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Cinco

Author: BRUNA
last update publish date: 2026-08-24 04:33:49

A palavra cama ecoou na mente de Helena como um trovão, reverberando em cada canto do seu ser.

Ela tentou manter a expressão impassível, mas por dentro o seu mundo parecia estar saindo dos eixos. A verdade crua e vergonhosa caiu sobre ela com o peso de uma tonelada: durante cinco anos inteiros ao lado de Caio, eles nunca haviam chegado perto de dividir uma cama. Mais do que isso... eles nunca sequer haviam se beijado de verdade. O máximo que Caio lhe dera durante meia década fora selinhos rápidos, desajeitados e frios, quase burocráticos, sempre acompanhados de justificativas nobres sobre "respeitar o tempo dela" e "esperar pelo casamento".

Que piada ridícula, ela pensou, sentindo um gosto amargo na boca.

Olhando para trás agora, livre da névoa de gratidão cega que a cegava, Helena sentia um desprezo profundo pela própria ingenuidade. Ela fora ridícula. Passara cinco anos correndo atrás de um garoto imaturo, mendigando migalhas de afeto, aceitando a frieza dele e aguentando os venenos de Beatriz, tudo porque colocara na cabeça que devia a própria vida a Caio. Ela aceitara o papel de noiva submissa e compreensiva, humilhando a própria dignidade por um homem que preferiu largar o próprio casamento para ir ao hospital segurar a mão de uma amiga que cortou o pé.

E agora, ao seu lado no banco de couro do SUV, estava um homem completamente diferente. Gabriel não pedia licença. Ele não falava em "esperar". Ele exalava uma masculinidade crua, dominante e perigosa. Em menos de trinta minutos, ele a fizera tremer com um único toque, arrancara dela um beijo feroz que fizera suas pernas fraquejarem e, com uma única palavra, deixara claro que a vida deles a partir daquela noite seria de entregas reais.

Helena virou o rosto devagar para encarar Gabriel.

Ele estava encostado no banco, observando-a sob as pálpebras entreabertas. O terno impecável, a postura de quem comandava um império e a forma como seus olhos escuros passeavam pela boca dela revelavam que ele sabia exatamente o efeito que a palavra "cama" provocara nela.

— Ficou silenciosa de repente — a voz de Gabriel veio grave, cortando o ar condicionado do carro, carregada de uma provocação sutil. — O que está se passando nessa sua cabeça estratégica, Helena?

Helena umedeceu os lábios — ainda sensíveis pelo beijo dele no cartório — e sustentou o olhar. Não deixaria que ele a visse vulnerável.

— Estava apenas pensando no quanto eu fui idiota nos últimos cinco anos — respondeu ela, com uma sinceridade fria e cortante. — Cinco anos esperando por um homem que mal me tocava, acreditando que isso era "respeito". Chega a ser cômico o quanto eu me rebaixei por causa de uma dívida do passado.

Gabriel franziu os olhos, o maxilar endurecendo perceptivelmente. A menção à falta de toque do irmão atiçou nele uma mistura perigosa de raiva de Caio e posse por Helena.

— O Caio foi um imbecil cego — disse Gabriel, a voz descendo uma oitava, tornando-se perigosamente aveludada. Ele se inclinou na direção dela, reduzindo o espaço entre os dois no banco traseiro até que Helena pudesse sentir o calor emanando do corpo dele. — Mas você não é mais a noiva virtual dele. Você é a minha esposa. E comigo, Helena... você nunca mais vai precisar mendigar atenção ou toque.

O olhar dele desceu para o terno que vestia e depois para o vestido branco dela.

— Sobre a minha cama... — continuou ele, o tom rouco fazendo os pelos do braço de Helena se arrepiarem instantaneamente — ...não pense que vou te pressionar. Eu sei a mulher que tenho ao meu lado e sei que você precisa de tempo para enterrar o fantasma desse noivado ridículo. Mas não se engane: eu te quero desde o primeiro dia em que você pisou naquela casa. E agora que você é minha, eu vou te ensinar a diferença entre um menino e um homem.

O peito de Helena subiu e desceu rápido. A eletricidade entre eles era palpável, sufocante. A ideia de dormir sob o mesmo teto que Gabriel, de ser tocada por um homem que a desejava com tamanha intensidade, despertava nela um medo fascinante e um desejo reprimido há anos.

— Você é muito confiante, Gabriel — ela murmurou, tentando manter o tom desafiador, embora a voz tenha saído um pouco mais baixa do que pretendia.

— Eu não sou confiante, Helena. Eu sou paciente — Gabriel corrigiu, dando um sorriso de lado, terrivelmente atraente. Ele estendeu a mão e passou os nós dos dedos pela bochecha dela, descendo lentamente até a linha da mandíbula. — Esperei anos por este dia. Posso esperar mais algumas noites até que você venha até mim por vontade própria. E acredite... você vai vir.

O carro começou a subir a rampa de acesso à garagem privativa do edifício mais exclusivo da cidade. As luzes subterrâneas piscaram sobre a lataria do SUV quando o veículo parou na vaga reservada da cobertura triplex de Gabriel.

O motorista saltou e abriu a porta. Gabriel saiu primeiro, estendendo a mão grande e firme para ajudar Helena a descer.

Quando os pés dela tocaram o chão de mármore do elevador privativo que levava direto ao topo do prédio, Helena olhou para a aliança de diamante negro em seu dedo. A garota ingênua e submissa que corria atrás de Caio tinha ficado para trás na chuva do cartório.

O elevador começou a subir, e a porta do apartamento de Gabriel estava prestes a se abrir — e com ela, o primeiro capítulo da sua nova, perigosa e sensual realidade.

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