LOGINA postagem vinha acompanhada de imagens: certificados da equipe funerária, selos de qualidade, e ainda um cronograma minucioso de cada etapa da cerimônia. À primeira vista, tudo parecia impecável, pensado nos mínimos detalhes.O perfil de Augusto mal tinha sido criado e já tinha atraído centenas de milhares de seguidores, todos sedentos por mais um capítulo daquele drama.A área de comentários virou um campo de batalha.Os perfis que vinham defendendo Augusto por “ter caráter” aproveitaram o momento e ganharam ainda mais voz:[Sinceramente, dessa vez a Débora passou um pouco do ponto. Por mais que o Augusto tenha errado, ele ainda é genro. Ter ele à frente do funeral deixaria a despedida da sogra bem mais digna.] [Diante da morte, rancor devia ficar em segundo plano. O Augusto já fez muito além do que a maioria faria, e a Débora continua fazendo birra. Tá parecendo falta de coração.] [Aqui a gente tem que ser justo: se o Augusto quer assumir a responsabilidade, a Débora devia, pelo
A notícia da morte da minha mãe logo caiu na imprensa.O debate público, que já vinha pegando fogo, ganhou mais um barril de pólvora de uma vez.[O Augusto é um desgraçado! No fim das contas, ele matou a mãe da Débora!] [A verdadeira culpada é a família da Mônica! O pai e o irmão dela que assinaram o projeto do equipamento. Por que eles não denunciaram a fraude antes? Por que escolheram justo agora? Foi tudo de propósito!] [Os dois são lixo da profissão, e a Mônica então é puro veneno. Essa família inteira tinha que ser pendurada no pelourinho da vergonha!]Os xingamentos nas redes caíram como uma enxurrada em cima de Augusto e da família Fonseca. Especialmente em cima de Mônica, que quase foi afogada pelo ódio dos internautas.O episódio em que ela tinha levado um balde de fezes no hospital voltou a circular com força total, e os comentários se enchiam de frases dizendo que ela tinha merecido, que aquilo era castigo divino.Foi então que Augusto publicou uma nota oficial pelo perf
Fabiana tentou se esquivar dos golpes como podia e, no desespero, gritou para Augusto: — Augusto, você vai ficar aí me vendo apanhar e não vai fazer absolutamente nada?Mas Augusto parecia não ouvir. Ele continuava exatamente no mesmo lugar, imóvel, com o olhar cravado na porta fechada do quarto.No corredor, só restaram os berros chorosos de Fabiana e o som surdo das bengalas acertando o corpo dela.Até que ela não aguentou mais. Ela saiu praticamente se arrastando, tropeçando e caindo, e foi fugindo corredor afora. Só então aquela cena caótica começou, enfim, a se desfazer.Ninguém sabia dizer quanto tempo tinha passado quando, por fim, a porta do quarto se abriu.Daniel saiu primeiro. O rosto dele não trazia nenhum traço de alegria ou de luto exagerado, apenas aquela gravidade contida que só médico acostumado a lidar com a morte sabia ter.Todo mundo se aproximou ao mesmo tempo, num impulso. As minhas pernas vacilaram. Eu sabia que a chance era mínima, mas mesmo assim uma pontinha
Ele até tinha se virado pelo avesso pra chegar a tempo, tentando impedir aquela tragédia.Mas, no olhar de Débora, só existia um ódio cortante, gelado, como se cada desgraça que tinha caído sobre a vida dela tivesse sido obra direta das mãos dele.O olhar de Augusto acabou escapando, sem que ele quisesse, pra porta fechada do quarto. Por dentro, ele se sentia rasgado em dois.Ele já nem sabia direito pelo que estava torcendo ali dentro.Se a sogra realmente fosse trazida de volta por Daniel, então Débora, inevitavelmente, ia ficar em dívida com Thiago, e a distância entre ela e Augusto só ia aumentar. Mas, se a sogra partisse de vez, Débora jamais perdoaria ele pelo resto da vida.Foi nesse momento que uma gargalhada estridente rompeu o silêncio pesado do corredor, rasgando toda a tensão que pairava no ar.Todo mundo virou, chocado, na direção do barulho, e viu Fabiana vindo na nossa direção. Ela vestia um vestido vermelho chamativo, batendo palmas como se estivesse aplaudindo um espet
— Mãe!Eu finalmente desabei, chorando alto, sem nenhum controle.A mão dela estava fria como um bloco de gelo. Eu apertei com toda a força que eu tinha, mas, por mais que eu espreitasse, o calor não voltava mais.Augusto continuou parado onde ele estava, olhando praquela linha reta no monitor, olhando pra mim, completamente em frangalhos. Todo o sangue sumiu do rosto dele.Ele pareceu esvaziar por dentro. As pernas dele falharam, ele cambaleou alguns passos pra trás. Ele não tentou chegar mais perto, não disse mais nenhuma palavra. Ele só me lançou um último olhar, fundo, pesado.Depois, ele se virou devagar e saiu do quarto, passo após passo, como se cada um deles pesasse uma tonelada.Ali dentro, só ficou o som do meu choro e o apito contínuo, monótono, do equipamento.Todos aqueles anos de insistência, de tentativa de redenção, terminaram ali, da forma mais brutal possível.Os médicos e enfermeiros entraram em silêncio, movendo-se com cuidado. Um deles falou num tom quase sussurrad
No instante seguinte, uma sequência de passos apressados e descompassados ecoou do fim do corredor, e a porta do quarto se escancarou com um estrondo.Augusto entrou praticamente arremessado pra dentro, com o paletó jogado de qualquer jeito sobre o braço, a gravata torta, o cabelo — sempre impecável — todo bagunçado, grudado na testa suada.— Débora, como é que a sua mãe tá agora?Ele veio direto na minha direção, ofegante, com uma urgência desesperada na voz, diferente de tudo o que eu já tinha ouvido dele.Eu continuei como se ele nem estivesse ali. Eu permaneci agachada ao lado da cama, segurando a mão gelada da minha mãe e encostando devagar os dedos frios dela no meu rosto. Era o mesmo gesto de quando eu ficava doente na infância, e ela colocava a palma quente na minha testa, espantando o medo.Agora, porém, aquela mão estava dura, fria como gelo. Ela já não tinha mais como me aquecer.O olhar de Augusto foi parar no monitor cardíaco, na linha quase reta ocupando a tela. Em seguid
Eu também senti um alívio ao ver que Natália estava mais calma.— O médico já disse o que causou a alergia? — Perguntei.Natália respondeu:— Ainda estão investigando. Ele disse que só mais tarde terão o resultado.Ela suspirou, visivelmente frustrada, e continuou:— Apesar de o médico ter garantido
Eu parei de andar e, ao vislumbrar uma pequena esperança, finalmente resolvi abrir o jogo:— Na verdade, eu já sou casada. Meu marido é Augusto, o presidente do Grupo Moretti.O rosto impecavelmente sério de Thiago não demonstrou nenhuma surpresa. Ele apenas ergueu levemente o queixo, indicando que
Augusto colocou os documentos que segurava sobre a mesa, caminhou até onde eu estava e, com as sobrancelhas franzidas, perguntou:— Vocês não fizeram muitos bolos ontem à noite? Por que está fazendo mais?Eu achei que ele fosse perguntar por que eu não estava na gincana de pais e filhos com Laís.Ma
Se eu falasse na frente da Sra. Joana, ele certamente pensaria que eu estava tentando usar a influência dela para pressioná-lo. E, sinceramente, eu não queria fazer isso.Mas como eu poderia encontrar uma oportunidade para falar com ele em particular?O jantar chegou ao fim, e eu ainda não tinha enc







