LOGIN–Amanda narrandoAcordei mais tarde naquela manhã.Por alguns segundos, fiquei olhando para o teto, tentando lembrar onde eu estava.Então tudo voltou.Carlos.A discussão.A distância.Aquela sensação horrível de que meu casamento estava chegando ao fim.Virei para o lado.O quarto estava vazio.Passei a mão pelo outro lado da cama e encontrei apenas o lençol frio.Ele já tinha saído.Levantei devagar e fui até o banheiro. Depois de me arrumar, desci para a cozinha.Assim que entrei, vi um copo de café sobre a bancada.Parei por um instante.Provavelmente Carlos tinha passado por ali antes de sair.Aquilo me fez pensar nele novamente.Mas eu não queria começar meu dia daquele jeito.Peguei o copo e dei um gole no café.Foi então que ouvi risadas vindo do lado de fora.Sorrisos.Vozes femininas.Franzi a testa.Caminhei até a porta que dava para a área da piscina e olhei.Quando vi quem estava ali, acabei sorrindo.Fernanda estava na piscina.E com ela estava Priscila.As duas convers
Eu estava sentada no sofá da sala havia tanto tempo que já tinha perdido a noção das horas.A televisão estava ligada, mas eu não prestava atenção em nada do que passava.De vez em quando, eu olhava para o relógio.Depois para a porta.Depois para o celular.E nada.Carlos não mandava mensagem.Não ligava.Não dizia onde estava.Nada.Eu tentava convencer a mim mesma de que aquilo não significava nada.Ele tinha trabalho.Problemas no morro.Homens para comandar.A guerra que tinha começado com os inimigos.Eu sabia de tudo isso.Mas também sabia que havia alguma coisa diferente.Desde que eu tinha voltado da viagem, Carlos não era mais o mesmo homem que eu conhecia.Ou talvez fosse justamente esse o problema.Talvez ele ainda fosse o mesmo homem, mas agora eu estava enxergando coisas que antes eu preferia não enxergar.Olhei novamente para o relógio.Já estava tarde.— Onde você está, Carlos? — murmurei.Meu celular continuava sobre a mesa.Eu pensei em ligar.Não liguei.Eu não quer
Acordei cedo pra caralho.Nem sei que horas eram direito, mas o sol ainda nem tinha aparecido completamente quando abri os olhos.Por alguns segundos, fiquei olhando pro teto.Silêncio.A casa estava quieta.E foi aí que tudo voltou de uma vez.A noite anterior.Os tiros.Os homens caindo.O depósito.Caveiro fugindo.Dante ao meu lado.Merda.Passei a mão no rosto e me sentei na cama.Eu estava cansado, mas não conseguia dormir mais.Minha cabeça não parava.Levantei, tomei um banho rápido e desci pra cozinha.A casa continuava em silêncio.Fui até o armário, peguei café e comecei a preparar sozinho.Enquanto a água esquentava, fiquei encostado na pia, pensando.Tinha muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.Amanda.Caveiro.A guerra.E Dante.Esse último era o que mais me incomodava.Desde que ele apareceu, eu não conseguia confiar completamente naquele cara.Não era uma questão de ele ter feito alguma coisa.Pelo contrário.Dante tinha ajudado.Naquela noite, tinha lutado ao meu lad
Já era madrugada quando os carros finalmente entraram no morro.Depois de horas de tensão, Carlos só queria chegar em casa.O corpo estava cansado.A cabeça, ainda pior.A imagem dos homens que não voltariam para casa naquela noite insistia em aparecer em seus pensamentos. A batalha tinha terminado com seus homens expulsando os inimigos, mas Carlos sabia que aquilo estava longe de ser o fim.Caveiro continuava vivo.E isso significava que a guerra continuaria.O carro parou em frente à casa.Carlos desceu devagar.Dante saiu do veículo logo atrás.— Você precisa descansar — disse Dante.Carlos soltou uma risada sem humor.— Descansar virou luxo faz tempo.Dante ficou alguns segundos em silêncio.— Amanhã a gente conversa sobre o que aconteceu.Carlos assentiu.— Amanhã.Os dois apertaram as mãos.— Boa noite, chefe.— Boa noite.Carlos entrou em casa.A primeira coisa que percebeu foi que a sala estava iluminada.Fernanda estava sentada no sofá ao lado de Amanda.As duas conversavam
A estrada estava mergulhada na escuridão.Os carros avançavam lentamente, mantendo distância uns dos outros. Carlos seguia no primeiro veículo, com Dante ao lado e dois homens no banco de trás.Ninguém falava.O único som era o motor e, vez ou outra, o rádio comunicando a posição dos outros carros.Carlos mantinha os olhos fixos na estrada.O antigo depósito ficava cada vez mais perto.Era uma construção enorme, abandonada havia anos, cercada por mato alto e algumas estruturas de concreto que tinham resistido ao tempo.— Estamos chegando — avisou Dante.Carlos assentiu.— Apaga os faróis.Os veículos diminuíram ainda mais a velocidade.Um por um, os faróis foram apagados.Agora, os carros avançavam praticamente no escuro.Carlos fez um sinal para o motorista.— Para aqui.O carro parou.Os outros fizeram o mesmo.Carlos desceu.Dante veio logo atrás.— Ninguém faz barulho — ordenou Carlos.Os homens se espalharam.Durante alguns segundos, nada aconteceu.Então um dos homens que havia
O carro entrou no morro pouco depois da meia-noite.A música do pagode ainda podia ser ouvida de longe, mas a movimentação na praça já havia diminuído. Algumas pessoas começavam a ir embora, enquanto outras continuavam conversando sem imaginar o que havia acontecido alguns quilômetros abaixo.Carlos estacionou diante do galpão principal.Assim que desceu, dois homens correram até ele.— Chefe, o pessoal já está esperando.Carlos assentiu.— E o ferido?— Levaram para um lugar seguro. Tem um homem cuidando dele.— Quero saber tudo assim que ele conseguir falar.Dante desceu do carro logo atrás.Carlos entrou no galpão.O ambiente estava diferente naquela noite.As portas estavam fechadas.As janelas, cobertas.Homens armados estavam espalhados pelo local, todos esperando por alguma ordem.Caveiro tinha voltado a mexer com o morro.E dessa vez não tinha sido apenas uma ameaça.Tinha sido um aviso.Carlos caminhou até a grande mesa no centro do galpão.Sobre ela havia um mapa da região.







