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Penulis: Major_Canis
last update Tanggal publikasi: 2026-10-26 12:56:44

Como Tara já imaginava, Kara também estava presente no jantar daquela noite. Normalmente, Tara sempre recebia a irmã mais velha de braços abertos, feliz com sua chegada. Até mesmo quando os pais delas apareciam, o ambiente ficava mais animado — embora, quase sempre, as conversas girassem em torno de uma única pessoa.

Kara isso. Kara aquilo. Kara, a filha tão admirável. E Tara? Apenas um mero complemento. Mas, no passado, nada disso a machucava. Ela aceitava tudo de coração aberto. Amava a família incondicionalmente. Até aquele dia — o dia em que descobriu tudo o que Kara havia escondido, da maneira mais cruel possível.

— Preparei sua sopa de carne favorita, Adrian. Quer experimentar primeiro? — A voz de Kara soava suave, cheia de consideração.

Ela estava perto do fogão, com uma colher de sopa na mão, esperando por ele com um sorriso caloroso demais para ser apenas o de uma cunhada.

Adrian, que a observava havia algum tempo, sorriu de leve, sem a menor hesitação.

— Claro.

Ele se aproximou de Kara, inclinou-se um pouco e aceitou a colherada sem pensar duas vezes. Não demonstrou nenhum constrangimento, tampouco fez qualquer esforço para manter a distância entre eles.

— Está deliciosa, Kara. Você realmente sabe como agradar ao paladar — elogiou Adrian, com sinceridade na voz.

Em seguida, lançou um olhar na direção de Tara.

— Espero que você aprenda bastante com sua irmã.

Tara não respondeu de imediato. Apenas permaneceu sentada à mesa, recostada confortavelmente na cadeira, observando tudo com tranquilidade. Saboreava o chá verde que havia preparado enquanto contemplava aquela cena, que agora lhe parecia tão evidente: os olhares demorados demais, os sorrisos carregados de segundas intenções e a proximidade excessiva para duas pessoas que deveriam ser apenas cunhados.

Droga. Por que só agora tudo aquilo estava tão claro?

Pouco depois, passos apressados e leves ecoaram pelo corredor.

— Papai!

Liora apareceu com o rosto alegre e os cabelos um pouco desgrenhados. Correu imediatamente até a mesa de jantar, com os olhos brilhando ao ver a comida, mas logo desviou o olhar para Kara.

— Mamãe Kara, o que você preparou para o papai hoje? — perguntou, cheia de entusiasmo.

Desde o início, Tara deveria ter desconfiado da facilidade com que Liora chamava Kara de “mamãe” e do fato de Kara não demonstrar o menor incômodo com aquele tratamento.

Kara sorriu com ternura.

— Está aqui, meu amor. A sopa de que seu papai gosta, é claro.

Liora se sentou rapidamente, mas, antes de tocar em qualquer coisa, olhou para Tara.

— Cadê o que a mamãe Tara fez?

A pergunta era simples, mas bastou para mudar o clima da sala. Tara lançou um breve olhar à menina.

— A mamãe não cozinhou hoje — respondeu despreocupadamente.

Liora ficou em silêncio por um instante.

— Por quê?

— Não tive tempo.

Liora franziu a testa e empurrou um pouco a tigela à sua frente. Kara também havia preparado sopa especialmente para ela.

— Coma esta sopa, Liora.

— Não quero essa! Quero a omelete que a mamãe Tara faz! — exigiu Liora, elevando a voz. — Agora!

Normalmente, Tara teria sorrido e tentado convencê-la com carinho. Teria feito o possível para explicar tudo com paciência e tranquilidade. Mas, daquela vez, limitou-se a pegar sua própria colher.

— Então, não coma.

Kara e Adrian se viraram para ela ao mesmo tempo. O tom de Tara era indiferente demais, e ela não fez o menor esforço para acalmar Liora.

Kara soltou uma risadinha, tentando aliviar a tensão.

— Liora, não faça isso. A mamãe Kara se esforçou tanto para cozinhar. Coma um pouco. Está gostosa, de verdade.

— Mas eu quero a omelete da mamãe Tara — insistiu Liora, choramingando.

— Liora — chamou Adrian.

Mas, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, Tara o interrompeu, com a voz muito mais firme:

— Coma o que está na mesa, Liora. Afinal, foi a mamãe Kara, de quem você tanto gosta, que preparou, não foi?

Liora soltou um suspiro irritado e começou a mexer a sopa com relutância.

Por alguns instantes, ninguém disse nada. Então, o jantar prosseguiu como de costume.

Adrian pigarreou discretamente antes de finalmente falar:

— Há uma coisa que quero discutir.

Tara permaneceu calada. Sua colher se movia lentamente dentro da tigela, enquanto, pelo canto dos olhos, ela observava o comportamento das duas pessoas sentadas à sua frente: Kara e seu marido.

— O projeto do Neo Group está ficando cada vez mais intenso e exige toda a minha atenção — continuou Adrian.

Ele olhou para Kara.

— Preciso que Kara me acompanhe pessoalmente. Assim, será mais fácil nos deslocarmos e participarmos das reuniões com clientes importantes. Por isso, ela vai ficar aqui por um tempo.

A colher de Tara parou por um instante, mas logo voltou a se mover enquanto ela continuava comendo. Não houve qualquer reação, muito menos uma objeção.

E foi justamente isso que deixou Kara hesitante e confusa.

— Adrian... acho que não precisa disso...

— Eu quero que a mamãe Kara more aqui! — interrompeu Liora de repente.

Todos se viraram para ela.

— Quero que a mamãe Kara fique aqui! Não quero que ela vá embora!

— Liora, meu amor... — Kara tentou acalmá-la, mas a menina já estava de pé na cadeira.

— Não quero que a mamãe Kara vá embora, papai! — gritou ainda mais alto.

Com um movimento brusco, ela varreu a tigela à sua frente. A sopa se espalhou pela mesa, o caldo quente espirrou para todos os lados e a colher caiu com um estrondo.

— Liora! — exclamou Adrian.

Mas os gritos e o choro continuaram. Foi então que Tara se levantou.

— Liora.

Sua voz não era alta, mas bastou para fazer tudo parar.

Liora ficou imóvel. Ainda respirava com dificuldade, enquanto as lágrimas começavam a escorrer por suas bochechas.

— Sente-se — ordenou Tara, com firmeza.

Ela não elevou a voz, mas havia algo diferente em seu tom. Lentamente, Liora voltou a se sentar.

Tara se aproximou com calma, dando passos medidos. Parou bem diante da menina e a encarou com uma expressão indecifrável.

— Quem ensinou você a se comportar assim?

Ninguém respondeu.

— Você derruba a comida, grita à mesa e não demonstra o menor respeito por quem preparou sua refeição.

Liora olhou para Tara, assustada.

— Não vai responder?

— N-ninguém, mamãe Tara.

Tara assentiu levemente.

— Estenda a mão.

Liora não ousou desobedecer. Colocou a mão sobre a borda da mesa, e Tara, num movimento rápido, bateu em sua palma com os hashis que estavam no centro da mesa de jantar.

Repetiu o gesto algumas vezes. Não bateu com força, mas o suficiente para fazer a menina se encolher a cada golpe.

Liora começou a chorar imediatamente, assustada e sentindo dor. Tara, porém, não interrompeu o castigo.

— Eu nunca ensinei você a fazer isso — continuou, mantendo a voz baixa. — Portanto, não repita.

O choro de Liora ficou ainda mais intenso. Kara e Adrian estavam atônitos com o que Tara havia feito, mas não podiam permitir que aquilo continuasse por muito tempo.

Kara se levantou imediatamente e correu até Liora. Abraçou a menina, aflita.

— Chega, chega! Não precisa continuar, Tara. Acho que Liora já se arrependeu.

— Mamãe Kara! — Liora soluçou, quase histérica. — Está doendo! Minha mão está doendo! A mamãe Tara é má!

— Está tudo bem, meu amor.

Kara lançou um olhar para Tara, com o espanto estampado no rosto. Sem dizer mais nada, pegou Liora no colo e a levou dali. O choro da menina continuou ecoando até que as duas desapareceram no andar de cima.

A sala voltou a ficar em silêncio.

Adrian continuava olhando para Tara, com uma expressão difícil de decifrar.

— Você não precisava ter ido tão longe, Tara — disse ele.

Tara não respondeu de imediato. Permaneceu de pé por alguns segundos, até que seus ombros começaram a ceder lentamente. As lágrimas escorreram por seu rosto.

— Me desculpe — murmurou. — Não consigo educá-la direito.

Sua voz tremia.

— Fui dura demais. Deveria ter tido mais paciência.

Ela abaixou a cabeça.

— Eu... fracassei como mãe.

Suas mãos tremiam enquanto enxugava as lágrimas.

— Tara — chamou Adrian.

Mas ela não deu atenção ao chamado e continuou falando:

— Fracassei como mãe adotiva dela. Ah, meu Deus! Se Liora estivesse com a mãe biológica, acho que não se comportaria de maneira tão descontrolada.

— Não, não. Por que você está pensando assim?

Adrian se aproximou, tentando acalmá-la. Mas, em vez de aceitar o consolo, Tara o rejeitou com veemência.

— Não se aproxime, Adrian — advertiu ela, com firmeza.

Seu olhar deixava claro que não queria que ele chegasse perto.

E pensar que, normalmente, Tara sempre fazia questão de estar ao lado de Adrian. Era ele quem costumava tentar manter certa distância dela. Mas... por que naquela noite tudo parecia tão diferente?

— Vou para o quarto.

Tara se virou e saiu sem olhar para trás. Assim que subiu a escada em direção ao quarto, enxugou rapidamente as lágrimas. A expressão de arrependimento por ter disciplinado uma criança tão pequena quanto Liora desapareceu por completo.

Em seu lugar, surgiu um leve sorriso. Ele não durou muito, mas foi suficiente para deixar uma coisa clara: Tara já não ocupava a mesma posição de antes.

Se, até então, ela apenas havia seguido o jogo deles, a partir daquele momento seria ela quem estabeleceria as próprias regras.

— Se vocês conseguem fingir tão facilmente, então eu também posso jogar o mesmo jogo. Prepare-se, Adrian. Você vai se arrepender. E, é claro, minha querida irmã... prepare-se também. Não vou ficar de braços cruzados.

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