Mag-log inAo ouvir a tia, Tatiane também ficou surpresa. Não fazia ideia de por que ela havia pensado aquilo.Cristiano, por sua vez, tampouco esperava que a tia achasse que Bia era filha de Tati com Leandro.Ele estava prestes a explicar quando, ao erguer os olhos sem querer, viu Henrique parado no alto da escadaria.A expressão do homem estava péssima.A mulher de meia-idade não se demorou conversando com eles. Apressada, disse:— O médico já vai encerrar o expediente. Depois a gente conversa. Minha garganta está incomodando demais. Vou procurar um médico para ver se pego algum remédio.— Está bem. — Respondeu Tatiane.Cristiano entregou a chave do carro a Tatiane e, em seguida, acompanhou a tia para dentro.Enquanto caminhavam em direção ao ambulatório, a mulher finalmente percebeu o homem que continuava parado na escadaria.No instante em que o viu, levou um susto.Sem saber por quê, sentiu uma culpa estranha apertar seu peito. Apressada, baixou a cabeça e entrou quase correndo, passando por
Naquele dia, ela realmente não tinha medido a força.Ao se lembrar da expressão de Henrique na ocasião, Tatiane não pôde deixar de pensar que, além de ter exposto o relacionamento dele com Karine, ainda o havia ferido. Com aquele temperamento vingativo, de quem jamais deixava uma afronta passar em branco, ela tinha certeza de que ele revidaria.Mas, até então, Henrique não tinha feito nenhum movimento. Vinícius também não recebera nenhuma ligação.É claro que Tatiane não acreditava nem por um segundo que ele fosse engolir aquela humilhação e fingir que nada havia acontecido.Ela estava prestes a levar Bia embora quando Henrique se aproximou e disse:— Primeiro, vamos levar a Bia ao hospital.Tatiane se assustou e olhou imediatamente para a menina.Bia ergueu os olhos para ela e explicou:— Eu comecei a tossir de repente hoje. Papai disse que ia me levar ao hospital para dar uma olhada.Tatiane levantou os olhos para Henrique. No fim, não disse nada.Virou-se para Leandro e falou:— Ent
Henrique ficou mais um tempo na mansão, fazendo companhia a Felipe.Quando se preparava para ir embora, chamou a empregada à parte e recomendou:— Fique de olho no Felipe. Não deixe ele beber.A mulher assentiu na mesma hora.— Pode deixar. Eu sei.Henrique ainda conversou mais um pouco com Felipe antes de finalmente deixar a mansão.Entrou no carro e seguiu de volta para a casa da família Barbosa.Pelas ruas movimentadas, a cidade parecia mais iluminada do que de costume. Lanternas decorativas, arranjos de flores e luzes penduradas nas vitrines davam às avenidas um clima acolhedor, quase festivo.O carro parou no cruzamento, diante do sinal vermelho.Foi então que Henrique avistou, quase de imediato, duas figuras em meio à multidão que atravessava a faixa de pedestres.Tatiane usava um sobretudo cáqui de corte simples sobre um vestido branco comprido. O vento frio levantava seus cabelos, revelando o perfil delicado do rosto. Com um copo de milk tea na mão, ela virou ligeiramente a cab
Henrique chegou ao hospital carregando uma marmita térmica para visitar Felipe.Ao vê-lo entrar, Felipe perguntou:— O que você está fazendo aqui?Então notou o ferimento no lado esquerdo do rosto de Henrique. Um leve espanto passou por seus olhos.— O que aconteceu com o seu rosto?Henrique se aproximou sem responder. Apenas colocou a marmita térmica sobre a mesinha de cabeceira.— Está se sentindo melhor?— Bem melhor.— Você ainda não comeu, não é? Coma primeiro.Felipe olhou para fora da janela. Seu olhar estava sem brilho.— Estou sem apetite. Não quero comer.Henrique baixou os olhos para ele.— O que foi? Tem alguma coisa te incomodando?Eliane havia ligado para Henrique, dizendo que Felipe, de repente, parara de atender suas chamadas. Henrique também tentou ligar, mas não conseguiu falar com ele.Depois de acionar algumas pessoas e procurar por todos os lados, acabou descobrindo com quem Felipe tinha combinado de jantar naquela noite. Foi por essa pessoa que soube que Felipe ti
Um Bentley parou devagar no estacionamento.Felipe abriu a porta, desceu do carro e caminhou em direção ao restaurante. Ao se aproximar, também viu Mônica e Marcos parados na entrada.Não deu muita importância.Passou direto pelos dois e entrou.Marcos estava recebendo os parentes mais velhos. Com tanta gente indo e vindo, nem chegou a notar Felipe.— Marcos, você não vai pegar as coisas da mão do tio?A voz de Mônica soou em tom de repreensão.Felipe, que já havia entrado no salão, parou de repente.Naquele instante, foi como se uma mão invisível apertasse seus nervos com força. Seus pés pareciam cheios de chumbo, presos ao chão, incapazes de se mover.As vozes atrás dele se aproximavam cada vez mais.Devagar, ele virou o corpo de lado.Seu olhar caiu sobre Marcos.Vinte anos tinham se passado. O pai jovem de sua memória já estava envelhecido. Havia rugas em seu rosto, seu corpo estava mais cheio, e ele já não tinha a mesma aparência de antes.Mas, no instante em que Marcos sorriu, Fe
Henrique continuou parado no mesmo lugar.Seus olhos escuros e pesados permaneceram cravados nas costas da mulher que se afastava. A pressão ao redor dele era tão densa que chegava a assustar.No caminho de volta, Tatiane recebeu uma ligação de Leandro.Mesmo sendo feriado, todos ali eram ocupados demais, sempre presos ao trabalho. Ele também só tinha encerrado o expediente naquele momento e acabara de ver a notícia.Foi assim que Tatiane soube o que havia acontecido na internet naquela tarde.A reação do lado de Henrique tinha sido rápida, rápida demais. Aquilo também lhe mostrou, de perto, o alcance dos métodos e do capital daquele homem. Em pouquíssimo tempo, ele tinha conseguido apagar qualquer vestígio que o envolvesse.Mas, afinal... Quem queria espalhar aquela história para todo mundo?— O Henrique não foi atrás de você para tirar satisfação, foi?Já completamente calma, Tatiane respondeu:— Não.— Ainda bem. Mas, Tati, por que você fez isso de repente?Tatiane respirou fundo.—







