LOGIN— Que bom, professor...Tatiane nem terminou a frase. Henrique a interrompeu:— Então não vamos atrapalhar o Sr. Leandro enquanto ele visita o paciente. Nós já estamos de saída.Leandro lançou um olhar de relance para Henrique antes de voltar a atenção para Tatiane.— Vá para casa. E tome cuidado no caminho.Tatiane assentiu.Henrique segurou a mão dela e a conduziu para fora do saguão sem lhe dar chance de dizer mais nada.O carro já os esperava na entrada.Assim que entraram, o veículo deixou o hospital.Durante alguns minutos, nenhum dos dois disse uma palavra. O silêncio dentro do carro era denso o bastante para denunciar o mau humor de Henrique.De rosto fechado, ele mantinha os olhos voltados para a janela.Tatiane o observou por alguns segundos.— Em que você está pensando?— Em nada.A resposta saiu seca demais para convencer alguém.— Em nada? Então por que essa cara?Henrique permaneceu em silêncio por um instante antes de se virar para ela.— Você parecia ter bastante assunt
Depois que Leandro se sentou, Roberto puxou assunto sobre trabalho.Ele realmente estava em Boston para resolver algumas questões profissionais.— E a Tati, como está? — Perguntou com naturalidade.— Está bem. Só ainda não recuperou as lembranças do passado.Leandro assentiu, como se entendesse a situação. Não pareceu especialmente surpreso.Depois do jantar, os quatro deixaram o restaurante e seguiram até o estacionamento.— Quando tivermos tempo, marcamos de novo. Na próxima, eu pago. — Disse Leandro.— Combinado. Dirija com cuidado.— Pode deixar.Antes de ir, Leandro voltou os olhos para Nadja e fez um leve aceno de cabeça.Em seguida, entrou no carro e foi embora.— Vamos voltar também. — Disse Roberto.Assim que chegaram ao apartamento, Nadja recebeu uma ligação de Tatiane.— A Noemi comentou comigo que o professor estava em Boston. Vocês chegaram a se encontrar?— Sim. Jantamos com ele hoje, junto com o Beto. Mas ele volta para Nova York amanhã.— Entendi. Pelo jeito, o professo
Natália lançou um olhar curioso para Roberto.— Desculpe. — Explicou ele. — Uns dias atrás, acabei ouvindo você falando com a Noemi ao telefone.Nadja entendeu na mesma hora.— Não tem problema. Pelo jeito, você também conhece bem a Noemi, Beto.— Sim. A gente se conhece há muitos anos. Somos bons amigos.— Entendi.Natália olhou de um para o outro, agora ainda mais intrigada.— Quem são Noemi e Leandro?Nadja explicou:— Conheci a Noemi por meio da Tatiane, e o Leandro é irmão dela.Natália estreitou os olhos e passou a encará-la sem o menor disfarce, claramente interessada demais naquela história.— E o que a Noemi pediu para você entregar ao irmão dela?Ao perceber aquele olhar, Nadja colocou um pouco de comida no prato de Natália.— Desde quando você ficou tão curiosa? Coma direito.Natália riu.— É a primeira vez que vejo você tão nervosa por causa de alguma coisa.Nadja lançou a ela um olhar de advertência.— Está querendo apanhar, é?Natália imediatamente baixou a cabeça e enfio
Depois do almoço, Leandro levou Nadja de volta ao apartamento que ela havia alugado.Os dois se despediram, e ele foi embora.Nadja permaneceu ali por alguns instantes, acompanhando o carro com os olhos até vê-lo desaparecer ao longe. Só então entrou no prédio.Assim que chegou ao apartamento, recebeu uma ligação de Noemi.— Nadja, você ainda não entregou aquilo?Se demorasse mais, Noemi já começava a ficar preocupada com a possibilidade de os bolinhos estragarem.— Entreguei hoje. E ainda comi metade de um dos bolinhos de arroz que a Ceci fez.Noemi riu.— E estava bom?— Estava, sim.— Ainda bem. Mas me conta: depois que você entregou, meu irmão foi embora?Era isso que ela realmente queria saber.Nadja explicou:— Seu irmão me convidou para almoçar. Depois ele tinha outros compromissos à tarde, então foi embora. Acabou de me deixar aqui.— Isso é ótimo. Quer dizer que ele não está evitando você. Você não conhece meu irmão... Quando ele realmente não gosta de alguém ou não vai com a
Leandro cortou um dos bolinhos de arroz ao meio e ofereceu uma parte a Nadja. Por dentro, havia fatias finas de carne bovina e ovo.Ela experimentou.Ainda estava bom. O sabor não era nada extraordinário, mas comida feita pelas mãos de uma criança parecia ganhar um valor especial.— Como você e a Noemi se conheceram? — Leandro perguntou de repente.Nadja hesitou por um instante antes de erguer os olhos para ele.— Foi num jantar que a Tati organizou outro dia.Leandro assentiu, sem insistir no assunto.Nadja o observou discretamente.Não sabia se ele poderia interpretar sua aproximação com Noemi como algo proposital. Mas, lembrando-se do que Tatiane lhe dissera, percebeu que não adiantava se consumir com aquilo.Leandro não era ingênuo.O que ela precisava fazer era manter a cabeça no lugar e lidar com a situação com naturalidade.Esse pensamento a ajudou a relaxar um pouco.— Ainda vai ficar muito tempo por aqui a trabalho?— Uns três dias, mais ou menos. Depois preciso voltar para No
No quarto dia em Boston, já recuperados da viagem, Roberto acompanhou Natália à universidade para mais uma etapa do processo seletivo.Na véspera, Nadja estava prestes a entrar em contato com Leandro quando, para sua surpresa, ele falou com ela primeiro.— Noemi disse que você tinha algo para me entregar?— Sim. Quando o senhor teria um tempo?— Amanhã. Por acaso, estou livre. Vou mandar o endereço para você.— Está bem.Assim que a ligação terminou, Nadja percebeu o quanto estava nervosa.Respirou fundo algumas vezes, tentando conter a ansiedade.Aquela talvez fosse a melhor oportunidade que teria.Mesmo que tudo desse errado no fim, pelo menos não carregaria o arrependimento de nunca ter tentado.Por isso, na manhã seguinte, não acompanhou Natália à universidade.Saiu cedo e foi até o endereço que Leandro havia enviado. Tratava-se de uma cafeteria.Nadja escolheu uma mesa junto à janela e ficou observando o movimento da calçada através do vidro enquanto esperava.Cerca de dez minutos







