FAZER LOGIN— Eles disseram que era a única forma de encontrar o que salvaria o meu pai.
— E você encontrou?
As lágrimas escorreram de uma vez.
— Encontrei o que acabou com ele. Ele nunca foi o dono de nada. Era um nome numa lista. Uma peça. Quando deixou de servir, eles mesmos prepararam a queda. Você só... — Ela soluçou. — Você só apertou o botão que eles já tinham deixado pronto
— Aí eu aviso a Mariana. Ela decide se interrompe.Gabriel assentiu.Era assim agora. Ninguém decidia sozinho, mas ninguém decidia por todos.Era mais lento.E, pela primeira vez, parecia mais seguro.O prédio da Superintendência da Polícia Federal ficava numa avenida larga, com calçadas cinzentas e poucas árvores. Gabriel desceu do carro com Mariana às duas e cinquenta. Não olhou para trás.Helena ficou observando até ele atravessar a porta de vidro.Isadora estacionou o carro numa rua lateral, de onde se via a entrada principal e parte da fachada. Abriu o notebook isolado no colo e conectou o painel de rastreamento.O mapa da cidade estava quieto.Dois pontos antigos permaneciam marcados: o da casa do lago e o da sede da Holding.Nada novo.— Quanto tempo dura um depoimento assim? — perguntou Helena.
Helena fechou os olhos por um instante.— Isso foi imprudente.— Foi verdade. — Uma pausa. — E foi a única coisa que eu disse naquela sala que ninguém tinha escrito para mim.Ela não conseguiu responder.Do outro lado, Gabriel acrescentou:— O fragmento aberto às oito e cinquenta e dois. Conseguimos saber de que aparelho?— Não. Só do andar.— Otávio chegou às oito e quarenta. Foi o primeiro.— Isso não prova nada.— Eu sei. — A voz dele endureceu um pouco. — Só estou contando o que vi. Você me ensinou a separar.Helena apertou o telefone.— Ensinei?— Hoje de manhã. Na mesa da cozinha. Quando disse que acreditava em uma parte e não conseguia perdoar a outra. — Gabriel ficou em silêncio por um segundo. — Eu nunca tinh
Helena abriu o arquivo.O texto era quase igual ao que Mariana encontrara de madrugada. Havia a cláusula de impedimento prolongado, a substituição temporária e o nome dela como representante designada.Mas havia também um parágrafo novo, logo abaixo.Na hipótese de recusa expressa do representante designado, o exercício dos votos do bloco caberá ao conselheiro mais antigo em exercício, até a cessação do impedimento.Helena parou de respirar por um segundo.— Isadora.A perita se aproximou e leu.— Isso não estava aqui.— Não.— Tem certeza?Helena já abria a cópia preservada às seis e vinte, a versão que Mariana baixara do servidor externo, registrara e lacrara diante das duas.Colocou os documentos lado a lado.A cláusula de impe
Nenhum arquivo apagado.Só nomes, horários e pedidos que agora precisariam receber respostas.Na sala, Isadora continuava trabalhando sobre a cópia preservada.Helena se aproximou quando a perita a chamou.— Encontrei uma referência ao vazamento Rossi.Gabriel veio atrás.O documento não continha uma previsão vaga de que o pai de Beatriz cairia.Trazia uma lista de riscos.No fim, havia uma observação:Caso a operadora preserve o beneficiário secundário, manter acesso às fontes anteriores à intervenção.Helena leu outra vez.O beneficiário secundário.Caio.Eles haviam considerado a possibilidade de que ela mexesse nos registros para protegê-lo.Não significava que a tivessem obrigado.A decisão fora dela.E alguém
Helena percorreu os anexos.Havia um parecer. O mesmo número de referência que Mariana encontrara no pacote societário.Chamou a advogada.As duas compararam os documentos com a correspondência recebida por Gabriel e preservada na conta externa de seu advogado antigo.O parecer fora encaminhado dias depois do casamento.Junto dele, uma solicitação:Revisão emergencial do protocolo de representação. Adequar à nova configuração familiar.Helena leu em silêncio.Depois voltou ao documento do arquivo.— Ele não precisou prever o casamento — disse. — Precisou encontrar uma forma de usá-lo depois.Gabriel apoiou a mão no encosto da cadeira.— E ontem fez parecer que estava tudo planejado desde o começo.— Porque queria que a gente olhasse para trá
Isadora chegou pouco depois das cinco, acompanhada por uma advogada de cabelos curtos e uma pasta de couro sem nenhuma identificação de escritório.Apresentou-a como Mariana Duarte.— Ela nunca trabalhou para a Holding, para os fundos ou para sua família — disse a perita.Mariana cumprimentou os dois e foi direta:— Antes de qualquer coisa, preciso saber o que Mirante disse exatamente. Não o que vocês entenderam. As palavras.Helena repetiu a ligação enquanto Gabriel anotava os horários de que se lembrava.A advogada ouviu sem interromper.Quando Helena terminou, Mariana abriu a pasta.— Há duas coisas que precisamos separar. Uma é o que ele pode fazer contra Gabriel. Outra é o que ele quer que vocês acreditem que acontecerá depois.— A sucessão — disse Helena.— Sim. Receber uma intimação não transfere o controle de uma empresa para a esposa de ninguém. E afastamento da administração, herança e direito de voto são assuntos diferentes.Gabriel soltou o ar lentamente.Era a primeira fr







