LOGINThiago soltou um riso frio enquanto caminhava em direção à cozinha:— Se tem medo de ser mal-interpretada, então é simples: da próxima vez, não venha.Eu fechei a boca sem dizer mais nada. No final das contas, quando Thiago estava de mau humor, qualquer coisa que eu dissesse acabava sendo errada.Até a hora do almoço, permaneci em silêncio.Thiago, por outro lado, parecia indiferente. Apenas de vez em quando ele colocava algo no prato da Rafaela, pedindo que ela comesse mais.Rafaela, alheia à tensão que pairava entre nós dois, de repente comentou:— Tio Thiago, eu percebi uma coisa.— O quê? — Ele perguntou, olhando para ela com um leve interesse.Rafaela sorriu com um ar travesso:— Só consigo comer comida feita por você quando a tia Débora está aqui.Minha mão, que segurava o garfo e a faca, parou no meio do movimento. Meu coração ficou uma bagunça.Eu queria esclarecer tudo, acabar de vez com esse clima estranho, mas ao mesmo tempo tinha medo. Medo de que, uma vez quebrado o silênc
No segundo seguinte, ouvi um leve riso abafado, rouco e carregado de ironia, vindo dele.Eu abri os olhos de repente e me deparei com o olhar profundo e cheio de sarcasmo de Thiago.Antes que eu pudesse reagir, Thiago estendeu a mão, puxando-me levemente para o lado, e abriu a porta da geladeira. Com um tom provocativo, ele perguntou:— O que você achou que eu ia fazer?Meu rosto esquentou imediatamente, como se estivesse em chamas. A ponta dos meus dedos formigava, e até a base do meu pescoço ficou vermelha.Antes que eu conseguisse encontrar palavras para responder, ele acrescentou com uma calma cortante, mas que atingia direto no coração:— Fica tranquila. Eu não sou do tipo que mexe com mulheres casadas.Era como se ele tivesse me jogado em uma banheira de água fervente. O constrangimento tomou conta de mim, e eu virei o rosto, incapaz de encará-lo.Nesse momento, ele ergueu a mão e deixou que seus dedos longos e ligeiramente frios roçassem minha bochecha.Eu estremeci involuntaria
Eu estava apenas tentando a sorte.Por sorte, ele estava em casa.No entanto, a empregada que veio atender à porta me disse:— Desculpe, senhora, o Sr. Thiago está ocupado com assuntos de trabalho hoje. Ele não está recebendo visitas.Forcei um sorriso e respondi com calma:— Não tem problema. Eu vou esperar aqui. Quando ele terminar, pode me chamar.A empregada suspirou, balançando a cabeça como se eu fosse alguém sem noção. Afinal, o recado do Thiago quase equivalia a um pedido direto para que eu fosse embora.Mesmo assim, eu não sei o que deu em mim, mas insisti em ficar parada na entrada da mansão, sem nem voltar para o carro.Embora a neve tivesse parado, o frio do degelo era ainda mais cortante.Eu, que tinha acabado de me recuperar de uma febre, não consegui evitar me encolher dentro do casaco. Meu nariz ficou vermelho de frio, e eu dei vários espirros seguidos.Não sei quanto tempo se passou, mas tive a sensação de que alguém estava me observando.Quando levantei os olhos, vi n
Laís finalmente suspirou aliviada e perguntou:— Então por que ela estava chorando?Augusto não soube como responder. Ele desviou o olhar e disse:— Primeiro, vamos lavar o rosto e escovar os dentes. Você está com fome? Eu finalmente consegui fazer a canja direito. Vou te servir uma tigela, que tal?— Oba! — Laís exclamou animada e, sem economizar elogios, disse. — Meu pai é o melhor de todos!Em seguida, ela olhou para Augusto e anunciou:— Papai, agora já sei lavar o rosto e me vestir sozinha! Você não precisa mais me ajudar. Eu vou sozinha!Augusto a encarou surpreso, e logo em seguida olhou para mim. Ele comentou:— Deixar você cuidar da Laís foi a decisão certa.Eu ignorei o comentário dele. Permaneci sentada no sofá, mas minha mente estava longe, presa na imagem de Thiago parado na porta mais cedo.Mesmo sabendo que entre mim e Thiago não havia nenhuma questão de certo ou errado, eu não conseguia evitar o desconforto que me consumia. Era impossível não pensar naquilo.Enquanto is
Eu desviei o rosto, e minha voz saiu fria como gelo:— Eu não quero comer. Por favor, saia da minha casa agora.A mão dele, que estava no ar segurando a colher, congelou no mesmo instante. A expectativa em seu rosto se desfez lentamente, como uma chama que se apagava.Depois de alguns segundos de silêncio, ele colocou a colher de volta na tigela e, com um tom abatido, murmurou:— Eu comecei a preparar essa canja às quatro da manhã. Errei várias vezes até acertar. Ontem à noite, fiquei acordado a noite inteira, medindo sua temperatura a cada hora, com medo de que a febre voltasse. Débora, o que eu preciso fazer para você parar de ser tão fria comigo?Eu ergui os olhos e o encarei.— É tarde demais, Augusto. Tudo o que você está fazendo agora chegou tarde demais. O que você fez comigo não pode ser consertado com uma simples canja. Você não vai me comover. Pare de perder seu tempo.Nesse momento, a campainha tocou, quebrando a tensão sufocante que pairava na sala.Augusto franziu a testa,
Eu senti uma onda de náusea, como se algo em mim rejeitasse tudo aquilo de forma instintiva. Olhei para ele e, palavra por palavra, respondi:— Augusto, você pode, por favor, parar de falar essas coisas nojentas? Nós nos conhecemos há mais de vinte anos. Estamos casados há mais de quatro. Quatro anos atrás, foi você quem segurou um anel e me pediu em casamento, dizendo que queria passar o resto da vida ao meu lado. Agora você me diz que não sabia diferenciar amor entre irmãos e amor entre um homem e uma mulher?De repente, ele segurou minha mão com força entre as dele. Seus olhos estavam fixos em mim quando ele falou:— Débora, será que você não pode me dar mais uma chance? Eu prometo que vou resolver tudo com a Mônica o mais rápido possível. Mesmo que ela tenha esse filho, eu garanto que eles nunca vão interferir na sua vida. Eu vou mandar os dois para fora do país, e eles nunca mais voltarão para atrapalhar você e a Laís. Por favor, só diga que sim. Deixe o resto comigo, eu resolvo t







