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Capítulo 4

Penulis: Yanira Fey
— O relatório de análise financeira da Atlas Brasil precisa estar pronto antes do fim do expediente da manhã.

Tatiane voltou para a sua mesa.

Embora tivesse sido rebaixada para um cargo irrelevante no departamento administrativo, Floriana continuava a lhe atribuir uma quantidade enorme de tarefas, muitas das quais sequer faziam parte de suas responsabilidades.

E Tatiane aceitava todas.

Ela permanecia ali, trabalhando sem reclamar, não por esperança.

Era apenas autoengano.

Henrique não olharia para ela nem mais uma vez.

Depois de concluir a análise do relatório, Tatiane entregou a Floriana tanto a versão digital quanto a impressa.

Em seguida, pediu comida por aplicativo.

A empresa tinha refeitório, mas Tatiane sempre levava sua própria marmita. Não gostava de lugares cheios. Não gostava dos olhares curiosos sobre o seu corpo. Não gostava de conversas forçadas.

Queria apenas ficar sozinha, em silêncio.

Naquela manhã, porém, não havia preparado nada, então improvisou com um pedido de delivery.

Enquanto aguardava, alguns colegas retornaram do almoço, conversando animadamente pelo corredor.

— A namorada do Sr. Henrique é tão jovem… Deve ser universitária, né?

— Com certeza. Linda demais. Parece uma boneca.

— O jeito como o presidente olha pra ela… Dá até pra ver a ternura escorrendo nos olhos. Nunca imaginei que alguém tão sério pudesse ser tão carinhoso. É tipo CEO mandão com esposa mimada da vida real.

As vozes foram se aproximando até entrarem no escritório.

Só então notaram Tatiane sentada em sua mesa.

Imóvel.

Silenciosa.

Quase como uma estátua.

Desde que fora transferida para aquele setor, ela só falava quando o trabalho exigia. Agora, estava ainda mais isolada.

Passava os dias de máscara, como se tivesse algo a esconder.

Era difícil acreditar que, apenas meio ano antes, aquela mesma mulher fora a poderosa assistente executiva do presidente.

O celular de Tatiane vibrou.

Era o entregador.

Ela se levantou e saiu para buscar a comida.

Quando chegou ao térreo, acabou esbarrando em dois funcionários do hotel, que carregavam bandejas de comida e perguntavam algo à recepção.

A recepcionista passou o cartão do elevador exclusivo do presidente.

Tatiane viu claramente a garrafa de vinho tinto nas mãos de um deles.

Uma única garrafa que custava cerca de dois milhões.

Dois milhões.

Para Henrique, aquilo não era mais do que o dinheiro de menos de um minuto.

Tatiane segurou firme sua marmita simples, com arroz, feijão e carne de porco, e entrou no elevador comum.

Às duas da tarde, Floriana apareceu em sua mesa.

— O presidente quer falar com você.

Tatiane se sobressaltou.

Um pressentimento ruim subiu-lhe do peito.

E, como esperado, assim que entrou no escritório do presidente, uma pressão sufocante tomou conta do ambiente.

Tatiane caminhou até a mesa e chamou em voz baixa:

— Sr. Henrique.

Quando ele levantou os olhos, o rosto bonito estava sombrio, carregado de frieza.

Sem aviso, ele lançou o arquivo que tinha nas mãos diretamente contra ela.

— Isso é o relatório que você fez?

As folhas de papel A4 cortaram o ar e rasparam o rosto de Tatiane.

Uma dor aguda atravessou sua face.

Os documentos caíram espalhados aos seus pés.

Era exatamente o relatório que ela entregara pela manhã.

Instintivamente, Tatiane apoiou uma das mãos na barriga e se abaixou com dificuldade para recolher os papéis.

Os olhos negros de Henrique a observavam friamente, acompanhando cada movimento lento e pesado.

Tatiane examinou o relatório com atenção.

Bastou um olhar para perceber vários números incorretos.

— Sr. Henrique, esse não é o relatório que eu fiz. — Explicou, tentando manter a calma.

— Chega. — Interrompeu ele, impaciente. — Não quero ouvir suas desculpas.

Tatiane apertou os papéis com força entre os dedos.

Henrique não ignorava a competência de Tatiane. Sabia muito bem do que ela era capaz.

Não era que não quisesse ouvir sua explicação.

Ele simplesmente aceitava, de forma tácita, que ela fosse injustiçada.

Ser desprezada a esse ponto pelo homem que ela amara profundamente era, ao mesmo tempo, trágico e ridículo.

Tatiane puxou o ar devagar.

Fechou os olhos por um breve instante.

Quando voltou a abri-los, reuniu toda a coragem que ainda lhe restava.

— Eu tenho um backup do relatório. — Disse, com firmeza contida. — Posso enviá-lo agora mesmo para o senhor conferir. Depois disso, se ainda quiser me repreender, eu aceito.

Os olhos negros de Henrique se estreitaram.

O incômodo era evidente.

Tatiane sentia os nervos à flor da pele.

No fundo, ela sempre tivera medo dele. Um medo quase instintivo diante da autoridade, especialmente quando ele assumia aquela expressão fria.

Normalmente, ela não ousaria contestar uma única palavra.

Mas agora, obrigava-se a manter a calma.

De qualquer forma, o divórcio estava próximo.

Em breve, sairia dali de vez.

Nunca mais pisaria naquele lugar.

Nunca mais esperaria nada dele.

Então, do que exatamente ela tinha medo?

— Você acha que está sendo injustiçada? — Perguntou ele, com a voz afiada como lâmina, carregada de sarcasmo.

Tatiane sustentou o olhar frio e perspicaz.

As pontas dos dedos cravaram-se com força na palma da mão.

— O senhor me acusa sem sequer apurar os fatos. — Respondeu, com a voz firme. — Eu não tenho o direito de me defender?

O rosto de Henrique escureceu por completo.

— Se isso aconteceu com você. — Disse ele, gelado. — É porque mereceu.

O coração de Tatiane foi atravessado por uma dor violenta.

O sangue pareceu desaparecer de seu rosto num instante.

Foi então que a porta da sala de descanso se abriu.

Uma jovem saiu de lá.

Vestia uma camisola de seda rosa, de alças finas. Os cabelos longos, negros e brilhantes caíam soltos. A pele parecia emitir luz.

Os traços delicados eram tão perfeitos que era impossível desviar o olhar.

— Rick.

A voz dela era suave e quente, como uma brisa de primavera.

Só então Tatiane conseguiu ver claramente o rosto da garota.

Ela era realmente linda.

De um tipo de beleza que fazia qualquer outra pessoa se sentir insignificante.

Tatiane mal teve tempo de desviar o olhar.

— Saia daqui. — Rugiu Henrique.

Tatiane conteve o turbilhão de emoções que subia do peito, virou-se e saiu do escritório.

Assim que atravessou a porta, ouviu a voz gentil da garota tentando acalmá-lo.

E, muito rapidamente, o tom de Henrique voltou ao normal.

Tatiane ergueu levemente o queixo e forçou as lágrimas de volta.

Ela foi até uma escada pouco movimentada.

Apoiou uma das mãos no corrimão e, ali, longe de qualquer olhar, a emoção finalmente se rompeu.

As lágrimas caíam em silêncio, uma após a outra.

O coração doía tanto que o estômago se revirava.

Arrancar do peito um homem que ela amara por oito anos não era diferente de arrancar algo à força de dentro de si.

Mas tudo bem.

Tudo ficaria bem.

Ela iria esquecê-lo por completo.

Não sabia quanto tempo se passou até conseguir se acalmar.

Quando voltou a subir em direção à sua mesa, deparou-se de frente com a garota.

Ela vestia roupas de grife sob medida, da cabeça aos pés, impecável em cada detalhe.

Era evidente.

Uma jovem criada com dinheiro, cuidado e amor.

Pedro, o assistente especial de Henrique, a acompanhava pessoalmente.

Ao ver Tatiane, a garota sorriu e caminhou até ela.

Parou à sua frente e falou com doçura:

— Já está tudo bem. O Rick não vai mais te culpar.

Enquanto falava, tirou algo da bolsa.

Era uma pérola.

Ela segurou a mão de Tatiane e colocou a pérola em sua palma.

— Isso é pra você. Não fique triste. — Disse com suavidade. — Cuide do machucado no rosto, tá? Cicatriz no rosto de uma garota não fica bonito.

Que garota gentil.

Tão bonita.

Tão luminosa.

Comparada àquela jovem cheia de vida, Tatiane parecia apenas um palhaço vivendo na sombra.

Ao ver que Tatiane não reagia, Pedro franziu o cenho e falou em tom ríspido:

— Ainda não vai agradecer a Srta. Karine?

Então esse era o nome dela.

Karine Rodrigues retirou a mão com naturalidade.

— Não tem problema. Vamos.

Os dois se afastaram.

Tatiane permaneceu parada.

Na palma da mão, a pérola australiana de tom azul-prateado brilhava.

Perfeita.

Sem defeitos.

Pura, como a própria garota.

Só não sabia se Karine tinha conhecimento de que Henrique era um homem casado.

De volta à sua mesa, Tatiane imprimiu novamente o relatório original e levou até Floriana.

Floriana olhou para ela.

Não havia o menor sinal de culpa em seu rosto.

Apenas satisfação.

— Agora você viu, né? — Disse com escárnio. — Esse é o tipo de mulher que combina com o presidente.

Tatiane largou os documentos com força sobre a mesa dela.

— Então eu não sirvo. Você também não. — O olhar era frio e direto. — Usar truques baratos como esses só mostra o nível em que você está. Com essa mentalidade, você não vai chegar a lugar nenhum. Já passou dos trinta… Melhor arrumar alguém para se casar logo e parar de sonhar acordada.
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