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Essa é a nossa história, um amor unilateral.

Penulis: Sandra Rummer
last update Tanggal publikasi: 2024-11-14 02:17:16

Essa é a nossa história, um amor unilateral. Eu me pego me lembrando em como os nossos caminhos se cruzaram...

Três meses atrás...

Conheci Rashid em um dia chuvoso, uma época difícil da minha vida. Meu irmão tinha acabado de falecer e eu já morava há dois meses em um albergue para mulheres. Local horrível. Havia um banheiro que eu dividia com mais nove pessoas, mas isso nem era o pior. Como se não bastasse tudo isso, eu ainda tinha uma tremenda dívida com o hospital que tratou do meu irmão.

Nesse dia eu dancei como um robô, naquela noite eu fiz o meu papel de odalisca. Diverti os presentes, mas eu não via a hora de sair daquele lugar, queria chorar em algum canto.

Quando terminei o meu trabalho me troquei rapidamente. Eu não tinha predileção por roupas caras nem nada disso. Eu nem sabia o que estava na moda, me vestia de forma desleixada. Agora no papel de odalisca eu sempre passei outra imagem, a de uma mulher linda e exuberante, que sempre chamava a atenção do seu público.

Neste dia eu me lembro de ter vestido uma calça jeans escura, uma camiseta preta e uma jaqueta de couro. Tudo era presente de uma garota que trabalhava no administrativo do restaurante, ela tinha engordado depois da gravidez.

Eu estava no ponto de ônibus com os olhos e o nariz vermelhos, depois de chorar muito no banheiro do restaurante minutos antes, foi quando surgiram três rapazes. Eles sorriram de forma jocosa um para o outro quando me viram.

—Olha aí a odalisca. —Um deles fala para os outros.

Eu desvio os meus olhos dos dele e fecho a cara, ainda que continuasse atenta a todos os passos deles.

O que tinha conversado comigo deu um passo em minha direção dizendo:

—Anjo, quanto você cobra por um programa?

Ah como odeio tipos como ele!

—Eu não faço programas! —Digo cuspindo as palavras. 

Ele ri e olha para os amigos.

 — Não faz ou pensa que eu não posso pagar? Fala anjo!

—Eu não sou o seu anjo. Só se for anjo do mau.

—Eu posso pagar o quanto você quiser. Qual é o seu valor? —Ele diz já se colocando na minha frente.

—Me deixe em paz. Some! Já disse que eu não faço programa.

Ele me agarra. Eu grito e luto e quando os seus braços me cercaram entro em pânico. Agora eu tenho um criminoso com as mãos nas minhas costas e a outra em torno da minha garganta.

Isso é uma loucura. Ele é imundo!

Eu fecho os olhos e grito. Os rapazes que o acompanham pedem para que ele me deixe ir, mas ele não os ouve. Naquele exato momento eu ouço a brecada de um carro, o som dos pneus rangendo no chão. Logo desce alguns homens e o afastam de mim enquanto os outros rapazes correm.

Um homem usando um terno negro desce de outro carro. Seus olhos são os mais lindos que eu já vi na minha vida. Negros e grandes. Ele tem os traços do meu povo. 

Tento manter a calma e o meu estado de normalidade, mas eu então, vejo que um de seus homens tinha empunhando uma arma. Ele aponta para o peito do rapaz.

Eu não quero surtar na frente desse homem, mas está cada vez mais difícil me manter equilibrada. Eles parecem mafiosos. Sinto como se um grande bandido dominasse outro.

—Revistem ele. Vejam se ele está armado. —O som da voz do Adonis, que possivelmente é um homem muito importante quebra o silêncio.

Eles efetuam a revista como ordenado.

—Não chefe, ele está limpo.

Um dos homens dele retira a carteira do bolso de trás da calça do idiota que me atacou e entrega o documento para ele.

—Adam Leah! — Ele diz com a identificação do cara nas mãos. —Se você tocar novamente nesta mulher eu vou te caçar e te castrar. Até no inferno eu sou capaz de acha-lo seu animal, agora você vai sumir da minha frente, antes que eu quebre a sua cara.

Ele coloca a identificação do homem na carteira e a arremessa para que ele pegue no ar, o que o homem faz e logo em seguida corre apavorado.

Ofegando eu o encaro.

— Você está bem? — Ele pergunta e dá um passo à frente.

Não. Não estou...

— Sim, eu estou bem.

Allah! Seu cheiro é maravilhoso.

Ele me olha atentamente, mas não posso culpá-lo já que eu tremo como vara verde.

— Você não me parece bem. Qual é o seu nome?

—Khadija.

—Khadija. —Ele diz, saboreando meu nome. —Você é libanesa?

—Meus avós eram.

Ele ri. É um som profundo e viril, que faz o meu estômago dar cambalhotas.

—Posso te levar para casa?

—Não precisa, mas obrigada. Meu ônibus passa daqui a pouco.

—Já é bem tarde. Você está voltando do trabalho?

—Sim, eu trabalho aqui perto, no Sultan. É um restaurante.

Ele me olha como se nunca tivesse ouvido falar do local. Não é para menos, a julgar pelas suas roupas, ele deve frequentar outro tipo de restaurante, muito mais sofisticados.

—Eu insisto.

Neste momento eu vejo o meu ônibus passar.

—Não precisa. Aí está o meu ônibus. —Quando já ia dar o sinal ele ultrapassa os dois carros que pertencem ao meu salvador, que estão estacionados na frente do ponto de ônibus, e passa direto. —Khara!

—Vem comigo. —Ele diz todo mandão, como se não quisesse ser contrariado, já colocando a mão no meu braço e me conduzindo até o seu enorme sedã preto.

Um dos seus seguranças abre a porta para mim. Com um suspiro eu deslizo para o interior do veículo. O Adônis se acomoda ao meu lado. Quando seu segurança fecha a porta os seus olhos procuram os meus. O carro tem o mesmo cheiro do dono. Seu perfume almiscarado faz a minha respiração engatar.

O carro começa a deslizar suavemente e eu recosto no encosto macio, apreciando o conforto do carro quentinho. Meu coração b**e apressadamente. Eu estou consciente da presença deste homem charmoso ao meu lado, do seu corpo rígido e musculoso. Perturba-me ter que admitir tudo isso, mas desde que eu o avistei, me sinto estranhamente atraída por ele.

Eu viro a minha cabeça em sua direção, nessa hora ele me pergunta:

—Quantos anos você tem?

—Vinte e cinco. —Digo tentando controlar a minha respiração.

Ele ergue as sobrancelhas surpreso, passando os olhos por mim, pelas minhas roupas novas e pelo meu rosto ainda maquiado. Hoje eu saí do restaurante correndo sem sequer retirar a maquiagem, certamente está toda borrada pelo choro.

—Não parece. Você parece ser muito mais nova.

Eu dou um fraco sorriso.

—Que bom.

Ele inclina a cabeça para o lado e me olha como se estivesse tentando descobrir alguma coisa. Já eu, estou muito ocupada, tentando controlar os meus nervos que querem se transformar em um terremoto. Eu já tinha cravado as minhas unhas com profundidade na minha pele, cerrando os punhos para parar de tremer.

—Eu estou me perguntando se você é algo diferente de uma garçonete? O que você diz sobre isso?

—Eu não sou uma garçonete.

Seus olhos negros ainda estão fixos em mim. Ele parece estar se divertindo, e essa sua diversão o faz parecer enganosamente amigável. Ele tinha genes notáveis no departamento beleza.

—Eu sabia! O que você faz então?

Eu balanço a cabeça, tentando sufocar a minha irritação.

—Sou dançarina.

O motorista desce o vidro que nos separa.

—Para onde vamos? —Ele pergunta.

—Av. Collins.

Eu não passei o número da casa. Eu tinha vergonha do local em que eu morava. Resolvi que era melhor ele me deixar na esquina.

Volto os meus olhos para o cara mais lindo que eu já vi, e que me observa o tempo todo. Consigo ver na meia luz que vem da rua e ilumina o interior do carro, o brilho malicioso nos seus olhos e o sorriso nos cantos dos lábios, isso me irritou um pouco. Infelizmente a todo momento eu encontro homens como ele, que associam a dança com outra coisa.

—Que tipo de dança? —Ele pergunta de repente.

—Dança do ventre.

Seus olhos brilham.

—Verdade?

Assinto para ele e respiro profundamente, fugindo dos seus olhos.

—Está explicado porque tem um corpo tão bonito.

Eu o encaro.

—Obrigado. —Digo secamente.

—Trabalha durante o dia? Estuda?

Começo a achar estranho um homem como ele se interessar por mim. Penso na sua pergunta.

—Não. Há pouco tempo meu irmão estava hospitalizado com câncer. Nos últimos dias ele piorou muito e eu precisei largar tudo para ficar com ele. Ele acabou falecendo.

Lágrimas picam os meus olhos com o surgimento das lembranças. Um nó se aloja na minha garganta, querendo me sufocar. Eu inspiro profundamente para impedir que elas comecem a cair novamente.

—Sinto muito.

Eu aceno um sim e desvio os meus olhos dos dele. O carro entra na minha avenida.

—Onde Senhorita? —O motorista pergunta.

—Pode parar aqui.

O motorista j**a o carro para o meio-fio e para.

—Bem, mais uma vez obrigada.

—Não precisa agradecer, foi um prazer. —Ele diz com um sorriso lindo, aberto e misterioso.

Eu me sinto atraída por ele, provavelmente como todas as outras mulheres indefesas que ele salvou antes de mim, todas vulneráveis e prontas para explorá-lo. Subitamente o medo me assola, mesmo assim, não consigo me afastar daqueles olhos negros, ainda que eu tente. Ele também me bebe com o seu olhar hipnotizante.

—Adeus e boa noite. —Digo quando as portas são destravadas. Eu saio do carro e piso na calçada, achando que nunca mais eu o verei na minha vida. Eu sequer sabia o nome dele. Ledo engano....

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