LOGINLourenço sustentou o olhar de Leandro, fitando os olhos escuros e profundos por trás das lentes. Sua voz continuou serena, quase indiferente.— Não precisa me tratar como inimigo, Leandro. Nós não somos adversários. Deixei Tatiane aos cuidados de pessoas da minha confiança, então ela não corre perigo. Henrique levou alguém que estava comigo, e eu levei Tatiane. Acho uma troca bem justa, não acha?Leandro não demonstrou qualquer reação.— O que existe entre vocês não me interessa. Só espero que o chefe da família Ramos seja realmente capaz de garantir que Tati saia dessa ilesa.Um leve sorriso curvou os lábios de Lourenço.— Com toda essa dedicação, seria uma pena se seus sentimentos fossem desperdiçados. Já que não confia em mim, pode ir cuidar dela pessoalmente. Afinal, ela está grávida. Também não quero que nada aconteça com ela. Isso não me traria vantagem nenhuma.Fez uma pequena pausa antes de acrescentar, como quem comentava algo sem importância:— Mas, pelo visto, Henrique ainda
Felipe franziu a testa.— Pode ir. — Henrique disse sem demonstrar qualquer emoção.Felipe, porém, continuou parado.Henrique ergueu os olhos.— Tem mais alguma coisa?— É melhor você garantir mesmo que a Tati esteja segura.Depois de dizer isso, Felipe se virou e seguiu em direção à porta.Já estava prestes a sair quando Henrique acrescentou:— E avisa o Leandro também. Antes de decidir se vai cooperar com o Lourenço, é melhor ele pensar muito bem nas consequências.Felipe parou e olhou por cima do ombro.— Ele não é tão fácil de manipular.Henrique desviou o olhar e não respondeu.Felipe deixou o escritório, entrou no carro e voltou para a mansão da família Oliveira.Assim que chegou, Marcos e Mônica vieram ao seu encontro.Mônica foi a primeira a perguntar, aflita:— E a Tati? Onde ela está?Felipe tentou tranquilizá-la.— Tia Mônica, a Tati está segura. Não vai acontecer nada com ela.Marcos interveio imediatamente:— Então onde ela está?Felipe não viu motivo para esconder.— Com
— Eu sei andar sozinha.Tatiane respondeu com frieza. Lançou um último olhar para Lourenço, levantou-se e seguiu até a porta.Assim que ela saiu, o assistente entrou às pressas, segurando um celular que não parava de vibrar.— Senhor, é o Sr. Henrique.Lourenço pegou o celular, atendeu e o levou ao ouvido.— Alô.Do outro lado da linha, a voz de Henrique soou baixa e cortante.— Lourenço, é melhor mandar a Tatiane de volta antes do fim da noite.Lourenço soltou uma risada curta.— Claro. Você me entrega quem eu quero, e eu devolvo quem você quer.— Pelo visto, você está mesmo obcecado por ela.— O que é meu não tem motivo nenhum para acabar nas mãos de outra pessoa.A voz de Henrique ganhou um tom ainda mais ameaçador.— Se acontecer qualquer coisa com ela, por menor que seja, não espere que eu tenha consideração por você.Lourenço ouviu em silêncio, batendo os dedos devagar no braço da poltrona.— Engraçado. A mulher que você desprezava tanto no passado acabou se tornando justamente o
Tatiane entrou no carro e deixou a mansão.Naquela manhã, já havia avisado Henrique de que voltaria para a casa da família Oliveira e pedido que ele mandasse alguém buscar Bia na escola à tarde. Ao saber para onde ela iria, Henrique não fez nenhuma pergunta.No caminho, Mônica ligou para ela.Quando o carro se aproximava da avenida que dava acesso às mansões do Jardim das Colinas, um veículo preto surgiu de repente e atravessou a pista, bloqueando a passagem.O motorista freou com força.Por reflexo, Tatiane protegeu a barriga com a mão. Seu corpo foi projetado para a frente, mas o cinto de segurança a conteve a tempo.— Senhora, está tudo bem?— Estou. Não foi nada.Ela mal terminou de responder quando viu um homem corpulento descer do carro à frente.Devia ter quase dois metros de altura. Enorme, largo e musculoso, avançava na direção deles com uma presença intimidadora.Tatiane sentiu o peito se apertar.O homem foi direto até a porta traseira e bateu no vidro.Mesmo protegida dentr
Natália observava Roberto com os olhos brilhando, dividida entre o nervosismo e a expectativa de quem aguardava, ansiosa, a reação da pessoa por quem estava apaixonada.Roberto terminou de mastigar e assentiu, satisfeito.— Está muito bom mesmo. Doce na medida certa, sem ficar enjoativo.O rosto de Natália se abriu num sorriso.Depois de terminar o pedaço de bolo que tinha nas mãos, Roberto tornou a olhar para ela.— Fazer uns doces de vez em quando, quando tiver um tempinho, também pode ser uma boa.Natália assentiu.Roberto bateu de leve no lugar ao lado dele.— Não precisa ficar em pé. Senta aqui.Ela se sentou. Até queria chegar um pouco mais perto, mas, no fim, deixou discretamente um pequeno espaço entre os dois.— Seus olhos têm incomodado ultimamente? — Ele perguntou.— Não. Na verdade, acho que estou até enxergando melhor. Por isso, parei de usar os óculos.Sua visão não tinha nenhum problema. Antes, usava os óculos apenas para proteger os olhos.— Amanhã eu te levo para fazer
Quando Henrique voltou com o copo de água, Tatiane já estava recostada no sofá e havia ajeitado a roupa.Ela ergueu os olhos, pegou o copo da mão dele e tomou um gole.Henrique se sentou ao seu lado.— Está sentindo alguma coisa na barriga?— Já passou.— Mesmo assim, acho melhor chamar o médico para dar uma olhada. Só por precaução.— Não precisa. Eu estou bem mesmo.Henrique ficou alguns segundos observando-a em silêncio.Sob aquele olhar atento demais, Tatiane sentiu o peito apertar.— Por que está me olhando assim?— Você parece nervosa.Os dedos dela se fecharam com um pouco mais de força ao redor do copo.— E por que eu estaria nervosa?Um leve sorriso surgiu nos lábios de Henrique.— Quer mais água?Tatiane desviou o olhar e terminou de beber o que restava.Não conseguia saber se Henrique já havia começado a desconfiar de alguma coisa.Respirou fundo, tentando se acalmar."Se ele descobrir, descobriu. De qualquer forma, não vou conseguir esconder isso para sempre."Henrique pego







