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Ela Brinca com Fogo
Ela Brinca com Fogo
Author: Rúbia

Capítulo 1

Author: Rúbia
Lavínia Duarte acabara de sair do palco e seguia para o camarim quando, antes mesmo de entender o que estava acontecendo, foi puxada para um canto e prensada contra a parede.

Dedos frios pousaram em sua cintura.

O tecido fino da roupa pouco fazia para protegê-la do calor daquela mão. Bastou o primeiro contato para um arrepio correr por seu corpo.

— O que você pensa que está fazendo?

Lavínia manteve a voz firme. Não acreditava que aquele homem realmente fosse ousar alguma coisa.

Dante Vasconcelos percorreu o rosto dela com um olhar lento e descaradamente provocador. A mão em sua cintura começou a se mover sem pressa, enquanto um sorriso surgia no canto de seus lábios.

A pele de Lavínia queimava sob seus dedos.

Ela nunca tinha conhecido um homem tão atrevido.

— Ouvi dizer que você é a mulher do Dante.

Como se ainda não tivesse ido longe o bastante, a mão dele deslizou por sua cintura e parou sobre uma de suas nádegas.

O sorriso de Dante se alargou.

Lavínia estava presa entre ele e a parede, sem espaço sequer para recuar.

Àquela hora, aquela parte dos camarins estava vazia. Mesmo que gritasse, dificilmente alguém apareceria para ajudá-la.

— Se sabe disso e ainda tem coragem de pôr a mão em mim, não tem medo de que ele acabe com você?

A advertência saiu seca.

Dante Vasconcelos tinha fama de imprevisível. Quem cometesse a burrice de provocá-lo podia esquecer qualquer esperança de continuar levando uma vida tranquila.

Pelas costas, todos o chamavam de Herdeiro Louco.

O homem à sua frente ergueu uma sobrancelha, claramente entretido.

Sem o menor pudor, baixou os olhos até o decote dela. Em seguida, apertou sua nádega e a puxou para cima, colando o corpo de Lavínia ainda mais ao seu.

O calor subiu imediatamente ao rosto dela.

Seu coração disparou.

Aquele homem era maluco.

Todo mundo que frequentava o lugar sabia que Lavínia era supostamente a mulher de Dante Vasconcelos. Podiam olhar, desejar, fantasiar o quanto quisessem. Encostar nela era outra história.

Até os mais abusados recuavam assim que alguém mencionava o nome de Dante.

E aquele sujeito não parecia nem um pouco preocupado.

— Acabar comigo? Hm... Você nem sabe com quem está lidando e ainda tem coragem de sair por aí se passando pelo que não é?

Dante se inclinou até o ouvido dela.

O calor de sua respiração roçou a pele sensível, arrancando-lhe outro arrepio.

Então seu olhar caiu sobre a tatuagem junto à clavícula.

Um "D" entrelaçado a pequenas flores. Delicado, bonito e impossível de ignorar.

Dante achou a situação divertida demais.

A mulher usava o nome dele para posar de intocável e, agora, tentava ameaçá-lo com a própria reputação dele.

Em todos aqueles anos, ninguém jamais tivera a audácia de se aproveitar do nome de Dante Vasconcelos daquela maneira.

Ela realmente não tinha medo de nada.

Lavínia ficou imóvel.

Ele sabia.

Será que conhecia Dante?

— Nem me conhece e já sai por aí fingindo ser minha mulher?

Lavínia sentiu o mundo parar.

Seu corpo inteiro enrijeceu.

Por alguns segundos, não conseguiu reagir. A frase ecoou em sua cabeça até finalmente fazer sentido.

Ele era Dante.

Dante Vasconcelos.

Os dedos dele passaram de leve pela tatuagem em sua clavícula.

Lavínia ficou ainda mais tensa. Um tremor discreto percorreu seu corpo, e sua respiração perdeu o ritmo.

— Ficou com medo agora?

Dante a observava com evidente interesse.

— Então me explica por que resolveu fingir que é minha mulher. Me dê um motivo que me agrade e talvez eu deixe isso passar.

Sua voz era grave e baixa. Não havia necessidade de ameaça explícita. A tranquilidade com que falava já deixava claro que estava acostumado a ser obedecido.

Na cabeça de Lavínia, só restou um pensamento.

"Ferrou."

Ela ouvira dizer que, em Santa Bruma, não existia ninguém mais temido do que Dante Vasconcelos.

Bastava algo estar associado ao nome dele para ninguém ousar tocar.

Também descobrira que Dante passaria um tempo longe de Santa Bruma. Foi justamente por isso que criara coragem para se apresentar como mulher dele.

E, para tornar a mentira mais convincente, chegara ao extremo de tatuar a inicial do nome dele no próprio corpo.

A estratégia funcionara perfeitamente.

Ninguém desconfiara.

Nos últimos seis meses, aquela mentira a livrara de uma boa quantidade de problemas.

Só não passara pela cabeça de Lavínia que seria desmascarada justamente pelo homem cujo nome vinha usando.

— Só porque você diz que é ele, eu tenho que acreditar?

Ela tentou se desvencilhar.

Dante soltou uma risada carregada de deboche.

— Nem todo mundo tem a sua coragem.

Lavínia não teve como rebater.

Uma mulher até podia ser ousada o bastante para fingir que era a mulher de Dante Vasconcelos.

Mas que homem teria coragem de fingir ser o próprio Dante?

Ela queria sumir dali.

De preferência, naquele exato instante.

Foi quando percebeu alguém se aproximando.

Lavínia reconheceu Rafael Monteiro, dono do Lume Bar, e imediatamente lançou a ele um olhar de puro pedido de socorro.

Rafael não demonstrou a menor intenção de ajudá-la.

Parou a certa distância e abriu um sorriso divertido.

— Dante, eu sabia que você tinha vindo atrás da Lavínia. Vai levar ela com a gente? Fica um pouco por lá.

Pronto.

A última esperança de Lavínia acabou ali.

O homem diante dela era realmente Dante Vasconcelos.

— Eu não vou!

A recusa saiu antes que conseguisse pensar.

Na situação em que estava, acompanhá-lo significava aumentar drasticamente as chances de sua farsa vir abaixo de vez.

Dante passou um braço por sua cintura e a trouxe para junto de si. O sorriso em seus lábios continuava bonito, mas Lavínia não teve nenhuma dificuldade em perceber a ameaça por trás dele.

— Se você não for, como é que os outros vão continuar acreditando que é minha mulher?

Antes que pudesse responder, alguém por perto entrou na brincadeira.

— A Lavínia não vê o Dante há uns seis meses, né? O senhor mal voltou ao país e já veio direto atrás dela. Deve ter morrido de saudade.

As risadas se espalharam ao redor.

Lavínia manteve uma expressão tranquila.

Por dentro, estava à beira de um colapso.

— Uhum.

Dante lançou um olhar para a mulher rígida ao seu lado, ainda com aquele ar despreocupado.

— Pensei nela dia e noite.

Lavínia não fazia ideia do que ele pretendia. Por enquanto, decidiu seguir o jogo e observar.

Dante, no entanto, não parecia disposto a facilitar sua vida.

— E você? Sentiu quanto a minha falta?

Flertar descaradamente diante de todo mundo parecia tão natural para ele quanto respirar.

Com tantos olhos sobre os dois e, principalmente, já que Dante ainda não expusera sua mentira, Lavínia só podia agarrar aquela oportunidade e continuar sustentando o papel.

Baixou os olhos, fingindo timidez.

— Muita.

— Vem cá.

Dante estendeu a mão.

A voz saiu suave, e havia até uma ternura convincente em seu olhar.

Lavínia ergueu os olhos para ele.

Quando seus olhares se encontraram, Dante levantou discretamente uma sobrancelha.

Ninguém mais percebeu.

Ela, sim.

Aquilo era uma ameaça.

Sem escolha, colocou a mão na dele.

Dante entrelaçou os dedos aos seus e, no instante seguinte, puxou-a de surpresa.

Lavínia perdeu o equilíbrio e caiu sentada ao lado dele.

No susto, apoiou a outra mão para não cair.

Diretamente sobre a coxa de Dante.

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