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Penulis: Major_Canis
last update Tanggal publikasi: 2026-10-26 12:56:23

Victor estava sentado tranquilamente no banco de trás, como se a conversa que acabara de ter com Tara não passasse de algo corriqueiro. Para ela, porém, fora preciso reunir uma coragem imensa e arriscar o próprio orgulho para fazer aquele pedido.

Tara ficou olhando para Victor por algum tempo, ainda que apenas pelo retrovisor central. Observou como ele permanecia sentado com tranquilidade, os olhos fechados, como se estivesse apreciando o trajeto até o luxuoso apartamento no centro da cidade.

Por fim, Tara rompeu o silêncio entre os dois.

— Tem certeza de que devo manter sua volta em segredo?

Ela voltou a fazer a mesma pergunta. Não era sem motivo. Embora a relação entre Victor e Adrian parecesse distante, os dois estavam ligados pelos negócios. Havia muitas questões que Adrian precisava discutir com Victor antes de tomar novas decisões na Ashbourne Corp. Às vezes, isso o irritava, pois sentia que Victor estava impedindo a implementação de algumas de suas políticas.

— O que você acha? — perguntou Victor, esboçando um leve sorriso.

Tara não teve outra escolha senão assentir.

— Se é essa a sua ordem, vou cumpri-la e preparar tudo o que me pediu o mais rápido possível.

— Ótimo.

Foi tudo o que Victor disse.

Assim que chegaram ao saguão do prédio, um homem vestido com um terno preto veio recebê-los. No entanto, antes de sair completamente do carro, Victor disse:

— Dirija com cuidado, Tara. Não baixe a guarda se quiser chegar ao topo.

As palavras a deixaram atônita. Mesmo depois que Victor e seu assistente desapareceram no saguão do prédio, Tara ainda tentava assimilar toda a conversa que tivera com ele. Só voltou a si quando o toque do celular interrompeu seus pensamentos.

Meu amor.

O nome apareceu na tela. Se não se lembrasse de tudo o que acontecera naquele dia, talvez Tara atendesse à ligação de Adrian de bom grado. Perguntaria do que ele precisava e faria o possível para atender a todos os seus pedidos, apenas para vê-lo satisfeito.

— Alô? — respondeu Tara, com indiferença.

— Onde você está? — perguntou Adrian, num tom ligeiramente ríspido. — Liora precisa de você. Venha logo.

Tara fechou os olhos com força.

Liora.

Sim. A filha adotiva que Adrian sugerira para consolá-la por causa de seus problemas no útero. Uma ponta de dúvida surgiu de repente em sua mente. Será que...

— Sim, chego em casa em trinta minutos — respondeu Tara, encerrando a ligação logo em seguida.

Seus dedos apertaram o celular com força. Ela afastou imediatamente aquele pensamento sombrio e pediu ao motorista que a levasse de volta para casa.

Pouco depois, chegou à residência dos Ashbourne.

— O que aconteceu com você? — perguntou Adrian, parando assim que viu o curativo envolvendo a têmpora de Tara. Seu olhar demonstrava surpresa. — Por que não me avisou imediatamente?

Tara esboçou um sorriso discreto.

— Não queria incomodar você. Afinal... estava ocupado, não estava?

Seu olhar se fixou intensamente no de Adrian.

Ele franziu a testa, confuso e até um pouco desconcertado com a mudança de comportamento dela. O que teria acontecido?

— Claro que não. Você pode me ligar...

— Onde está Liora? — interrompeu Tara, entrando na sala de estar da residência dos Ashbourne, a casa que, durante os últimos cinco anos, considerara seu lar. Sentia-se parte daquele lugar, como se também lhe pertencesse.

— Você não vai me dizer o que aconteceu? — Adrian tentou impedi-la de continuar andando.

— Escorreguei.

Tara ficou bastante surpresa com a atitude dele. Normalmente, Adrian só perguntava por educação como ela estava. Dessa vez, porém, a preocupação em seus olhos era evidente.

— Não precisa se preocupar — disse ela, retomando os passos.

Antigamente, entrar naquela casa sempre despertava nela um orgulho silencioso. Agora, seu estômago se revirava. Algo subia por sua garganta, provocando-lhe vontade de vomitar tudo, inclusive aquela preocupação repentina que Adrian demonstrava.

Adrian continuou olhando para ela por alguns segundos a mais do que de costume. Suas sobrancelhas se contraíram ligeiramente, como se tentasse compreender algo que lhe escapava.

— Tem certeza? — perguntou novamente. — Você está... pálida.

Tara continuou sorrindo.

— Talvez eu esteja mesmo. É perfeitamente normal, considerando que quase sofri um acidente grave.

Kara Evangeline.

A mulher soltou uma risadinha enquanto passava os dedos pelos cabelos de Liora com uma naturalidade impressionante, como se aquele sempre tivesse sido seu lugar desde o início.

— Ah, você já voltou? — Kara se virou, abrindo um sorriso ao vê-los. — Só passei aqui rapidinho. Estava com saudade da Liora.

Seus olhos se arregalaram de incredulidade ao reparar em Tara.

— O que aconteceu com você, minha irmãzinha querida?

Ela se aproximou e, quando estava prestes a tocar o ferimento na têmpora de Tara, esta afastou sua mão bruscamente.

— Me desculpe — disse Tara imediatamente. — Eu...

Não foi apenas Tara que se surpreendeu com o gesto. Kara também ficou atônita. Normalmente, Tara nunca rejeitava suas demonstrações de carinho.

— Estou bem, Kara. Só escorreguei — respondeu Tara, tentando manter a calma.

— Meu Deus! — exclamou Kara, demonstrando preocupação. — Da próxima vez, tome mais cuidado, Tara.

Aquelas palavras teriam parecido perfeitamente normais em outra ocasião. Agora, porém, aquela demonstração de preocupação era simplesmente repugnante para Tara.

— Sim, obrigada por se preocupar comigo.

Enquanto isso, Liora se virou imediatamente para Adrian, levantou-se e correu até ele.

— Papai! — chamou, toda animada.

Adrian se curvou e a ergueu com facilidade, deixando surgir um leve sorriso em seu rosto. Beijou as bochechas da filha várias vezes.

— Minha menina se comportou bem hoje? — perguntou.

— Sim! — respondeu Liora, entusiasmada. Em seguida, lançou um olhar para Kara, como se buscasse sua confirmação.

Kara sorriu com orgulho.

— Ela foi um amor hoje. Pode ficar tranquilo, Adrian.

Tara permaneceu ali, em silêncio, observando discretamente a interação entre eles. Dessa vez, a intimidade era ainda mais evidente, reforçando uma suspeita que antes lhe parecera absurda.

Mas, diante de tamanha proximidade, por que aquilo ainda pareceria absurdo? Agora, tudo estava perfeitamente claro.

Como ela fora tão estúpida!

Kara tinha razão no que dissera naquela manhã. Como Tara conseguira ser tão facilmente enganada? Não percebera nem mesmo algo tão simples quanto aquilo.

— Liora — chamou Kara suavemente, dando um tapinha de leve no ombro da menina. — Vá cumprimentar sua mãe.

Sua mãe.

Tara teve vontade de cair na gargalhada até começar a chorar.

Liora se virou para ela. Seu olhar infantil já não tinha o mesmo calor que demonstrava ao olhar para Kara. Ela franziu a testa e balançou a cabeça.

— Não quero — respondeu prontamente.

O ambiente ficou em silêncio por um instante.

Normalmente, naquele momento, Tara se aproximaria, se ajoelharia diante da menina, tentaria convencê-la com paciência e acariciaria delicadamente o topo de sua cabeça. Dessa vez, porém, permaneceu imóvel.

— Por quê? — perguntou Kara, ainda com a voz suave.

— Porque a mamãe é brava — respondeu Liora sem hesitar. — Ela vive me proibindo de comer muitos doces. Tem regras demais.

Em outras circunstâncias, Tara teria repreendido a menina, explicado o que era melhor para ela ou tentado corrigir seu comportamento.

Mas não naquele dia.

Não depois de tudo o que ouvira.

E, principalmente, depois de descobrir... quem realmente estava diante dela.

Tara tinha absoluta certeza de que Liora era filha de Kara e Adrian. Naquele momento, concentrava-se em observar as semelhanças da menina com os pais. E não havia como negar: Liora era uma combinação perfeita de Adrian e Kara.

Tara respirou devagar e esboçou um leve sorriso.

— Tudo bem — disse calmamente.

Todos se viraram para ela, olhando-a com surpresa.

Tara encarou Liora por um instante — sem raiva, mas também sem decepção. Seu olhar era apenas indiferente, desprovido de qualquer emoção. Então, disse baixinho:

— Faça o que quiser, Liora.

Ela se aproximou e acariciou o topo da cabeça da menina.

— Nunca mais vou proibir você de fazer nada.

Fez uma breve pausa antes de seguir em direção ao quarto. Seu olhar se desviou por um instante para Kara. E, pela primeira vez, falou com ênfase:

— Afinal... você tem sua mãe por perto, não é?

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    A sala de reuniões principal do 35º andar da Ashbourne Corp estava tomada por uma tensão sufocante. A reunião deveria servir para discutir o sucesso de Tara em conseguir um novo contrato de parceria, mas o que se via ali eram apenas expressões de raiva e decepção.Na cabeceira da mesa, Adrian estava de pé, contendo a própria fúria. Seu olhar penetrante estava fixo em Tara, que permanecia sentada tranquilamente na cadeira à sua frente. O contrato de parceria com o Ceso Group estava aberto diante dela, repleto de números riscados e anotações.— Como você explica isso? — perguntou Adrian, num tom baixo que soava ainda mais ameaçador do que um grito.Tara ergueu lentamente o rosto.

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    — Acho melhor você não ir ao escritório por enquanto — disse Adrian, ajeitando os punhos da camisa.Pelo canto dos olhos, ele olhou para a cama onde Tara estava deitada. Apesar disso, o tablet de trabalho já estava no colo dela. A mulher parecia completamente concentrada no que aparecia na tela.— Já estou bem — respondeu Tara, tirando os óculos. — Vou pegar um blazer que combine com você.— Não precisa — impediu Adrian. — Kara já separou um para mim. Às vezes, suas escolhas não combinam muito comigo.Tara sorriu, compreensiva.— Você tem razão.

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    [Victor: Ouvi dizer que você cancelou a reunião com o Ceso Group. O que aconteceu?]A mensagem deixou Tara pensativa. A negociação, que era bastante importante, precisaria ser adiada. Mas, além disso... seu encontro com Victor também havia sido cancelado. Afinal, Tara tinha prometido apresentar a ele um relatório sobre as finanças e o andamento dos projetos conduzidos por Adrian.Tara conhecia a maior parte dos detalhes. É claro que conhecia. Afinal, fora ela quem conduzira as negociações desde o início, até que o projeto estivesse pronto para ser executado. Pode-se dizer que Adrian só precisava receber tudo já organizado.Tara digitou rapidamente uma resposta.[Tara.Ash: Meu estado de saúde piorou de repente. Mas garanto que amanhã me reunirei com eles. E também com o senhor.]Ela enviou a mensagem, e o destinatário levou apenas uma fração de segundo para visualizá-la. Tara ficou um pouco apreensiva, imaginando que tipo de resposta receberia, mas...Seu celular tocou alto de repente.

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    — Deve ter ocorrido algum erro no sistema — disse Adrian, tentando manter a calma. — Por favor, peça a uma enfermeira que encontre um quarto para minha esposa. Quanto à parte administrativa...Ele se aproximou da médica, que ainda segurava o tablet.— Deixe que eu resolvo isso.Adrian praticamente a obrigou a acompanhá-lo, afastando-se do local onde Tara estava sendo examinada. Antes de sair, deixou uma instrução também para Kara:— Vou resolver esse problema rapidinho. Fique com Tara. É só por um momento.Era como se estivesse fazendo uma promessa silenciosa: a pessoa com quem Adrian estava mais preocupado era Kara. Não Tara.As duas ficaram com uma enfermeira, que parecia confusa com toda aquela situação. Pouco depois, porém, ela recebeu a notícia de que Tara já estava autorizada a ocupar um dos quartos VIP. Naquele dia, ela precisaria de cuidados intensivos devido ao seu estado debilitado.Tara permaneceu calada. Seu coração estava em tumulto, e ela lutava contra a amargura que ame

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