LOGIN— Eu estou indo. Daqui em diante, cuide bem de si mesma e dos seus dois filhos. No próximo aniversário de morte, eu voltarei para visitar o Lucas. — Disse Isabela, inclinando-se ligeiramente para sussurrar no ouvido de Valentina. Valentina assentiu devagar. — Se for do destino, nos encontraremos novamente. Isabela soltou Valentina e virou-se para olhar para o banco do motorista, onde Marcos estava sentado. Com um gesto descontraído, ela acenou para ele. — Marcos, até mais! Marcos hesitou por um instante, mas acabou respondendo com um breve: — Se cuida. Isabela sorriu para ele antes de se dirigir ao próprio carro. Valentina desviou o olhar, abriu a porta e entrou no carro. A chuva ainda caía. Que este adeus seja definitivo, e que o restante de suas vidas siga em paz, cada um em seu caminho. ... O verão deu lugar ao outono, e o outono cedeu espaço ao inverno. A Cidade B recebeu sua primeira neve do ano. Com essa neve, chegou também o tão aguardado feriado de Natal
O cemitério de Lucas foi escolhido por Eduardo, que contratou profissionais especializados e pagou um alto valor por esse serviço. Lucas havia expressado em vida que não queria um funeral e desejava que suas cinzas fossem jogadas no rio da cidade. Mas, com a impossibilidade de realizar esse desejo devido à ausência de restos mortais, Eduardo seguiu as outras vontades de Lucas o máximo que pôde. Todos os custos do cemitério e do funeral foram arcados por Valentina. Eduardo chegou a ligar para Valentina, oferecendo-se para contribuir financeiramente, como uma demonstração de sua amizade. Depois de pensar por um momento, Valentina permitiu que ele ajudasse com uma pequena parte dos custos. Assim como ela havia dito anteriormente para Lívia, as pessoas são multifacetadas. Lucas não era apenas o pai de seus filhos; ele também tinha amigos, funcionários e outras pessoas que faziam parte de sua vida. Todos esses laços eram provas de que Lucas havia passado por este mundo. Valent
No caminho de volta, Valentina de repente disse que queria ir até a beira do rio. Marcos dirigiu até a margem e estacionou ao lado da estrada. Ele acompanhou Valentina ao atravessar a faixa de pedestres, e juntos chegaram à calçada próxima ao rio. Era o final de uma noite de verão, e uma tempestade recente havia lavado a terra. O fluxo do rio estava mais forte, turbulento, longe de sua habitual serenidade. A chuva tinha acabado de cessar, e quase ninguém estava por ali. Valentina ficou em silêncio por muito tempo, encarando o movimento das águas. Marcos permaneceu ao lado dela, quieto, respeitando o momento. Do outro lado do rio ficava a nova casa de Valentina. Bastava atravessar uma única faixa de pedestres para chegar lá. A brisa úmida da noite balançava os longos cabelos de Valentina. Ela levantou a mão para afastar algumas mechas que haviam caído sobre seu rosto. Na mente dela, as palavras de Eduardo na delegacia ecoavam: “O Lucas me disse, antes de tudo isso, que
A família Cortez conhecia profissionais especializados na escolha de cemitérios. A responsabilidade de decidir o local foi entregue ao Eduardo. A chuva havia parado, e o grupo começou a sair da delegacia. Eduardo abriu a porta do carro e olhou para Valentina antes de entrar. — Você vai participar do funeral? — Vou representar as crianças. — Respondeu Valentina, com serenidade. Eduardo apertou os lábios e assentiu. Ele entrou no carro e partiu sem dizer mais nada. Gustavo, por outro lado, estava completamente desolado. Aquele homem de mais de um metro e oitenta de altura estava agachado ao lado de um Maybach preto, chorando como uma criança. Marcos observou Gustavo, suspirou e comentou em voz baixa: — Gustavo sempre foi leal ao Lucas... Até o fim. Valentina caminhou até Gustavo. Ela abriu a bolsa, tirou um pacote de lenços e o entregou a ele. — Limpe o rosto e se recomponha. O Lucas se foi, mas o advogado ainda está aqui. Ele confiava muito em você. Agora você tem qu
— O resto das questões com a polícia eu resolvo. — Disse Isabela, olhando para Valentina com uma expressão grave. Valentina assentiu levemente com a cabeça. Eduardo, com os olhos ligeiramente avermelhados, olhou para Valentina e perguntou: — E as crianças? O que você pretende fazer? Valentina ficou em silêncio por um instante, ponderando. Depois, respondeu em voz baixa: — Por enquanto, vou esconder a verdade deles. Hoje, só de o Lucas dizer que iria para o exterior, os dois já ficaram tão abalados. Vou esperar que eles se acalmem e, em algum momento mais apropriado, eu conto. — Certo. — Respondeu Eduardo, tentando controlar as emoções, embora sua voz ainda saísse trêmula. — O Lucas me disse, antes de tudo isso, que não queria velório. Ele só me pediu que suas cinzas fossem jogadas no rio... Mas agora... O tom de Eduardo ficou ainda mais carregado. Carro destruído, corpo perdido, e nem mesmo o último desejo de Lucas poderia ser realizado. O cais abandonado ficava muito l
Marcos acompanhou Valentina até a delegacia. Do Retiro das Nuvens até a delegacia, Marcos dirigiu devagar, propositalmente reduzindo a velocidade. Ele estava esperando que Valentina dissesse algo, quebrasse aquele silêncio inquietante. Mas, até chegarem ao estacionamento, Valentina não disse uma única palavra. Sua calma era assustadora, quase irreal. Marcos desligou o carro, soltou o cinto de segurança e virou-se para ela. — Valentina, chegamos. Os cílios de Valentina tremularam levemente. Ela desatou o cinto e abriu a porta do carro. Lá fora, uma chuva fina ainda caía. Marcos pegou um guarda-chuva, saiu do carro e foi até Valentina, segurando o guarda-chuva sobre a cabeça dela. Valentina deu os primeiros passos em direção à delegacia. Assim que entrou, viu Eduardo, Gustavo e Isabela esperando. Os três já haviam terminado os depoimentos e permaneciam ali apenas para aguardar Valentina. O ambiente estava pesado, sufocante. Foi só ao cruzar a porta da delegacia que Va







