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Capítulo 8

Author: Persimmon
Nos dias que se seguiram, fui àquele beco todos os dias, sem exceção.

O beco continuava exatamente como anos antes. Os grafites nas paredes haviam mudado algumas vezes, mas o poste de luz ainda era o mesmo, com sua luz amarela e fraca. Eu me sentava nos degraus sob ele, abraçando os joelhos, esperando do anoitecer até a escuridão completa — observando as silhuetas entrarem e saírem da entrada do beco, sombras que se alongavam e depois ficavam curtas novamente.

Nos dois primeiros anos, dizia a
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  • Espere por Mim no Beco   Capítulo 8

    Nos dias que se seguiram, fui àquele beco todos os dias, sem exceção.O beco continuava exatamente como anos antes. Os grafites nas paredes haviam mudado algumas vezes, mas o poste de luz ainda era o mesmo, com sua luz amarela e fraca. Eu me sentava nos degraus sob ele, abraçando os joelhos, esperando do anoitecer até a escuridão completa — observando as silhuetas entrarem e saírem da entrada do beco, sombras que se alongavam e depois ficavam curtas novamente.Nos dois primeiros anos, dizia a mim mesma que ele estava se recuperando. Ferido demais para aparecer. No terceiro ano, comecei a me perguntar se a identificação do corpo havia sido uma armação — talvez ele tivesse usado um sósia e desaparecido em algum lugar. No quarto ano, parei de inventar desculpas. Apenas continuava sentada ali por hábito.No quinto ano, em junho, uma tempestade atingiu Nova York. O beco ficou alagado, e o reflexo do poste de luz se despedaçava sobre a superfície da água. Eu estava sentada nos degraus com

  • Espere por Mim no Beco   Capítulo 7

    Caleb lidou com todos os envolvidos. Todos, menos Nora. De alguma forma, ela ficou sabendo do que estava acontecendo — desapareceu de Chicago muito antes da operação.Depois que me recuperei, Caleb começou a planejar o casamento.Ele escolheu uma ilha particular no Caribe. Disse que havia tirado três anos da minha liberdade — e passaria o resto da vida compensando isso.O dia do casamento foi perfeito. Eu estava sob o arco de flores, enquanto a brisa erguia meu véu. Gaivotas planavam sobre o mar distante. Os convidados estavam sentados em cadeiras brancas, esperando o início da cerimônia.O primeiro tiro — achei que fosse um barco engasgando.O segundo atravessou o arco. O tecido branco se rasgou, caindo lentamente como nuvens despedaçadas. Os convidados gritaram. As cadeiras tombaram. O terceiro tiro veio do mar — uma lancha preta em alta velocidade avançava em direção à praia, com homens no convés segurando rifles apontados para nós.Caleb surgiu pela porta lateral tão rápido q

  • Espere por Mim no Beco   Capítulo 6

    Vi os olhos dele ficarem vermelhos, abri a boca, mas minha garganta ainda estava em carne viva.Ele pressionou meu ombro rapidamente.— Não fale nada. O médico disse que suas cordas vocais precisam de repouso.Uma batida na porta. Um dos homens dele colocou a cabeça para dentro.— Don, pegamos ele. Está amarrado na sala de interrogatório, como você mandou.Caleb se levantou, abaixou-se para ajeitar o cobertor ao meu redor.— Me dê dez minutos.Depois que ele saiu, ouvi uma porta se abrir e fechar no fim do corredor. Então, alguns gritos curtos e abafados — como se alguém tivesse alguma coisa enfiada na boca. Alguns minutos depois, mais gritos, dessa vez mais curtos. Então, silêncio.Quando Caleb voltou, havia uma pequena mancha escura no punho da camisa. Ele parou na porta, olhou para ela, então dobrou o punho duas vezes e entrou como se nada tivesse acontecido. Sentou-se novamente ao lado da cama.— Acabou. Resolvi tudo com todos os envolvidos — todos os que tinham alguma lig

  • Espere por Mim no Beco   Capítulo 5

    Naquela tarde, três homens me encurralaram no estacionamento do supermercado. Um deles pressionou uma arma contra minha lombar e me empurrou para dentro de uma van preta. Amarraram minhas mãos e meus pés e cobriram minha cabeça com um pano preto. Ouvi um deles fazer uma ligação:— Senhor Richardson, estamos com Olivia Myers. Zona sul, armazém abandonado. Venha sozinho.Fiquei apavorada. Eles me jogaram no chão de concreto. Alguém arrancou o capuz da minha cabeça e passou a ponta de uma faca pela minha clavícula.— A garota do Caleb até que fica bonita quando se arruma.Encolhi-me e não ousei me mexer, repetindo as palavras de Caleb na minha cabeça — Posso manter você em segurança.Ele veio. Sozinho. Em menos de quarenta minutos.Quando a porta do armazém foi arrombada, ele estava coberto de sangue, com fumaça ainda saindo da arma. Ele me puxou do chão e me colocou atrás dele, então se virou e disparou mais três vezes contra os homens caídos no chão. Depois envolveu meu corpo com

  • Espere por Mim no Beco   Capítulo 4

    Tive um longo sonho. Sonhei com a primeira vez que conheci Caleb.Dezessete anos. Eu cursava medicina em uma universidade de Nova York. Naquela noite, saí da biblioteca pouco depois da meia-noite e atravessei o beco atrás do campus. Foi então que ouvi alguém respirando com dificuldade no escuro.Aproximei-me. Um homem estava encostado na parede, com a mão direita pressionada contra o ombro esquerdo, sangue escuro escorrendo por entre seus dedos. Ele ergueu os olhos. Sob a luz da lua, seu rosto estava pálido e anguloso, a testa coberta de suor — mas seus olhos permaneciam firmes.— Não grite. — Sua voz estava tão rouca que quase não consegui ouvi-la. — Me ajude.Eu estudava medicina. Sabia que um ferimento daqueles poderia matá-lo. Agachei-me, rasguei sua camisa — havia um ferimento de bala, ainda sangrando. Usei meu kit de emergência para limpá-lo, estancar o sangramento e fazer um curativo. Ele não emitiu um único som durante todo o tempo. Apenas continuou me observando.— Você é

  • Espere por Mim no Beco   Capítulo 3

    Quando acordei, não fazia ideia de quanto tempo tinha ficado desacordada.Ainda estava naquele mesmo depósito sem janelas. Meu corpo inteiro parecia ter sido desmontado e remontado do jeito errado. A cada respiração, sentia como se algo metálico raspasse minha garganta.Mas ouvi vozes do lado de fora.Uma voz feminina.— Como ela ficou assim?Tensionei-me. Eu conhecia aquela voz.Nora.Minha amiga. A mesma que havia me vendido por vinte mil dólares.— Qual é, Nora. — Disse o sujeito que havia me espancado, em um tom bajulador. — Ela não quis cooperar. Recusou-se a trabalhar. E ainda teve a audácia de dizer que era noiva do Don. Dá para acreditar na cara de pau?Nora me chutou.— Você? Mulher do Don? Vá sonhando.Fiquei deitada ali, machucada demais para me encolher, fraca demais para fazer qualquer coisa além de suportar.— Por que ela não está se mexendo? Está morta?— Não. Ainda está respirando.— Não deixem ela morrer. Seria fácil demais. — A voz de Nora se transformou

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