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Capítulo 20: O Escritório da Verdade e as Linhas do Tempo

Author: Ester
last update publish date: 2026-09-16 08:29:30

O ar parecia prestes a estalar com a pressão Alfa que emanava de Kaelen e Draven. Seus olhares, pesados e confusos, continuavam cravados na figura do menino que ousara erguer os braços contra eles. Antes que Draven pudesse dar um passo na direção de Aren, ou que Kaelen pudesse decifrar o formigamento que subia por seus ossos, uma silhueta robusta moveu-se com a velocidade que só a experiência concede.

Marta colocou-se à frente do garoto, envolvendo-o com seus braços forte
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    O ar parecia prestes a estalar com a pressão Alfa que emanava de Kaelen e Draven. Seus olhares, pesados e confusos, continuavam cravados na figura do menino que ousara erguer os braços contra eles. Antes que Draven pudesse dar um passo na direção de Aren, ou que Kaelen pudesse decifrar o formigamento que subia por seus ossos, uma silhueta robusta moveu-se com a velocidade que só a experiência concede. Marta colocou-se à frente do garoto, envolvendo-o com seus braços fortes de loba ômega e puxando-o para trás de suas saias com um gesto puramente maternal e protetor. Ela manteve a cabeça baixa, ocultando o choque de sua própria loba perante a presença dos herdeiros Woodstone, e forçou uma voz submissa que camuflava o segredo que guardava no peito há dez anos. — Perdoem-no, Alfas — Marta pronunciou, o tom baixo ecoando firme no silêncio tenso do quarto. — É só uma criança que agiu por puro impulso. Ele não entende as leis da nossa matilha e o r

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    A atmosfera dentro do quarto de hóspedes tornou-se elétrica, pesada com a emanação pura de poder que escapava dos Co-Alfas. Draven deu dois passos largos à frente, fazendo as tábuas do chão rangerem sob suas botas de combate. Suas mãos grandes, marcadas por cicatrizes de garras, abriram-se e fecharam-se em um compasso de puro desespero instintivo. Ele queria tocá-la, cravar os dentes na curvatura de seu pescoço para reivindicar a fêmea que o fizera sangrar em silêncio por quase dez anos. Ao seu lado, Kaelen mantinha os olhos fixos na silhueta de Elara, a mente trabalhando em uma velocidade assustadora, tentando ligar os pontos entre a jovem forasteira que o tio Darius trouxera para a fortaleza e a loba enigmática do lago. — Onde você estava? — Draven exigiu, a voz grossa e áspera vibrando com uma agressividade possessiva que fez a tia Mirela encolher os ombros. Vane, seu lobo, arranhava sua sanidade para assumir o controle físico de suas cordas vocais. — Nós caçamos o seu rastro por

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    O silêncio que desabou sobre o quarto de hóspedes da fortaleza dos Varkos foi tão denso que o som da respiração fraca de Tarek na cama pareceu desaparecer. O ar, antes impregnado com o odor metálico de sangue e o antisséptico trazido por Elara, foi instantaneamente esmagado pela emanação violenta de poder que escapou dos corpos de Kaelen e Draven. Cael Blackroot, que vinha logo atrás dos líderes, congelou no limiar da porta, sua mão descendo instintivamente para o cabo de sua adaga de combate enquanto seus sentidos de Gama captavam a mudança drástica na atmosfera. O tio Darius e a tia Mirela recuaram um passo, os corpos Delta rígidos em uma reverência instintiva perante a pressão Alfa que começou a estalar pelas paredes de madeira rústica. Kaelen deu o primeiro passo à frente, sua habitual postura calculista e mansa desmoronando por completo. Seus olhos verdes brilharam com um fogo esmeralda tão vivo que parecia rasgar as sombras do canto do quarto onde Elara estava encolhida. Em sua

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    O cheiro de fumaça e terra revirada ainda pairava pesadamente sobre a ala sul de Silvaterra quando os primeiros raios de sol romperam a copa das árvores milenares. O ataque dos renegados havia sido repelido com uma fúria esmagadora pelos Co-Alfas, mas o preço da vitória havia sido depositado no sangue de muitos guerreiros. Durante o combate na linha de frente, Tarek Varkos havia se lançado diante das garras de um lobo exilado para proteger a retaguarda dos civis, sofrendo lacerações profundas no abdômen e no peito. Ele havia sido transferido às pressas para o pavilhão médico central, deixando a fortaleza dos Varkos em um estado de angustia. Nos três dias que se seguiram, a Casa da Matilha transformou-se em um quartel-general de alta tensão. As guirlandas e fitas de seda branca da cerimônia de Lunas continuavam penduradas no salão principal, mas o clima festivo fora substituído pelo tilintar de armaduras e mapas táticos estendidos sobre a mesa de carvalho. Faltavam apenas três dias p

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    O carro antigo de Elara avançou em marcha lenta pela trilha de terra batida que serpenteava a mata fechada, com os faróis baixos rasgando a escuridão da floresta amazônica. No banco de trás, Aren piscou os olhos devagar, despertando do torpor profundo que o acompanhara por toda a viagem. Suas mãos pequenas tocaram o vidro da janela e, no milésimo de segundo em que o veículo cruzou a barreira invisível que demarcava o território da Matilha Silvaterra, o menino sentiu um arrepio elétrico percorrer sua espinha. O excesso de energia mística de Sincronia que estava acumulado em sua mente, sufocado pelas paredes de concreto da cidade, encontrou o solo da floresta e descarregou silenciosamente pela estrutura do carro. O garoto sentou-se abruptamente, respirando o ar puro que entrava pela fresta. — Mãe... onde nós estamos indo? — Aren perguntou, a voz miúda, mas firme, enquanto ajustava as novas lentes de contato castanhas que protegiam seus olhos heterocromáticos. — O cheiro daqui é diferen

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    A decisão foi tomada no calor abafado da cozinha, enquanto o eco do colapso de Aren ainda parecia vibrar nas paredes de concreto do apartamento. Elara e Marta não perderam tempo discutindo os prós e contras; o medo pela vida do garoto engoliu qualquer hesitação sobre o julgamento que enfrentariam em Silvaterra. Com as mãos ágeis e trêmulas, elas arrumaram duas malas com o essencial, esvaziando as gavetas sob o olhar atento da loba ômega de Marta, que guardava a suspeita do sangue Woodstone no mais absoluto silêncio. Antes de fecharem os zíperes, Elara aproximou-se da cama do filho desacordado, aplicando com precisão cirúrgica a dose dupla do inibidor hormonal e encaixando um par novo de lentes castanhas sobre as pupilas heterocromáticas. O aroma denso de Alfa que antes impregnava o quarto foi sufocado em minutos, reduzido a um rastro fraco e indetectável. Carregando o menino nos braços com a ajuda de Marta, Elara desceu até o estacionamento subterrâneo, ligou o motor do carro ant

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