isso: só quando ele ficasse forte de verdade é que Mônica ia ficar satisfeita.Quando Mônica percebeu a hesitação no rosto de Jacarias, ela continuou:— Pelo nosso grande plano, a gente escondeu o que sente um pelo outro todos esses anos. Eu tô com você desde os dezesseis anos, desde o dia em que eu pisei no meio artístico. Por sua causa, a gente até perdeu um filho. A gente já pagou caro demais, só pra um dia colocar as mãos no Grupo Moretti, fazer o Grupo Lins crescer e ver você finalmente de cabeça erguida. Você esqueceu de tudo isso?— Mônica… — Os olhos de Jacarias ficaram vermelhos de emoção. Ele apertou ela com força nos braços e falou, rouco. — A gente perdeu muito mais do que um filho. S
Eu não respondi nada, mas Eduarda franziu a testa e comentou, intrigada:— Só fica a dúvida: quem será que entrou com a queixa de homicídio?Eu continuei em silêncio, porém eu sabia muito bem que aquilo tinha sido obra de Thiago.…Ao mesmo tempo, na porta do Grupo Moretti.— Deixem eu entrar! Eu quero falar com o Augusto! Ele não pode fazer isso com o meu pai! E muito menos demitir o meu irmão!Mônica, que antes entrava e saía do Grupo Moretti desfilando como se fosse dona da empresa, agora não conseguia sequer passar da guarita dos seguranças.Quando ela tentou avançar à força, o segurança empurrou ela de volta, com nojo, como se estivesse afastando lixo da porta:— Sua vadia fedorenta, você não passa de resto que o Augusto jogou fora. Ele já apresentou a esposa de verdade pro mundo inteiro, e você ainda tá aí sonhando que é mulher de presidente?— Você… Você tá tendo coragem de falar comigo desse jeito?Antes de sair de casa, Mônica tinha caprichado na maquiagem. Mas agora o rosto m
Eu assenti de leve, sem dizer nada. Eu mantive o rosto impassível e apenas comecei a caminhar em direção ao carro parado na beira da rua.Quando eu passei ao lado de Augusto, eu não cheguei nem a virar o rosto pra ele.Mas, assim que eu ia puxar a maçaneta, a voz rouca dele explodiu atrás de mim, carregada de um desespero quase histérico:— Débora!Ele veio atrás de mim às pressas, tropeçando nas próprias palavras, tentando se defender:— Não fui eu! Eu não matei a sua mãe! Isso nunca passou pela minha cabeça! Eu sei o quanto ela era importante pra você, como é que eu ia querer fazer mal pra ela? Quem perdeu a cabeça foi aquela gente da família Fonseca, o culpado disso tudo é o Pietro!Ele tinha perdido toda aquela postura fria e imponente de sempre e, na frente de todo mundo, ele se agarrava a qualquer frase, qualquer desculpa, como um náufrago.Eu não me virei. Eu respondi devagar, marcando cada sílaba:— Mas tudo isso começou por sua causa.Depois disso, eu só abri a porta e entrei
A postagem vinha acompanhada de imagens: certificados da equipe funerária, selos de qualidade, e ainda um cronograma minucioso de cada etapa da cerimônia. À primeira vista, tudo parecia impecável, pensado nos mínimos detalhes.O perfil de Augusto mal tinha sido criado e já tinha atraído centenas de milhares de seguidores, todos sedentos por mais um capítulo daquele drama.A área de comentários virou um campo de batalha.Os perfis que vinham defendendo Augusto por “ter caráter” aproveitaram o momento e ganharam ainda mais voz:[Sinceramente, dessa vez a Débora passou um pouco do ponto. Por mais que o Augusto tenha errado, ele ainda é genro. Ter ele à frente do funeral deixaria a despedida da sogra bem mais digna.] [Diante da morte, rancor devia ficar em segundo plano. O Augusto já fez muito além do que a maioria faria, e a Débora continua fazendo birra. Tá parecendo falta de coração.] [Aqui a gente tem que ser justo: se o Augusto quer assumir a responsabilidade, a Débora devia, pelo
Na manhã seguinte, assim que desci para a sala de jantar, ouvi Maria conversando com meu irmão.— Ainda bem que você estava brincando com a gente! Se uma mulher como a Mônica fosse mesmo sua namorada, eu não ia suportar!Sérgio concordou imediatamente:— Exatamente! Eu achava que os escândalos sobre
Eu abri a porta do carro para sair, mas ele segurou meu pulso com firmeza e me puxou de volta.— Por que você não quer ir ao hospital? — Ele me olhou com ainda mais desconfiança e perguntou. — E se você tiver pegado alguma doença sexual? O que vai fazer?Eu soltei uma risada sarcástica e respondi:—
Augusto parou no meio do caminho, com as sobrancelhas franzidas, e disse:— Débora, pare com esses joguinhos ridículos. Não são nada inteligentes. Se vai inventar algo, ao menos que seja uma mentira convincente!— Então vá amanhã e veja com seus próprios olhos. — Respondi, com um sorriso de leve nos
Eu agradeci de coração:— Sr. Thiago, muito obrigada por hoje. E também pela outra vez, lá no canteiro de obras. Agradeço a você e ao seu assistente.— Não foi nada. — Ele respondeu com indiferença, soltando apenas três palavras. Em seguida, virou-se para Cláudio e perguntou. — Vamos para a sua casa






